Para entender a coisa deverão ir a
https://lopesdareosa.blogspot.com/2020/04/nossa-senhora-do-trega-2020.html
Mas aqui vai a minha versão dedicada não só ao do ARRUAZ mas a todos os Guardenses.
Nossa Senhora do Trega
também é da Carallada
Não há boinas na Capela
a que tem é emprestada.
levanta-me
Retrouso
Levanta-me maruxinha
não acorda quem se deita
bamos fuxir na noitinha
logo que acabe a desfeita
Se Santa Trega tem boina
se o Monte tem capelo
nesse dia num há faina
logo venta e xove cedo
levanta-me
Retrouso
Eu rezei-le a Santa Trega
Xá le pedin um milagro
pedin le que nos deixara
subir ó monte este ano.
Levantame
Retrouso
Bamos lembrar neste dia
aqueles que já se foram
lonxe da nossa alegria
perto daqueles que choram.
Levantame
Retrouso
Sem a tua companhia
por muitas cuncas que eu conte
falta-me a luz neste dia.
vou encontrar-te no Monte.
Levantame
Retrouso
Porque choro d'alegria
pra enxutar a tristeza
esta estranha ironia
é do binho concerteza
levantame
Retrouso
Encontrar-nos-emos no segundo domingo de Agosto!
Lopesdareosa
sexta-feira, 12 de junho de 2020
quinta-feira, 11 de junho de 2020
Convento de São João de Cabanas
Não nasci em Afife.
Mas cresci com os meus em Areosa a falarem de Afife como se a outro mundo pertencesse.
Depois Pedro Homem de Mello e Cabanas mítica, onde todos os anos, no inicio de Setembro, acontecia uma pândega por alturas do aniversário do Poeta.
Um dia a minha nai tinha ajudado o meu pai a vestir-se em condições para ir à festa do Poeta convidado por meu tio Zé que, guarda fiscal em Afife, era dos que acompanhava o Doutor Pedro e o rancho de Afife nas idas ao São João d'Arga.
Acabei por encontrar PHM teria eu 15 anos e no ano seguinte assistiria em Carreço a uma revista ensaiada por Manuel Enes Pereira e apresentada por Pedro Homem de Mello, com quem conversámos no fim. E digo nós pois está por aí o Berto Rego que não me deixa mentir!
E Cabanas acompanhou a minha adolescência.
No caminho para as banhadas no Pôço Azul e para a Azenha de Camilo.
Também por alturas dos santos populares e dos bailes na Armada que concorriam com os bailaricos do São João de Cabanas.
Impensava eu que algum dia fosse ter àquelas paragens.
E o certo é que vinte anos mais tarde acabei por adquirir uma propriedade que dista uns cinquenta metros dos muros da tapada do Convento. Ainda lá estou!
E nas minhas deambulações pelas redondezas vou percorrendo aqueles caminhos que conduzem à Armada, ao Alto do Cabecinho, aos Cortiços, ao Largo de Perre ao Penedo da Saudade, ás Laranjeiras...
Enfim à Gateira profunda.
Ora a modernidade deu em colocar etiquetas por todo o lado. E mesmo no muro encostado ao portão que dá entrada ao pátio da Capela do Convento encontrei a seguinte:
Acontece que esta mesma informação consta em
" A fundação primitiva do mosteiro de Cabanas data de 564, sendo atribuída a sua edificação a São Martinho de Dume. Nas centúrias seguintes, o mosteiro prosperou economicamente, tornando-se senhor de todas as terras circundantes. Segundo as Inquirições de 1258 o mosteiro de Cabanas era de padroado real, tendo sido D. Sancho I a definir os seus limites em 1187. Sucederam-se os comendatários, e cerca de 1382 o mosteiro passou para a Ordem de São Bento, tornando-se uma casa de convalescença e repouso de doentes."
Ora o que me faz vir aqui é perguntar à Direcção Geral do Património Cultural, em cima de que evidência documental é que se informa que D. Sancho I definiu os seus limites em 1187. Referindo-se ao Couto decerto!
Já Figueiredo da Guerra datara no ano de 1177 esse acontecimento.
Mas em 2015, França Amaral, no FALAR DE VIANA Volume IV Série 2 (pgs 309 a 313) demonstra que 1177 é uma data errada e nem mesmo 1187 serve, pelas mesmas razões aí encontradas. Resumidamente:
D. Sancho I, ao chancelar o Couto de Cabanas deu por confirmantes alguns dos seus filhos mais três prelados que nas datas indicadas, uns nem tinham nascido, outros ainda não o eram. França Amaral atira a data para 1207 mostrando que pelo menos não poderia ser anterior a 1201, justificando o erro de Figueiredo da Guerra pelo má interpretação de um X aspado na numeração romana do documento.
Aqui chegado já sei que muitos perguntarão para que é que me estou a incomodar com isso. Quem passa, se ler, nunca mais vai ligar ás datas. Outros dissuasores argumentarão que esse pormenor não tem importância.
Outros, porque foi o lopesdareosa a levantar a questão, dirão: - Lá está o gajo e o seu mau feitio.
Acontece que pessoalmente não me preocupa assim tanto datar o que é que o nosso D. Sancho andou a fazer.
O certo é que o fez.
O que me preocupa é que se esta informação do DGPC está errada segundo o que é do meu conhecimento:
- Como poderei acreditar em qualquer outra informação vinda desta entidade sobre a qual eu não tenha escrutínio?
Para os outros que minimizam este sucesso (ou outros) só pergunto se as coisas são assim de tão somenos importância, porque é que o que prevalece é a asneira!
Tone do Moleiro Novo
sábado, 6 de junho de 2020
Estrume Galego
Tudo começou porque existe uma página no face
ORGULHO GALEGO
https://www.facebook.com/orgullosergalego
que em
https://www.facebook.com/photo?fbid=1487626251398637&set=a.576941739133764
Apresenta uma notícida da TVG com esta foto
Com a seguinte explicação
ORGULHO GALEGO
https://www.facebook.com/orgullosergalego
que em
https://www.facebook.com/photo?fbid=1487626251398637&set=a.576941739133764
Apresenta uma notícida da TVG com esta foto
Com a seguinte explicação
"Resulta que uns da cidade van a súa segunda residencia en Chancelas (Poio) e protestan porque cheira a esterco.
Esta xente de onde pensa que sae o que compran no supermercado?
Queren convertir o rural nun parque temático?"
Esta hilariante noticia mereceu-me os seguintes comentários
"Isto na Galiza Norte! (Lá como cá)
- Pois aqui, na Galiza Sul, é a mesma coisa.
Eu sou pela liberdade, pela igualdade e pela reciprocidade. E pergunto:
- Posso protestar se algum urbanóide me cheirar a perfume???
Mas se a localidade se chama POIO, a que é que os urbanóides galegos esperariam que o estrume cheirasse???"
Mas inspirado deu-me para publicar o seguinte:
"Ainda estou a pensar na noticia anterior.
E para que os urbanóides fiquem mais esclarecidos
(e defendidos) quanto ao cheiro da merda, não se cheguem a mim.
(e defendidos) quanto ao cheiro da merda, não se cheguem a mim.
Ainda devo estar impregnado do cheiro à quemua depois de ter ajudado um meu vizinho a estrumar a leira onde depois plantou batatas.
Já agora vou explicar.
O Caixão de madeira contém merda.
O instrumento que tenho na mão chama-se CABAÇO e serve para retirar a merda do caixão e espalhá-la na leira.
É aquilo que estou a fazer para a fotografia. É evidente que é tudo pose. Mas a merda é real, o caixão é real, o cabaço é real o tractor é real e o dono também.
O lopesdareosa é que não é muito aconselhável.
- Há que evitá-lo.
Nasceu (literalmente) em cima de um eido. Ou seja, por cima das vacas. Dormiu com as Galegas e depois com as Holandesas. Cortou mato no monte. Fez a cama ao gado. Arrancou estrume com as unhas. Espalhou jorda nas veigas.
Já na reforma ainda cheira mal.
O curioso é que o lavrador do tractor plantou as batatas.
As batatas cresceram e reproduziram-se.
E o lavrador vai comê-las!!!
Mas os urbanoides não comem destas batatas.
As dos supermercados é que são boas!
Isto também pode ajudar aqueles intelectuais que escrevem sobre as tradições do litoral mas que se esquecem da merda. Mas como as tradições são para ser mostradas por alturas das paradas das Festas d'Agonia, talvez num ano próximo apareça o quadro do caixão da merda, com um voluntário a espalhar água pela multidão acalorada.
E digo água dado que tudo não passa de um faz de conta.
Pode substituir a jorda que a ser utilizada ninguém viria ás festas!
Uma ideia para o GEA."
Mas o meu amigo Luis Carvalhido entendeu comentar desta maneira:
"Meu amigo. Uma vez entraste nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e trazias palha no cabelo. Disseram logo alguns bem estrumados, digo engenheiros asseados: o Lopes esta noite dormiu com as vacas. Sempre duvidei de tal e acreditei que tinhas pernoitado num celeiro com uma das tais galegas, ou seria Holandesa? Um grande abraço."
Ao que lhe respondi:
"Oportuno testemunho que eu não pedi.
É verdade Carvalhido, dormi com as vacas! Em todos os sentidos da expressão!
No eido dormi com elas e com a minha madrinha Maria que era a única pessoa que percebia mais de vacas do que eu! E aqui é que phôdo os burgueses porque não sabem das circunstâncias em que tal acontecia.
Era quando as vacas estavam para parir e se a coisa se metesse pela noite dentro havia que as vigiar todo o tempo.
Então fazia-se um monte de palha numa esquina do eido e era lá que se passava a noite.
Umas vezes acordava com a vaca já com a cria ao lado.
Outras vezes era preciso ajudar a vaca pois nos acordava com a sua aflição.
Então usava uma corda com um laço para retirar a cria.
Ainda me lembro como é. - Posso ensinar!"
Passei isto para o meu blogue pois acho a situação de antologia!
lopesdareosa
Trazia-nos o mar quando cantava...
"Trazia-nos o mar quando cantava..."
Assim começava Pedro Homem de Mello quando se referiu a Francisco Enes Pereira naquela comovente dedicatória que escreveu aquando da morte dos seus vinte anos!
Aqui vai o texto na sua totalidade
Assim começava Pedro Homem de Mello quando se referiu a Francisco Enes Pereira naquela comovente dedicatória que escreveu aquando da morte dos seus vinte anos!
Aqui vai o texto na sua totalidade
FRANCISCO
"Trazia-nos o mar quando cantava...
Era seu canto a própria maresia!
Contudo, em sua boca, uma flor brava –
Rosa de carne – à terra, ainda o prendia.
Nos seus dedos, as sombras das gaivotas
Poisavam sem poisar...
Mastro perdido! Inverosímeis rotas
Que nunca mais hão-de recomeçar!
Seria frágil? Sim, porque era forte.
Seria bom? Não sei... mas era puro.
Tinha a beleza que anuncia a morte
Do lírio prematuro.
Quadril enxuto. E o peito? – Asas redondas
Com que se voa mais que se respira!
Corpo de efebo no cristal das ondas.
Em vez de vermes, algas de safira..."
Não vou aqui explicar quem era este Francisco.
Está tudo em
E
E também
O que vou é visualizar o Francisco Enes Pereira
e ilustrar a voz daquele que, quando cantava, levava o mar aos ouvidos do Poeta.
Este ambiente é na Ilha de Santa Maria nos Açores pelo que apelo à sorte que lá encontre alguém que a situe. Isto no inicio dos anos cinquenta.
E tudo se conjugou, para que eu pudesse escrever isto, com a felicidade de ter encontrado Helena Enes Pereira, filha do Domingos, por isso, sobrinha de Francisco e ao mesmo tempo afilhada de Pedro Homem de Mello, que me deu permissão de publicar estas fotografias e m'as ofereceu via Ernesto Paço.
Fica também à disposição de todos aqueles que estejam interessados em estudar ao que e a quem PHM se referia na sua escrita. Para não inventarem muito.
lopesdareosa
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Cemitério de Afife
Logo à entrada somos recebidos por algumas estrofes de Pedro Homem de Mello.
Lá dentro encontraremos as pedras debaixo das quais estão os restos daquele que nas últimas vontades manifestou o seu querer.
- Enterrem os meus ossos em Afife!
Mas não só aí o cemitério de Afife tresanda a Cabanas.
A todos os que lá estão e a todos os que o visitam faz companhia Ilda Gomes, uma das da Pôça.
Lá dentro encontraremos as pedras debaixo das quais estão os restos daquele que nas últimas vontades manifestou o seu querer.
- Enterrem os meus ossos em Afife!
Mas não só aí o cemitério de Afife tresanda a Cabanas.
A todos os que lá estão e a todos os que o visitam faz companhia Ilda Gomes, uma das da Pôça.
Morreu em Setembro de 1962. E para a eternidade PHM deixou numa memória aquilo que eu considero ser um dos mais belos textos alguma vez escritos na língua que eu falo e escrevo:
SAUDADE
À memória da querida Ilda Gomes
Viver
É ver morrer os outros?
Triste
Corro o jardim sem cor e sem perfume
E tudo em redor, hoje, ainda persiste
Em vir o mar nos ecos de um queixume
Só as hortenses hoje são humanas
E nada mais nos fala. Nada mais
Havia sol nos bosques de Cabanas
Horas felizes de ontem, onde estais?
Pétalas claras que ela amava tanto
nunca outra flor pudera ser tão bela
Ao vê-las lembro o céu por tras do pranto
Azuis eram também os olhos dela.
Ilda Gomes morreu extactamente um ano antes de eu chegar, de bicicleta, a Afife.
Foi no dia da festa da Senhora da Lapa em 1963.
E apenas publico isto dado que a Dinora e sua irmã Maria Rosa, que faleceu o ano passado, me deram permissão de tal.
lopesdareosa
terça-feira, 26 de maio de 2020
Pelas cortas do argaço
Encontrei, publicada pela Adelaide Graça, esta imagem
que me mereceu o seguinte comentário:
"Golfos na praia! Depois das cortas!"
A Adelaide perguntou:
"Cortas?!!!
Ao que lhe respondi:
"As cortas do argaço! As mulheres metiam-se ao mar na maré baixa. As saias enchiam como se fossem câmaras de ar. Cortavam o argaço à foucinha para que se libertasse e desse à praia. No fim havia bailarico!"
Num sou do tempo dos bailaricos. Desses me contou a minha nai que no seu tempo eram animados pelo Toca Tone. Mas não me abandonaram as imagens das mulheres metidas na ondas com as saias enfoladas alí entre a Cambôa Funda e os penedos das Bógas. A minha tia e madrinha Maria era uma delas!
Já ouvi algures que isso, que esta evocação não passava de um romanticismo qualquer sem correspondência com a realidade.
Não tenho nenhuma fotografia desse trabalho que tantas vezes facilitava a apanha de um polvo ou de uma aranhola!
No entanto existiu em Carreço um tal António Silva que nos deixou preciosos testemunhos desse tempo. E esta imagem é a que mais se aproxima do que relatei. Aqui as mulheres, metidas na água, não cortavam o argaço. Já o recolhiam!
Quem não deixou passar essas andanças e danças foi Pedro Homem de Mello no labiríntico degredo a que esta nossa terra nos condena!
DEGREDO
De Pedro Homem de Mello ( de quem mais seria?)
Naquele branco
navio
Que ao longe parece fumo,
Que as ondas do mar salgado
Parecem deixar sem rumo,
Sou eu quem vai embarcado,
Que ao longe parece fumo,
Que as ondas do mar salgado
Parecem deixar sem rumo,
Sou eu quem vai embarcado,
Província! minha província
Como agora me lembrais!
Cheiro da terra molhada
Resina dos pinheirais!
Província! Minha província!
Arga! Bonança! Peneda!
Formariz e Portuzelo!
Abelheira e Pomarchão!
Ai Ponte de Mantelais!
Aldeia de Verdoejo!
Ai S. Miguel de Frontoura!
Friestas! Paçô! Venade!
Vilar de Moiros! Carreço!
Santa Cristina de Afife!
E lá no fundo Cabanas...
Rio Minho! Rio Coura!
Rio de Ponte do Lima!
Rio de Ponte da Barca!
(O mar começa em Vi-Ana...)
Ai! a Torre de Quintela
Mai-la da Glória! Bretiandos!
Ai o paço do Cardido!
Nossa Senhora de Aurora!
Alminhas de Além da Ponte!
Ai Cruzeiro da Matança!
Ai! as árvores da Gelfa!
Bruxarias e ladrões...
Certa mão branca nos muros...
Vozes na casa deserta...
Ai! o vento! A noite! o medo!
E a madrugada! E os poentes?
E as rusgas? E as romarias?
Mocidade! Mocidade!
Capelinha de S. Bento!
Carreirinhos ao luar...
(Por quantos deles não vão
Os homens à perdição
Que logo à morte vai dar?)
Ai! leiras de milho alto!
Videiras! Ai videirinhas!
Canções na pisa do vinho!
Toadilhas de aboiar!
Esfolhadas! Esfolhadas!
Ai! bailaricos na praia
Pelas cortas do argaço!
Tiranas, Viras e gotas!
Verde Gaio! Verde Gaio!
Minha viola bréjeira!
Minha harmónica tombada!
Como agora me lembrais!
E aquele pinheiro manso
Ao dar a volta da estrada?
E aqueles beijos contados
Nos dedos daquela mão?
E as ondas do mar baloiçam
Já não sei que embarcação...
E aquele branco navio
Que ao longe parece fumo,
Que as ondas do mar salgado
Parecem deixar sem rumo,
(Aquele branco navio!)
É vida humana. Pecado
Maior do que o mar salgado.
Que o mar, sem ele, é vazio
Como agora me lembrais!
Cheiro da terra molhada
Resina dos pinheirais!
Província! Minha província!
Arga! Bonança! Peneda!
Formariz e Portuzelo!
Abelheira e Pomarchão!
Ai Ponte de Mantelais!
Aldeia de Verdoejo!
Ai S. Miguel de Frontoura!
Friestas! Paçô! Venade!
Vilar de Moiros! Carreço!
Santa Cristina de Afife!
E lá no fundo Cabanas...
Rio Minho! Rio Coura!
Rio de Ponte do Lima!
Rio de Ponte da Barca!
(O mar começa em Vi-Ana...)
Ai! a Torre de Quintela
Mai-la da Glória! Bretiandos!
Ai o paço do Cardido!
Nossa Senhora de Aurora!
Alminhas de Além da Ponte!
Ai Cruzeiro da Matança!
Ai! as árvores da Gelfa!
Bruxarias e ladrões...
Certa mão branca nos muros...
Vozes na casa deserta...
Ai! o vento! A noite! o medo!
E a madrugada! E os poentes?
E as rusgas? E as romarias?
Mocidade! Mocidade!
Capelinha de S. Bento!
Carreirinhos ao luar...
(Por quantos deles não vão
Os homens à perdição
Que logo à morte vai dar?)
Ai! leiras de milho alto!
Videiras! Ai videirinhas!
Canções na pisa do vinho!
Toadilhas de aboiar!
Esfolhadas! Esfolhadas!
Ai! bailaricos na praia
Pelas cortas do argaço!
Tiranas, Viras e gotas!
Verde Gaio! Verde Gaio!
Minha viola bréjeira!
Minha harmónica tombada!
Como agora me lembrais!
E aquele pinheiro manso
Ao dar a volta da estrada?
E aqueles beijos contados
Nos dedos daquela mão?
E as ondas do mar baloiçam
Já não sei que embarcação...
E aquele branco navio
Que ao longe parece fumo,
Que as ondas do mar salgado
Parecem deixar sem rumo,
(Aquele branco navio!)
É vida humana. Pecado
Maior do que o mar salgado.
Que o mar, sem ele, é vazio
E não só o lirismo de Pedro homem de Mello
Vejamos o "surrealismo" de Ruben Andersen Leitão que nasceu há precisamente cem anos.
Ou seja no dia de hoje, 26 de Maio de 1920
Ou seja no dia de hoje, 26 de Maio de 1920
E não será por acaso que a Casa de Ruben A, em Montedor, foi por ele baptizada de SARGAÇO a que dedicou diversas PÁGINAS.
Em PÁGINAS I escrevia
As cortas do sargaço.
A baixa seca é ás dez horas
Mas o nascente do sol quando brilhava os seus primeiros raios já encontrava os entrudos prontos para a misteriosa faina.
Uns iam nas maceiras e quantas mais maceiradas melhor. Ir e vir sem perder tempo, encher até não poder mais e dar sangue aos joelhos nas raspagens do sargaço. Carregar a terra com adubo e no movimento, debruçadas nas bordas das típicas embarcações, raparigas lançando a foicinha tomavam o sargaço fácil preza de gestos ritmados pela ondulação. Outras, dominavam as pequenas enseadas, passeantes aqui e além. Outras espetavam-se dentro do mar arrancando-lhe baixamente novos feixes de cor. Depois todas elas carrejavam pelas quelhas arrastando o pesado sargaço com a ajuda da corda e do redenho...
Mas o nascente do sol quando brilhava os seus primeiros raios já encontrava os entrudos prontos para a misteriosa faina.
Uns iam nas maceiras e quantas mais maceiradas melhor. Ir e vir sem perder tempo, encher até não poder mais e dar sangue aos joelhos nas raspagens do sargaço. Carregar a terra com adubo e no movimento, debruçadas nas bordas das típicas embarcações, raparigas lançando a foicinha tomavam o sargaço fácil preza de gestos ritmados pela ondulação. Outras, dominavam as pequenas enseadas, passeantes aqui e além. Outras espetavam-se dentro do mar arrancando-lhe baixamente novos feixes de cor. Depois todas elas carrejavam pelas quelhas arrastando o pesado sargaço com a ajuda da corda e do redenho...
Bem, tudo isto é muito bonito. Mas eu já li escrever que o povo a que PHM se referia nunca terá existido para além da imaginação da sua libidinosa tola!
tone do moleiro novo
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Galegos da margem direita
Mais precisamente da Guarda
Viva Trega
Viva Camposancos
Viva São Roque
E que não se esgote o vinho branco no Portinho!
VER AQUI
Lopesdareosa
Viva Trega
Viva Camposancos
Viva São Roque
E que não se esgote o vinho branco no Portinho!
VER AQUI
Lopesdareosa
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