domingo, 6 de setembro de 2026

Águas que brotam

Aquela correnteza do Rio Minho que não séca! 


"A ti

Acorda-me a madrugada de todas as manhãs
e o grito do meu corpo envolve-se no canto
da tua pele com gosto de saliva errante
Lavro poemas no inédito luar de tantas noites
que traduzes sem contar as estrelas
Tomo o paladar de cada momento nos dias todos
dos nossos dias
O tempo é templário de sonhos em outro tempo
Braçadas de água gorjeiam o cântico sideral
dos oceanos. Em festa
Tateio-te no dizer de cada silêncio
de cada palavra
Estende comigo a alva toalha, amor
Regalemo-nos como os pássaros
na árvore."
Adelaide Graça no livro ENQUANTO O POEMA SE DESPE


Num resisti em, assumidamente, dar cabo deste texto. Desconstrução lhe chamei

De mim
todas as manhãs me acorda a madrugada
e o canto do meu corpo envolve-se no teu grito
e a tua saliva errante gosta na minha pele
colho poesia no luar de tantas noites inéditas
contando as estrelas que se traduzem nos teus olhos
e o paladar de cada dia depende de cada momento
e os sonhos de sempre repetem-se no tempo
e nas águas do teu oceano 
avançam minhas mãos cantando deuses

todas as manhãs me acorda a madrugada
Na Alvorada
Soletro cada palavra no silêncio
das árvores que nos cobrem.

-E os pássaros?
Esses, num se calam
como se cala o amor! 

esperando não ser processado! - Barros Lopes





sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Imagens de palavras que são rios.

 

De uma canção Mexicana

"...al mundo que es el gran puerto 

donde unos llegan y otros se van."

                                                                              (Cuco Sanches)


E não é por acaso que uma última publicação de Adelaide Graça se intitula:

No Chão das Metáforas


Anteriormente tinha publicado:


E logo à entrada do das Metáforas, cita António Lobo Antunes;

"Quanto mais silêncio houver num livro, melhor ele é. Porque nos permite, escrever o livro melhor como leitor."

Conjugando os dois títulos com o texto de Lobo Antunes dei comigo a garatujar as folhas das Metáforas com os meus atrevimentos de comentar esse manancial de imagens que, de graça, Graça nos oferece...

... à pagina 78

"...Ainda não me demiti de ser gaivota 
se mulher não me deixarem ser."

Meu comentário:
                          Adelaide... nunca chegarás a gaivota!

(Disse-lho na cara em Vila Nova.)

e já na página 77

"...há um barco que chega
há um barco de parte..."

Aqui volto à canção mexicana com o meu comentário

        Há um Barco que chega...                                                                            - Será esperança?

Há um barco que parte...

Chama-se temeridade!

Num é a primeira vez que me dá para estas coisas.                           

Ver                                              https://lopesdareosa.blogspot.com/2024/04/errar-o-alvo.html

Ver 

https://lopesdareosa.blogspot.com/2026/08/deixem-o-silencio-em-paz.html

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Dulce Pontes com Kepa Junkera

 Em 1999/2000 Kepa Junkera lança um CD 

- Bilbao 00:00 h

Nele um tema tradicional basco Maitie Nun Zirá, cantado pela Nossa Dulce Pontes.

Maitie Nun Zirá?  - Amor, onde estás? Não te vejo, nem tenho notícias tuas. - Onde te perdeste?

Além da extraterrestre interpretação de Dulce Pontes o sublinhado de Kepa no acordeão basco é celestial. É ouvir com atenção a partir do minuto 3:00.


está em 




quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Páscoa em Santa Maria de Vinha de Areosa.

 A Páscoa ainda vem longe mas repasso agora o Livro 

O MINHO - Região de Beleza Eterna do Dr Crespo, publicado na década de 50, possivelmente na segunda metade.

Não vou tecer mais considerações sobre o Autor que cheguei a conhecer, nem sobre o livro senão o pormaior de  uma fotografia que se encontra na página 39 da sua  3ª edição.

Não sem um reparo no que me dana. A publicação de fotografias legendada com genéricos quando, sendo do conhecimento dos autores, estes não sejam mais específicos na identificação das mesmas.









Assim e como se pode ler, que se trata de uma imagem: 

"Nas aldeias verdejantes e alegres entre bênçãos música e flores, o compasso da Páscoa recebe o folar do Sr.  Abade... "

Acontece que a tal aldeia verdejante ( agora amarelante) se tratava de Santa Maria de Vinha de Areosa. Isto porque está lá gente que eu ainda identifico.

A da Parauta

O do Moreno

O do Bica

O Corre-Corre e sua esposa Olívia (se num me engano)

O grandalhão não era o pároco de Areosa. 

O Nosso Quintas disse-me ser de Outeiro. (Carece de confirmação. Quando num sei... num sei - não invento nem digo que acho!)

Todas as outras constantes poderão ser ainda identificadas por alguém com memórias mais bem recheadas que a minha.

Com um abraço me despeço, estilo António Viana.

Vou-me embora, que num tenho a vossa vida!

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A Gôta de Gondarém

 É com as minhas homenagens ÀS DA CHÃOZINHA e ao Joaquim do Penedo, sobrinho da Senhora Artemiza, que a vão ouvir cantar.

Aqui com AS DE GONDAREM em 2004, Senhora d'Agonia, no centenário de Pedro Homem de Mello













Lá atrás, de óculos, o Daniel com os de Lobelhe.

E para quem quiser limpar os ouvidos, a Gôta de Gondarém tocada pelo Tio Benigno e cantada por aquelas vozes que vão desaparecendo.

Falta no ramalhete o Leandro do Milé, o Patego, a Artemisa do Penedo e a Cândida do Guilhadas para a dança que sem ela a Gôta fica sem pinga!

Como tenho a gravação prometida ao Homem da Casa Pereira da Correlhã, talvez se ouça, em São João d'Arga,  a Gôta de Gondarém.




Choverá em São João???

 Mas chove agora. Estou a ver pela janela!











Há muito que de mim já cai a chuva

Sendo ela apenas a saudade

Dos olhos das mãos e da idade

Sem dar ao coração nem uma ruga

 

O tempo passa mas fica o empedrado                                                    

Da calçada das memórias guardadora

Para trás fica o caminho caminhado

Para trás fica aquilo que não fora

 

Liberto agora das correntes

Que preso me mantinham na ilusão

Meus pés que deveriam estar no chão

navegam ainda no mar dos descontentes.