quarta-feira, 1 de julho de 2026

O teu pincel

O teu pincel                                                                                              num pintará minha tela                                                                          nem óleo nem aguarela                                                                        nem mesmo um reles pastel

O teu pincel, óh pintor                                                                            num pintará minha tela                                                                            e quem o disse foi ela                                                                                entre risos e calor 

A tua pena. Poeta!                                                                                    num molharás  no tinteiro                                                                  nem este será cinzeiro                                                                            nesta sala já deserta

A tua parker, escritor                                                                              num borrará meu papiro                                                                            nem ouvirás um suspiro                                                                            no silêncio ao derredor    

a tua trincha, sendeiro                                                                            num trinchará meu acrílico                                                                    se num partiu pró exilio                                                                        manda-a já pró ensedeiro


NOTA. Podem não acreditar mas quem disse que o pincel não pintaria sua tela...foi ela, entre risos e calor!


                                                                     

terça-feira, 30 de junho de 2026

Alfredo Zitarrosa

 Vale a pena saber quem foi este do lado de cá do Mar da Prata.



(Perfuma essa flor, que se marchitó)


Zamba por vos - (Alfredo Zitarrosa)


Yo no canto por vos,
te canta la zamba,
y dice al cantar:
no te puedo olvidar,
no te puedo olvidar.

Y dice al cantar:
no te puedo olvidar,
no te puedo olvidar.

Yo no canto por vos,
te canta la zamba,
y cantando así,
canta para mí,
canta para mí.

Y cantando así,
canta para mí,
canta para mí.

Zambita cantá,
no la esperes más.
Tenés que pensar,
que si no volvió,
es por que ya te olvidó.

Perfumá esa flor,
que se marchitó,
que se marchitó.

Yo tuve un amor,
lo dejé esperando,
y cuando volví,
no lo conocí,
no lo conocí.

Y cuando volví,
no lo conocí,
no lo conocí.

Dijo que tal vez,
me estuviera amando,
me miró y se fue,
sin decir por qué,
sin decir por qué.

Me miró y se fue,
sin decir por qué,
sin decir por qué.

Zambita cantá,
no la esperes más.
Tenés que pensar,
que si no volvió,
es por que ya te olvidó.

Perfumá esa flor,
que se marchitó,
que se marchitó.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Senhor José leite Freire

 O "VINTE E CINCO"

Quando afinal num era. Era filho do verdadeiro

Ver

https://lopesdareosa.blogspot.com/2017/04/francisco-freire.html

Fazendo o favor de ser meu amigo.

Aqui na Praça da Rainha em Viana


E depois a minha coroa de glória.

Em 28 de Agosto de 2002 estivemos em São João d'Arga e deixou-
- me esta recordação.


E já depois da noitada
Quando a consertina esmorece
quando a grande farra acaba
Coisa que nunca se esquece!

A concertina é uma mulher. A felicidade é uma concertina

 Num fui eu o inventor desta acomparação.

Já vem de Setembro de 1992 o título de Helder Pacheco, no JN.

Ver - https://lopesdareosa.blogspot.com/2016/09/a-felicidade-e-uma-concertina.html

E é por alturas da década de noventa, que foi divulgado o mito urbano de que as concertinas teriam caído em desuso!!!

As concertinas nunca caíram em desuso!

O que aconteceu é que o interesse por esse instrumento aumentou exponencialmente... num fenómeno que nem sequer é português.

Na Colômbia desde a década de sessenta.

Na Catalunha e País Basco desde a década de setenta.

No Texas e no Norte do México nunca deixou de ser tocado.

E Etc. Etc. Etc.

...e aqui no Alto Minho muito para isso contribuiu o Augusto Canário e os encontros de tocadores promovidos pela INATEL.

Se assim não fosse como se explicaria o aparecimento do Pedrosa em Fontoura, ou do Vintena de Barcelinhos e tantos outros...quando o Ferreirinha dos Arcos e o da Retorta em Monção já começavam a fazer parte da História.

Esquecendo que nem só no Alto Minho se tocava concertina. 

Macinhata do Vouga (p.e.) num ambiente a que eu chamo a Escola de Águeda onde por isso mesmo apareceram os DANÇAS OCULTAS   ( e num foi por acaso).

- Como se explicaria então que no primeiro encontro promovido Pelo INATEL (1996) aparecessem no Santiago da Barra mais de cinquenta tocadores. ???

Do nada decerto que não!

E nem sequer os encontros de tocadores era inédito por estes lados.

Na década de Sessenta o Delfim dos Arcos ganhou o primeiro prémio num em Ponte de Lima.

Nas Argas e nos fins de setenta o Nelson de Covas foi eleito o melhor tocador. Noutro ano fora o Bouça Lavrada.

Em 1995 houve um encontro de tocadores, promovido pela Senhora Odete Lima de Argela,  no Casino de Afife (onde conheci o Ruka Nogueira de Matosinhos)

E outros um pouco por todo o lado.

Eu próprio participei, em 25 de Março de  1987 num encontro de tocadores promovido pelo Presidente da Junta de Orbacém, Manuel Mesquita. Um baile da  Serração da Velha, no centro cultural de Orbacém.

Isto com os melhores tocadores de concertina e acordeão do Alto- Minho.

Eram eles

O Nelson Vilarinho de Covas

O Fernando Fernando (saudade da Cruz Velha)  do Suajo-Arcos

Armindo Pereira do Cerquido 

Manuel Pocinha de Gondar

Américo Rego de Orbacém

João Zenhas de S-Martinho de Coura ( Vejam lá!)

o Salvador (M.) de Covas (o caralhão)

Manuel Redondelo de Orbacém

António Fernandes de Arga de S. João ( Santo Aginha)

e muitos outros.

Nestes outros apareceram , o João Vilarinho o Alexandro do Amonde o Manuel Mesquita, O Américo Pires de Gondar e o Lopes de Areosa.

Para os arquivos ficou o panfleto da Gráfica do Minho em Caminha.  que aqui vai



Tudo isto e com o contributo do António Fernandes de Santo Aginha, demonstra duas coisas 

Que as concertinas num tinham caído em desuso e a outra. 

Nem no Alto Minho nem em Vairão onde o Senhor Helder Pacheco (em 1992) tirou as suas conclusões filosóficas.



sexta-feira, 12 de junho de 2026

- Vamos ou ímos???

 

 - Vamos ou imos???

Tantas vezes ouvi isto em momentos de indecisão ou então em momentos de espera pelos outros.

O certo é que hoje em dia há como que um pequeno desdém pelo "imos" com o argumento de que se trata de uns restos de Galego que se falava por estas bandas mas que ainda se fala pelas bandas de lá.

Mas acontece que, apesar dos intelectuais distraídos, ainda hoje nós (Galegos do Sul como muito bem nos chama o Tino Baz) continuamos a conjugar o verbo "ir" mesmo quando utilizamos o "vamos".

De facto o verbo é "ir"

Mas "vamos" conjugar no presente do indicativo!

Eu vou

Tu vais

Ele vai 

Nós vamos

Vós ides

Eles vão.

E a pergunta é simples

- Se "nós imos" é uma coisa que vem do Galego -  já ultrapassada -...

... o que é que está a fazer o "Vós ides"  na nossa segunda pessoa do plural do presente do indicativo do verbo "ir" ???

Para continuar a utilizar o "ir" nas outras conjugações - Pretérito Imperfeito,  Futuro, Condicional ...

António Alves Barros Lopes 

( linguista - linguareiro - que não passou da primeira classe. Do tempo em que o Mário Viana lhe ensinou a ler, a escrever e a contar)


sábado, 6 de junho de 2026

GENTE DE AFIFE II

 Na edição de  A  AURORA DO LIMA de 18 de Fevereiro do ano 2000 (!!!) publique a última parte de texto intitulado GENTE DE AFIFE, acrescentando "Pioneiros na defesa do ambiente". Deveria ter também classificado essa gente como pioneiros na defesa do património. 

Tratava-se de publicar o texto de uma "Escritura de Aforamento perpétuo que faz a Câmara Municipal desta cidade...aos povos desta freguesia de Afife..."  de "... um pequeno espaço de terreno comprido e estreito que se mete de permeio entre as terras de cultura e as águas do mar nos limites da sua freguesia e pela maior parte composto de dunas e areia. (17 de Janeiro de 1863). Isto a favor dos outorgantes de Afife e seus sucessores!!!

Pediram os de Afife esse aforamento na "...condição de ficarem todos os terrenos e espaços livres e desembaraçados e abertos para todos os usos públicos...

Por isso e de uma vez por todas "...procuram acautelar qualquer pretenção que por uma surpresa ou com verdade calada se possa obter." Isto no sentido de "...impedir qualquer ocupação particular contrária aos usos dos moradores em comum."

Isto porque "...os Suplicantes tanto das suas casas como dos seus campos...vigiam e olham o mar e que por qualquer sítio pelo caminho mais curto sem obstáculo para os sargaços e para um grande número de pesqueiros e camboas particulares e para outros muitos usos...

...finalidades que também nesse aforamento constavam: 

Mais recentemente manifestei a minha admiração ao saber que o Município, tendo dificuldades de continuar com a Eco Via no litoral em Afife tenha reunido com os proprietários da Veiga para lhes propor  a cedência das testeiras das leiras para que a Eco Via possa continuar. 

- Porque é que a Eco Via não segue a Poente da Veiga pelos terrenos aforados pela Câmara aos moradores de Afife.?

Perguntava eu aqui na A AURORA DO LIMA em 7 de Agosto de 2025 (Afife por ser Afife II). Dando as medidas desses terrenos que constam também nesse aforamento.

- Será que a Câmara desconhece esse documento???

Num acredito.

Já em 1987, Horácio Faria houve publicar este documento em de que foi extraída uma separata. in Cadernos Vianenses 1987.

Acontece também que Horácio Faria em 2015 na Revista CER II série nº 9 Publicou um texto  Linha de costa da freguesia de Afife (1862 – 2014) no qual consta em infografia a localização desses terrenos. Aqui Vai reproduzida.

Sendo assim não acredito que a Câmara de Viana desconheça esta documento da mesma forma que não entendo a dificuldade de continuar a Eco Via, sem incomodar os proprietários da veiga emparcelada projecto realizado não com a intenção decerto de ser utilizado em Eco Vias. Aliás seria retirar ao "emparcelamento" uma área superior à de muitos lotes em que as leiras foram reunidas.
Quanto à gente de Afife que firmou esse documento ( em 1863),  vou citar alguns nomes que eu de Areosa, paraquedista em Afife retenho por me soarem a Gente de Afife.

João Ramos Paz,  Domingos Alves do Poço, Porfírio Gonçalves do Cabecinho, José Rodrigues do Galinheiro, Matias Alves Moreira, João Enes Ramos Fontainhas, Joaquim Alves Bandeira, José Gonçalves Ribeiro, António Fernandes Mirandeiro, António Enes do Vale, Manuel José Alves Moreira e tantos outros.

- Mas para quê falar desta Gente se os seus sucessores, de Afife, já se esqueceram deles???

Nota.

Texto publicado em A AURORA DO LIMA edição de 4 de Junho de 2026. Pgn 22.



terça-feira, 19 de maio de 2026

Diziam ser de Pedro Homem de Mello...

 ... mas num era!

E havia uma imitação de Pedro Homem de Mello.

Voz cava, lenta e profunda.

 

Santa Marta, Santa Marta

Santa Marta de Portuzelo

Ontem mandei uma carta

Esqueci-me de pôr o sêlo

 

Eu que estive quase...quase a comê-lo

Ai aquele fruto que era amarelo

Ai aquele fruto que era um marmelo

E leiloaram aquele chinelo

Deixarem de fora o tornozelo

Queriam cavalo saiu camelo

Queriam que o fosse sido antes de sê-lo

Prometeu dois só fez um panelo

Mesmo assim pequeno pra cozer o grelo

Prometeram farinha, nem farelo

Queriam que o fosse sido antes de sê-lo

Estive quase quase, quase a comê-lo

Quase quase quase

Foi por um cabelo