Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
Com o mar ninguém se meta
Muitos perigos há no mar
Se passar, deixa-o passar
O vulto da meia noite
Sem ter telhado que o acoite
Seu destino é vaguear
Mas há sempre quem se afoite
Quem enfrente a noite escura.
Quem se atreva pela noite
Matar a própria amargura
Se medonha a criatura
Maior será a coragem
Maior será a bravura
Pra vencer tal personagem.
Que siga a sua viagem
Pra ela todo o caminho
Que seja só de passagem
Fique o cravo sem espinho
A morte com seu ancinho
Acerca-se traiçoeira
Vai-te segue o teu caminho
Sai daqui da minha beira.
Minha hora há-de chegar
Comigo que não se meta
Sou como a nau Catrineta
Tenho muito que contar
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