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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

LENGA LENGA AO JANTAR

Pela boca que é a minha
Morre o peixe que é sardinha
Que ás vezes é lucinha
(outras vezes bacalhau
daquele pescado à linha)
Raras vezes é taínha
Misturada com farinha
De milho, trigo, centeio e polinha
Na sertã bem fritadinha
Pois só se mata galinha;
se houver festa da Santinha
Quando o dono tem morrinha
Quando esta tem a galinha
Ou o bicho é da vizinha

E ao cair da noitinha
Avô, Avó, Pai, Mãe e Madrinha
Mais a minha irmã Carminda
Vão rezando a ladaínha
Padre Nosso Salvé Raínha


E o Prior que é fuínha
Assustou a andorinha
Na Páscoa de manhãzinha
Ao tocar a campainha
Por estas Terras de Vinha
Na passagem pr'a Caminha
A toupeira e a doninha
Lavraram o Campo da Linha
Onde os pinheiros dão pruma
E as oliveiras não dão azeitonas
Porque a imaginação já andava longe da Cozinha

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O MEU PAI


“Aquela madrugada que
Viu lágrimas correrem no teu rosto
De alegre se fez triste como se                                   
Chovesse de repente em pleno Agosto”

 (Manuel Alegre – in  O CANTO E AS ARMAS)





Deve ter sido num dia assim que meu Pai partiu para a França. Não assisti. Estava na tropa. Ou no Porto. Ou em Lisboa. Ou em qualquer outro sítio. Não me lembro, nem me quero lembrar.
A sua fotografia nos seus trinta anos na quinta dos Brasileiros numa das festas que o Senhor Oliveira, o Manquitó, dava na sua chegada a Areosa. Ao seu lado a Luzia, mãe do Zé Oliveira Carvalho, Brasileiro Português de Areosa, que nasceu no mesmo ano que eu, no Porto e que aos três anos foi para o Brasil mas nunca deixou de ser português. Por cima estão o Sr. Morais da Casa do Léro ( se não me engano!) e o Senhor Ernesto Mina, este encostado ao gradeamento, que não é mais nem menos que o pai de João, do Necas, da São, da Irene, do Ernesto, e da Fernanda e que morreu aos quarenta do auge da sua vida!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

SANTO ANTÓNIO DE AREOSA

Sozinho fica o António

Descalço e de bibe sujo
Com seus olhos de marujo

A olhar para além do muro
A salvo do gesto impuro

E das tentações do demónio
Sozinho fica o António

Fechado mas não seguro

À MINHA  IRMà CARMINDA









































- Lê Minda, lê!

E ficava à espera da chegada da irmã. Vinha da escola e já sabia ler. E ler era o abrir os livros, o ouvir da boca da irmã os sons que sabia existirem naquelas figuras estranhas por debaixo dos bonecos. Mas só a irmã é que detinha o poder, a magia e o segredo de transformar em palavras os sons que sabia estarem escondidos naquelas linhas dos livros.

- Lê, Minda, lê!

FOTOGRAFIA DOS TEMPOS DAS PARADAS NAS FESTAS D'AGONIA

Da nossa esquerda para a direita. A Zia do Pinheiro, a Irene do Ribeiro, a Carminda do Moleiro Novo, a Sara dabeira do Zé do Coura, a São do Bispo, a Aurora da Seixas e a Lila do Fusco. Se não for assim eu corrijo!