Encontrei isto em Tomaz Kim
"Quando a Morte Vier, Meu Amor
Quando a morte vier, meu amor,
fechemos os olhos para a olhar por dentro
e deixemos aos nossos lábios o murmúrio
da palavra branda jamais pronunciada
e às nossas mãos a carícia dispersa;
relembremos o dia impossível,
belo por isso e por isso desprezado,
e esqueçamos o que nos não deixaram ver
e o resto que sobrou do nada que possuímos;
deixemos à poesia que surge
o pranto de quem a trocou para comer
e os passos sem rumo pelas ruas hostis;
deixemos à carne o que não alcançámos,
e morramos então, naturalmente..."
fechemos os olhos para a olhar por dentro
e deixemos aos nossos lábios o murmúrio
da palavra branda jamais pronunciada
e às nossas mãos a carícia dispersa;
relembremos o dia impossível,
belo por isso e por isso desprezado,
e esqueçamos o que nos não deixaram ver
e o resto que sobrou do nada que possuímos;
deixemos à poesia que surge
o pranto de quem a trocou para comer
e os passos sem rumo pelas ruas hostis;
deixemos à carne o que não alcançámos,
e morramos então, naturalmente..."
Lembrei-me de imediato naquela quadra que As de Gondarém me ensinaram:
Eu hei-de morrer cantando já que chorando nasci eu quero ganhar na morte o que na vida perdi
No entanto o que mais me impressionou em Monteiro-Grilo foi:
...deixemos à poesia que surge
o pranto de quem a trocou para comer...
o pranto de quem a trocou para comer...
...de facto!!!
Tomaz Kim, in 'Dia da Promissão'
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