“- E serão tais histórias
do interesse de quem?
- Dos Areosenses?
Mas os Areosenses,
tenho-o dito e acho que já o escrevi, são uma espécie em vias de extinção. O
que há cada vez mais é residentes em Areosa, aos quais nada disto interessará.”
(António
Martins da Costa Viana, Areosa, 8 de Outubro de 2011 no GEA)
E
já que estamos em matéria de citações e porque
quem
não cita frequentemente num
é filho de boa gente,
aqui vai uma de João de Melo. ( do JN)
"Agora parece-me que
todo o tempo é de passagem. Que de muitas coisas nós somos mais ou menos
póstumos. Que de certa forma, apesar de viver, somos ou passamos a ser os
primeiros e únicos antepassados nossos"
Ora para muita e boa gente a
história começa no dia de hoje como se não houvesse passado tentando
esquecê-lo, sem reparar que o nosso futuro será o passado de alguém que depois
de nós virá e que seremos escrutinados por isso e responsabilizados pelas
consequências das nossas atitudes.
Outros hão que pensam que o
mundo começou no preciso momento em que nasceram. E que o Criador neles
derramou toda a sabedoria. Num Buraco Negro, achicadouro de todo o conhecimento
passado presente e futuro
Esquecer o passado pode não
causar mossa se de coisa irrelevante se tratar.
Mas também se corre o risco de
perpectuar a asneira.
Os nossos valores podem não
prevalecer. O pragmatismo e a acomodação levar-nos-ia a alinhar com os
vencedores. Facílima opção! O triunfo, por si só, é sempre fascinante. O
problema é quando o triunfo é o da asneira.
- Mas haverá vanglória nessa
circunstância??
Aqui chegado mais uma citação.
E de um brasileiro...vejam lá!
- Darcy Ribeiro
"Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
...........................................
Mas os
fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me
venceu."
Mas pior que
esquecer o passado é tentar obliterá-lo! E já o Estaline, por exemplo, tentava
apagar o passado com uma safa. Pelo menos lá tentar...tentou! E quando se fala
em Estaline logo se pensa em comunismo. Mas não consta que Marx, filósofo,
desdenhasse do passado, aliás em cima do qual construiu as suas lucubrações.
- E os desenraizados
caminham em cima de que calçada???
Se não houvesse
passado, Areosa não existiria nem teríamos uma Igreja de Santa Maria de Vinha
construída. Nela se celebram baptizados e despedidas. E casamentos também. No
entanto, muitos noivos, nela, a única coisa que abraçaram ( e abraçam?) de
Areosa foi (é?)...a noiva!
Na parte que me
toca abracei uma alfacinha e não foi na Igreja.
Foi na
conservatória. E, apesar dos falhanços da nossa administração pública, a coisa
ainda se conserva.
Bem conservada
numa lata daquelas em que se guarda o bocarte.
Diga-se em abono
da verdade que a minha ressalada foi a única parte da capital do império que abracei.
Mas por esta não morri de amores, nem
morro. Mas isso não me levaria a não ir em seu socorro se esta Luminosa Fonte fosse
atacada por sarracenos ou castelhanos!
Não iria dar de
barato aquilo que tanto custou ao Franco-Leonês que, apesar de filho da
estranja, muito lutou para nos deixar um legado que tantas vezes não merecemos.
Quanto às
memórias fico a pensar:
- Quem não sabe ou
se esquece de onde vem, calceta os seus caminhos em cima de que valores, em
cima de que referências?
"Não
faz sentido"...dizem
os avançados cérebros dos desenraizados!
Para mim também
nada faz sentido...sem o FIRME! (1)
Aprendi isso
na Tropa!
António
Alves Barros Lopes
(1) – Por isso
defendo Olivença!
Igreja de Santa Maria de Vinha de Areosa, tão portuguesa como Olivença.
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