quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Deixem o silêncio em paz!

 Deixem o silêncio em paz!

De Adelaide Graça, fonte de permanente  inspiração. 

Água num lhe falta. 

O rio Minho inda num secou!


"Não perturbemos o silêncio
Passeemo-nos nele sem calcarmos demasiado o chão."


Aqui vai o meu apoio


Não incomodemos o silêncio

Deixemo-lo muito encolhido

no seu canto

Deixemo-lo amarfanhado e solitário

Sem ruído

sem conversas e sem canto

sem o som das lágrimas quando caem

sem o fragor das palavras quando traem

que nem o Sol tremule ao cair o dia

que não bula sequer a ramaria

pois do vento se dá pela presença.

Que não se sinta sequer sendo imensa.

A saudade maior que os sinos de Tibães

Que num ladrem os remorsos nem os cães

Que mordem essa alma abandonada

Pé ante pé passa na calada.

Não petes a desdita nem sua ideia

Pode ser até que na calçada

se ouça mesmo o ranger da areia

                         lopesdareosa

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