Deixem o silêncio em paz!
De Adelaide Graça, fonte de permanente inspiração.
Água num lhe falta.
O rio Minho inda num secou!
"Não perturbemos o silêncio
Passeemo-nos nele sem calcarmos demasiado o chão."
Aqui vai o meu apoio
Não
incomodemos o silêncio
Deixemo-lo
muito encolhido
no seu canto
Deixemo-lo
amarfanhado e solitário
Sem ruído
sem conversas
e sem canto
sem o som
das lágrimas quando caem
sem o fragor
das palavras quando traem
que nem o
Sol tremule ao cair o dia
que não bula
sequer a ramaria
pois do
vento se dá pela presença.
Que não se
sinta sequer sendo imensa.
A saudade
maior que os sinos de Tibães
Que num
ladrem os remorsos nem os cães
Que mordem
essa alma abandonada
Pé ante pé
passa na calada.
Não petes a
desdita nem sua ideia
Pode ser até
que na calçada
se ouça mesmo
o ranger da areia
lopesdareosa
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