Quando um dia te lembrares de mim avisa o tempo
Que eu ando por aí mas não perdido
Diz-lhe que de mim o teu conhecimento
Não é dos lugares
que frequento
Mas, em ti, de não andar esquecido
O tempo distraído
vai passando
Sem dar por mim e eu sem dar por ele
( olho as horas mas só de quando em quando)
E o tempo vai ardendo em lume brando
Sem se importar quem seja aquele
Que com ele
vai de caminhada
Diz-lhe que me conheces, há muito, muito tempo
D’um carreiro d’um caminho d’uma estrada
Mas que me afastei sem levar nada
Tocado pela chuva, pelo frio e pelo vento
Que esteja agora mais atento
ao meu, já cansado e só, trajecto
Que percorro agora com mais calma
Que o ponto de encontro está mais perto
Onde não há luz, apenas um deserto
Onde além de mim não há vivalma
Autor esquecido, citado por lopesdareosa
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