terça-feira, 4 de agosto de 2026

O TEMPO

 

Quando um dia te lembrares de mim avisa o tempo

Que eu ando por aí mas não perdido

Diz-lhe que de mim o teu conhecimento

 Não é dos lugares que  frequento

  Mas, em ti, de não andar esquecido

 

O tempo distraído 

vai passando

Sem dar por mim e eu sem dar por ele

( olho as horas mas só de quando em quando)

E o tempo vai ardendo em lume brando

Sem se importar quem seja aquele

Que com ele 

vai de caminhada

Diz-lhe que me conheces, há muito, muito tempo

D’um carreiro d’um caminho d’uma estrada

Mas que me afastei sem levar nada

Tocado pela chuva, pelo frio e pelo vento

 

Que  esteja  agora mais  atento  

ao meu, já cansado e só, trajecto

Que percorro agora com mais calma

Que o ponto de encontro está mais perto

Onde não há luz, apenas um deserto

Onde além de mim não há vivalma


Autor esquecido, citado por lopesdareosa




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