quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Ana Carla Almeida

" - É para mim fundamental o respeito pela independência da Procuradoria Europeia, o regular funcionamento do Estado de Direito, o direito que os cidadãos têm à boa administração e ao respeito pelo princípio da transparência no funcionamento das instituições que nos governam..."

Ver em 

https://www.rtp.pt/noticias/pais/ana-carla-almeida-apresentou-uma-acao-no-tribunal-da-uniao-europeia_v1296432

Comentário meu:

Tão simples quanto isto!

Mas gostaria  que...

"o regular funcionamento do Estado de Direito, o direito que os cidadãos têm à boa administração e ao respeito pelo princípio da transparência no seu funcionamento" 

fosse também fundamental para as tais instituições que nos governam!

( Não choraria os impostos que, copiosamente, pago!)

tone do moleiro novo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Pedro Homem de Mello Dispersos

 Pedro Homem de  Mello  Dispersos


Se eu cair a meio do caminho                                                       Ajudai-me amigos a erguê-la                                                         A paixão será sempre o meu vinho                                                  Esta cruz que será sempre a minha estrela


Quero essa boca rosa que os desejos                                           dia após dia trémula amordaçam                                                dou-te os meus olhos azuis de Azulejos                                       que ficam cegos quando por ti passam


COMENTÁRIO

E se os meus lábios húmidos e lassos                                      calarem a voz que o olhar não nega                                            na fina união encontrarás os traços                                            das sete letras da palavra entrega.

tone do moleiro novo

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O Matadouro dos frangos.

 Foi construído no "Campo das Rás" a Nascente da "Veiga do Gandarál"  - Além-do-Rio. Santa Maria de Vinha de Areosa!

Vai  dar, na área do PIERACA, em numa unidade de acondicionamento, tratamento, transformação, armazenamento, embalagem e comercialização dos produtos agroalimentares provenientes, na sua maioria, dessa mesma área abrangida nessa mesma área.

Acontece que os terrenos onde está implantado foram classificados pelos técnicos agrários da Secretaria de Estado da Agricultura, integrada então no Ministério da Economia, e segundo a aptidão agricola desses terrenos aráveis. Isto na primeira metade dos anos 60 aquando do início do Plano de Emparcelamento das Veigas de Areosa, Carreço e Afife.

Desse tempo está o Eng Alexandre Marta, que trabalhou directamente  no terreno, elaborando um plano de "restituição" das leiras da veiga que consistiu essencialmente em traçar a tinta nanquim vermelha os limites de cada leira até ao pormenor, em folhas de fotografia aérea de toda a área das veigas de Areosa Carreço e Afife integradas no tal Projecto de Emparcelamento. Este trabalho gráfico era acompanhado do cadastro de cada proprietário, suas proiedades, confrontantes e áreas.

Acontece que então os terrenos foram todos classificados segundo o seu valor agrícola como terrenos de:

1ª - Terrenos lentos chamados de prado permanente a que nós chamamos pauis - os melhores. 

Depois vinham terrenos de 

2ª e 3ª, mais secos 

e outros até de 4ª e 5ª, aforamentos rochosos, de matos e giestas, sem qualquer peso significativo na área total.

Em função deste plano a propriedade foi redimensionada e relocalizada em lotes de maior área concentrando assim numa unidade as leiras de cada um dispersas pela veiga. Alguns, muito poucos, proprietários conservaram várias leiras e campos no seu local original.

E a redestribuião dos lotes foi feita e cima da pontuação dada a cada categoria de terreno pertencente a cada um. Por exemplo se um proprietário tivesse um paul e fosse relocalizado em terrenos de 2ª, receberia mais área. Quando acontecia o inverso o inverso invertia-se na mesma ordem essa redestribuição.

Acontece que nessa avaliação feita pelos técnicos apenas foram levados em conta critérios de qualidade intrinseca desses terrenos e da sua aptidão para serem considerados agricolas ( aráveis).

O que quer dizer que a todos os proprietários foi aplicada essa mesma regra. Ou seja não foram considerados parámetros como fossem a posição dos terrenos relativamente à Praia ou à EN13.

Nem tão pouco foram tidas em conta a possibilidade de determinados terrenos serem passiveis de serem ocupados, com qualquer estrutura construida, e outros não!

Acontece que o campo onde foi implantado o Matadouro dos Frangos pertencia à Casa do Rei e eram terrenos alagados de inverno a que por isso lhe chamavam o "Camo das Rás". Terrenos de 1ª evidentemente.

Mas agora aparece o tal PIER projecto agora em discussão pública!

Que afinal se propõe legalizar o tal matadouro

Mas ao mais dos comuns proprietárias na área do emparcelamento sempre foi vedada a construção de estruturas desta envergadura e natureza. 

Mas o matadouro foi construído! Privilégio afinal vedado aos outros proprietários cujos terrenos foram classificados nos mesmos parámetros do "Campo das Rás"

É de salientar que esse matadouro está conatruido em Áreas de Protecção à Paisagem ou de "Elevado valor paisagístico" com queiram

Basta estudar o PDM em vigor.


Com o sitio onde está o matadouro assinalado em circulo vermelho. 

Aumentando a legenda se pode ler que faz parte das



Aqui chegados sabem o que é que consta no Regulamento do PDM em vigôr???

      Artigo 15.º

      Edificabilidade

     1- Os Espaços Agrícolas de Elevado Valor Paisagístico são non aedificandi, não ssendo permitidas quaisquer construções, de carácter definitivo ou precário, incluindo eestufas e painéis publicitários.  

  Mas foi publidado em 2014 uma alteração ao regulamento do PDM que cconservando o Artº 15, já o Artigo 14º o nº 2 passou a ter a seguinte redacção:

    2 - Poderão ser viabilizadas as utilizações não agrícolas previstas no Regime da             RAN, nos termos definidos no referido Regime, nas áreas não classificadas               como "Áreas de Elevado Valor Paisagístico".

      Assim basta alterar o PDM na proxima revisão e aquelas  Áreas que anteriormente estavam classificadas como "Áreas de Elevado Valor Paisagístico"… deixem de o ser e tudo ficará             conforme a LEI

     Passa-se o mesmo caso com as estufas ( com o seu local assinalado num circulo azul no mapa anterior) com  uma particularidade. Enquanto no caso do matadouro o terreno original não deu origem a um lote localizado noutra veiga, já no caso das  estufas, estas ocupam agora, ou vão ocupar no futuro,  áreas que originalmente pertenciam  a  proprietários cujos novos lotes foram localizados noutros sítios.

-   E o  que é que vê agora essa gente?  

    A introdução de mais valias nesses terrenos que outrora lhes pertenciam e ao           mesmo tempo, a impossibilidade de fazerem o  mesmo nos lotes que lhes tocaram.

( ( De notar o pormenor de que o tal zonamento é contínuo, como se não existissem, matadouro e/ou estufas ou como se estas fossem elementos integradores dessa mesma paisagem.  Criando a ilusão que não existem esses tropeços na paisagem!) 

  Ou seja, O PIER, ( da mesma forma que já a introdução no PDM, em 2008 da tal “área de elevado valor paisagístico” fazia acontecer) vem permitir a um, dois, três ou meia dúzia de proprietários, num universo de novecentos (!) que introduzam mais valias nos seus lotes, privilégio  que, esteve, está e estará vedado aos restantes. A estes caberá futuramente o ónus de preservar as tais lindas paisagens

Quando afinal de contas todos os terrenos foram classificados em cima dos mesmos parámetros!

    A isso chama-se discriminação e na parte que me toca se um dia ia vier a ser proprietário, herdeiro de um velho agricultor a cuja herança já me habilitei!...                     

    A  primeira coisa que vou fazer no meu minifúndio é uma destas:

   Ou  uma estufa,

   Ou um armazém para guardar milho, forragem ou gado

   Ou uma área de aparcamento de alfaias agricolas

  E se o PIER levantar algum problema irei para os judiciais. 

   No limite ganharei a questão sabem porquê. 

    Porque no Consticional fazem cumprir a constituição!                                                     E sabem o que a  Constituição diz:


Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

 
(Isto na convicção que os mesmo sprincipios se aplicam aos labregos)


   Mas esperanças não me faltam. 

    Nos próximos quatro anos terei uma testemunha de peso.      

        Um tal  académio constitucionalista chamado Marcelo Rebelode Sousa, que vai          ganhar as eleições para Presidente da República e que por isso vai jurar fazer             cumprir a constituição. 

      No que eu aliás acredito pois já o fez há quatro anos!                                                     

        lopesdareosa








E



sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Ofélia das Caxenas!

 Devo esta ao Carlos Amorim!



O Carlos Amorim, o Carlos da Armandina, o Carlos de Santo António, partiu-me todo!

Hei-de datar esta fotografia!
(Inicio dos anos 80)

Foi a festa de homenagem à Ofélia das Caxenas promovida pelo Casino de Afife.

Segurando o microfone, David Freitas, o meu exemplo de vida.

Depois a Ofélia, a musa do Doutor Pedro na sua despedida à poesia!

Depois o Nelson de Covas e aquela concertina em Sol Sustenido na qual eu aprendi a tocar!

E lá atrás a Maria d'Agonia, à data na Direcção do Casino!

Não ficaram na fotografia os cinco de Gondarém.

O Tio Benigno, 
o Patego, 
o Catrelo, 
a Artemisa do Penedo 
e a Maria do Cauculo. 

Mas também estiveram lá!

No entanto ja o Catrelo tinha tomado o lugar do Leandro do Milé de Mangoeiro.

E já A Maria do Cauculo tinha tomado o lugar da Cândida do Guilhadas.

A minha arte treminou, mas não se vende! 

Pendurou num letreiro, O Tio Benigno quando abandonou os ferros da laboura!

A Arte desta gente, que não a vendeu a ninguém, perdurará na minha memória e de tantos outros.

lopesdareosa





quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Ruralidades à Moda do Porto...ou de Oliveira de Azemeis!

 Comecemos por Oliveira de Azemeis.

Quinta dos Borges




 Uma antiga quinta agricola do inicio do século XX  agora já envolvida pela Cidade de Oliveira de Azemeis com dezenas de  edificações aotónomas e uma casa principal de família. Atravessada diagonalmente  por um curso de água, que estava vocacionada para a prática da Agricultura.

 Mas agora... agricultura... nicles!

Valha-nos que vai ser mais uma quinta pedagógica e permitir a memória do espaço!

Num sei para que servirá a tal pedagogia se do espaço nos restar apenas a memória!

Mas valha-nos que tudo vai dar num parque urbano com pequenos animais, parque infantil e juvenil, circuitos e equipamentos para a prática de desporto, estruturas de Slide e arborismo, um anfiteatro ao ar livre e zonas de restauração e de repouso.

MAS NÃO É CASO ÚNICO!

Porto - Campanhã

Quinta do Mitra




Esta é mais sofisticada. Esta até vai ter um parque de estacionamento. 

Mas também agricultura...nikles.

Até as hortas terão que ir prantar hortaliça para outro lado.

Nem as hortas urbanas do saudoso Ribeiro Telles se safam! 

Mas aja fé. Pois temos a garantia de Rui Moreira

Ou seja um dia destes ainda  Oliveira de Azemeis e o Porto vão ganhar a bandeira verde da sustentabilidade, mesmo sem a agricultura e a laboura!




NO ENTANTO Há quem resista...
Ainda há quem insista em salvar a honra do convento e resistir ás tentações urbanísticas e urbanoides!

Quinta de Murta em Lordelo do Ouro

Vá lá que nem chegaram à agricultura!
Ainda preservam a lavoura com caseiros e tudo!

Fora das bandeiras verdes de sustentabilidade...persupuesto!
Lopesdareosa





quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Novecentos Campos de Futebol

 Publicado no ALTO MINHO de 30 de Dezembro de 2020



Estou a pensar se é pretenciosismo ou generosidade!

Esbarrei com esta no ALTOMINHO da semana passada!

Em primeiro lugar aos agricultores de Afife Carreço e Areosa, saíu-lhes a sorte grande.

Como nestas freguesias, o seu total anda pelas duas (?) dezenas tocará 45 campos de futebol a cada um!!!

É evidente que a notícia se deve referir aos proprietários que serão cerca de 900 (novecentos).

Depois aquela de Viana devolver...etc e tal!

- Devolver o quê???

- O que nunca lhe pertenceu???

- O que sempre foi dos respectivos Proprietários???

Depois há umas afirmações deveras curiosas:

O novo plano (um tal PIER) retomou

"Um processo de emparcelamento das veigas daquelas três freguesias iniciado em 1989, e que está desajustados ds seus objectivos e funções face à actualidade"

Em primeiro lugar
O processo de emparcelamento das veigas daquelas três freguesias não foi iniciado em 1989!

Foi iniciado na primeira metade da década de sessenta tendo os tecnicos da então Secretaria de Estado de Agricultura ( aiinda não havia ministério se não me angano) elaboraram a "restituição" de todas as leiras e realizaram a sua classificação segundo o seu valor como terenos de cultivo em Classes - de 1ª de 2ª e de 3ª. Havendo ainda alguns, poucos, classificados como de 4ª e 5ª.

Essa restituição foi feita em cima da fotografia aérea com finos traços em nanquim vermelho representando todas as leiras mesmo as mais pequenas. Completavam oo processo, fólios contendo o nome de cada um dos proprietários, suas propriedades e respectiva matriz predial, constando aí, áreas, confrontantes e sitios.

Todo este trabalho o vi muitas vezes nas instalações do MA alí na Rua de Aveiro Agora não sei se alguém sabe onde pára esse espólio.

Sobre esse trabalho ainda podem indagar junto ao Eng. Alexandre Marta protagonista do mesmo e que ainda pára no meio de nós. É só falar com ele!

Depois podem também contactar com um tal Armindo, que já em 1989, lhe passou tudo pelas mãos.

E também falar com o Areosense Eng Fernando Viana e perguntar-lhe se o paleio do Lopes tem alguma consistência.

Em segundo lugar o tal emparcelamento
"...está desajustados ds seus objectivos e funções face à actualidade"

Quem disse issso???

- Será que na actualidade não se pratica mesma coisa que em 1989???

Em Areosa perguntem ao Ernesto Minas ou àqueles que cultivam os terrenos do Malheiro Reimão

Em Carreço perguntem aos Cachoilos e em Afife ao Manel do Simão

MAIS

"Passaram 31 anos e houve mudanças na utilização do solo, nas tecnicas agrícolas e novas abordagens agricolas. Os agricultores queriam evoluir, mas o plano não comportava as novas realidades"

- Que Agricultores???

- Quais foram os que se queixaram de algum constrangimento??

- De que ordem serao então esses constrangimentos de que os agricultores queixam???

MAIS

"Actualmente alguns do uso dos terrenos são as silvas"

Hoje são as silvas, mas classificados como terenos de 1ª, 2ª e 3ª, amahã poderão continuar a ser agricultáveis. Se desvirtuarem essa classificação e lhes dão outro destino, é que não!

MAIS

"Como não havia um plano específico para o emparcelamento não se podiam aprovar projectos por insuficiência legal."

- Que diabo de projectos seriam esses que não se pudessem aprovar com a veiga classificada como está???

MAIS

"Muitos agricultores, estamos a falar de dezenas, que têm terrenos nesta zona, deixaram de os utilizar porque a agricultura que foi pensada em 1989, hoje não faz sentido."

Ora os agricultores que eu conheço, que têm terrenos nesta zona,não deixaram, ainda, de os utilizar

O que eu sei é que não aparece quem queira fazer lavoura, a tal agricultura familiar incluida, por já não haver espaços para instalar infraestruturas de apoio - instalações para colheitas, instalações para recolha de gado, instalações para aparcamento de máquinas.

O espaço onde tradicionalmente esses estruturas existiam, Quintas, Casas de Lavoura, e outras propriedades com dimensão para tal, esse espaço foi sacrificado ao betão e cimento armado.

Os PDMs não zonaram áreas para a instalação dessas infraestruturas de apoio à lavoura.

E hoje mesmo que haja quem se dedicar a essa actividade mesmo aproveitando as casas de lavoura que ainda existem, o PDM não deixa e a Câmara não dá licença de utilização.

Este fenómeno deu origem a uma situação anacrónica!

Sendo Areosa uma freguesia rural com uma das maiores áreas de veiga contínua, do Alto Minho, complementada por um monte como dobro dessa área, aqui a lavoura vai desaparecer.

Depois do Ernesto, depois dos do Ribeiro, depois do Barreiros da Igreja, Depois do Álvaro da Moura e de mais de meia dúzia de reistentes, em Santa Maria de Vinha a lavoura vai acabar. Virão depois os de fóra (como os de Esposende, ou os de Perre) pois tendo, na terra deles essas estruturas, falta-lhes o terreno arável que vai sobrar aos de Areosa.

Acho que o nosso interlocutor de quem reproduzo as falas, não se quereria referir aos agricultores mas sim aos proprietários, cuja preocupação não é a lavoura nem que os seus terrenos estejam classificados como RAN para os quais o que faz mais sentido é que deixem de o ser!.

Fim do primeiro capítulo

António Alves Barros Lopes






















NNão Deixa de ser curioso o título

- Quando é que Viana tomou conta daquilo que pertencia aos agricultotes pra lhes devolver agora???

Desde já dois textos por mim publicados quanto:

- À circunstância







sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

O TRIUNFO DA ASNEIRA

 

O triunfo da asneira

Li  escrever e foi na A Aurora do Lima de 10 de Maio de 2018, que a Câmara de Caminha tinha anunciado que a Cividade de Âncora/ Afife estava finalmente no caminho certo para a classificação, enquanto património arqueológico de valor reconhecido, remetendo para o anúncio 66/2018  (Diário da República, 2.ª série — N.º 85 — 3 de maio de 2018 pg.12490). 

Neste diploma e ao contrário da Notícia da A AURORA DO LIMA, onde consta a  Cividade de Âncora/Afife, apenas se refere à Cividade de Âncora situando-a no Monte da Suvidade, freguesia de Âncora, concelho de Caminha, e freguesia de Afife, concelho de Viana do Castelo, distrito de Viana do Castelo.

Acontece que a cividade, propriamente dita, (oppidum) não é de Âncora.                A Cividade propriamente dita é a CIVIDADE  DE AFIFE.  Quanto muito Cividade de Afife/Âncora como em tempos terá sido acordado por esta se situar em território das duas Freguesias. 

Dessa forma se enfatizaria o facto da maior parte  da sua área se situar em Afife. Pessoalmente só aceito essa interpretação dado que foi também essa a designação que, condescendentemente, David Freitas aceitou quando publicou na A AURORA DO LIMA DE 20 de Dezembro de 1996 o texto AFIFE – DAS ORIGENS DO TOPÓNIMO, se é que foi ele o autor da legenda da infografia aí constante.

Dizem diversos autores que a designação Cividade de Âncora se deve a Martins Sarmento.

Da imprecisão, de quem e porquê, se falará  mais adiante.

Mas quanto a Martins Sarmento, citado por vários autores, não se entende como é que  um homem do conhecimento estabeleceu essa designação quando sabia perfeitamente onde é que se situava a Cividade. A ela se refere situando-a entre a Matança e o Facho num percurso em que Afife parte com Baltazares (segundo o tombo de 1549 tal como o Tombo de Afife de 1548 já define). No entanto Martins Sarmento justifica que devido à densidade da vegetação existente era difícil ter uma ideia exacta sobre a topografia da Cividade, perguntando:

–“ Pertencia ela a Afife? A Âncora? Respondam os anjos.  

Mas é o próprio Martins Sarmento que mais tarde responde a essa dúvida.

No seguimento do que  Martins Sarmento deixou escrito, ele próprio testemunha que o limite de Âncora e Afife é o eixo do Monte Agudo e confirma que o Dólmen da Ereira se situa em Afife.

E se a referência à Matança for considerada vaga, já a precisão da descrição do Cruzeiro desfaz qualquer dúvida. Localizando-o e referenciando-o à data de 1776 gravada na sua sapata e a outra data que lhe parecia ser 1656. Testemunhando  também que a Norte do Dólmen do Monte Agudo aparecia a mesma data de  1776. E de uma outra igual no campo onde tinha encontrado um montão de conchas. 

Martins Sarmento confessa então que não imaginava o porquê dessas datas!!!

Acontece que mais tarde Martins Sarmento e em NB, informa que afinal a célebre data de 1776, encontrada em diversos sítios - na Lage da Ereira, na Cividade, Cruz da Matança etc. aludiam à divisão de Âncora e Afife. E quem lho confirmou, não tinha sido nenhum anjo. Mas sim o representante de Deus na Terra, mais precisamente o abade Âncora, Manuel José Gonçalves. Esse sim é que designou o castro como Cividade de Âncora muito embora mostrasse e demonstrasse a Martins Sarmento que a maior parte da Cividade se encontrava em Afife.  

Pois foi então do conhecimento de Martins Sarmento que a linha divisória começa no Forte de Cam, que ainda é de Âncora indo até ao Castro dos Mouros (Cutro).

Ora o que Martins Sarmento e o Abade de Âncora descrevem são os limites constantes nos tombos já referidos e identificados no terreno  com a particularidade de a data de 1776 não se referir à data de qualquer tombo mas sim a de um traslado do tombo da Comenda de Santa Cristina de Afife  de 1749.        Da mesma forma que o ano de 1656 não se refere à data de qualquer outro tombo mas sim à data em que foram reposicionados os malhões dos coutos (de Cabanas e de Afife) nos limites com Carreço.

O que leva a concluir que em 1656 os de Afife não se limitaram a trabalhar junto a Paçô mas também nos Limites Norte. Da mesma forma que o fizeram de novo em 1776 para o que terão então pedido o tal traslado do tombo de 1649 que remete os limites para a situação de sempre sem qualquer alteração.

Acontece que em 1960/1961, Abel Viana publica um trabalho a que chama CIVIDADE DE ÂNCORA onde explica que Martins Sarmento  chamou «de Âncora» à Cividade por  ter chegado ao local  pelo caminho velho que do lugar da Lage da freguesia de Santa Maria de Âncora se dirigia para Afife.

Mais informa Abel Viana que a sua (da Cividade) maior superfície fica na freguesia de Afife. Cabendo à freguesia de Âncora uma pequena parte. Resultando daí que a gente de Afife lhe chama Cividade de Afife…

No seguimento Abel Viana faz uma afirmação no mínimo surpreendente:

“… ao passo que na bibliografia arqueológica ela aparece designada por Cividade de Âncora, e é assim, evidentemente, que nela continuará a ser conhecida.”

Este “evidentemente “ de Abel Viana desmoronou-me por completo!

– Em qual  evidência arqueológica apoia Abel Viana o seu “evidentemente” ???

 – Será que algum arqueólogo seu antecessor na história encontrou na Cividade uma placa do tempo dos romanos a dizer que o sítio era Baltazares?

– Não acredito!!!

Ora a evidência do “evidentemente” de Abel Viana, deveria ser, como arqueólogo, a sua própria evidência factual, que evidentemente encontrou a maior superfície da Cividade em Afife e não em Âncora e corrigindo o erro bibliográfico da crismada designação.

Aliás a isso se referiu França Amaral chamando em 2011 verbalmente a atenção de Armando Coelho para esse mesmo erro que, isso sim, deveria ser corrigido por todos os investigadores posteriores. Pelo menos de Abel Viana seria isso mesmo que eu esperaria dado o seu cerne científico. 

No entanto Abel Viana coloca acima (! )  da própria História uma tal “bibliografia arqueológica” em que desta iriam constar as suas próprias informações!!!

( Vá lá saber-se agora da “resignação” de Abel Viana!)

 

Nota: 

Ver Armando Coelho F. Da Silva, in –  A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal, 1986,. Na Est. XXVII.

 Todas as estruturas que estão lá representadas se  situam em Afife. Ao contrário da legenda que se textua CIVIDADE DE ÂNCORA.  

As ruinas “levantadas” por Armando Coelho estão representadas na quadricula (27-1) (5-3) da Carta á escala de  1/2000 DE 1986 executada pela ESTEREOFOTO para a DGOT e Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Relacionando a sua localização com a divisão administrativa   constante nos anexos ao processo de classificação -  Ver quadricula 27-1 da Carta Militar de 1949 à escala de 1/25000 - se pode verificar que as mesmas ficam nitidamente dentro de Afife.  Isto apesar de um erro de localização desse limite por alturas do marco no alto da Cividade. 

Fim da Nota

Tanto mais que não é só Abel Viana que confirma a Cividade em  Afife.  Já em 1957 Afonso Do Paço se refere à CIVIDADE DE AFIFE situando-a na Freguesia de Afife, dentro dos limites do concelho de Viana do Castelo, fora do qual fica apenas uma ligeiríssima parte, na elevação onde passa a linha divisória das bacias hidrográficas dos Rios de Âncora e de Cabanas.  Mais à frente Afonso do Paço cita diversas publicações onde consta CIVIDADE DE ÂNCORA remetendo para Martins Sarmento essa designação não por corresponder à sua localização efectiva mas apenas porque  Martins Sarmento a considerou como sendo da Bacia do Rio de ÂNCORA.

Ora nos escritos de Martins Sarmento citados o que consta é a sua dúvida, infundada aliás, como se demonstrou. Mais à frente e na página 16 nessa publicação de 1957, Afonso do Paço torna a referir-se à CIVIDADE DE AFIFE.

Mais recentemente podemos confirmar  a fala de José  Rosa de  Araújo na CAMINIANA  tomo X de 1984 na página  160  quando se refere a Martins Sarmento e suas  andanças pela  Cividade …..

“ Em Âncora, Martins Sarmento procedeu a várias escavações: Cividade de Âncora ( mais propriamente de  Afife) – Dolmem de Gontinhães Etc. “

De notar que aqui Rosa de  Araújo  muda  não só o advérbio de Abel Viana            

( de evidentemente para mais propriamente”),     

mas também o sentido azimutal da conclusão. 

A Cividade é a de Afife e não  a  de Âncora:

De tudo isto o que aceito perfeitamente é que a CIVIDADE DE AFIFE tivesse dado nome ao monte.

O que está em causa é onde se situa a Cividade que deu nome ao Monte.

O certo é que Cividade é um sítio de Afife. Lá estão “situadas” trinta e três propriedades particulares e um pequeno baldio  de  Afife. Muitas dessas propriedades estão em cima da Cividade propriamente dita.            

A essas propriedades, na Cividade em Afife,  já se referem  os livros existentes no Arquivo Municipal de Viana do Castelo que tratam de licenças para arrumadiços e tomadias, referentes à freguesia de Afife. Também o topónimo aparece, em 1760, várias vezes em 1782 e 1783. No tombo dos emprazamentos à Câmara de Viana de 1829, nos fólios respeitantes à freguesia de Afife, aparecem várias vezes a referências a propriedades em Afife, na CIVIDADE.

Não sei se esta situação tem réplica do outro lado do monte.

É apresentado agora anexado ao tal anúncio do DR um extracto topográfico com o Título: CIVIDADE DE ÂNCORA e que “apanhando” Afife,  abrange um perímetro  que chega a Laboradas e Sobrado já em Âncora. O que faz com que a área a classificar como Cividade abranja uma área superior nesta freguesia àquela que a Cividade ocupa em Afife e sem que esta esteja particularmente assinalada.

( no entanto é também apresentado em anexo um levantamento de Armando Coelho – Levantamento/Registo das estruturas da Cividade Âncora/Afife mas onde afinal de contas as estruturas representadas estão todas em Afife!!!.)

Ou seja meterem a Cividade de Afife num caldeirão mais vasto sem particularmente a cartografar.

Não sei qual o fundamento de tal perímetro. 

Será que foi encontrada uma outra CIVIDADE em Âncora?

Quanto a mim e embora seja de uma aldeia cheia de Fontes…

Sou de uma aldeia que tem um rio delas! Sou de uma aldeia que até tinha uma Fonte Seca – e que agora estão todas ou quase todas.

Sou de uma aldeia que tem uma casa delas!  E tendo eu aprendido a ler escrever e a contar na  escola do Fontes, … não sou fonte de conhecimento,  mas sim consumidor do mesmo.

E de Âncora  conheço pouco.  A Lage, a Gelfa, o Forte, a  Aspra  e o Cê ali perto!

Assim só peço, para meu enriquecimento cultural, que  alguém me leve  a Santa Maria de Âncora e me mostre onde é que se encontram lá estruturas como as que foram encontradas em Afife!

Nota importante. Este texto não seria possível:  

- Sem os elementos da fala de Martins Sarmento obtidos nos documentos do Museu em Guimarães.

 - Sem a consulta ao imenso repositório histórico do França que, também vidente, me colocou em contacto com o abade Âncora, Manuel José Gonçalves  

 - Sem as memórias de Abel Viana e seu sobrinho  António  

- Sem o precioso auxilio de Afonso do Paço e do seu primo Ernesto  que para tudo e em qualquer situação tem sempre mais uma informação a acrescentar.  

- Sem falar com a Junta de Freguesia de Afife.

- Sem falar com o pessoal do NAIAA, da APCA e da Rádio  Popular de Afife.  

– E sem o Horácio  que me guiou na labiríntica tarefa de localizar as páginas certas no imbricado sítio do Património.

 

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/classificacao-de-bens-imoveis-e-fixacao-de-zep/despachos-de-abertura-e-de-arquivamento/ano-em-curso/

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/static/data/patrimonio_imovel/classificacao_do_patrimonio/despachosdeaberturaearquivamento/2018/cividadeancora/er1.pdf

Anexos





















As ruinas “levantadas” por Armando Coelho estão representadas na quadricula (27-1) (5-3) da Carta à escala de  1/2000 DE 1986 executada pela ESTEREOFOTO para a DGOT e Câmara Municipal de Viana do Castelo. 

 Âncora na parte superior à linha Azul. Afife no lado inferior à linha Azul sendo a linha azul o limite de Afife com Âncora  transposto do extracto constante nos anexos “Elementos relevantes I e II” do respectivo processo do Património:




Anexos constantes no processo do património





















Acima a delimitação da “Cividade” constante no processo à qual sobrepus a delimitação das freguesias. Âncora na parte superior à linha Azul.

Afife no lado inferior à linha Azul sendo a linha azul o limite de Afife com Âncora  transposto do extracto constante nos anexos “Elementos relevantes I e II” e que aqui segue






















NOTA FINAL

Mas Abel Viana  não se limita a deixar passar o erro  na localização da CIVIDADE de AFIFE constante na bibliografia arqueológica que invoca.  Ele próprio e nesse  mesmo texto seu comete um outro erro esse sem qualquer explicação.  

Situa o lugar da Lagarteira, (pequena póvoa de Pescadores, que deu origem á actual Vila Praia de Âncora,)  em Santa Maria de Âncora!!!

Em primeiro lugar Âncora é na Margem esquerda do Rio Âncora. Lagarteira sempre foi na margem direita  do rio  Âncora .  Lagarteira era um lugar da antiga paróquia  de  Santa  Marinha  de Gontinhães  hoje Vila Praia de Âncora!  Gontinhães  paróquia, essa sim antecessora da actual Vila.

Afife, Dezembro de 2020

António Alves Barros Lopes