quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hotter Than July

 Mais quente que Julho (Album de Stevie Wonder)



Mas tudo vai ter a Pedro Homem de Mello

Ouvi já que a poesia apenas pode ser explicada pelo seu autor.

Mas também já ouvi que uma vez a poesia espalhada ao vento, deixa de pertencer apenas ao autor mas também a quem a lê.

E tantas vezes  sentimos que aquilo que se lê se ajusta às nossas próprias vivências, "invejando" até a primazia de quem o escreveu.

Daí que tomei a liberdade de pegar num texto de Pedro Homem de Mello. 

Mas o roubo num é estranho a Pedro Homem de Mello, também ele ladrão...confesso!

"Se te roubo António Nobre                                       É que sou pobre, tão pobre                                      Que aceito qualquer cantiga
..."
(HARPA EÓLICA numa Carta de Inglaterra datada de - 1973)

Aliás já e ainda em 1979, aqui ao lado em CABANAS, Pedro Homem de Mello, sabia que tinha seus POEMAS ROUBADOS.

Assim só mesmo Pedro Homem de Mello me pode perdoar.

Se te  roubo Doutor Pedro
é porque sou pobre tão pobre
que  confesso tenho medo 
quão fraca é minha  cantiga
num tenho verve que sobre                                                        empresta-me o teu segredo                                                                          dá-me tua mão amiga

E fui roubar o SEGREDO ao Poeta ignorado de 1957. Mergulhei-o nas minhas lágrimas. Saiu conspurcado pelo negro da minha alma. 

Tinha aqueles cabelos que ondulara                                                      o vento leve do entardecer

Em lhe falando uma palavra clara                                                        guardava aquele gesto pra se proteger

erguia o olhar levantava a fronte                                                          E Procurava refúgio no horizonte

Se eu me calasse, voltava – Conte                                                        e obrigava-me ao homem assumido

Uma vez, apenas uma vez esteve comigo
Naquela praia, numa tarde, no verão
Como esquecer agora o que não digo                                                    ao meu desabitado coração


Então os meus olhos demoraram-se até onde o azul do de cima  encontra o do mar.

 Quis petrificar aquela imagem.

Sabia que o momento era único.

- Que não se repetiria!



lopesdareosa



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