quinta-feira, 28 de junho de 2012

BOVINOS ASSILVESTRADOS

Já tinha ouvido falar em cães assilvestrados que, numa situação caricata, alguém, entendido, entendeu que os pacóvios cá da terra não sabiam distinguir dos lobos. Um dia destes contarei a peripécia!

Também dos gatos mataranhos, nome pelo qual o meu avô identificava os gatos-bravos. Um desses morreu ao beber água envenedada depois de ter comido um naco de carne esmagado em sal. O félis felino em causa era de tal maneira esperto que identificava a carne envenenada e não a comia. Comia isso sim as galinhas lá da capoeira. Mas o meu avô Jerónimo era mais esperto que o gato e o gato morreu!

Mas bovinos assilvestrados é a primeira!
Isto depois de  ter deparado com a notícia do NOTÍCIAS de 20 de Junho de 2012.
Nesta notícia ressaltaram-me várias interrogações.
- Os animais em estado selvagem não seriam de ninguém e que haveria pessoas que subindo a serra se apoderam dos melhores exemplares, dizendo que o gado lhes pertence?

Coisa incompreensivel pois a ninguém lhe passaria pela cabeça ter gado no monte para que o vizinho vá lá escolher as melhores reses!

Depois para ter gado no monte, tanto quanto é do meu conhecimento, é necessário ter a autorização da entidade tutelar dos terrenos que normalmente são as Freguesias representadas pela respectiva Junta ou pelas Comissões de Baldios.

Dessa autorização depende também a atribuição de subsídios por animal e o número de animais depende da área atribuida. Daí resulta que (1) é do interesse do ganadeiro ter todo o gado registado pois só assim terá maior beneficio económico.

Esse registo consiste em ter uma caderneta por cada animal a que corresponde o respectivo brinco assim chamado.

Aliás sem esses documentos não pode haver abate. E se não for para abater não sei que interesse haveria em criar gado dessa forma. (Exclusão evidente ao abate clandestino que julgo não ser o caso).

A outra alternativa é o ganadeiro (por absurdo ou estupidez) não ter o gado legalizado o que não quer dizer que não lhe pertença. Nessa circunstância e também no caso de haver prejuizos para terceiros, qualquer  control passaria por recolher o gado e controlar caso a caso as cabeças de gado nas vertentes do registo e de sanidade. Nos casos em que isso fosse justificado por falta de legalização as reses sadias seguiriam para abate em matadouro certificado e a sua carne distribuida por instituições de caridade. Ou então colocada no mercado e o seu valor pagar os prejuizos causados sempre que o animal não apresentasse o dono!

O gado doente seria objecto do procedimento normal com gado doente!

- Agora abater a tiro reses saudáveis e enterrá-las??? 
- Isso é crime!

Nem na África fazem isso a coisas mais selvagens do que vacas no Alto Minho!
Aos elefantes, rinocereontes e outros bichos é-lhes atirado com tranquilizantes para os dominar!



Ver o lindo serviço em

De onde foram copiadas algumas  imagens:

Nota (1)
Daí resulta que...
Homenagem ao Senhor Fragoso de Carreço, avô do Ernesto Passarinho, cuja erudição o levava a, no fim de qualquer argumentação, rematar com  a citada o que lhe valeu ser conhecido pelo RESULTA!

Lopesdareosa

terça-feira, 26 de junho de 2012

SÃO JOÃO DE TODOS

SÃO JOÃO COM TODOS

Sou leitor de todos os anos das quadras de S. João no JN.
Fiquei com o recorte das páginas respeitantes de este ano.

E fiquei um tanto ou quanto surpreendido com a atribuição do primeiro lugar a uma quadra que muito embora bem construida assenta numa rima em tantas outras recorrente.

As orvalhadas na rua
S. João sobre a cascata
Lembram rendinhas que a Lua
Urdiu com fios de prata

Sem desprimor para a autoria - uma tal Sílvia, rua, lua, cascata, prata...serenata....

Resta o sumo da urdidura que a lua faz com as orvalhadas, imagem bonita de facto!

No entanto outras haveria no meu gosto

Uma quanto à fina ironia

Não te iludas meu amor
Co'a cascata do vizinho
tem balões e muita cor
Mas não tem nenhum santinho 

Sexto prémio de um(a) tal  LEBA

Outra

No S. João fui teu par
Mas deixa, amor, que te diga
Que vi teus olhos brilhar
Nos balões da minha amiga

Bem, esta, de uma tal Ana Maria, é demais. A coisa passou-se decerto na rua que conduz ao largo do divórcio!

No entanto a minha preferência iria para o resumo de tudo aquilo que o S. João do Porto representa na sua universalidade.
à qual foi atribuído o segundo lugar;

MAGIAR sintetizou desta forma:

Mais que santo da Igreja
É do Porto o S. João
Cá todo o povo festeja
Mouro, judeu ou cristão

Estava eu nesta lucubração quando, no dia seguinte ao S. João, deparo no PÚBLICO com esta imagem ( pag. 30 da edição de 25 de Junho de 2012)

Ora acontece que acrescentar outros credos à quadra não seria compatível com a rima ou com a métria. Mas este o retratado caberá também tanto na quadra como no nosso S. João.

Com os meus cumprimentos ao Juri e aos concorrentes das quadras de S. João.

Lopesdareosa

sábado, 23 de junho de 2012

EU A TI TI MARIA TU, TU A MIM TI MANEL VOCÊ!


O respeitinho é (era) muito bonito!

Por isso mesmo, quando o Manel da Horta não tinha horas de casado com a Maria do Grelo, aquele já estava a marcar o seu território e de como deveria ser pela vida fora!

Era! - No tempo em que à mesa da Casa do Moleiro Novo me ensinaram que avós, pais e tia eram tratados por Você!

Tu era para a irmã e para os mais novos.

Isto quando a educação antecedia a aprendizagem com as
catequistas, professores, doutores e outros estupores!

Depois veio a moda dos pais tratarem os meninos por você e estes aqueles por tu. Enfim coisas da burguesia triunfante que nunca me penetraram nenhum dos quatro pontos cardeais do miolo.

E por isso mesmo não entendo a espantação de que o Ronaldo tenha tratado o Presidente Cavaco por você.

- Quereriam que o tratasse por tu???

- Quem garante que na educação de Cristiano, à mesa de uma humilde casa Madeirense, tenha havido além de lições de respeito, aulas de protocolo?

- Na minha não houve e que venha o primeiro a chamar-me malcriado!
numa qualquer circunstãncia que não se refira ao facto de não ter sido bemcriado.

- E aquele TÁ?
- Poderoso remate sintético de ESTÁ COMBINADO! de quem aprendeu e se especializou em chutar a bola.

O que poderia levar Ronaldo a tratar o Presidente, não segundo a sua educação primeira, mas com as armas referenciais e reverenciais apendidas no seu mister, ou seja a pontapé!

- Ás tantas!...

Tone do Moleiro Novo

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CENTRALISMOS

Em tempos escrevi na A AURORA DO LIMA um texto que intitulei, com erro ortográfico de que pe penitenciei,
A FORÇA CENTRÍPETA DA PRAÇA DA REPÚBLICA
Mais ou menos a coisa referia-se à tendência de que, ao exemplo de Lisboa cujo centralismo é sempre criticado, todo o poder, regional ou local, tem de replicar ao seu nível aquilo que se condena  ao nível do país no que Lisboa representa quanto ao seu gigantismo, centralismo e buraco negro na atracção de recursos que deveriam ser distribuídos pelas outras regiões.
Acontece que no JN de 2 de Junho de 2012 e no NOTÌCIAS MAGAZINE do dia seguinte aparecem duas intervenções deveras curiosas quanto à possibilidade de unir o Porto a Gaia

Na primeira, a Luiz Filipe Meneses é atribuido ter afirmado que "A fusão faria do Porto e de Gaia a maior cidade do país, MAIOR QUE LISBOA"

A segunda refere que Rui Moreira, de Lisboa, desejaria "...levar para o Porto todo o dinheiro que desviaram do resto do país para corrigir as assimetrias do território"

Resumindo;

- Lisboa é grande, demasiado grande em relação ao restante território. Mas o que se pretende é uma coisa muito maior numa escala inflaccionada em relação ao território que lhe tocasse influenciar.

- Lisboa é centralizadora mas o que se pretende é substituir esse centralismo por um outro mais a norte. ( Rui Moreira teria que explicar como e com que instrumentos é que iria repartir bem o que Lisboa reparte mal).

É por essas e por outras que no referendo sobre e regionalização, a coisa levou sopa!|

Bem a minha esperança é que, a exemplo do nosso amigo Borges, Menezes e Moreira não quizessem dizer aquilo que o JN relata.

Cumprimentos regionalistas

Tone do Moleiro Novo

domingo, 17 de junho de 2012

POEMA DO CUME

Por volta de 2000, Falcão, o mais incrível dos bregas, publicou a sua obra prima ( tem mais) "DO PENICO À BOMBA ATÓMICA" alí para os lados de Fortaleza.

Nessa metamorfoses do CD integrou um tema a que chamou de O CUME, que, dada a profundidade do mesmo, tantas vezes inacessível à penetração de um instrumento interpretativo que não leve em linha de conta que nem sempre é risivel aquilo que se desconhece, eu considerei elevar à categoria de POEMA.

Tal enormidade cultural passou despercebida a não ser  que, por essas alturas, o Lopes d'Areosa, em Alvares, Tarouca, resolveu sublinhá-la à Cana Verde, (ou foi o CUME Vira?) atrevendo-se até a acrescentar algo que  viu passar-se do lado de cá do Atlântico.

Se dúvidas houver, o Né Bastos  gravou a portentosa pafómanse do de Areosa.

Do FALCÂO aqui vai...

AO VENTO NAQUELE CUME
PLANTEI UMA ROSEIRA
O VENTO NO CUME BATE
A ROSA NO CUME CHEIRA


EM DIAS DE CHUVA FINA
SALPICOS NO CUME CAEM
FORMIGAS NO CUME ENTRAM
ABELHAS DO CUME SAEM

EM DIAS DE CHUVA GROSSA
A ÁGUA DO CUME DESCE
O BARRO DO CUME ESCORRE
O MATO NO CUME CRESCE

MAS UM DIA A CHUVA ACABA
NO CUME VOLTA A ALEGRIA
POIS VOLTA A BRILHAR DE NOVO
O SOL QUE NO CUME ARDIA.

Aqui chegados acrescentei.

DOS CABRITOS O PASTOR
A CARNE NO CUME CRIA
QUEM DERA NO CUME TER
GADO QUE NO CUME HAVIA

MINHA TIA PREGUNTOU
QU'ERA DA BURRA E DA CRIA
- SÓ VI A BURRA E O MACHO
EM CIMA DO CUME TIA.

QUANDO ELA NO CUME LEVA
O FARNEL A MINHA PRIMA
FAÇO VERSOS E É FÁCIL
EM CIMA DO CUME A RIMA

JÁ O  FOGO O CUME QUEIMA
NO VERÃO AO FIM DA TARDE
E JÁ TODO O CUME ESQUENTA
E JÁ TODO O CUME ARDE

NO ALTO DA INVERNEIRA
A NEVE NO CUME CAI
JÁ TODO O CUME ENREGELA
JÁ NINGUÉM AO CUME VAI

LOGO VEM A PRIMAVERA
E DEPOIS CHEGA O VERÂO
LOGO TODO O CUME AQUECE
E TODOS AO CUME VÃO


COMBINEI A IDA AO CUME
NUMA NOITE DE LUAR
ELA E EU PELA VEREDA
QUE AO CUME ÍA DAR

BOA NOITE AO MULHERIO
VOU FECHAR A CONCERTINA
ESTOU MORTO POR ME METER
AI POR ESSE CUME ACIMA
QUER SEJA EM PONTE DA BARCA
OU MESMO EM PONTE DE LIMA


Com as minhas homenagens ao FALCÃO de Fortaleza

TONE DO MOLEIRO NOVO

Nota de fundilhos
Para mim o texto original é de Falcão no entanto há uma forte discussão no ciberespaço àcerca de tão delicado assunto.
 - Tudo o que mete cume é empolgante, delicado e delicioso até.

No entanto O CUME  toma mais consistência quando a sua autoria é atribuída a uma Costa Riquenha de origem Portuguesa de seu nome
MARIA ALICE DEL CUMEDÁRAZ.