quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A latada das uvas morangas do António Viana!

 Fotografias do Abílio Azevedo no dia de hoje,         23 de Setembro de 2020

Frente poente da Casa do António Viana.


Todos os anos eu era (e os outros) convidado para a vindima. 

Nos fins de Agosto inícios de Setembro!

O gesto era simples. 

Um estender de braço, a recolha de um cacho e depois aquele gesto que faz parte da nossa sobrevivência, apesar de na circunstância não ser essa a razão desse gesto! 

Puro deleite de saborear uma uvas que sabem a amar!

Estamos já no último terço de Setembro. Fui lá. Encontrei o Miguel.

Olhámos a latada ainda não desfolhada. 

Fomos recebidos por meia dúzia de cachos, ainda verdes apesar do Outono!


                   









Devem estar à espera de alguém para amadurecer!

lopesdareosa

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O ano da morte de Ricardo Reis

 1936

De Ricardo Reis e de muita mais gente!

Mas será que Ricardo Reis morreu mesmo em 1936?

Fernando Pessoa morreu em 1935

Ou foi invenção do Saramago para colocar Ricardo Reis numa conversa impossível com o Pessoa e ao mesmo tempo comentar aquele ano trágico acrescentando-lhe mais tragédia ainda com Lídia e com Marcenda??!

Num sei e nem sequer me darei ao trabalho de aprofundar a coisa. Tenho mais que fazer!

Mas tudo se passa no século XX. O meu século afinal!

E sempre que hoje me refiro ao século passado, é o século XIX que prevalece na ideia.

Mas hoje afinal o século passado é o XX.

Acontece que, talvez por uma questão de aconchegamento, me encolha nesse meu século XX uterino.

E ao século XXI não lhe auguro nada de bom.                         Mas vai ficar na História!

VAI SER O SÉCULO DA MINHA MORTE.

E já estou a ver o título de um livro daquele autor do século XXII - Pampilo de seu nome - e loureado com o Prémio Saramago!

"Século XXI O Século da morte do Tone do Moleiro Novo"

A num ser que afinal o Tone do Moleiro Novo sobreviva ao lopesdareosa e tenha com ele uma conversinha póst mortem.

- Assino Tone do Moleiro Novo ou lopesdareosa???                                                                                                                                                       Fiquemos por Barros Lopes


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Tocadores de Concertina

 Tocadores de Concertina


O Nelson de Covas. Fotografia de Teófilo Rego - Porto












O Henrique Figueiras com o José Carlos Dantas, gentileza deste.

lopesdareosa

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Cruz de Cristo

 Cruz de Cristo


 A Cruz que trago sobrou a Cristo                      pesa menos a carga que a burrice                   vou socorrer-me do que alguém disse             para mostrar aqui do que trata isto            


O nosso homem de seu nome Aleixo                ombro com ombro com um tal Pessoa             do Algarve ainda sua voz ecoa                   não no Minho a minha e disso me queixo


Fechavam numa quadra o mundo inteiro          E a tal nunca chegou minha inteligência            Essa - coitadinha - ficou no tinteiro


e apesar do estrondo da flatulência                não chegou ao céu a minha voz - foleiro        mas a minha burrice não virou ciência!

(foi pena!)


Nota

Estão aqui cinco personagens.                          No itepareide, a minha, ficou em último!                                                                                                                                                              Em primeiro lugar Cristo - O MEU ÍDOLO!                            

Em segundo lugar - ex aequo (1) - António Aleixo e Fernando Pessoa 

Por ordem alfabética e de Aleixo

Há tantos burros mandando                          em homens de inteligência                              que ás vezes fico pensando                               que a burrice é uma ciência

A seguir, de Pessoa

O Poeta é um fingidor                                     finge constantemente                                        que chega a fingir que é dor                                a dor que deveras sente

Depois, é o Povo que diz

Vozes de burro não chegam ao Céu

E só depois o signatário

tone do moleiro novo

(1) - Aqui acertei! 

- Fui ao gugle!


terça-feira, 1 de setembro de 2020

O RAPAZ DE VELUDO

 NO RAPAZ DE VELUDO

E fui lé ter graças ao
Ernesto Do Paço
que em qualquer circunstância tem o que é necessário e no tempo certo.
A circunstância é RUBEN A. e o tempo é o de hoje nos cem anos do seu nascimento.

Assim visitei o texto que data de 1950. E RUBEN A. A. A. A. relata o que ouviu, de viva voz, de um náufrago que lhe contou a sua experiência no seu silencioso sepulcro. Situação acontecida num qualquer bar mas apenas possível na cabeça do nosso aniversariante tal o insólito da situação.

A coisa foi tão mirabolante que, dizem, o próprio Salazar - uma mente aberta, como toda a gente sabe - ficou embaralhado!

Acontece que este texto antecede a morte de Francisco Enes Pereira no Mar dos Açores.

Coisa com traços de premonição.

Mas tantos rapazes e raparigas, homens e mulheres, que poderiam ter sido os de veludo vestidos por estes mares do nosso Atlântico.

Maria Manuela Couto Viana, em 1983, situou o naufrágio no Mar de Afife. O Monte Trega terá presenciado! Não duvido que ao referir-se ao Rapaz de Veludo de Ruben A., Maria MCV terá tido em mente o Francisco. Toda a envolvência, todos os personagens, todos os lugares são no final de contas do universo de Ruben A. e de Pedro Homem de Mello, vivências que Francisco Enes Pereira tão bem conhecia.


E por isso, eu próprio identifiquei o o tal malogrado Rapaz com Francisco Enes Pereira como tendo sido, de veludo de algas vestido, nos mares dos Açores.

A isso se referiu PHM no seu AMIGOS INFELIZES de 1953 que realmente deveria ter razão ao informar que ele nos trazia a maresia quando cantava.


A sua sobrinha Helena Enes Pereira me disponibilizou um testemunho silencioso disso mesmo!

Ver

Mais tarde e já em 1960, Ruben A. volta ao Rapaz de Veludo ao agradecer-lhe, a ele e a Neptuno, a graça de ter apanhado, no Mar de Nossa Senhora da Graça, um polvo!!!


lopesdareosa

sábado, 29 de agosto de 2020

São João d'Arga nas fotografias do Carlos da Armandina

 São João d'Arga nas fotografias do Carlos da Armandina.

A caminho de São João. Os de Afife na volta de 70 para 80.     Esta fotografia mereceu do Carlos o seguinte comentário: 

"Só ainda ninguém reparou na saudosa senhora Vitalina! Na ocasião era já detentora duma linda idade. Para cumprimento de promessa a São João d’Arga, percorreu juntamente com grupo a caminhada e regressou a pé para Afife de boa saúde."

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Fabulosa fotografia. O Nelson, já com a caixa "Paolo Soprani" made in casa Gouveia! 
Das últimas imagens do Nelson de petilho ao canto da boca!
Ao lado está qualquer coisa de Che Guevara, Sandokan e Bin Laden, tudo misturado. Ou seja: 
- O "PÉ". 
( pelo semblante estava a congeminar o ataque ás torres gemelas)

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As verdadeiras Argas. Com as minhas homenagens!

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ARGAS A CANTAR.   No tempo em que os e as das Argas ainda tinham espaço para tal!

De frente e ao lado das cantadeiras o Senhor Serafim de Castanheira                       De costas, o Senhor Manuel dos Pedreiros com o seu inconfundível boné.          Não identifico o outro tocador!

E lá atrás no seguimento da esquina da Capela está o Manuel Lima de Castro de Meixedo!

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O NELSON -  SEMPRE O NELSON! 
E todos os outros que sempre rodeavam a sua alegria!

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                                              SEM PALAVRAS!

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As minhas bisavós, com as minhas avós e com as minhas mães!

Nota. Com uma das portas que não deveriam ter levado sumiço

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Olhos Azuis de Afife. Mas também lá está a tal porta que não deveria ter desaparecido!

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 O Alberto de Pico de Regalados e o Tone da Rita.

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Nelson e companhia!

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O Nelson!!!
 - Com uma concertina!!!

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A noite era a do NELSON. 
Até o Camilo da Venda se entusiasmava!                                                                            E o Kazumba não perdia uma

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Os de Cerveira com o de Sopo. 
O Tino Costa e o Senhor João Sapo, o homem do Táxi!

                                                 oh! Meu rico São João                                                                                                   à Porta tendes a malta                                                                                                  Estão aqui os de Cerveira                                                 que cá não faziam falta

Cantei-lhes eu uma noite! 
Fui corrido a cavaquinho pelos de Lobelhe!

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Houve um ano -  e logo após os Cantares das Argas terem Gravado uma cassete com a Imagem da Capela do Portão e três concertinas pousadas no cruzeiro em frente -  em que nesse ano, na noite de São João, uma das Bandas deu lugar no coreto aos das Argas que ai tocarem e cantarem o seu repertório. 
O som foi transmitido directo nos altifalantes da Casa Pereira. Em Frente o Senhor Clemente ao lado uma Senhora possuidora de uma voz espantosa que ainda hoje se pode ouvir na tal cassete! Por detrás o Tone da Rita e de perfil o inevitável Senhor Manuel dos Pedreiros.

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Até eu e a Maria Augusta ficamos na fotografia!

Tocadores; O Boucinha e o António Fernandes crismado "Monhé" por Pedro Homem de Mello

Lá atrás o apressado Manuel Fernando de Afife, que nos deixou antes do tempo!

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O NELSON já tinha mudado de instrumento

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Falta aqui o RABÚ. Neste ano já teria morrido!                        

A RÉ via o Sol quando encontrava o Vilarinho!                                               
O Camilo da Venda bem pode pendurar esta imagem na melhor das paredes lá de casa!                                                 
Estas serão algumas das últimas imagens  de um São João d'Arga  tão perto ainda mas já tão longe dos dias de hoje e da multitudinária  festa para a qual evoluiu a noite de 28 para 29 de Agosto!                                                                              
                                                                                             Por último e já agora, aqui vai o Homem dos créditos na tenda de um dos Cachadinhas e bem acompanhado!


                                                                                




lopesdareosa                       

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

28 de Agosto de 2020

No dia de hoje, 28 de Agosto de 2020.

São João d'Arga.

Cantar do Norte, de Pedro Homem de Mello

Abaixa-te ó Serra d'Arga
Eu quero ver São Lourenço.
Quero ver o meu amor.
quero-lhe acenar c'o lenço

"Meu amor porque te escondes
lá por trás da Serra d'Arga
Porque te foste esconder
lá por trás de São Lourenço
E nem me deixaste um lenço
Por mor de te acenar
meu amor quando em ti penso
não sei o que hei-de pensar
Porque puseste a montanha
entre as nossas duas vidas
as nossas mãos estão quebradas
as nossas vidas...vazias
Abaixa-te ó Serra d'Arga
Minha proa de navio
quero ver o meu amor
amor meu amor vadio...
E se as minhas mãos chegassem
à tua mão desejada
só queria a tua mão
a tua mão e mais nada
Mas hei-de ter tua boca
Quem fez a flor fez a abelha
por onde andarem teus lábios
há-de andar rosa vermelha
Abaixa-te ó Serra d'Arga"

No regresso e já depois de Santa Bárbara, os de Santa Marta cantavam...
Digo adeus à Serra d'Arga
Digo adeus a São Lourenço
não te digo adeus a ti
porque sabes o que eu penso

E os lenços, daqueles que o Poeta queria para acenar, não servem só para dizer adeus.
- Também atam
Não vão meus olhos ás Argas
também não a São Lourenço
E tão pouco aquele lenço
enxugará minhas lágrimas,
lenço que ao peito não tragas.
Invades minhas lembranças
entre os cantares e as danças.
Entre mel e rabanadas.
E as horas foram passadas
em secreta comunhão
que nem sequer São João
sabe que foram sagradas.


O lenço




tone do moleiro novo