segunda-feira, 14 de maio de 2018

PRETOS E BRANCOS

Vítimas do colonialismo. Poderia ser!

Esta é a história de um Manso que é preto e um Preto que é manso!

E não se pode dizer que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência pois que não é coincidência. É pura realidade.

Num dia de radiosa cavalgada pelos pinheirais, fotografando a natureza, os arvorigenes não gostaram e o nosso Homem das noticias acabou e seu compay, por ir parar à GNR.

Da gesta se apercebeu mais tarde o também nosso amigo Félix, Chacal e Fora da Lei. Fosse mais cedo e Manso Preto em vez de saxofone fosse de guitarra eléctrica acompanhado, teria que mudar de nome para Chacal Dentro da Lei.

E dedicou as seguintes quadras

Para o amigo Anésio Rente d'Armas. 
Saxofonista cubano.

PRETOS E BRANCOS

Duas raças em concerto
Passeando em bom descanso
Seguem, grande, o Manso Preto
e Franzino, o Preto manso

Cedo chegam uns bandidos
brancos, mas a autoridade
logo ali os fez detidos
E os prendeu lá na cidade.

Assim viu-se lá nos bancos
da policia na esquadra
Manso Preto, ladrões brancos
e um preto sem papelada

" Por la Virgem, Diós me acuda
Que no tiengo aqui papel
Já me voy morir a Cuba
Fuzilado por Fidel..."

Consciente o Manso Preto
da questão da papelada
discreto, sugere ao preto
sair p'la porta da entrada

Escapuliu-se o franzino
fugiu tanto, tanto, tanto,
Que no dizer do Alcino
o Preto chegou lá branco!

Félix Ribeiro


NB - A palavra arvorigenes é mesmo assim!
Só espero não ser eu a ir para a cadeia por causa disto!

tonedomoleironovo

quinta-feira, 29 de março de 2018

Gôta de Gondarém

Uma das pérolas da nossa tradição!

Chegou até nós transportada pelos ferros da lavoura do                    Tio Benigno. E dos seus Pares.

O Patêgo, o Leando do Milé, a Artemiza do Penedo e a Cândida do Guilhadas, deram-lhe a forma das sombras.

A cantoria, aquele Canto Velho dos de Gondarém, teve prolongamento n'As da Chãozinha!

E até a pedra morena da Igreja, quando um dia dela não restar senão aquela Lágrima Cósmica, de que fala o Poeta, soltará um ultimo, alegre, saltitante e triste suspiro, recordando ainda os últimos acordes do retrouso da Gôta do Tio Benigno!


Lopesdareosa

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Via Sacra de Areosa


A Via Sacra de Areosa    

( Conforme Publicado na A Aurora do Lima, edição de 22 de Fevereiro de 2018)
                                                                          
Este texto não se propõe  desmerecer a memória de Figueiredo da Guerra (F.G.) nem a desmerecer as memórias que F.G. ajudou a preservar com o seu persistente trabalho de investigador e guardador de documentos ( … grande memorialista… no conceito  de Rosa Araújo ). Apenas e  só,  comentar as consequências de uma imprecisão já demonstrada por França Amaral no FALAR DE VIANA de 2015 pgs. 311 a 313 e nos CADERNOS VIANENSES de 2017 pgs. 171 a 232.

Tudo começou com um texto publicado pelo Tenente Coronel Cunha Brandão, de Paredes de Coura, publicado na A Aurora do Lima em 14 de Agosto de 1918 intitulado  A quebra das Cruzes da Via Sacra de Areosa. Este texto, apoiado nos documentos encontrados no Códice nº 729 da Secção de Manuscritos da Biblioteca Nacional de Lisboa, referia-se ás cruzes de uma Via Sacra de Areosa aparecidas quebradas na madrugada de 10 de Outubro de 1729 e logo denunciado à Inquisição de Coimbra pelo pároco ( de Areosa) Francisco Vieira Guedes. A demanda prolongou-se por 1732, 37 e 38. Sempre segundo Cunha Brandão.

Dez anos depois, em 18 de Agosto de 1928  e na mesma A Aurora do Lima, Figueiredo da Guerra teve o cuidado de corrigir Cunha Brandão sem que se conheçam agora as suas motivações para tal e publicou por sua vez um texto intitulado As cruzes da Senhora da Agonia. Dizia Figueiredo da Guerra  que  o titulo que Cunha Brandão tinha dado à noticia, A quebra das Cruzes da Via Sacra de Areosa, era inexacto. Assim remeteu, F. G. essa tal destruição, para as Cruzes da Via Sacra que vinda de Santo António rodeava a ermida de Nossa Senhora da Penha de França e terminava na chamada Capela do Bom Jesus da Via Sacra   ( Sra. D’Agonia) superintendida pela Ordem Franciscana. Fazendo considerações à Casa da Via Sacra dos Figueiredo da Guerra, à Cancela de Areosa e à Guarda Republicana.

Esta Via Sacra, levantada no ano de 1670 por influência do Venerável Frei António das Chagas, fundador do Mosteiro do Varatojo,  encontra-se perfeitamente identificada e lineada na carta, Planta de Vianna Barra e Castello feita em 1756 acrescentada na cerca do Convento dos Crúzios em 1758 existente na Biblioteca Pública Municipal do Porto que por sua vez terá sido antecedida por uma outra existente na Sociedade de Geografia de Lisboa, Planta da Villa de Vianna e sua Barra e Castello  onde também se pode observar o trajecto de tal Via Sacra.

Acontece que Rosa Araújo da sua  Memória da Capela de Nossa Senhora da Agonia (1963)  a pgs. 8 e 9 insere, no seu trabalho, esse mesmo texto de F. G. sem qualquer outro acrescento, a não ser uma nota a pgs. 9 mas sem beliscar o escrito de F.G.

Mais tarde  A Falar de Viana  em 1998, pgs. 192,  viria a republicar o texto de F.G. intitulando As Cruzes da Senhora D’Agonia. E o mesmo A Falar de Viana  repete essa republicação em 2005, pgs. 53, 54, e 55 com o mesmo título, mas desta vez remetendo também para José  Rosa de Araújo.

Mas, mais recentemente, França Amaral fez uma leitura cuidada desse tal Códice nº 729 onde pode verificar que a tal via sacra era mesmo a Via Sacra de Areosa e que Cunha Brandão não tinha publicado qualquer imprecisão. Esse esclarecimento foi feito no A  Falar De Viana de 2015 pgs 311 e 313. E já nos Cadernos Vianenses 2017 pgs. 171 a 232 França Amaral faz publicar a leitura dos próprios documentos constantes no tal Códice 729.

Ou seja F.G., com o que publicou em 1928, induziu em erro tanto Rosa Araújo ( cujo apreço por FG  o leva a considera-lo … grande memorialista…), como as citações posteriores.

Este equivoco, como lhe chamou França Amaral, poderia resultar de F.G. apenas conhecer  a tal  Via Sacra vinda de Santo António e suas circunstâncias, mas o que não se entende é o período final de F. da G. em 1928:

“O douto courense  Cunha Brandão, desconhecendo tais particularidades, confundiu os factos que nós sobejamente sabemos por nascermos neste sítio e nele morarmos, possuindo mesmo os respectivos documentos”

Que demonstra que F. G , ou  não leu os documentos que diz possuir ou, tendo-os lido, teve uma qualquer insondável necessidade de contraditar o seu …erudito amigo Tenente Coronel Cunha Brandão… passados dez anos que foram de 1918 a 1928 e já depois  da morte  deste, evitando assim qualquer reacção da parte do … douto courense...!

Episódios como este terão levado  Almeida Fernandes a considerar que  F.G. … emitiu várias vezes opiniões sem fundamento  ou totalmente erradas embora o faça em regra sem qualquer signo de dúvida… (Ver A. F. - COMO NASCEU VIANA-1959 Capitulo V – REFUTAÇÕES A J. CALDAS. F. DA GUERRA E A. SAMPAIO a pgs. 33)

E aos citadores, actuais e vindouros, aconselho a que exerçam um salutar criticismo mesmo quando enfrentam Almeida Fernandes. Ele próprio, num exercício de elevação intelectual aliás, pôs em causa algumas das suas conclusões.

E, para ter assunto na próxima, mais não digo!

lopesdareosa

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Zé Amorim - Zé da Garrida


Gente que não era do faz de conta|



O Rogério da Ângela da Maranhão ofereceu-me esta imagem de seu pai, Zé Amorim aqui acompanhado pela Cila do Mário da Farrapeira. Ela das das Manças. A concertina era do o Henrique da Garrida, avô do Rogério. Os irmãos do tocador da fotografia,  o João da Loura e o Domingos da Sampaia, também tocavam concertina.

Por mero acaso a Anabela mostrou-me, no meio dos papeis de seu pai, a fotografia que segue e que eu procurava pois está publicada em diversas ocasiões de que lhes perdi o rasto.

A concertina já não era a do Ferrinhos, ali par os lados de Piães. É uma Hohner daquelas que eu tenho quatro.

As mulheres de Afife que o acompanham, de quem me lembro, mas onde apenas reconheço a Maria Catônha, não posso garantir mas sei ao certo que não iam na parada por acaso nem a representar coisa nenhuma. Eram mesmo daquelas que iam ao mar ao argaço!

Mas como o Rogério me vai guiar pela gente de Afife, eu chego lá!


lopesdareosa

sábado, 10 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Van Dunen versus Marques Vidal


Interpretações da Constituição. 

Declarações de Van Dunen em  9 de Janeiro de 2018 

A ministra da Justiça abriu nesta terça-feira a porta de saída à Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, que termina o seu mandato em Outubro deste ano: 
"A Constituição prevê  um mandato longo e único. Historicamente é a ideia subjacente 
ao mandato", disse Francisca Van Dunem em entrevista à TSF, recordando que essa 
era "a grande questão que se colocava" quando o PGR era Cunha Rodrigues. Depois disso, "o que se estabeleceu foi um mandato longo e um mandato único", reiterou a ministra.



COMPAREM AGORA COM MARQUES VIDAL 
em Março de 2013

Ver 









































Porque é que os constitucionalistas, comentaristas, especialistas e outros artistas, não comentaram, nem comentam agora, o que a própria Marques Vidal disse em entrevista publicada no Boletim da Ordem dos Advogados nº 100 de Março de 2013 a pgs. 46 - Vou transcrever 

" Por alguma razão o mandado do Procurador-Geral da República é de seis anos, não renovável. E bem na minha prespetiva. Não estamos a falar de pessoas, mas dos cargos que exercem. unquote.

- Não me quererão convencer que era Marques Vidal que se queria pôr no olho da rua, ela própria?

- Não me quererão convencer que Marques Vidal deveria ter sido demitida por ter tal entendimento?

Os entendidos deveriam entreter-se em levar a coelhinha ao macho!
 Seriam mais profícuos!



Tone do Moleiro Novo I - O Chato (auto proclamado)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Vou fazer Sessenta e Nove

Vou fazer Sessenta e Nove

Com as minhas homenagens ao Quim Barreiros. 
Dois anos mais velho, chegou aos sessenta e nove mais depressa 
e não deixou passar a data. 



- Isto que se segue não é plágio! É uma paráfrase! E nisso de fazer sessenta e nove, o Quim Barreiros decerto que não se importa que o vão parafraseando todos aqueles que 
lá cheguem!

retrouso
Vamos brindar vamos beber
quem faz sessenta e nove
nunca mais vai esquecer

Vamos beber vamos brindar
quem faz sessenta e nove
é pra sempre recordar


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Nasci a três Janeiro
do ano quarenta e nove
vamos em dois mil e dezoito
eu faço sessenta e nove 


Eu vou saboreando os anos
e que ninguém me reprove
hoje é a minha festa de anos
eu faço sessenta e nove 


retrouso

É sempre uma grande festa
pra quem chega a esta idade
ai quem faz sessenta e nove
atinge a felicidade


Este dois mil e dezoito
pra mim vai ser um regalo
pois fazer sessenta e nove
será bom só de lembrá-lo


Retrouso

Há jovens no cemitério
onde a terra cedo os cobre
e passam por esta vida
sem fazer sessenta e nove

Esta é a minha homenagem
àqueles que já cá não estão
Encurtaram a viagem
sem saber o que é bom 



Retrouso

MORAL DA HISTÓRIA

Não fazem os mentirosos
 nem o pato que tem bico
 nem o burro porque é burro
 nem o parvo maçarico

Nem os porcos que são porcos
 não o fazem no chiqueiro
 pois só há espetos de pau
 na casa do zé ferreiro


Retrouso e finale

Tenho inveja ao Quim Barreiros
 e da vantagem do Quim
 Pois já fez sessenta e nove
 Dois anos antes de mim




É generosa a intenção
quer do rico quer do pobre
em trocar de posição
ao fazer sessenta e nove




tone do moleiro novo