segunda-feira, 10 de abril de 2017

FRANCISCO FREIRE





Ficou conhecido em Areosa, de Viana, como o "25"

Assim mesmo! E porque ele próprio o explica. -  Soldado 25!

Já a ele me referi em 
http://lopesdareosa.blogspot.pt/2011/04/9-de-abril-de-1918.html

No próximo sábado,  dia 15 de Abril de 2017, se data o centenário do embarque das tropas para França, na Estação de Viana. A memória não será esquecida. Haverá um encontro pelas 15H00 no Largo da Estação onde será lida a despedida do Soldado 25 que se torna aqui a transcrever!


Eu também sou dos contados
Com grande satisfação
Pois foi a quinze de Abril (1917)
o embarque na estação

.....

Vou agora descrever
o que foi a despedida
do soldado 25
da sua pátria querida

.....

Eu vou deixar um relato
escrito por minha mão
para que fiqueis sabendo
por vós a minha afeição

Despedida de Portugal, pelo mesmo autor com panfletos distribuidos na estação á hora do embarque

Adeus Quartel de Viana
Por quem eu dou minha vida
Adeus ó Pátria querida
Pátria que eu tanto amo
Com o coração magoado
dou a minha despedida

Digo adeus aos meus amigos
com olhos a marejar
só por me vir a lembrar
Que não vos tornarei a ver
Se eu na França morrer
morro por vós a pençar

A todos digo adeus
De todos levo lembrança
O que me conçola é a esperança
de abraçar amigos meus
Vou correr aos Pirineus
onde se agoura o mal
Adeus ó terra Natal
Adeus familias queridas
Adeus Pátria querida
Adeus lindo Portugal

Se um dia aqui voltar
E por vós for cunhecido
Adeus amigos queridos
Que não vos tornarei a ver
Se eu na França morrer
vou vos dar a despedida

Adeus raparigas do Minho
como vós não há iguais
Vou dar os tristes ais
Não sei vos tornarei a ver
Vou p'rá França combater
Contra os crueis alemães

Se um dia aqui voltar
vos contarei minha vida
É triste a despedida
p'ra quem fica e p'ra quem vai
mais tristes serão aqueles
que não voltarão mais

É triste o quadro que vejo
Até corta o coração
Tanta mãe tanto irmão
Choram seus entes queridos
de os ver partir p'ra a guerra
julga-los sempre perdidos

E com isto adeus quem fica
dizei adeus a quem vai
não sei se voltarei mais
se voltar vos contarei
o que na França passei
adeus amigos liais

Adeus Viana do Castelo
Areosa, Afife e Carrêço
e tudo quanto eu conheço
rapazes e raparigas
adeus lindas avenidas
onde eu passava o meu tempo
Adeus Praça de S. Bento
Adeus lindas raparigas

Á hora em que descrevo
esta minha narrativa
está o comboio na estação
próximo a dar a partida

Choram as mães pelos filhos
raparigas por namoros
choram as mulheres casadas
com gritos em altos côros

Já vinha em cima da ponte
o comboio a apitar
ainda se ouviam os gritos
o adeus ao militar

para espalhar as paixões
todo o soldado cantava
via-se no seu olhar
as lágrimas que o banhava

nas estações que passavam
muitas pessoas se via
Deus vos leve Deus vos traga
toda a gente assim dizia


É lógico que as cinco últimas quadras não constariam nos tais panfletos que o Soldado 25 distribuiu em 1917. No entanto não resisti a dar deles conhecimento dado o enquadramento das mesmas no transe daquela partida!

lopesdareosa


domingo, 12 de fevereiro de 2017

João Verde


Resultado de imagem para João Verde em Monção




































Encontrei esta fotografia, de Vitor Oliveira, em

https://www.flickr.com/photos/vitor107/8174695822

Com comentários elucidativos sobre João Verde. Quem era e sua obra.

A adoração que este tinha pela Galiza. 

Pena é que os de Monção tenham colocado João Verde de costas para a Galiza!!!

João Verde nunca virou costas à Galiza!

Nem viraria! (penso eu!)

( Vem isto a propósito da apresentação de Prosas e Alguns Versos de João Verde II (e outros pseudónimos de José R. Vale)”, recolha e compilação de poemas e textos do autor por Fernando Prego que deve ter ocorrido neste sábado, dia 11 de fevereiro, pelas 16h00, no Cine Teatro João Verde.)
Ver
http://www.minhodigital.com/news/apresentacao-publica-sobre


lopesdareosa

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Acordo ortográfico

Não confundir com "acórdo" ortográfico muito embora se escreva da mesma maneira. A questão é fonética e não ortográfica!

Mas nestes dias esbarrei com duas preciosidades! Uma de Ferreira Fernandes, publicada  na edição da Notícias Magazine de 22 de janeiro de 2017 a qual reproduzo não resistindo a que o faço sem ter pedido autorização!

BACALHAU HÁ BRÁS

José Brás (1890-1916) é um daqueles desconhecidos heróis populares que nos entraram no falar comum e de quem tudo esquecemos. José ainda era adolescente ao entrar na Faina Maior, a pesca do bacalhau, antiga de mais de 500 anos, quando foi recrutado pela primeira vez em Ílhavo. Tinha feito oito campanhas quando voltou a partir para o Grande Banco, na Terra Nova, em 1916, ano ainda mais frio do que o costume.
Ele era um escalador exímio, dando a forma triangular ao bacalhau com a sua faca de um gume só. Ia para o mar num minúsculo dóri, onde, solitário, cercado de bruma, só ficava ligado à frota pelo bater pungente do sino da escuna mais próxima. Numa manhã, José Brás, de pé no fundo raso do bote, agarrado às duas linhas de pesca com as mãos sem luvas, só tiras de couro para proteger as palmas, tropeçou, caiu nas águas geladas e foi atacado por um cardume de bacalhaus de grande porte.
Os Gadus morhua são vorazes e também carnívoros – não sem razão, muitas vezes o isco que se lhes atira são cagarras e pequenos pássaros. Num repente, José desapareceu no destino secular que icebergues, navios mercantes de passagem e tempestades votaram aos homens da Faina Maior.
Naquele dia, o tombo do marinheiro ao mar foi seguido de uma voz vinda do cardume – foram 23 companheiros, de outros tantos dóris, que o testemunharam, no inquérito que foi feito. Interrogados no brigue que comandava a frota, disseram todos, unânimes, que ouviram a frase, menos estranha por todos a terem ouvido, pois o nevoeiro propaga melhor o som, mas espantosa, por pôr bacalhaus a falar.
Garantiram aqueles pescadores ter ouvido um grito de aviso, das profundezas do mar: «Bacalhau! Há Brás!!!», disse um bacalhau, convocando os outros do cardume. Seguindo-se os peixes todos a atirar-se ao petisco… Verdade? Mentira? O facto é que, mais de um século depois da tragédia, a lenda persiste. Aliás, como podemos comprovar, ainda hoje, ao ler as ementas dos restaurantes portugueses. Sem a pontuação atrás descrita, mas com as letras todas: «Bacalhau há Brás.»
O episódio demonstra que algumas grafias julgadas erradas podem ter uma explicação histórica que as justifica. Outro exemplo clássico é o «por ora» (no sentido de «agora») substituído por vezes pelo «por hora». Segundo este (por exemplo, em «120 km por hora») deveria estar só nos velocímetros: «Quem tira o por hora do tablier dos automóveis arrisca-se à multa», dizem os puristas.
Mas o «por hora», em vez de «por ora», é um regionalismo admissível desde 2013, quando a emigração para a Suíça duplicou de um ano para outro e aquele país se tornou o segundo destino dos nossos emigrantes. A estes, sobretudo os que foram para o cantão de Neuchâtel, berço da indústria relojoeira, até lhes fica bem dizer: «Por hora, estou cá muito bem.» Em certas circunstâncias, a gramática deve ser agradecida.
E, claro, há a velha questão da exclamação «haja Deus» escrita «aja Deus». O que poderia levar o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – tirando isto, um abençoado lugar para tirar dúvidas – a lançar a essa troca o anátema de blasfémia. Errado, porque mais do que gramatical, a troca é religiosa. Uma, dita na perspetiva passiva do homem perante o divino; outra, reivindicativa. Uma, sofrida, outra, protestante.
Vem esta crónica a propósito de eu não considerar supérfluo quando fico super-fulo (não confundir um com o outro) quando faço um erro de escrita e mo apontam. A solução não é aprender de forma automática, é, para nos justificar, inventar histórias arrevesadas (não arrevezadas), que deem (não dêem) tanto trabalho que aprendemos de vez.
Gostaria de vender este método às escolas em geral e à de Hotelaria em especial.

FIM DE CITAÇÃO

A outra devo-a a Francisco Seixas da Costa que demonstra e muito bem, o salto civilizacional que o AO representa:

Antes de AO aquele nosso conhecido ALTO E PÁRA O BAILE queria dizer que a bagunça deveria acabar e começar o trabalho!

Depois de AO o ALTO E PARA O BAILE  a ordem é para inverter a ordem! (deve ser!)

(Nota importante! não confundam a primeira ordem com a segunda! É mesmo assim e já é de trás!) - ( de trás ou detrás?)
Ás tantas é mesmo do onomatopaico de trás!

lopesdareosa

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A Primeira Guerra Mundial

Este texto foi-me facultado pelo meu amigo e camarada de trabalho nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Carlos Palma. Ulisses, fez de Viana a sua Dublin, na sua odisseia pelos seus cafés. 

Atleta notável do nosso Vianense, espalha a sua imaginação pelos amigos a quem mostra as amostras do seu génio.

Esta texto também poderia ser intitulado:


"A história de como um combatente, minhoto decerto, na primeira Guerra Mundial, se encontrou, em 1969, na Lua, com AMSTRONG E COLLIN."

Mas no original é:

"A fuga do paralítico para a LUA"

"Estavamos em 1918, depois da batalha de Verdun e Smme, quando o Império austro-hungaro e o otomano, assinaram o armestício.

Nas trincheiras e crateras, ficaram feridos e mortes, pelas bombas da artilharia e pelo esgaseamento-armas químicas. Era o início de armas da produção de armas bacteriológicas. 

Numa dessas crateras estava, um soldado português, do corpo expedicionário. Que fora mandado para a França, no então famigerado governo republicano, liderado por Afonso Costa.

Entretanto o soldado português no meio do seu delírio começa ver-se no espelho da vida: de sua graça ANTÓNIO, o seu cerebo vagueava, iluminando sua vida 

Quando acorda dá-se sem uma perna e com visão que lhe era proporcionada da sua cratera, via um astro azul totalmente espetacular.

Logo se começou a interrogar
- Onde é que eu estou? 
Reparou que estava sòzinho. E assim curioso reparou que tinha a seu lado uma moleta.
Levantou-se com bastante esforço e andou, andou.
Era uma terra estranha, muito cálida e plácida.
Não encontrava ninguém, e de buraco em buraco, lá foi ele tomando conhecimento, e reconhecimento do terreno.
Depois, estafado, sentou-se e perguntou:
- O que é que eu vou comer?
Viu umas flores, aproximou-se e arrancou uma e triturou-a, com os seus dentes. Curiosidade, sentiu-se mais forte e a rejuvenescer. Entretanto foram-se, passando os anos, ou o tempo como queiram insinuar.
e António continuava a explorar, as crateras.
Pensando que aquilo deveria ter sido feito pelos bombardeamentos.
Lá foram passado os anos, até que um dia, do seu posto de observação Reparou num avião que deslocava-se em direcção a onde ele estava. e interrogou-se e pensou que deveria ser um avião protótipo.
Ergueu-se e foi ao encontro da nave. Esta tinha aterrado e dela saira de uma porta um piloto; descendo por uma escada. 
A vestimenta que ele trazia e estava usando, pensou que era contra a guerra química. António que era a... anulagem.
O individuo, que falou e disse. 
- É um pequeno passo para o homem, e um grande passo para a humanidade.
Era nem mais do que AMSTRONG.
O seu colega que desceu da nave, se eu bem me lembro era o COLLIN.
António, aproximou-se cada vez mais, e começou a gritar.
- Amigos...amigos.
Os dois viajantes do espaço, ao verem aquele humanóide, sussuram e fugiram para a nave. refugiando-se daquela criatura.
Estávamos, no ano terráquico  de 1969.
Entretanto o velho soldado português pegou na sua espingarda e fez alguns, disparos para o céu. Que ecoaram para todo o lado. Com o estrondo era o ocaso, de dia passado, pois nesse mês, sobre o épico final de guerra.
António, abriu os olhos, reparando que o sítio onde estava era um hospital, pelas vestes das enfermeiras, que naquele tempo se chamavam abadessas.
Olhou para a direita, e viu ao seu lado, um homem vestido de bata branca e deduziu, que era um médico. Era na verdade um médico, e este falou-lhe.
- Soldat, vous avez trés sort.
ANTÓNIO, espantado perguntou onde estava. Uma das enfermeiras respondeu-lhe em poucas palavras.
- Em FRANÇA, mas que iria para Portugal, o mais rápido. Pois estava em convalescensa.
Ele próprio se questionava por onde tinha andado, depois de ter perdido os sentidos. Na batalha de La Lys, se era assim que se chamava aquela terra. Pediu um copo de água, e pôs-se a olhar para a água do copo, pensando que fosse onde fosse, estava vivo.
Verificou que afinal tinha a perna direita. Contràriamente com a situação anterior, onde tivesse andado.
Passado tempo regressou.
Foi o final feliz para este soldado, e todos, do corpo expedicionário PORTUGUÊS."

Assinado Carlos Palma.

Aqui chegado, fico-me na imaginação do Palma que conseguiu vislumbrar flores nas crateras da Lua e mesmo até nas crateras de Somme.


Depois, aquele detalhe dos astronautas fugirem do desgraçado!


Depois, se algum spilbergue ou algum lucas se lembrar de passar ao cinema um encontro entre um combatente da guerra mundial com os homens que pela primeira vez pisaram a Lua apenas assim ou com as crateras como elo de ligação, sem pagar ao Palma royalties,  terão de se haver comigo.


Por fim, espero que os de Viana se lembrem de lembrar condignamente o embarque, na estação,   dos nossos combatentes. Foi em Abril de 1917. Próximo está o centenário portanto!


lopesdareosa





quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

TÚNEL DO MARÃO

Não conheço o Senhor Paulo Alexandre Rodrigues!

Pelo que vou comentar o facto. Não a pessoa.

No abstracto sempre direi que sempre haverá alguém para justificar o injustificável. Mesmo que o injustificável seja isso mesmo!

Há pouco tempo veio a lume uma notícia sobre a indignação, para os lados de Vila Real, com a mudança do centro de vigilância do Túnel do Marão para Almada!

Logo no Espaço do Leitor barra Opinião do JN de 24 de Dezembro aparece este comentário e em destaque:

"Qual o problema? As tecnologias permitem agir com a mesma eficácia a 5 km do local ou a 500 km."


 

Pode ser que assim seja, o que eu duvido mas nem sequer discuto!

A questão que eu coloco é porque não, então e segundo o mesmo princípio,  mudar o centro de vigilância do Túnel do Marquês para Vila Real?

Qual seria então o comentário dos comentadores?

Nunca saberemos pois esta situação nunca se verificará!

Tone do Moleiro Novo

domingo, 18 de dezembro de 2016

Um bom Natal e faça de conta que é meu amigo!

Um bom Natal e faça de conta que é meu amigo!

Esta não é minha. Ouvi-a ontem do Senhor Paulino, afinador de concertinas.

Da sabedoria também!
                                                                                                                                                                                                                                                         Tone do Moleiro Novo                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Virgílio Hipólito Correia

Não conheço o Senhor.

Apenas que é (ou foi) Director do Museu Monográfico de Conimbriga com o curriculum que consegui na NET

http://www.ipt.pt/download/cph/forum_cph1/01_VHCorreia.pdf

Síntese Curricular
Virgílio Nuno Hipólito Correia
Director do Museu Monográfico de Conimbriga;
Professor Afiliado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Formação académica
• Licenciado em História, variante de Arqueologia, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1984)
• Mestre em Arqueologia, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1993).
• Doutor em História, especialidade de Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2011). ~

Percurso profissional
• Professor do ensino secundário (1984-1987)
• Técnico Superior do Serviço Regional de arqueologia da Zona Sul, dependente do Instituto Português do Património Cultural (1987-1990)
• Técnico superior do Museu Monográfico de Conimbriga (1990-1996)
• Assistente Convidado da Universidade Aberta (1996-1998)
• Técnico superior do Museu Monográfico de Conimbriga (1998-1999)

Actividade científica 
• Colaborador ou responsável de vários projectos de investigação e valorização patrimonial no Alentejo.
• Desde 1990 responsável pela condução da investigação arqueológica em Conimbriga, na sua qualidade de arqueólogo do Museu, em projectos de responsabilidade individual ou em colaboração com outras instituições.
• Co-autor dos volumes de Normas de Inventário de Arqueologia editadas pelo IMC.
• Responsável pela participação de Conimbriga em vários projectos europeus no âmbito dos programas Cultura 2000 e Leonardo da Vinci.
• Fundador da Associação Profissional de Arqueólogos, de que foi Presidente da Direcção, sócio de algumas sociedades científicas nacionais e membro do conselho científico ou redactorial de várias revistas portuguesas e espanholas.
• Autor de cerca de uma centena de trabalhos científicos sobre arqueologia e gestão de património, publicados como monografias e em revistas e actas de congressos nacionais e estrangeiros.

Também chegou ao meu conhecimento um escrito seu nos 


"Roteiros da Arqueologia Portuguesa"     

- COLA Circuito Arqueológico - CORREIA, Virgílio Hipólito. IPPAR - 2002.

“(…) Deve-se a Abel Viana a primeira escavação do Castro da Cola. Ao longo de muitos anos, e em condições 
que se sabe terem sido de uma extraordinária dificuldade e de grande sacrifício pessoal, este investigador, notável pela sua compreensão da realidade humana em que trabalhava – como bem revelam as suas incursões no domínio da etnografia - , escavou o castro e vários monumentos ao redor, que sucessivamente publicou, secundado por nomes que são hoje referência para todos os arqueólogos portugueses, como Hermanfrid Schubart ou Octávio da Veiga Ferreira. As publicações destacam-se pela precisão do inventário das peças, pecando, infelizmente, pelo rudimentar da sua análise. Abel Viana talvez não tenha escrito uma dúzia de páginas duradouras, mas é notável o seu papel na arqueologia do Sul de Portugal da época, que, sem ele, se não distinguiria de um deserto. Para além disso, deixou marca indelével nas populações locais e em todos os arqueólogos que com ele trabalharam. A sua memória é recordada por uma lápide junto ao castro. (…)” - p. 7.

E o meu realçado a vermelho não está aqui por acaso.

E não sei se o autor apenas se refere a uma constatação ou se se trata de um reparo sentido ás rudimentares análises de Abel Viana que não terá escrito uma dúzia de páginas duradouras. Baixo desdém não será.  O "pecando infelizmente pelo rudimentar da sua análise" empregue, nos dará algumas luzes nessas vertentes.

Mas o que parece não ter sido ainda notado por muita e boa gente é que Abel Viana nunca foi arqueólogo! Pelo menos dos encartados. Era Professor Primário! ( tão por baixo ele andou que não chegou a secundário...)

Mas o melhor é ler  Abel Viana para abarcar o seu próprio posicionamento!

Assim no ARQUIVO DE BEJA de 1958 na página 55 e sobre a ARQUEOLOGIA E OS ARQUEÓLOGOS deixou Abel Viana este escrito duradouro e não rudimentar!



E estas considerações finais são elucidativas. Do que a arqueologia nacional menos precisa é de teorias. Menos sábios e mais arqueologia.

E quanto a Abel Viana. "Ele limitou-se a descrever e a classificar sem jamais se permitir o luxo ou pirotecnia das interpretações pretenciosas - porque isso de teoria é o diabo!"

Esta faz-me lembrar uma, já corriqueira, sobre a guerra dos candidatos aos cometas de um fabricante de pneus.

Chefes há muitos. Cozinheiros há poucos!

Tone do Moleiro Novo

Pequena nota acrescentada em 10 de Dezembro de 2016.
Eu não poderia ter escrito este texto sem o alerta e alguma da imensa informação disponibilizada pelo meu amigo António Viana, que me cedeu também uma fotografia com seu tio Abel Viana precisamente no Castro da Cola em 1958.