terça-feira, 19 de julho de 2016

JOSÉ CID outra vez


JOSÉ CID outra vez
Tem uma longa carreira mas nos últimos anos ganhou fãs dentro de uma camada mais jovem da população, muitas vezes pessoas que nem sequer eram nascidas quando lançou os seus maiores sucessos. O que acha que levou esta camada jovem a descobrir o seu trabalho? ( Pergunta do entrevistador)

Resposta

“Sou um cantor ao vivo e as novas gerações são inteligentes e percebem que estão a ouvir um cantor ao nível de outros internacionais, só que eu estou aqui ao pé deles e podem chamar-me Tio Zé. A minha música é feita para pessoas inteligentes, não é feita para preconceituosos nem invejosos. Peço imensa desculpa, mas é o que é. A minha obra está muito à frente da sua época e as novas gerações percebem isso porque são inteligentes.” Fim de citação

 Conheço duas versões deste tema!

Uma é a daqueles reguilas que atiram ao interlocutor que quem não o grama (ao reguila) ou é corno ou paneleiro! Esta afirmação arrasadora deixa qualquer um sem fala e sem alternativa!

 A outra é a do rei vai nu!

Conta-se que um certo alfaiate real (reguila também) confeccionou uma vestimenta feita de coisíssima nenhuma, fingindo com ela vestir o Rei. Mas o certo é que ninguém, nem o Rei, conseguia ver o tecido nem tão pouco apalpar fosse o que fosse. O alfaiate reguila, ou o reguila alfaiate, instado, argumentou que o tecido de que era feita a nova vestimenta do Rei só era perceptível a pessoas inteligentes. Saiu o Rei à rua, talvez no dia em que o Rei fez anos, e toda a gente gabava a sua nova vestimenta. Pudera ninguém se queria ver apodado de burro! Até alguém, que não estava por dentro do assunto, ter proclamado:

 - O Rei vai nu!

(Pôrra! Nada disso! O gajo é que era preconceituoso!)
Tone do Moleiro Novo

quinta-feira, 30 de junho de 2016

De Vichy e os referendos

De Vichy e os referendos


"A 24 de Maio de 1940, no início da segunda guerra mundial, a França sofre uma devastadora derrota no norte do país. A 15 de Junho, o governo francês, liderado pelo Marechal Pétain, herói da primeira guerra mundial e distinguido comandante em Verdun, ordena às forças armadas, contra a sua vontade e o choque de uma nação até aí orgulhosa, que se rendam. Em troca, negoceia a mudança do governo para a cidade de Vichy. Desde então muitos franceses recusam-se a repetir o nome do marechal, designando-o como “le traître”. O ostracismo não podia ser mais completo, visto de certeza caberem num país daquele tamanho mais do que um. Mas não, o fulano ficou mesmo “o traidor”.
 
Muitos dos nossos articulistas, comentadores, políticos e até candidatos presidenciais em campanha notam que não ter havido uma consulta directa para a transferência de soberania foi um “erro”. É de facto da mais patente evidência que é um tema suprapartidário, que diz respeito, directamente e especificamente, a cada um dos 10 milhões de avos que cada um de nós recebeu à nascença. No meu caso, em Alvalade, Lisboa. Os anos vão passando, o mau hábito entranha-se, e as transferências de soberania continuam insufragadas, e insuportáveis. Para muitos de nós, e quantos não o saberemos até haver um referendo, o Portugal dos nossos egrégios avós vai ficando de Vichy.
 
Muitos leitores, a grande maioria talvez, e mais ainda os jovens que herdarão a quinta, se ainda uma houver, preferem passar ao lado destas mágoas, e seguir em frente. Pois deixem-me que vos ilumine um pouco, e que vos faça saber, que alguns com quem se cruzam todos os dias passam calados, não mais capazes de vos chamar pelo nome."
Jonas Almeida, PhD, Nova Iorque
 
 
Li este texto no PÚBLICO de ontem. Está "assinado" por um tal Jonas Almeida algures em N.Y.
 
Muitos encontrarão amargura neste texto! A mim, comoveu-me! Chegaram lágrimas aos meus olhos!
 
Tone do Moleiro Novo

sábado, 11 de junho de 2016

JOEL CLETO

Gosto de o ouver no Porto Canal. Traz-me à memória o nosso Hermano Saraiva e as suas explicações televisivas.

No entanto a coisa repete-se. Depois de ter tele-espectado o erro mais que grosseiro da identificação do local da morte do Santo Aginha como tendo sido no Adro de S. João, fiquei com todo o direito de duvidar do iminente professor sempre que ele se referia a factos, monumentos, documentos, e locais, longe do meu conhecimento.

E, repito, gosto de Joel Cleto.

Mas...

Acontece que não há muito tempo,  no JN, aparece Viana do Castelo identificada como sendo ou tendo sido VIANA DA FOZ DO MINHO. Ora eu nunca em tal ouvira falar. Nem o rio Minho passa em Viana para ter lá a foz. O que sei e li em muitos documentos é que essa Viana era identificada como VIANA DA FOZ DO LIMA. E com toda a lógica.

E aqui vai o print screen desse lapso que em principio não passaria de um lapso se não fosse repetido.







www.pressreader.com/portugal/jornal-de-notícias/20160227/282230894769259

27/02/2016 - Por Joel Cleto, Historiador. Muitos antes de Viana, até aí designada como “do Minho” ou “da Foz do Minho”, se ver denominada como “do ...
 
Ora bem! Acontece que agora me chegou ás mãos, edição do Jornal de Notícias, um folheto GUIAS DO CAMINHO DE SANTIAGO - O CAMINHO POR BRAGA, introduzido por Joel Cleto, que na página 29, no trajecto de Rubiães a Valença, contém o itinerário na seguinte descrição:

 
"Até Valença tem mais de 19,3 km para andar. Da ponte romana sobre o rio Coura o trajecto segue para Cossourado por um caminho onde há importantes vestígios do que foi a Via Romana XIX, nomeadamente marcos miliários de Caracala e de Augusto.
A subida até ao São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro, voltará a exigir força nas pernas. O santuário, fundado no século XVII fica no caminho para Gondomil uma pequena aldeia do concelho de Valença...."
 
Efectivamente será preciso muita força nas pernas ir de Cossourado a Terras de Bouro e regressar ao tal santuário que fica no caminho para Gondomil no concelho de Valença!!!!
 
ÓH Senhor Joel Cleto. Espero que pouco ou nada tenha a ver com estes detalhes. A não ser assim começo  a desconfiar!!!
 
 Tone do Moleiro Novo

sexta-feira, 3 de junho de 2016

CID O CAMPINADOR

 
A melhor que ouvi, nestes dias, é que depois de ter dito que os transmontanos eram feios, medonhos e desdentados, Cid o Campinador terá tirado a peruca, a dentadura, o olho de vidro e a perna de pau e foi dormir descansado...
 
Depois há uns engraçadinhos que tentam mandar a coisa para a lavandaria  argumentando que já foi dita há seis anos!
 
 - Mas passados seis anos em cima da bacorada que necessidade houve de a reeditar?
 
- Este pormenor não dirá nada sobre  os que se julgam que detêm o monopólio da piada?
 
E não se admirem da coisa só agora ter chegado ao destino.
 
Isso deve ter a ver com a recente abertura do túnel do Marão!
 
Tone do Moleiro Novo                                                                                                                                      

sexta-feira, 27 de maio de 2016

World MUSIC em Afife

Foi em frente ao Casino!

Nem em lembro de onde eles eram!

Estavam acampados algures!

O Ernesto Paço estava lá!

Se era em Ré ou em Sol dependia do movimento dos foles.

Confiram na posição de dedos do guitarrista e talvez cheguem lá. Mas não chegam a Lá porque o instrumento não dá!


















lopesdareosa

quarta-feira, 11 de maio de 2016

UBER

DE  NOVO


Como continuo a ler os mais díspares disparates opinativos acerca da problemática UBER versus TÁXIS, quase todos voluntaristas, gostaria de ler e de ouvir coisas mais concretas e objectivas. Nesse sentido já enviei este texto que segue como comentário a esses comentários que nem interessa identificar. O que está em causa são princípios e não subjectividades. Aqui Vai:
 
 
Venho por este meio reforçar que essa história da UBER ser uma plataforma digital e que por isso se justificaria um tratamento legal diferenciado dos TÀXIS é isso mesmo, uma história e ainda por cima mal contada.
 
Uma plataforma digital não transporta ninguém! É apenas um meio de chamar o transporte de que necessitamos. Poderia ser através do telefone, de sinais de fumo, de telégrafo ou de TSF, se estes fossem modernamente exequíveis!
 
Acontece que se pode chamar um TAXI  também através de plataformas informáticas. o MY TAXI é o exemplo. Mas não é por isso que os TÀXIS deixam de estar regulados. Têm que ter alvará, porque contingentados, têm que ter o veículo homologado. O condutor, vulgo taxista, tem que ter um curso e certificado profissional e o seguro de veículo de transporte de passageiros é mais caro que o normal. Isto pelo menos!
 
Acontece e é expectável, que sendo o serviço de táxis regulado até ao tutano, se aparecer um outro serviço paralelo que faça a mesma coisa sem que lhe seja exigida coisíssima nenhuma, que a tendência é que o TÁXI desapareça. Mesmo que o taxista seja o individuo mais limpo do planeta. Nem que o taxista seja o mais educado do planeta. Nem que seja surdo-mudo e o seu veículo seja moderno e se apresente imaculadamente limpo.
 
Aliás sendo a actividade dos TÀXIS codificada para efeitos fiscais, ainda não consegui obter a informação qual o código correspondente para a actividade dos veículos que respondem ás solicitações via UBER.

Por outro lado acontece que o transporte de passageiros por particulares é ilegal! Por isso mesmo foi interpelado um colega meu de trabalho que comprou uma carrinha de nove lugares para "dar boleia" a outros tantos colegas de trabalho. As autoridades é que não foram na fita! 
 
Na hipótese de serem interpelados pela policia os condutores de veículos que transportem passageiros o  que é que vão justificar para demonstrar que, não sendo uma boleia, não é mais um serviço "ao negro"?

- Vão dizer que trabalham para a UBER?

- E isso chega?

- E chegará aos taxistas dizer que estão ao serviço da MY TAXI?
 
- Não lhes perguntarão as autoridades pelas respectivas habilitações, licenças e homologações?
 
- Não irão verificar se o taxímetro está ou não viciado?

Ou há qualquer coisa que se me escapa, mesmo com os mais delirantes artigos pró UBER, ou há interesses que reinam no reino da confusão!

Cumprimentos em todos os comprimentos. Tanto os da onda como os da vaga.

António Alves Barros Lopes
AFIFE

terça-feira, 26 de abril de 2016

O Ouro das Minhotas


Estou numa de etnografia tradicional ou de tradição etnográfica.  E quanto à tradição tenho a minha máxima: Quando a intelectualidade se interessa pela tradição é porque a tradição já não o é! Mostrei um texto meu, em que tal afirmava, ao meu amigo Benjamim Enes Pereira que se deu ao trabalho de me observar: - Oh Lopes, essa é para mim!
- Não é nem poderia ser. Esclareci. Eu sei que antes do Benjamim escrever sobre as cortas do argaço muito dele o carregara para a Casa de seus Pais. Muito antes de escrever sobre os moinhos, se dirigia numa burra aos de Cabanas para moer o milho e o trigo. Muito antes de escrever sobre o linho e os teares, tinha aprendido toda a técnica com a mãe e as irmãs. Até mesmo a urdidura! Muito antes de escrever sobre as subidas à Chão, muitos carros de mato teria cortado e conduzido pela Costa até à Casa das Bourôas. Muito estrume teria arrancado nos eidos antes de escrever sobre as veigas com tal adubadas. E por aí fóra!

Mas vou agora falar duma tradição que ainda é o que era. Descontando os exageros!
Isto vem a propósito de muito recentemente e numa referência a um livro, também recente, de Orlando Raimundo -  ANTÓNIO FERRO O INVENTOR DO SALAZARISMO, ter lido que 

Li esta invenção em http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/invencoes-290725

Ora já em 2008 no jornal de Águeda A SOBERANIA DO POVO, Manuel Farias num texto intitulado O folclore e a raça se referia à mesma invenção;


Mas, do mesmo Manuel Farias e num escrito datado de 28 de Outubro de 2013;

“Na década de 50, muitas pessoas, mulheres e homens, foram apresentadas ao Tribunal de Polícia, depois de presas durante 1 ou 2 dias, quando eram apanhadas a circular descalças nas cidades e nas vilas, já que nas aldeias a liberdade era outra. Aqui viam-se mulheres com arcadas de ouro e pé descalço, no verão sempre e muitas vezes todo o ano. Viam-se homens com botas dependuradas ao ombro, ou tamancos metidos nos alforges, para calçar apenas na chegada à vila, evitando assim multas e chatices.”
Ver em  http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2013/10/pe-descalco.html

Aqui chegado seria de perguntar em que ficamos?
- As arcadas de ouro que se viam nas mulheres de pé descalço foram-lhes oferecidas pelo António Ferro?

Aqui chegado lembro o testemunho da Mãe dos meus amigos Domingos e António Cachadinha. Galega de origem e habituada a outras vidas, que me contou que a coisa que mais a impressionara, jovem noiva, recém chegada a Nogueira, perto de Viana, fora o facto de ver as mulheres irem para a festa descalças mas com ouro ao peito!
 
- Teria sabido ela então que a culpa era do António Ferro? – Não lhe perguntei mas tenho pena!
Aqui chegado tenho uma fotografia da minha mãe tirada por volta de 1937/1940 em que usa apenas uns brincos chamados à Rainha e, chegado ao pescoço, um fio com uma meia libra cercada.
Perguntei-lhe:

- Minha Mãe porque é que pôs apenas aquelas peças de ouro  para a sua fotografia trajada à Lavradeira?
- Porque não tínhamos mais! (foi a resposta referindo-se à família)

Vinte e cinco anos mais tarde, a Minha Irmã, trajando a mesma roupa, tirou também uma fotografia onde mostra já um colar de contas de Viana e um cordão para além da mesmas peças exibidas  pela Nossa Mãe.

Num dia destes perguntei à Minha Mãe se sabia quem era o António Ferro. Disse-me que não!

Era para lhe explicar que tinha sido o homem que oferecera os cordões de ouro para a Minha Irmã tirar a fotografia! Desisti da ideia pois corria o risco de ser julgado como maluco pela minha própria Mãe!

Resumindo:
Aos entendidos e antes de dizerem asneiras, cultivem-se! Peguem num regador e ensopem bem os neurónios. Com o calor da Primavera desabrocharão e a coisa desenvolver-se-á!

Leiam Camilo ou Ramalho Ortigão testemunhas oculares daquilo que passava nos idos anos de dezanove. Reparem bem nas fotografias do início do Século Vinte.

Podem também ler o trabalho de Margarida Durães
QUALIDADE DE VIDA E SOBREVIVÊNCIA ECONÓMICA DA FAMILIA CAMPONESA MINHOTA: O PAPEL DAS HERDEIRAS (SECS. XVIII - XIX). Cadernos do Noroeste Vol. 17 (1 - 2), 2002, 125-144.  Braga 2002. Em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/3220/1/CNoroeste17.pdf

 “ O Luxo ficou reservado às jóias e ornatos de ouro e prata. Qualquer camponesa devia possuir o seu colar de contas para exibir nas romarias e nas ocasiões festivas. Mas também eram fundamentais os brincos e todo um conjunto de peças como as cruzes, os cordões, as “veneras”, os laços e outras mais. Tudo devia ser ouro reluzente de modo a atrair e chamar a atenção para os predicados das raparigas casadoiras e para o êxito dos maridos das casadas. As jóias eram um património de tal valor material e simbólico que não deixavam desinteressados aqueles que as herdavam ou as recebiam através de dotes, legados ou “deixas”. Até porque as jóias tinham várias finalidades: enfeitavam os semblantes femininos, simbolizavam o poder material da família e por consequência o respectivo prestígio social, mas também eram um investimento e reserva monetária à qual se podia lançar a mão em momentos difíceis. Estas eram as razões pelas quais a posse de peças de ouro se tornou tão importante na economia da casa camponesa minhota. Com elas enriqueciam-se enxovais, faziam-se empréstimos, pagavam-se serviços e custeavam-se os legados pios se a casa não tinha disponibilidades monetárias nessas ocasiões. Adquirir peças de ouro era uma forma de entesourar e valorizar as economias conseguidas em anos fartos, para as utilizar posteriormente, quando as dificuldades surgiam. Mas, a principal finalidade, ou pelo menos a mais imediata enquanto outras necessidades não surgiam, era, sem dúvida, a ornamentação e o complemento mais importante do traje camponês feminino. Desde os botões dos coletes ou do pescoço, aos laços, cordões, fios, contas, cruzes, veneras, tudo servia para glorificar a beleza feminina, enaltecer e prestigiar a mulher, e, sobretudo a família à qual ela pertencia.”
Fim de citação

 A mim não me preocupa a asneira pois nem de raspão me toca!
O que me preocupa é que daqui a cem anos não vou ser eu o citado.

Serão os entendidos de agora!
E então os investigadores, a haver, chegarão à conclusão que na primeira metade do Século Vinte tinha existido um tal António Ferro, homem de tais posses, que resolveu oferecer cordões de ouro ás lavradeiras minhotas!

Ora vão levar a coelhinha ao macho se não tiverem mais com que se entreter!

TONE DO MOLEIRO NOVO