Foi em frente ao Casino!
Nem em lembro de onde eles eram!
Estavam acampados algures!
O Ernesto Paço estava lá!
Se era em Ré ou em Sol dependia do movimento dos foles.
Confiram na posição de dedos do guitarrista e talvez cheguem lá. Mas não chegam a Lá porque o instrumento não dá!
lopesdareosa
sexta-feira, 27 de maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
UBER
DE NOVO
Por outro lado acontece que o transporte de passageiros por particulares é ilegal! Por isso mesmo foi interpelado um colega meu de trabalho que comprou uma carrinha de nove lugares para "dar boleia" a outros tantos colegas de trabalho. As autoridades é que não foram na fita!
- Vão dizer que trabalham para a UBER?
- E isso chega?
- E chegará aos taxistas dizer que estão ao serviço da MY TAXI?
Ou há qualquer coisa que se me escapa, mesmo com os mais delirantes artigos pró UBER, ou há interesses que reinam no reino da confusão!
Cumprimentos em todos os comprimentos. Tanto os da onda como os da vaga.
António Alves Barros Lopes
Como continuo a ler os mais díspares disparates opinativos acerca da problemática UBER versus TÁXIS, quase todos voluntaristas, gostaria de ler e de ouvir coisas mais concretas e objectivas. Nesse sentido já enviei este texto que segue como comentário a esses comentários que nem interessa identificar. O que está em causa são princípios e não subjectividades. Aqui Vai:
Venho por este meio reforçar que essa história da UBER ser uma plataforma digital e que por isso se justificaria um tratamento legal diferenciado dos TÀXIS é isso mesmo, uma história e ainda por cima mal contada.
Uma plataforma digital não transporta ninguém! É apenas um meio de chamar o transporte de que necessitamos. Poderia ser através do telefone, de sinais de fumo, de telégrafo ou de TSF, se estes fossem modernamente exequíveis!
Acontece que se pode chamar um TAXI também através de plataformas informáticas. o MY TAXI é o exemplo. Mas não é por isso que os TÀXIS deixam de estar regulados. Têm que ter alvará, porque contingentados, têm que ter o veículo homologado. O condutor, vulgo taxista, tem que ter um curso e certificado profissional e o seguro de veículo de transporte de passageiros é mais caro que o normal. Isto pelo menos!
Acontece e é expectável, que sendo o serviço de táxis regulado até ao tutano, se aparecer um outro serviço paralelo que faça a mesma coisa sem que lhe seja exigida coisíssima nenhuma, que a tendência é que o TÁXI desapareça. Mesmo que o taxista seja o individuo mais limpo do planeta. Nem que o taxista seja o mais educado do planeta. Nem que seja surdo-mudo e o seu veículo seja moderno e se apresente imaculadamente limpo.
Aliás sendo a actividade dos TÀXIS codificada para efeitos fiscais, ainda não consegui obter a informação qual o código correspondente para a actividade dos veículos que respondem ás solicitações via UBER.
Por outro lado acontece que o transporte de passageiros por particulares é ilegal! Por isso mesmo foi interpelado um colega meu de trabalho que comprou uma carrinha de nove lugares para "dar boleia" a outros tantos colegas de trabalho. As autoridades é que não foram na fita!
Na hipótese de serem interpelados pela policia os condutores de veículos que transportem passageiros o que é que vão justificar para demonstrar que, não sendo uma boleia, não é mais um serviço "ao negro"?
- Vão dizer que trabalham para a UBER?
- E isso chega?
- E chegará aos taxistas dizer que estão ao serviço da MY TAXI?
- Não lhes perguntarão as autoridades pelas respectivas habilitações, licenças e homologações?
- Não irão verificar se o taxímetro está ou não viciado?
Ou há qualquer coisa que se me escapa, mesmo com os mais delirantes artigos pró UBER, ou há interesses que reinam no reino da confusão!
Cumprimentos em todos os comprimentos. Tanto os da onda como os da vaga.
António Alves Barros Lopes
AFIFE
terça-feira, 26 de abril de 2016
O Ouro das Minhotas
Estou numa de etnografia
tradicional ou de tradição etnográfica.
E quanto à tradição tenho a minha máxima: Quando a intelectualidade se
interessa pela tradição é porque a tradição já não o é! Mostrei um texto meu, em
que tal afirmava, ao meu amigo Benjamim Enes Pereira que se deu ao trabalho de
me observar: - Oh Lopes, essa é para mim!
- Não é nem poderia ser.
Esclareci. Eu sei que antes do Benjamim escrever sobre as cortas do argaço
muito dele o carregara para a Casa de seus Pais. Muito antes de escrever sobre
os moinhos, se dirigia numa burra aos de Cabanas para moer o milho e o trigo.
Muito antes de escrever sobre o linho e os teares, tinha aprendido toda a técnica com a
mãe e as irmãs. Até mesmo a urdidura! Muito antes de escrever sobre as subidas
à Chão, muitos carros de mato teria cortado e conduzido pela Costa até à Casa
das Bourôas. Muito estrume teria arrancado nos eidos antes de escrever sobre as
veigas com tal adubadas. E por aí fóra!
Mas vou agora falar duma tradição
que ainda é o que era. Descontando os exageros!
Isto vem a propósito de muito
recentemente e numa referência a um livro, também recente, de Orlando Raimundo
- ANTÓNIO FERRO O INVENTOR DO
SALAZARISMO, ter lido que Li esta invenção em http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/invencoes-290725
Ora já em 2008 no jornal de Águeda A SOBERANIA DO POVO, Manuel Farias num texto intitulado O folclore e a raça se referia à mesma invenção;
Ver citação deste texto em http://conversarempeniche.blogspot.pt/2008/06/as-sete-saias-das-nazarenas-ao.html
Mas, do mesmo Manuel Farias e num escrito datado de 28 de
Outubro de 2013;
“Na década de
50, muitas pessoas, mulheres e homens, foram apresentadas ao Tribunal de
Polícia, depois de presas durante 1 ou 2 dias, quando eram apanhadas a circular
descalças nas cidades e nas vilas, já que nas aldeias a liberdade era outra. Aqui viam-se mulheres com arcadas
de ouro e pé descalço, no verão
sempre e muitas vezes todo o ano. Viam-se homens com botas dependuradas ao
ombro, ou tamancos metidos nos alforges, para calçar apenas na chegada à vila,
evitando assim multas e chatices.”
Ver em http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2013/10/pe-descalco.html
Ver em http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2013/10/pe-descalco.html
Aqui chegado seria de perguntar em que
ficamos?
- As arcadas de ouro que se viam nas
mulheres de pé descalço foram-lhes oferecidas pelo António Ferro?
Aqui chegado lembro o testemunho da Mãe dos meus amigos
Domingos e António Cachadinha. Galega de origem e habituada a outras vidas, que
me contou que a coisa que mais a impressionara, jovem noiva, recém chegada a
Nogueira, perto de Viana, fora o facto de ver as mulheres irem para a festa
descalças mas com ouro ao peito!
- Teria sabido ela então que a culpa era do António Ferro? –
Não lhe perguntei mas tenho pena!
Aqui chegado tenho uma fotografia da minha mãe tirada por
volta de 1937/1940 em que usa apenas uns brincos chamados à Rainha e, chegado
ao pescoço, um fio com uma meia libra cercada.
- Minha Mãe porque é que pôs apenas aquelas peças de ouro para a sua fotografia trajada à Lavradeira?
- Porque não tínhamos mais! (foi a resposta referindo-se à família)Vinte e cinco anos mais tarde, a Minha Irmã, trajando a mesma roupa, tirou também uma fotografia onde mostra já um colar de contas de Viana e um cordão para além da mesmas peças exibidas pela Nossa Mãe.
Num dia destes perguntei à Minha Mãe se sabia quem era o António Ferro. Disse-me que não!
Era para lhe explicar que tinha sido o homem que oferecera os cordões de ouro para a Minha Irmã tirar a fotografia! Desisti da ideia pois corria o risco de ser julgado como maluco pela minha própria Mãe!
Resumindo:
Aos entendidos e antes de dizerem asneiras, cultivem-se!
Peguem num regador e ensopem bem os neurónios. Com o calor da Primavera desabrocharão
e a coisa desenvolver-se-á!Leiam Camilo ou Ramalho Ortigão testemunhas oculares daquilo que passava nos idos anos de dezanove. Reparem bem nas fotografias do início do Século Vinte.
Podem também ler o trabalho de Margarida Durães
QUALIDADE DE VIDA E SOBREVIVÊNCIA ECONÓMICA DA FAMILIA CAMPONESA MINHOTA: O PAPEL DAS HERDEIRAS (SECS. XVIII - XIX). Cadernos do Noroeste Vol. 17 (1 - 2), 2002, 125-144. Braga 2002. Em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/3220/1/CNoroeste17.pdf
“ O Luxo ficou reservado às
jóias e ornatos de ouro e prata. Qualquer camponesa devia possuir o seu colar
de contas para exibir nas romarias e nas ocasiões festivas. Mas também eram
fundamentais os brincos e todo um conjunto de peças como as cruzes, os cordões,
as “veneras”, os laços e outras
mais. Tudo devia ser ouro reluzente de modo a atrair e chamar a atenção para os
predicados das raparigas casadoiras e para o êxito dos maridos das casadas. As
jóias eram um património de tal valor material e simbólico que não deixavam
desinteressados aqueles que as herdavam ou as recebiam através de dotes,
legados ou “deixas”. Até porque as jóias tinham várias finalidades: enfeitavam
os semblantes femininos, simbolizavam o poder material da família e por
consequência o respectivo prestígio social, mas também eram um investimento e
reserva monetária à qual se podia lançar a mão em momentos difíceis. Estas eram
as razões pelas quais a posse de peças de ouro se tornou tão importante na
economia da casa camponesa minhota. Com elas enriqueciam-se enxovais, faziam-se
empréstimos, pagavam-se serviços e custeavam-se os legados pios se a casa não
tinha disponibilidades monetárias nessas ocasiões. Adquirir peças de ouro era
uma forma de entesourar e valorizar as economias conseguidas em anos fartos,
para as utilizar posteriormente, quando as dificuldades surgiam. Mas, a principal finalidade, ou pelo menos
a mais imediata enquanto outras necessidades não surgiam, era, sem dúvida, a
ornamentação e o complemento mais importante do traje camponês feminino. Desde
os botões dos coletes ou do pescoço, aos laços, cordões, fios, contas, cruzes,
veneras, tudo servia para glorificar a beleza feminina, enaltecer e prestigiar
a mulher, e, sobretudo a família à qual ela pertencia.”
Fim de citação
Serão os entendidos de agora!
E então os investigadores, a haver, chegarão à conclusão que
na primeira metade do Século Vinte tinha existido um tal António Ferro, homem
de tais posses, que resolveu oferecer cordões de ouro ás lavradeiras minhotas!
Ora vão levar a coelhinha ao macho se não tiverem mais com
que se entreter!
TONE DO MOLEIRO NOVO
quarta-feira, 20 de abril de 2016
A Cana Verde
Não sei porque é que Fernando de Castro Pires de Lima chamou à Chula a verdadeira canção nacional. Descendente dos de Carreço teria (ou não) frequentado as feiras, festas e romarias onde a chula seria cantada e dançada. E chegaram até nós exemplares notáveis dessa dança desde a de Barqueiros à de Baião passando pela Amarantina de que apenas conheço versões tocadas e cantadas.
Bisneto de Francisco Gonçalves Lima e Maria Pires, de Carreço. Ele da Casado Louvado, ela da Casa do Pires.
Deveria também ter esbarrado com as rodas da Cana Verde. Celebrações. Instantes mágicos de um sincronismo hipnótico que paralisa na contemplação todos aqueles que não entram na roda. Peneda, S. Bartolomeu, S. Bento do Cando, Sra. Da lapa. Barca, Arcos. Depois aqueles tocadores que parece terem nascido ensinados para aquilo mesmo.
Ora acontece que a Cana Verde, afinal uma dança, transcende a própria dança para se tornar num todo quando se conjuga uma trindade numa amálgama única; o canto, a música e a dança.
Faleceu recentemente um dos protagonistas mais notáveis dessa "cultura". O Sargaceira, tocava como muitos, cantava como poucos, dançava como todos. O que fazia dele uma personagem completa.
Cana verde cantada para os anos do kevin tocada pelo Mike da gaita e Igor Monteiro e Carreira part.2 ver em
Mas vejam agora uma outra faceta. O ambiente alto minhoto em Paris. Muito gostaria eu que os entendidos estudassem o "fenómeno". Coisa que julgo única em todo o território, o pessoal a concentrar-se não só nas romarias mas também nas tardes domingueiras dos Arcos para dançar a Cana Verde. E em Paris! E não é deturpação nem assunto de tresloucados tocadores de um instrumento maldito. É uma coisa bem mais profunda. Basta repararem como ainda se canta e por terras estrangeira!
E tenho quase a certeza que encontrarei esta gente, neste Verão, ou na Barca ou nos Arcos!
lopesdareosa
sexta-feira, 8 de abril de 2016
A Chula de Barqueiros
Não morro de amores pelos "ranchos". Mas sei de onde vinham os ranchos e para onde iam!
No entanto também e por isso, desdenho daqueles que dos ranchos desdenham! Que não representam. Que deturparam. Que desvirtuaram! E não sei que mais.
Assim os puristas ficariam nas recolhas dos entendidos e muitas vezes se quedam no material coleccionado por Giacometi.
Não reparam que os ranchos melhor, ou pior, são ainda o repositório de outras memórias para além das músicas. Dos trajes e das danças.
Destes e destas não há intelectualidade que as preservassem.
Mas quero reparar que se não fossem os ranchos não teriam chegado até nós preciosidades como o Malhão de Águeda, como a Gota de Gondarém, como as Soajeiras, como a Chula de Cinfães, como o Velho e a Velha das Argas, como a Gota da Serra d'Árga, Como o Valentim de Barcelos, como as Torradinhas da Póvoa ou os Viras das Caxinas e tantas outras.
E há um tema de que recordo ter assistido nos festivais de Santa Marta de Portuzelo nos inícios da década de sessenta em que os dançadores partiam os palcos. Era e ainda é, a Chula de Barqueiros.
Os de Barqueiros estiveram na minha terra duas vezes nestes últimos anos. Deslumbraram-me de novo com a Chula Rabela no cenário natural de S. Mamede. Tive o Fotógrafo José Maria Barroso como companheiro testemunhal.
Mas maravilha do youtube. Encontrei lá esta pérola de vinho. Ou este vinho de pérolas.
lopesdareosa
No entanto também e por isso, desdenho daqueles que dos ranchos desdenham! Que não representam. Que deturparam. Que desvirtuaram! E não sei que mais.
Assim os puristas ficariam nas recolhas dos entendidos e muitas vezes se quedam no material coleccionado por Giacometi.
Não reparam que os ranchos melhor, ou pior, são ainda o repositório de outras memórias para além das músicas. Dos trajes e das danças.
Destes e destas não há intelectualidade que as preservassem.
Mas quero reparar que se não fossem os ranchos não teriam chegado até nós preciosidades como o Malhão de Águeda, como a Gota de Gondarém, como as Soajeiras, como a Chula de Cinfães, como o Velho e a Velha das Argas, como a Gota da Serra d'Árga, Como o Valentim de Barcelos, como as Torradinhas da Póvoa ou os Viras das Caxinas e tantas outras.
E há um tema de que recordo ter assistido nos festivais de Santa Marta de Portuzelo nos inícios da década de sessenta em que os dançadores partiam os palcos. Era e ainda é, a Chula de Barqueiros.
Os de Barqueiros estiveram na minha terra duas vezes nestes últimos anos. Deslumbraram-me de novo com a Chula Rabela no cenário natural de S. Mamede. Tive o Fotógrafo José Maria Barroso como companheiro testemunhal.
Mas maravilha do youtube. Encontrei lá esta pérola de vinho. Ou este vinho de pérolas.
Trata-se de um filme promocional feito, vejam lá, pelos americanos. E agora esperam pela parte final do mesmo e digam o que lá vêem e ouvem. Vêem a Chula de Barqueiros no seu ambiente e ouvem o fundo musical da Chula numa versão de orquestra de swing.
Comparem com a mesma dança com intérpretes nossos contemporâneos e contem-me se estes tiveram algum trabalho nas recolhas!
Passem bem!
lopesdareosa
sexta-feira, 25 de março de 2016
GONÇALO RIBEIRO TELLES
Quando este Homem morrer e se eu lhe sobreviver, muito me vou adebertir no seu funeral!
Vai dar nas televisões onde também aparecerão imagens de oportunos testemunhos compungidos de muitos responsáveis políticos que nestes últimos 30 anos sempre se borrifaram nas suas ideias.
Vem isto a propósito das manifestações recentes dos camionistas contra a alta do preço dos combustíveis e das manifestações dos suinicultores e dos produtores de leite.
A primeira razão pouco tem a ver com a nossa adesão à CEE. As duas últimas muito terão
mas caem em cima do ministro que apenas está há três meses na cadeira; Capoulas dos Santos com algumas responsabilidades no cartório mas nem todas. E nunca as estruturais
Essas e que deveriam assentar no conceito que na base da nossa pirâmide económica e social está a lavoura, tivesse ela a espessura que tivesse em relação ás outras actividades económicas, nunca foram opção politica ou mesmo filosófica dos nossos responsáveis desde a nossa integração na CEE.
Voltando a Ribeiro Telles e ainda antes quero referir-me a um trabalho de João Ferreira de Almeida Sociólogo Professor catedrático do ISCTE - "A agricultura nos processos de desenvolvimento", encontramos aqui uma "lista" das funções do espaço rural: A saber
Primeira função (externa) diz respeito à reserva, fornecimento e reabsorção de força de trabalho, de mão-de-obra.
Uma segunda função externa do espaço rural, na qual nos não deteremos, é a de fornecimento de bens alimentares
Uma terceira função externa do espaço rural é a reserva de espaço físico.
Uma quarta função do espaço rural diz respeito à protecção e à reprodução ambiental.
Uma quinta e última função externa do espaço rural é de natureza político-ideológica. (defesa e continuidade de uma cultura)
Ver em
http://jorgesampaio.arquivo.presidencia.pt/pt/biblioteca/outros/interioridade/1_2.html
Já Ribeiro Telles é mais concreto e não elenca a tal reserva de fornecimento e de absorção de força de trabalho para o dos outro sectores. A sociedade rural também pode passar a não ter filharadas para suprir tal. E dos outros sectores só absorverá em tempos de crise como os de agora pois a tendência da agricultura num processo de modernização e de racionalização é de sempre a dispensar mão de obra e não o contrário. E que me perdoe Ribeiro Teles se não for rigoroso na citação.
1 - Produção e fornecimento de bens alimentares
2 - Ocupação do território, povoamento
3 - Defesa do meio ambiente
4 - Defesa de uma cultura
5- Garantia da independência nacional.
Na nossa entrada na CEE apenas a primeira função foi tida em conta. E as empresas agrícolas vingariam apenas aquelas que fossem rentáveis. Sujeitas à lei da oferta e da procura, não sendo rentáveis desapareceriam.
Ninguém contabilizou o trabalho silencioso dos lavradores e todas as outras funções da agricultura para além de abastecer os mercados a preços competitivos:
Então ouvíamos dizer que num mercado global europeu não valeria a pena cultivar cenouras se a Polónia as fornecia mais baratas. Não valeria a pena cultivar batatas se a Espanha as fornecia mais baratas. Ou seja ia-se abastecer onde os artigos estivessem mais baratos. No limite não valeria a pena a agricultura dado que não poderíamos competir com os outros países. O Nosso Destino estaria então reservado aos Serviços e ao Turismo. No processo pouca indústria escaparia!
Em Dezembro de 2011 Ribeiro Telles foi homenageado na Gulbenkian. Dessa altura retenho uma entrevista em que o Arquitecto se "lamentava" que a melhor homenagem que lhe poderiam fazer era ligarem alguma coisa ás suas ideias. Mais ou menos assim. E que as suas grandes realizações seriam aquelas afinal não realizadas. Mais ou menos assim!
Como síntese do seu pensamento e de uma forma simples e humilde ficou o que disse em entrevista
à Antena 1 em 9 de Dezembro de 2011. Ouvir em
http://www.rtp.pt/play/p280/e66531/maria-flor-pedroso . Que vale a pena!
Desta encontrei também na NET uma súmula:
"Gonçalo Ribeiro Telles afirma que a
culpa da situação portuguesa é nossa e não da Europa. Ninguém obrigou Portugal
a desfazer a agricultura, a construir casas de forma desenfreada ou a destruir
a paisagem em nome do progresso. O arquitecto lamenta que a inquietação
política não passe pelas questões que realmente interessam e que só se fale de
dinheiro." Ribeiro Telles considera ainda que foi muito tardio e pouco
concreto o apelo do Presidente da República, Cavaco Silva, ao regresso ao
trabalho na agricultura.”
Voltemos à entrevista. Em certa altura o diálogo com a entrevistadora é este:
Maria Flor Pedroso "- Olhe uma das questões que se fala muito e estamos no
momento decisivo para Portugal e para a Europa estamos numa semana decisiva é
que a forma como nós nos integramos na europa ou na ideia de uma união europeia
aquilo que fomos obrigados a aceitar ou aquilo que conseguimos fazer. É
responsável pela forma como hoje Portugal está ou seja aquilo que a Europa nos
obrigou ente aspas a fazer é responsável pela forma como hoje Portugal está O sr
Concorda com essa visão."
Gonçalo Ribeiro Telles. "- Um pouco! Mas os maiores responsáveis somos nós porque não
impusemos o nosso modelo de vida a nossa cultura a dignidade para as nossas
populações como primeiro ponto. O futuro das gerações que hão-de vir isso tudo
foi atirado fora. Fizemos campanhas do trigo que destruíram todo o sistema agro
pastoril do montado, dissemos que o progresso era de facto e estava
exclusivamente na industrialização de determinadas matérias; que o progresso
media-se em altura dos edifícios e na expansão urbana por qualquer lado o que era preciso era expandir o urbanismo que
era expandir o progresso. Tudo isso foram erros Nossos. Não foi da Europa e nós
ainda não refizemos e nós ainda não revimos esse problema"
MFP- Portanto não podemos responsabilizar a Europa por termos
destruído a frota pesqueira nem a PAC a politica agrícola comum
GRT - "Ter aceite o que ê que nós aceitamos ter uma agricultura à
maneira do norte da Europa sendo nós meridionais na europa? A culpa é nossa!
Então quem é que nos obrigou a aceitar sistemas absolutamente não enquadrados
na nossa potencialidade cultural e na nossa potencialidade física do território?
Quem é que nos mandou fazer mais meio milhão de casas
vazias porque não há gente não há necessidade. - Quem foi? - Não foi a Europa!
- Quem é que está de facto a destruir a nossa paisagem em
nome do progresso? Erros de muitas autarquias
- Porque é que os PDMs não são absolutamente concretizados
no território? E são considerados a maior parte deles como obstáculos ao
desenvolvimento? - Antes de serem discutidos e integrados na visão e no
futuro das pessoas? Nós não fizemos essa revisão.
MFP- Como é que a podemos fazer?
GRT - Conhecendo o país. Principalmente os responsáveis
- Como é que o país foi sendo criado pelas populações que
nele se instalaram.
Quem e porque é que se fizeram os socalcos do Douro?
Porque é que toda a nossa agricultura de montanha uma
agricultura riquíssima em termos agro pastoris e precisa de ser melhorada mas
não destruída
Tudo isso está fora da inquietação actual da politica . A
inquietação é exclusivamente o problema financeiro como é que se arranja
dinheiro para gastar e para render
MFP- Mas como é que se sai disso porque hoje a resposta é
mesmo essa – Não há dinheiro!
GRT - Evidentemente nem pode haver. Esgotou-se Se as aldeias
fecharam todas. Estão lá casais de velhos Se estamos a exportar todas as
pedras da nossa paisagem que seguram a
nossa paisagem que a estabiliza e permite uma agricultura viável.
MFP - As pedras dos Muros.
GRT - Está tudo a ir para Espanha está tudo a ser exportado para
fazerem construções em Espanha e as pessoas limpam as mãos e até muitos dos
responsáveis pelas regiões e pelos municípios limpam as mãos por estar a vir o
progresso! E agora têm este progresso
MFP - Sr. Professor ultimamente o Presidente da República, o
Professor cavaco Silva, tem falado muito no regresso à terra Como é que o Sr.
Professor olha para isso!
GRT- Bem eu comecei a pensar nisso... Quem me fez pensar nisso... Primeiro estive sempre por circunstância pessoal muito
ligado ao problema da terra e como disse ao problema do mar principalmente o
alto mar depois estive sempre ligado á terra e lembro perfeitamente do bispo D.
António Ferreira Gomes bispo do Porto que fez um texto muito interessante que
me chocou para toda a vida que se chamava a Miséria Imerecida do Nosso Mundo
Rural. Portanto sem uma recuperação do nosso mundo Rural para não ser
considerada uma situação atrasada rotineira, pouco
digna, na sociedade portuguesa sem essa
recuperação do Mundo Rural na sua essência global não pode haver uma
recuperação da agricultura.
MFP - Você acha que este apelo do Presidente é tardio é
desconectado com aquilo que Portugal tem vindo a fazer ao longo do tempo?
GRT- Sim se sentiu essa vontade o mais que posso dizer é que
é muito tardio e agora necessita de se concretizar e em quê!
MFP- Era isso que lhe queria perguntar:
GRT - Essa pergunta tem de a fazer ao Senhor Presidente.
MFP- Quando tiver oportunidade farei
GRT - É recuperar as aldeias. recuperar a agricultura regional e local.
Sustentabilidade local e regional. É considerar que é fundamental para a nossa
saúde económica o problema dessa agricultura que é fundamental. que a mata não é uma floresta de eucaliptos.
Que evidentemente também a agro química
não é uma solução para a nossa sustentabilidade alimentar é preciso entrar num
jogo que está muito muito difuso e muito
degradado em todos os seus sectores.
E POR AÍ FORA!
Comparemos tudo isto agora com a intervenção de Adriano Moreira no Programa da RTP 1 - Prós e Contras - conduzido por Fátima Campos Ferreira, em Bragança, em 11 de Abril de 2012 sob o tema PORTUGAL HOJE - RETRATO DA INTERIORIDADE. A dada altura:
Fátima Campos Ferreira - A crise parece estar a agudizar as assimetrias. O interior que sempre foi interior já estava a desertificar à muito tempo, está neste momento em pior situação. Sr. Adriano Moreira; - Está em causa a coesão Nacional? A identidade do país?
e depois Adriano Moreira
"-Bom. Ele há aqui vários aspectos e naturalmente não vamos poder abordá-los a todos. Eu acho que o problema da interioridade é um problema que é histórico em relação a Trás-os-Montes mudou de sentido porque o primeiro conceito de interioridade que eu vivi, era a baixa qualidade de vida e a pobreza que era geral as dificuldades de acessos isso era o primeiro sentido da interioridade. Neste momento o problema principal da interioridade em Portugal, acho eu, é o despovoamento do interior e esse despovoamento do interior em grande parte é resultado, a meu ver, da Politica Agrícola Comum da União Europeia que verdadeiramente destruiu a Agricultura Portuguesa." Fim de citação.
Resumindo: chegámos ao descalabro. Mas a política para cá chegar foi um êxito!!!
Isto só se for na cabeça de Cavaco e do bando de iluminados que o apoiam. Coloquei eu em http://lopesdareosa.blogspot.pt/2013/06/a-agricultura-de-cavaco-parte-i-o-mundo.HTML
"-Bom. Ele há aqui vários aspectos e naturalmente não vamos poder abordá-los a todos. Eu acho que o problema da interioridade é um problema que é histórico em relação a Trás-os-Montes mudou de sentido porque o primeiro conceito de interioridade que eu vivi, era a baixa qualidade de vida e a pobreza que era geral as dificuldades de acessos isso era o primeiro sentido da interioridade. Neste momento o problema principal da interioridade em Portugal, acho eu, é o despovoamento do interior e esse despovoamento do interior em grande parte é resultado, a meu ver, da Politica Agrícola Comum da União Europeia que verdadeiramente destruiu a Agricultura Portuguesa." Fim de citação.
Resumindo: chegámos ao descalabro. Mas a política para cá chegar foi um êxito!!!
Isto só se for na cabeça de Cavaco e do bando de iluminados que o apoiam. Coloquei eu em http://lopesdareosa.blogspot.pt/2013/06/a-agricultura-de-cavaco-parte-i-o-mundo.HTML
Pois é! Mas hoje muitos que se admiram e outros se ufanam do e pelo salto que a agricultura deu nestes últimos anos, não repararam ainda que isso se deve aos tempos de crise em que o pessoal não tendo outras alternativas se virou para aquilo que literalmente estava à mão de semear - a Terra que é Nossa e de mais ninguém e que sempre cá esteve. Mas com trinta anos de atraso pois nunca foi opção politica estrutural nem estruturante de todos os responsáveis pela nossa integração na CEE e seus imediatos benificiários:
Aos eufóricos aconselho calma.
Esperem para quando o betão e o cimento armado levantar a grimpa!!!
E quando Gonçalo Ribeiro Telles desaparecer do nosso convívio vão atrás da urna carpindo loas.
lopesdareosa
PS - ( Lembro que a dada altura da AD da qual Ribeiro Telles fazia parte, este ter afirmado que o PPM, partido integrado nessa coligação, era a consciência da AD. Por essa altura comentei que o que era pena era a AD ter tão pouca! - Não sei se estão a ver o trocadilho!)
PS - ( Lembro que a dada altura da AD da qual Ribeiro Telles fazia parte, este ter afirmado que o PPM, partido integrado nessa coligação, era a consciência da AD. Por essa altura comentei que o que era pena era a AD ter tão pouca! - Não sei se estão a ver o trocadilho!)
sexta-feira, 18 de março de 2016
Imortais
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