terça-feira, 26 de abril de 2016

O Ouro das Minhotas


Estou numa de etnografia tradicional ou de tradição etnográfica.  E quanto à tradição tenho a minha máxima: Quando a intelectualidade se interessa pela tradição é porque a tradição já não o é! Mostrei um texto meu, em que tal afirmava, ao meu amigo Benjamim Enes Pereira que se deu ao trabalho de me observar: - Oh Lopes, essa é para mim!
- Não é nem poderia ser. Esclareci. Eu sei que antes do Benjamim escrever sobre as cortas do argaço muito dele o carregara para a Casa de seus Pais. Muito antes de escrever sobre os moinhos, se dirigia numa burra aos de Cabanas para moer o milho e o trigo. Muito antes de escrever sobre o linho e os teares, tinha aprendido toda a técnica com a mãe e as irmãs. Até mesmo a urdidura! Muito antes de escrever sobre as subidas à Chão, muitos carros de mato teria cortado e conduzido pela Costa até à Casa das Bourôas. Muito estrume teria arrancado nos eidos antes de escrever sobre as veigas com tal adubadas. E por aí fóra!

Mas vou agora falar duma tradição que ainda é o que era. Descontando os exageros!
Isto vem a propósito de muito recentemente e numa referência a um livro, também recente, de Orlando Raimundo -  ANTÓNIO FERRO O INVENTOR DO SALAZARISMO, ter lido que 

Li esta invenção em http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/invencoes-290725

Ora já em 2008 no jornal de Águeda A SOBERANIA DO POVO, Manuel Farias num texto intitulado O folclore e a raça se referia à mesma invenção;


Mas, do mesmo Manuel Farias e num escrito datado de 28 de Outubro de 2013;

“Na década de 50, muitas pessoas, mulheres e homens, foram apresentadas ao Tribunal de Polícia, depois de presas durante 1 ou 2 dias, quando eram apanhadas a circular descalças nas cidades e nas vilas, já que nas aldeias a liberdade era outra. Aqui viam-se mulheres com arcadas de ouro e pé descalço, no verão sempre e muitas vezes todo o ano. Viam-se homens com botas dependuradas ao ombro, ou tamancos metidos nos alforges, para calçar apenas na chegada à vila, evitando assim multas e chatices.”
Ver em  http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2013/10/pe-descalco.html

Aqui chegado seria de perguntar em que ficamos?
- As arcadas de ouro que se viam nas mulheres de pé descalço foram-lhes oferecidas pelo António Ferro?

Aqui chegado lembro o testemunho da Mãe dos meus amigos Domingos e António Cachadinha. Galega de origem e habituada a outras vidas, que me contou que a coisa que mais a impressionara, jovem noiva, recém chegada a Nogueira, perto de Viana, fora o facto de ver as mulheres irem para a festa descalças mas com ouro ao peito!
 
- Teria sabido ela então que a culpa era do António Ferro? – Não lhe perguntei mas tenho pena!
Aqui chegado tenho uma fotografia da minha mãe tirada por volta de 1937/1940 em que usa apenas uns brincos chamados à Rainha e, chegado ao pescoço, um fio com uma meia libra cercada.
Perguntei-lhe:

- Minha Mãe porque é que pôs apenas aquelas peças de ouro  para a sua fotografia trajada à Lavradeira?
- Porque não tínhamos mais! (foi a resposta referindo-se à família)

Vinte e cinco anos mais tarde, a Minha Irmã, trajando a mesma roupa, tirou também uma fotografia onde mostra já um colar de contas de Viana e um cordão para além da mesmas peças exibidas  pela Nossa Mãe.

Num dia destes perguntei à Minha Mãe se sabia quem era o António Ferro. Disse-me que não!

Era para lhe explicar que tinha sido o homem que oferecera os cordões de ouro para a Minha Irmã tirar a fotografia! Desisti da ideia pois corria o risco de ser julgado como maluco pela minha própria Mãe!

Resumindo:
Aos entendidos e antes de dizerem asneiras, cultivem-se! Peguem num regador e ensopem bem os neurónios. Com o calor da Primavera desabrocharão e a coisa desenvolver-se-á!

Leiam Camilo ou Ramalho Ortigão testemunhas oculares daquilo que passava nos idos anos de dezanove. Reparem bem nas fotografias do início do Século Vinte.

Podem também ler o trabalho de Margarida Durães
QUALIDADE DE VIDA E SOBREVIVÊNCIA ECONÓMICA DA FAMILIA CAMPONESA MINHOTA: O PAPEL DAS HERDEIRAS (SECS. XVIII - XIX). Cadernos do Noroeste Vol. 17 (1 - 2), 2002, 125-144.  Braga 2002. Em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/3220/1/CNoroeste17.pdf

 “ O Luxo ficou reservado às jóias e ornatos de ouro e prata. Qualquer camponesa devia possuir o seu colar de contas para exibir nas romarias e nas ocasiões festivas. Mas também eram fundamentais os brincos e todo um conjunto de peças como as cruzes, os cordões, as “veneras”, os laços e outras mais. Tudo devia ser ouro reluzente de modo a atrair e chamar a atenção para os predicados das raparigas casadoiras e para o êxito dos maridos das casadas. As jóias eram um património de tal valor material e simbólico que não deixavam desinteressados aqueles que as herdavam ou as recebiam através de dotes, legados ou “deixas”. Até porque as jóias tinham várias finalidades: enfeitavam os semblantes femininos, simbolizavam o poder material da família e por consequência o respectivo prestígio social, mas também eram um investimento e reserva monetária à qual se podia lançar a mão em momentos difíceis. Estas eram as razões pelas quais a posse de peças de ouro se tornou tão importante na economia da casa camponesa minhota. Com elas enriqueciam-se enxovais, faziam-se empréstimos, pagavam-se serviços e custeavam-se os legados pios se a casa não tinha disponibilidades monetárias nessas ocasiões. Adquirir peças de ouro era uma forma de entesourar e valorizar as economias conseguidas em anos fartos, para as utilizar posteriormente, quando as dificuldades surgiam. Mas, a principal finalidade, ou pelo menos a mais imediata enquanto outras necessidades não surgiam, era, sem dúvida, a ornamentação e o complemento mais importante do traje camponês feminino. Desde os botões dos coletes ou do pescoço, aos laços, cordões, fios, contas, cruzes, veneras, tudo servia para glorificar a beleza feminina, enaltecer e prestigiar a mulher, e, sobretudo a família à qual ela pertencia.”
Fim de citação

 A mim não me preocupa a asneira pois nem de raspão me toca!
O que me preocupa é que daqui a cem anos não vou ser eu o citado.

Serão os entendidos de agora!
E então os investigadores, a haver, chegarão à conclusão que na primeira metade do Século Vinte tinha existido um tal António Ferro, homem de tais posses, que resolveu oferecer cordões de ouro ás lavradeiras minhotas!

Ora vão levar a coelhinha ao macho se não tiverem mais com que se entreter!

TONE DO MOLEIRO NOVO

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A Cana Verde

Não sei porque é que  Fernando de Castro Pires de Lima  chamou à  Chula a  verdadeira canção nacional. Descendente dos de Carreço teria (ou não) frequentado as feiras, festas e romarias onde a chula seria cantada e dançada. E chegaram até nós exemplares notáveis dessa dança desde a de Barqueiros à de Baião passando pela Amarantina de que apenas conheço versões tocadas e cantadas.

Bisneto de Francisco Gonçalves Lima e Maria Pires, de Carreço. Ele da Casado Louvado,  ela da Casa do Pires.

Deveria também ter esbarrado com as rodas da Cana Verde. Celebrações. Instantes mágicos de um sincronismo hipnótico que paralisa na contemplação todos aqueles que não entram na roda. Peneda, S. Bartolomeu, S. Bento do Cando, Sra. Da lapa. Barca, Arcos. Depois aqueles tocadores que parece terem nascido ensinados para aquilo mesmo.

Ora acontece que a Cana Verde, afinal uma dança, transcende a própria dança para se tornar num todo quando se conjuga uma trindade numa amálgama única; o canto, a música e a dança.

Faleceu recentemente um dos protagonistas mais notáveis dessa "cultura". O Sargaceira, tocava como muitos, cantava como poucos, dançava como todos. O que fazia dele uma personagem completa.


Cana verde cantada para os anos do kevin tocada pelo Mike da gaita e Igor Monteiro e Carreira part.2   ver em
Mas vejam agora uma outra faceta. O ambiente alto minhoto em Paris. Muito gostaria eu que os entendidos estudassem o "fenómeno". Coisa que julgo única em todo o território, o pessoal a concentrar-se não só nas romarias mas também nas tardes domingueiras dos Arcos para dançar a Cana Verde. E em Paris! E não é deturpação nem assunto de tresloucados tocadores de um instrumento maldito. É uma coisa bem mais profunda. Basta repararem como ainda se canta e por terras estrangeira!

E tenho quase a certeza que encontrarei esta gente, neste Verão, ou na Barca ou nos Arcos!

lopesdareosa

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A Chula de Barqueiros

Não morro de amores pelos "ranchos". Mas sei de onde vinham os ranchos e para onde iam!

No entanto também e por isso, desdenho daqueles que dos ranchos desdenham! Que não representam. Que deturparam. Que desvirtuaram! E não sei que mais.

Assim os puristas ficariam nas recolhas dos entendidos e muitas vezes se quedam no material coleccionado por Giacometi.

Não reparam que os ranchos melhor, ou pior, são ainda o repositório de outras memórias para além das músicas. Dos trajes e das danças.

Destes e destas não há intelectualidade que as preservassem.

Mas quero reparar que se não fossem os ranchos não teriam chegado até nós preciosidades como o Malhão de Águeda, como a Gota de Gondarém, como as Soajeiras, como a Chula de Cinfães, como o Velho e a Velha das Argas, como a Gota da Serra d'Árga, Como o Valentim de Barcelos, como as Torradinhas da Póvoa ou os Viras das Caxinas e tantas outras.

E há um tema de que recordo  ter assistido nos festivais de Santa Marta de Portuzelo nos inícios da década de sessenta em que os dançadores partiam os palcos. Era e ainda é, a Chula de Barqueiros.

Os de Barqueiros estiveram na minha terra duas vezes nestes últimos anos. Deslumbraram-me de novo com a Chula Rabela no cenário natural de S. Mamede. Tive o Fotógrafo José Maria Barroso como companheiro testemunhal.

Mas maravilha do youtube. Encontrei lá esta pérola de vinho. Ou este vinho de pérolas.

 
Trata-se de um filme promocional feito, vejam lá, pelos americanos. E agora esperam pela parte final do mesmo e digam o que lá vêem e ouvem. Vêem a Chula de Barqueiros no seu ambiente e ouvem o fundo musical da Chula numa versão de orquestra de swing.
 
 
Comparem com a mesma dança com intérpretes nossos contemporâneos e contem-me se estes tiveram algum trabalho nas recolhas!
 
 


 
 
Passem bem!


lopesdareosa


sexta-feira, 25 de março de 2016

GONÇALO RIBEIRO TELLES


Quando este Homem morrer e se eu lhe sobreviver, muito me vou adebertir no seu funeral!

Vai dar nas televisões onde também aparecerão imagens de oportunos testemunhos compungidos de muitos  responsáveis políticos que nestes últimos 30 anos sempre se borrifaram nas suas ideias.

Vem isto a propósito das manifestações recentes dos camionistas contra a alta do preço dos combustíveis e das manifestações dos suinicultores e dos produtores de leite.

A primeira razão pouco tem a ver com a nossa adesão à CEE. As duas últimas muito terão
mas caem em cima do ministro que apenas está há três meses na cadeira; Capoulas dos Santos com algumas responsabilidades no cartório mas nem todas. E nunca as estruturais
Essas e que deveriam assentar no conceito que na base da nossa pirâmide económica e social está a lavoura, tivesse ela a espessura que tivesse em relação ás outras actividades económicas, nunca foram opção politica ou mesmo filosófica dos nossos responsáveis desde a nossa integração na CEE.

Voltando a Ribeiro Telles e ainda antes quero referir-me a um trabalho de João Ferreira de Almeida Sociólogo Professor catedrático do ISCTE - "A agricultura nos processos de desenvolvimento", encontramos aqui uma "lista" das funções do espaço rural: A saber

Primeira função  (externa) diz respeito à reserva, fornecimento e reabsorção de força de trabalho, de mão-de-obra.

Uma segunda função externa  do espaço rural, na qual nos não deteremos, é a de fornecimento de bens alimentares

Uma terceira função externa do espaço rural é a reserva de espaço físico.

Uma quarta função do espaço rural diz respeito à protecção e à reprodução ambiental.

Uma quinta e última função externa do espaço rural é de natureza político-ideológica. (defesa e continuidade de uma cultura)
Ver em
http://jorgesampaio.arquivo.presidencia.pt/pt/biblioteca/outros/interioridade/1_2.html
Já Ribeiro Telles é mais concreto e não elenca a tal reserva de fornecimento e de absorção de força de trabalho para o dos outro sectores. A sociedade rural também pode passar a não ter filharadas para suprir tal. E dos outros sectores só absorverá em tempos de crise como os de agora pois a tendência da agricultura num processo de modernização e de racionalização é de sempre a dispensar mão de obra e não o contrário. E que me perdoe Ribeiro Teles se não for rigoroso na citação.

1 - Produção e fornecimento de bens alimentares

2 - Ocupação do território, povoamento

3 - Defesa do meio ambiente

4 - Defesa de uma cultura

5- Garantia da independência nacional.

Na nossa entrada na CEE apenas a primeira função foi tida em conta. E as empresas agrícolas vingariam apenas aquelas que fossem rentáveis. Sujeitas à lei da oferta e da procura, não sendo rentáveis desapareceriam.

Ninguém contabilizou o trabalho silencioso dos lavradores e todas as outras funções da agricultura para além de abastecer os mercados a preços competitivos:

Então ouvíamos dizer que num mercado global europeu não valeria a pena cultivar cenouras se a Polónia as fornecia mais baratas. Não valeria a pena cultivar batatas se a Espanha as fornecia mais baratas. Ou seja ia-se abastecer onde os artigos estivessem mais baratos. No limite não valeria a pena a agricultura dado que não poderíamos competir com os outros países. O Nosso Destino estaria  então reservado  aos Serviços e ao Turismo. No processo pouca indústria escaparia! 

Em Dezembro de 2011 Ribeiro Telles foi homenageado na Gulbenkian. Dessa altura retenho uma entrevista em que o Arquitecto se "lamentava" que a melhor homenagem que lhe poderiam fazer era ligarem alguma coisa ás suas ideias. Mais ou menos assim. E que as suas grandes realizações seriam aquelas afinal não realizadas. Mais ou menos assim!

Como síntese do seu pensamento e de uma forma simples e humilde ficou o que disse em entrevista 
 à Antena 1 em 9 de Dezembro de 2011. Ouvir em
Desta encontrei também na NET uma súmula:

"Gonçalo Ribeiro Telles afirma que a culpa da situação portuguesa é nossa e não da Europa. Ninguém obrigou Portugal a desfazer a agricultura, a construir casas de forma desenfreada ou a destruir a paisagem em nome do progresso. O arquitecto lamenta que a inquietação política não passe pelas questões que realmente interessam e que só se fale de dinheiro." Ribeiro Telles considera ainda que foi muito tardio e pouco concreto o apelo do Presidente da República, Cavaco Silva, ao regresso ao trabalho na agricultura.”
Voltemos à entrevista. Em certa altura o diálogo com a entrevistadora é este:
Maria Flor Pedroso "- Olhe uma das questões que se fala muito e estamos no momento decisivo para Portugal e para a Europa estamos numa semana decisiva é que a forma como nós nos integramos na europa ou na ideia de uma união europeia aquilo que fomos obrigados a aceitar ou aquilo que conseguimos fazer. É responsável pela forma como hoje Portugal está ou seja aquilo que a Europa nos obrigou ente aspas a fazer é responsável pela forma como hoje Portugal está O sr Concorda com essa visão."
Gonçalo Ribeiro Telles. "- Um pouco! Mas os maiores responsáveis somos nós porque não impusemos o nosso modelo de vida a nossa cultura a dignidade para as nossas populações como primeiro ponto. O futuro das gerações que hão-de vir isso tudo foi atirado fora. Fizemos campanhas do trigo que destruíram todo o sistema agro pastoril do montado, dissemos que o progresso era de facto e estava exclusivamente na industrialização de determinadas matérias; que o progresso media-se em altura dos edifícios e na expansão urbana por qualquer lado o  que era preciso era expandir o urbanismo que era expandir o progresso. Tudo isso foram erros Nossos. Não foi da Europa e nós ainda não refizemos e nós ainda não revimos esse problema"
MFP- Portanto não podemos responsabilizar a Europa por termos destruído a frota pesqueira nem a PAC a politica agrícola comum
GRT - "Ter aceite o que ê que nós aceitamos ter uma agricultura à maneira do norte da Europa sendo nós meridionais na europa? A culpa é nossa! Então quem é que nos obrigou a aceitar sistemas absolutamente não enquadrados na nossa potencialidade cultural e na nossa potencialidade física do território?
Quem é que nos mandou fazer mais meio milhão de casas vazias porque não há gente não há necessidade. - Quem foi?  - Não foi a Europa!
- Quem é que está de facto a destruir a nossa paisagem em nome do progresso? Erros de muitas autarquias
- Porque é que os PDMs não são absolutamente concretizados no território? E são considerados a maior parte deles como obstáculos ao desenvolvimento? - Antes de serem discutidos e integrados na visão e no futuro das pessoas? Nós não fizemos essa revisão.
MFP- Como é que a podemos fazer?
GRT - Conhecendo o país. Principalmente os responsáveis
- Como é que o país foi sendo criado pelas populações que nele se instalaram.
Quem e porque é que se fizeram os socalcos do Douro?
Porque é que toda a nossa agricultura de montanha uma agricultura riquíssima em termos agro pastoris e precisa de ser melhorada mas não destruída
Tudo isso está fora da inquietação actual da politica . A inquietação é exclusivamente o problema financeiro como é que se arranja dinheiro para gastar e para render
MFP- Mas como é que se sai disso porque hoje a resposta é mesmo essa – Não há dinheiro!
GRT -  Evidentemente nem pode haver. Esgotou-se Se as aldeias fecharam todas. Estão lá casais de velhos Se estamos a exportar todas as pedras da nossa paisagem que seguram  a nossa paisagem que a estabiliza e permite uma agricultura viável.

MFP - As pedras dos Muros.
GRT - Está tudo a ir para Espanha está tudo a ser exportado para fazerem construções em Espanha e as pessoas limpam as mãos e até muitos dos responsáveis pelas regiões e pelos municípios limpam as mãos por estar a vir o progresso! E agora têm este progresso
MFP - Sr. Professor ultimamente o Presidente da República, o Professor cavaco Silva, tem falado muito no regresso à terra Como é que o Sr. Professor olha para isso!
GRT- Bem eu comecei a pensar nisso... Quem me fez pensar nisso... Primeiro estive sempre por circunstância pessoal muito ligado ao problema da terra e como disse ao problema do mar principalmente o alto mar depois estive sempre ligado á terra e lembro perfeitamente do bispo D. António Ferreira Gomes bispo do Porto que fez um texto muito interessante que me chocou para toda a vida que se chamava a Miséria Imerecida do Nosso Mundo Rural. Portanto sem uma recuperação do nosso mundo Rural para não ser considerada uma situação atrasada rotineira, pouco digna, na sociedade portuguesa  sem essa recuperação do Mundo Rural na sua essência global não pode haver uma recuperação da agricultura.
MFP - Você acha que este apelo do Presidente é tardio é desconectado com aquilo que Portugal tem vindo a fazer ao longo do tempo?
GRT- Sim se sentiu essa vontade o mais que posso dizer é que é muito tardio e agora necessita de se concretizar e em quê!
MFP- Era isso que lhe queria perguntar:
GRT  - Essa pergunta tem de a fazer ao Senhor Presidente.
MFP- Quando tiver oportunidade farei
GRT - É recuperar as aldeias.  recuperar a agricultura regional e local. Sustentabilidade local e regional. É considerar que é fundamental para a nossa saúde económica o problema dessa agricultura que é fundamental.  que a mata não é uma floresta de eucaliptos. Que evidentemente  também a agro química não é uma solução para a nossa sustentabilidade alimentar é preciso entrar num jogo que está muito muito  difuso e muito degradado em todos os seus sectores.
E POR AÍ FORA!
Comparemos tudo isto agora com a intervenção de Adriano Moreira no Programa da RTP 1 -  Prós e Contras - conduzido por Fátima Campos Ferreira, em Bragança,  em 11 de Abril de 2012 sob o tema PORTUGAL HOJE - RETRATO DA INTERIORIDADE. A dada altura:
Fátima Campos Ferreira  - A crise parece estar a agudizar as assimetrias. O interior que sempre foi interior já estava a desertificar à muito tempo, está neste momento em pior situação. Sr. Adriano Moreira; - Está em causa a coesão Nacional? A identidade do país?
e depois Adriano Moreira
 "-Bom. Ele há aqui vários aspectos e naturalmente não vamos poder abordá-los a todos. Eu acho que o problema da interioridade é um problema que é histórico  em relação a Trás-os-Montes mudou de sentido porque o primeiro conceito de interioridade que eu vivi,  era a baixa qualidade de vida e a pobreza que era geral as dificuldades de acessos isso era o primeiro sentido da interioridade. Neste momento o problema principal da interioridade em Portugal, acho eu,  é o despovoamento do interior e esse despovoamento do interior   em grande parte é resultado, a meu ver,  da Politica Agrícola Comum da União Europeia que verdadeiramente destruiu a Agricultura Portuguesa." Fim de citação.

Resumindo: chegámos ao descalabro. Mas a política para cá chegar foi um êxito!!!
Isto só se for na cabeça de Cavaco e do bando de iluminados que o apoiam. Coloquei eu em http://lopesdareosa.blogspot.pt/2013/06/a-agricultura-de-cavaco-parte-i-o-mundo.HTML
Pois é! Mas hoje muitos que se admiram e outros se ufanam do e pelo salto que a agricultura deu nestes últimos anos, não repararam ainda que isso se deve aos tempos de crise em que o pessoal não tendo outras alternativas se virou para aquilo que literalmente estava à mão de semear - a Terra que é Nossa e de mais ninguém e que sempre cá esteve. Mas com trinta anos de atraso pois nunca foi opção politica estrutural nem estruturante de todos os responsáveis pela nossa integração na CEE e seus imediatos benificiários:
Aos eufóricos aconselho calma.
Esperem para quando o betão e o cimento armado levantar a grimpa!!!
E quando Gonçalo Ribeiro Telles desaparecer do nosso convívio vão atrás da urna carpindo loas.
lopesdareosa

PS - ( Lembro que a dada altura da AD da qual Ribeiro Telles fazia parte, este ter afirmado que o PPM, partido integrado nessa coligação, era a consciência da AD. Por essa altura comentei que o que era pena era a AD ter tão pouca! - Não sei se estão a ver o trocadilho!)

sexta-feira, 11 de março de 2016

CACOGRAFIA

Que quer dizer

GRAFIA EM CACOS!

Também poderia ser; Ou há moralidade, ou liberdade para um Mia Couto que há  em cada um de nós.

Outra versão será todos contra todos e cada um por si.

Pois isso de se pretender tudo regrar dá nisto!

E nada melhor que ler  meu Amigo António Viana por quem nutro uma simpatia facilmente explicável: Filho de Mário Viana, este, que me ensinou a ler a escrever e ... a contar, parece-se (ou parecesse?) com o pai. Apenas não o revejo na bolaria que então levei. Nem imagino o herdeiro nesse gesto. Enfim. Bamos ao texto que o mesmo publicou já na A AURORA DO LIMA.


CACOGRAFIA

       Há muito me apercebi da boa saída que têm os escritos com bastante de cunho memorialista, como aquele em que, já lá vão uns tempinhos, o meadelense Dr. António Gigante (meu estimado condiscípulo na Escola Industrial e Comercial de Viana e no Instituto Comercial do Porto) falou que cuspiu, através dos buracos do soalho, para cima da burra do Tio.
 
Já me disseram: “Você escreve pouco!”. Ora eu não tenho o Génio de Camilo nem a sua necessidade de escrever muito. Não preciso, como ele, de escrever para ganhar a vida e para tal aqui traga estes escritos. A minha pensão de aposentação líquida, mesmo com reduções por razões de fiscalidade (a ilíquida parece-me que se tem mantido), continua a ser-me creditada pontual e mensalmente.

        Mas estou a desviar-me do tema inicialmente pensado. Não era assim que tencionava começar. Vamos então ao assunto puxado pelo título: Cacografia. Cacofonia estará mais no ouvido de umas quantas pessoas, mas Cacografia talvez com mais raridade. A cacofonia, relembre-se, é “encontro de palavras ou de sílabas de duas palavras originando sons desagradáveis ou imitando palavra obscena”. Cacografia é a “escrita errada”.

E qual será a “escrita certa” e a “escrita errada”? Serão aquela que se convencionar adoptar e a sua contrária? Terá a ver com a tal Semiótica ou Semiologia, “ciência geral que tem como objecto todos os sistemas de signos (incluindo os ritos e costumes) e todos os sistemas de comunicação vigentes na sociedade, sendo a linguística científica o seu ramo mais proeminente”? (Ufa!!).

       Não sou a favor nem contra o novo Acordo Ortográfico (AO de 1990). E vou dispensar-me do esforço de saber se o dito deve de ser escrito com iniciais maiúsculas ou minúsculas. Não sou especialista (nem linguista, nem gramático, nem filólogo, nem professor de literatura, nem escritor, nem poeta), mas tenho cá as minhas razões para continuar a escrever como o tenho vindo a fazer. Não tenho escrito, como tantos, que “Por decisão pessoal, não escrevo segundo o novo Acordo Ortográfico”. Ou, como também já li, Fulano “escreve de acordo com a ortografia antiga por razões de textualidade e estética”. Ou, mais radicalmente, “Quando escrevo … faço-o sempre, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico”. Mas …

Mas toda a escrita actual é resultado de uma longa evolução. Filho, sobrinho e neto de Professores que, quando leccionaram, foram considerados Bons Pedagogos, notáveis para a sua época, guardo algumas Obras que lhes serviram de ferramentas de trabalho. Por exemplo: “Vocabulário Ortográfico e Remissivo da Língua Portuguesa” por A. R. Gonçalves Viana, “Relator da Comissão da Reforma Ortográfica”, “organizado em absoluta conformidade com as resoluções da Comissão (…) de 1911 (…)”. Esse Erudito não era nosso parente mas creio que foi a partir daí que meu bisavô Jeronymo Gonçalves Vianna passou a Jerónimo Gonçalves Viana, cujo apelido herdei por linha recta. Mas …

Andava na Escola Primária, acho que na segunda classe, quando o “quási” passou a “quase” e o “combóio” deixou de ter acento. Claro que no interior das carruagens, mesmo nas de terceira classe, embora de duro e duradouro pau, continuou a haver assentos para os passageiros. Agora e aqui, para ter um “combóio” com acento tenho uma trabalheira pois o programa, automaticamente, retira-o.

       E como alguém me disse que modéstia em demasia é vaidade, passo a fazer o elogio do estudante que fui. Em muitos anos de bancos escolares, nunca chumbei em um exame! E só por uma vez fiz um em segunda época, faltando na primeira, por motivo de saúde a que, falando verdade, se juntou um certo receio de ser reprovado na primeira. Mas … Mas andei dois anos na quarta classe do então Ensino Primário! Foi pouco depois de o comboio deixar de ter o aludido acento (era combóio).

Em Viana temos a rua do Assento porque, os historiadores da toponímia local corrijam-me, no casarão ao cimo da mesma, viveu um senhor que esteve ligado ao recrutamento das tropas. E os soldados ali assentavam praça. E os militares tinham (ainda terão?) a sua “Nota de Assentos”. Que isto de palavras “homófonas”, “homógrafas”, “homónimas” e quejandas era coisa que nos ensinavam (e nem sempre aprendíamos) no aludido Ensino Primário. Mas …

Mas o pior era que no exame da quarta classe havia um “ditado” no qual não se podia ultrapassar o limite de três erros. Nas aulas o Professor tinha um grosso lápis, azul numa ponta e vermelho na outra, com o qual, se o aluno escrevesse “fato” em vez de “facto” sublinhava a vermelho. E eu escrevia “fato” quando devia escrever “facto”! Já me disseram que fui um precursor! Agora, nesta maquineta, se escrevo “actor” o programa sublinha a vermelho. Mudou a ortografia oficial! Ora como eu dava, em cada ditado, por essas e por outras, seis e sete erros, o Severo e Eficiente Professor (que acumulava com as funções de meu Pai), não me levou a exame! Foi o único ano perdido (?) na minha vida de estudante! E então agora que eu já escrevia razoavelmente é que vou ter de mudar?

Estou a aderir à Cacografia. É o que mais vejo por aí. Cada um escreve como quer e lhe apetece! As pessoas e os países que usam o português assim o fazem. Apetece-me escrever segundo a ortografia de 1945, a que me fez andar dois anos na quarta classe.

Mas (só mais uma vez esta adversativa) o k fás falta é k a jente cum ou cem  télélé se intenda. Viva a Cacografia!

Fecho: dedico este escrito a Mestre Aníbal Alcino que já me disse: “Você escreve com humor!”. E a quem respondi: “Não pretendo ser humorista.”. E agora acrescento: só quero dizer o que me vai na alma!

 António Martins da Costa Viana

Publicado em "A Aurora do Lima". 161:07 (18.02.2016). P. 3.
E mais não cito porque a mais não estou (ainda) autorizado!

lopesdareosa

sábado, 27 de fevereiro de 2016

LARES PA IDOSOS

Ver em


“Um lar de Macedo de Cavaleiros está envolto numa polémica que pode por em risco os cerca de 30 idosos que lá vivem.”

Em 12 de Fevereiro último na RTP, vi e ouvi uma das mais curiosas justificações para o injustificável que de um responsável (?) resolveu dar.
Tudo se tratava em redor de um Lar para Idosos em Macedo de Cavaleiros mais precisamente em Vale Pradinhos, em que a dada altura alguém argumenta que o Lar tinha sido construído em cima de uma linha de água!

 
Mas já momentos antes, na reportagem o proprietário de tal obra tinha informado que a Câmara vistoriara o  Lar em 14 de Novembro de 2008 e teria então depois licenciado a obra.
 

Depois há uma senhora que argumenta que a obra estava em cima de uma linha de água e que careceria de um parecer do Ambiente para a sua construção, parecer esse que não tinha sido dado nem pedido. Nem tão pouco exigido, digo eu agora!
 



O jornalista confrontou um senhor que presumo fosse da Câmara de Macedo de Cavaleiros, que informa que segundo o PDM que vigorava na altura a área era uma zona de construção e que não existia no tal (PDM) nenhuma linha de água e confirmou que no PDM não há nenhum ribeiro a atravessar a zona pelo que a obra estava legal sobre esse ponto de vista.
 

Ora acontece : Ver
que em 2007 Pedro Manuel Dias de Jesus Marques  Secretário de Estado da Segurança Social assina um documento  RECOMENDAÇÔES TÉCNICAS PARA EQUIPAMENTOS SOCIAIS – RTES onde consta textualmente:
LARES DE IDOSOS 
II. LOCALIZAÇÃO E INSERÇÃO URBANA
II.1 DISCIPLINA URBANÍSTICA E DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
II.2 CRITÉRIOS DE LOCALIZAÇÃO
II.2.5  A localização ou a permanência de estabelecimentos de apoio social não é admissível em prédios com localização adjacente a:
a) Linhas de água, permanentes ou temporárias, cujas margens não se encontrem consolidadas;
b) Linhas de água, permanentes ou temporárias, que transportem águas residuais não tratadas;
c) Terrenos alagadiços ou de nível freático elevado, favorecendo a formação de neblinas e nevoeiros e condições de elevada humidade no solo;
d) Terrenos que evidenciem más condições de estabilidade, nomeadamente:
. Em razão da sua estrutura geológica ou da sua natureza geotécnica, bem como do escoamento das águas superficiais e subterrâneas;
• Em razão da ocorrência de declives muito acentuados ou taludes, naturais ou de escavação, susceptíveis de instabilização por causas naturais ou por acção humana.

 

Vejamos agora a localização
Em primeiro lugar vê-se pelas fotografias que aqueles terrenos verdinhos e em local de cotas mais baixas da freguesia, onde foi implantado o tal lar, seriam mesmo terrenos de construção e como tal constariam no tal PDM.



 Em segundo lugar pelas fotografias se pode ver que há uma linha de união ou separação das duas vertentes lá da terra. Verteriam para onde? Subiriam as águas em vez de descerem?

 
Depois há aquela situação da não existência da Linha de água no tal PDM!
Pergunta-se
- Desde quando é que a linha de água está no terreno???
- Desde o último Glaciar?
Então o PDM é-lhe anterior pelos vistos!
Ou seja mesmo que o PDM não corresponda à realidade do terreno aquele é que conta!
E os técnicos e fiscais da Câmara não sabem distinguir uma linha de água de um outeiro!
Conclusão:
Aqui nem a  Lei 58/2007 de 4 de Setembro – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território lhe valeu ao dito!
Aqui e em muitos outros lados!
Tone do Moleiro Novo