sexta-feira, 11 de março de 2016

CACOGRAFIA

Que quer dizer

GRAFIA EM CACOS!

Também poderia ser; Ou há moralidade, ou liberdade para um Mia Couto que há  em cada um de nós.

Outra versão será todos contra todos e cada um por si.

Pois isso de se pretender tudo regrar dá nisto!

E nada melhor que ler  meu Amigo António Viana por quem nutro uma simpatia facilmente explicável: Filho de Mário Viana, este, que me ensinou a ler a escrever e ... a contar, parece-se (ou parecesse?) com o pai. Apenas não o revejo na bolaria que então levei. Nem imagino o herdeiro nesse gesto. Enfim. Bamos ao texto que o mesmo publicou já na A AURORA DO LIMA.


CACOGRAFIA

       Há muito me apercebi da boa saída que têm os escritos com bastante de cunho memorialista, como aquele em que, já lá vão uns tempinhos, o meadelense Dr. António Gigante (meu estimado condiscípulo na Escola Industrial e Comercial de Viana e no Instituto Comercial do Porto) falou que cuspiu, através dos buracos do soalho, para cima da burra do Tio.
 
Já me disseram: “Você escreve pouco!”. Ora eu não tenho o Génio de Camilo nem a sua necessidade de escrever muito. Não preciso, como ele, de escrever para ganhar a vida e para tal aqui traga estes escritos. A minha pensão de aposentação líquida, mesmo com reduções por razões de fiscalidade (a ilíquida parece-me que se tem mantido), continua a ser-me creditada pontual e mensalmente.

        Mas estou a desviar-me do tema inicialmente pensado. Não era assim que tencionava começar. Vamos então ao assunto puxado pelo título: Cacografia. Cacofonia estará mais no ouvido de umas quantas pessoas, mas Cacografia talvez com mais raridade. A cacofonia, relembre-se, é “encontro de palavras ou de sílabas de duas palavras originando sons desagradáveis ou imitando palavra obscena”. Cacografia é a “escrita errada”.

E qual será a “escrita certa” e a “escrita errada”? Serão aquela que se convencionar adoptar e a sua contrária? Terá a ver com a tal Semiótica ou Semiologia, “ciência geral que tem como objecto todos os sistemas de signos (incluindo os ritos e costumes) e todos os sistemas de comunicação vigentes na sociedade, sendo a linguística científica o seu ramo mais proeminente”? (Ufa!!).

       Não sou a favor nem contra o novo Acordo Ortográfico (AO de 1990). E vou dispensar-me do esforço de saber se o dito deve de ser escrito com iniciais maiúsculas ou minúsculas. Não sou especialista (nem linguista, nem gramático, nem filólogo, nem professor de literatura, nem escritor, nem poeta), mas tenho cá as minhas razões para continuar a escrever como o tenho vindo a fazer. Não tenho escrito, como tantos, que “Por decisão pessoal, não escrevo segundo o novo Acordo Ortográfico”. Ou, como também já li, Fulano “escreve de acordo com a ortografia antiga por razões de textualidade e estética”. Ou, mais radicalmente, “Quando escrevo … faço-o sempre, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico”. Mas …

Mas toda a escrita actual é resultado de uma longa evolução. Filho, sobrinho e neto de Professores que, quando leccionaram, foram considerados Bons Pedagogos, notáveis para a sua época, guardo algumas Obras que lhes serviram de ferramentas de trabalho. Por exemplo: “Vocabulário Ortográfico e Remissivo da Língua Portuguesa” por A. R. Gonçalves Viana, “Relator da Comissão da Reforma Ortográfica”, “organizado em absoluta conformidade com as resoluções da Comissão (…) de 1911 (…)”. Esse Erudito não era nosso parente mas creio que foi a partir daí que meu bisavô Jeronymo Gonçalves Vianna passou a Jerónimo Gonçalves Viana, cujo apelido herdei por linha recta. Mas …

Andava na Escola Primária, acho que na segunda classe, quando o “quási” passou a “quase” e o “combóio” deixou de ter acento. Claro que no interior das carruagens, mesmo nas de terceira classe, embora de duro e duradouro pau, continuou a haver assentos para os passageiros. Agora e aqui, para ter um “combóio” com acento tenho uma trabalheira pois o programa, automaticamente, retira-o.

       E como alguém me disse que modéstia em demasia é vaidade, passo a fazer o elogio do estudante que fui. Em muitos anos de bancos escolares, nunca chumbei em um exame! E só por uma vez fiz um em segunda época, faltando na primeira, por motivo de saúde a que, falando verdade, se juntou um certo receio de ser reprovado na primeira. Mas … Mas andei dois anos na quarta classe do então Ensino Primário! Foi pouco depois de o comboio deixar de ter o aludido acento (era combóio).

Em Viana temos a rua do Assento porque, os historiadores da toponímia local corrijam-me, no casarão ao cimo da mesma, viveu um senhor que esteve ligado ao recrutamento das tropas. E os soldados ali assentavam praça. E os militares tinham (ainda terão?) a sua “Nota de Assentos”. Que isto de palavras “homófonas”, “homógrafas”, “homónimas” e quejandas era coisa que nos ensinavam (e nem sempre aprendíamos) no aludido Ensino Primário. Mas …

Mas o pior era que no exame da quarta classe havia um “ditado” no qual não se podia ultrapassar o limite de três erros. Nas aulas o Professor tinha um grosso lápis, azul numa ponta e vermelho na outra, com o qual, se o aluno escrevesse “fato” em vez de “facto” sublinhava a vermelho. E eu escrevia “fato” quando devia escrever “facto”! Já me disseram que fui um precursor! Agora, nesta maquineta, se escrevo “actor” o programa sublinha a vermelho. Mudou a ortografia oficial! Ora como eu dava, em cada ditado, por essas e por outras, seis e sete erros, o Severo e Eficiente Professor (que acumulava com as funções de meu Pai), não me levou a exame! Foi o único ano perdido (?) na minha vida de estudante! E então agora que eu já escrevia razoavelmente é que vou ter de mudar?

Estou a aderir à Cacografia. É o que mais vejo por aí. Cada um escreve como quer e lhe apetece! As pessoas e os países que usam o português assim o fazem. Apetece-me escrever segundo a ortografia de 1945, a que me fez andar dois anos na quarta classe.

Mas (só mais uma vez esta adversativa) o k fás falta é k a jente cum ou cem  télélé se intenda. Viva a Cacografia!

Fecho: dedico este escrito a Mestre Aníbal Alcino que já me disse: “Você escreve com humor!”. E a quem respondi: “Não pretendo ser humorista.”. E agora acrescento: só quero dizer o que me vai na alma!

 António Martins da Costa Viana

Publicado em "A Aurora do Lima". 161:07 (18.02.2016). P. 3.
E mais não cito porque a mais não estou (ainda) autorizado!

lopesdareosa

sábado, 27 de fevereiro de 2016

LARES PA IDOSOS

Ver em


“Um lar de Macedo de Cavaleiros está envolto numa polémica que pode por em risco os cerca de 30 idosos que lá vivem.”

Em 12 de Fevereiro último na RTP, vi e ouvi uma das mais curiosas justificações para o injustificável que de um responsável (?) resolveu dar.
Tudo se tratava em redor de um Lar para Idosos em Macedo de Cavaleiros mais precisamente em Vale Pradinhos, em que a dada altura alguém argumenta que o Lar tinha sido construído em cima de uma linha de água!

 
Mas já momentos antes, na reportagem o proprietário de tal obra tinha informado que a Câmara vistoriara o  Lar em 14 de Novembro de 2008 e teria então depois licenciado a obra.
 

Depois há uma senhora que argumenta que a obra estava em cima de uma linha de água e que careceria de um parecer do Ambiente para a sua construção, parecer esse que não tinha sido dado nem pedido. Nem tão pouco exigido, digo eu agora!
 



O jornalista confrontou um senhor que presumo fosse da Câmara de Macedo de Cavaleiros, que informa que segundo o PDM que vigorava na altura a área era uma zona de construção e que não existia no tal (PDM) nenhuma linha de água e confirmou que no PDM não há nenhum ribeiro a atravessar a zona pelo que a obra estava legal sobre esse ponto de vista.
 

Ora acontece : Ver
que em 2007 Pedro Manuel Dias de Jesus Marques  Secretário de Estado da Segurança Social assina um documento  RECOMENDAÇÔES TÉCNICAS PARA EQUIPAMENTOS SOCIAIS – RTES onde consta textualmente:
LARES DE IDOSOS 
II. LOCALIZAÇÃO E INSERÇÃO URBANA
II.1 DISCIPLINA URBANÍSTICA E DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO
II.2 CRITÉRIOS DE LOCALIZAÇÃO
II.2.5  A localização ou a permanência de estabelecimentos de apoio social não é admissível em prédios com localização adjacente a:
a) Linhas de água, permanentes ou temporárias, cujas margens não se encontrem consolidadas;
b) Linhas de água, permanentes ou temporárias, que transportem águas residuais não tratadas;
c) Terrenos alagadiços ou de nível freático elevado, favorecendo a formação de neblinas e nevoeiros e condições de elevada humidade no solo;
d) Terrenos que evidenciem más condições de estabilidade, nomeadamente:
. Em razão da sua estrutura geológica ou da sua natureza geotécnica, bem como do escoamento das águas superficiais e subterrâneas;
• Em razão da ocorrência de declives muito acentuados ou taludes, naturais ou de escavação, susceptíveis de instabilização por causas naturais ou por acção humana.

 

Vejamos agora a localização
Em primeiro lugar vê-se pelas fotografias que aqueles terrenos verdinhos e em local de cotas mais baixas da freguesia, onde foi implantado o tal lar, seriam mesmo terrenos de construção e como tal constariam no tal PDM.



 Em segundo lugar pelas fotografias se pode ver que há uma linha de união ou separação das duas vertentes lá da terra. Verteriam para onde? Subiriam as águas em vez de descerem?

 
Depois há aquela situação da não existência da Linha de água no tal PDM!
Pergunta-se
- Desde quando é que a linha de água está no terreno???
- Desde o último Glaciar?
Então o PDM é-lhe anterior pelos vistos!
Ou seja mesmo que o PDM não corresponda à realidade do terreno aquele é que conta!
E os técnicos e fiscais da Câmara não sabem distinguir uma linha de água de um outeiro!
Conclusão:
Aqui nem a  Lei 58/2007 de 4 de Setembro – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território lhe valeu ao dito!
Aqui e em muitos outros lados!
Tone do Moleiro Novo

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

LOUVAI O SENHOR NO SEU LUGAR SANTO

Louvai-O com o toque de trombetas
Louvai-O com o instrumento de cordas e com harpa
Louvai-O  com o pandeiro e com a dança de roda
Louvai-O com as cordas e com o pífaro
Louvai-O com os címbalos de som melodioso
Louvai-O com os címbalos retumbantes

Toda a coisa que respira - louve ela ao Senhor.
Louvai ao Senhor!

Está escrito nos Salmos - livro da Bíblia sagrada

LOUVAI O SENHOR COM O TOQUE DA CONCERTINA - que é até um instrumento que respira!

Pois é, mas o Padre Fontes, no Barroso, foi proibido pelos ministros, de celebrar a Santa Missa AO SOM DAS CONCERTINAS! ( O`Padre Alípio de Anha é que não esteve com meias medidas!)

Dizem que é um instrumento profano! - E o pandeiro e o pífaro de Salomão eram o quê?

- Será que essa gente não conceberá que foi Deus que guiou o Austríaco na sua invenção?

- Será o Órgão um tal instrumento não profano?

Coisa curiosa! Quem inventou o acordeão diatónico foi um construtor de Órgãos!

Foi Deus ou o diabo que guiou a mão do Damiano?

No Órgão foi Deus. Na concertina foi o diabo!

Ma, lá na terra, o Acórdeon Basco é conhecido pelos FOLES DO DIABO e eu conheço um diabo que toca concertina! É o Kepa Junkera!


Enfim! Quem, desta forma, desdenha da universalidade de Deus não deveria falar em Seu nome!
Mesmo exibindo diploma!

Nota.
Aposto que a tal dança de roda dos Salmos era a CANA VERDE!

tone do moleiro novo

sábado, 30 de janeiro de 2016

UNHAIS DA SERRA

A história começa em Moçambique!

O meu amigo Silvestre Lomba contou-me que um dia, numa daquelas festas de homens que acabam em bebedeiras e dedilhações de viola a fingir que é fado, iniciou um improviso alusivo ao dito cujo:

Chorai fadistas chorai
que a Severa morreu
Fadistas como a Severa

Aqui chegado engasgou e como tinha que acabar a quadra, rematou:

Nunca houve nem haveu!

É claro que a gargalhada geral, sóbria no discernimento, se sobrepôs à bebedeira.

Aqui chegado este texto poderia ter este titulo:
 
REAVEU
E escrevo assim sem H dado que desta forma ( reaveu)  nunca alguém tenha rehavido ou rehouvesse algo que lhe tivesse sido retirado.
 
Isto porque ontem no intervalo dos programas "Sexta ás nove" e "Big Picture"  no Canal 1 da RTP, num spot de promoção a um outro programa, este "Linha da Frente",   a exibir hoje sábado dia 30/01/2016, iria tratar de uma Quinta em Unhais da Serra, cuja família proprietária rehaveu essa quinta, anos depois de ter sido ocupada e expropriada. Dito assim mesmo, dito no discurso directo!
 
E ainda hoje no Bom Dia Portugal, entre as oito e as nove da manhã, a coisa foi repetida.
 
O espanto é que uma entidade que nos bombardeira todos os dias com o "Assim se fala em  bom português", e muitas vezes em esforçadas tentativas de branquear o tal AO, se dê ao luxo de ter alguém a dizer que uma família rehaveu aquilo que lhe pertencia.
 
Razão tem o meu amigo Albino do Chove quando me disse, à mesa do café, que aquilo que o berço não dá Salamanca não ensina.
 
De facto a conjugar o verbo haver aprendia-se ( no meu tempo!)  na escola primária! 
 
Tone do Moleiro Novo


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

UBÉRRIMO

Deve ser o negócio da UBER de que se fala!
 
Para justificar a actividade desta entidade, dizem que é uma aplicação informática!
 
A pergunta que se faz é a que propósito se diferencia esta actividade da dos serviços de Táxi com este argumento!
 
Em primeiro lugar uma aplicação informática não transporta passageiros. O teletransporte embora inventado nos filmes americanos ainda não existe na prática.
 
A aplicação informática é apenas um meio de chamar o transporte desejado podendo o seu custo ser também aí saldado.
 
Que eu saiba os Táxis também já dispõem dessas facilidades. São as chamadas "apps" e que eu saiba nada impede que uma empresa ou um grupo de empresas de Táxis criem as suas próprias aplicações informáticas para facilitar o serviço e seu pagamento.
 
Então onde está a diferença?
 
Em primeiro lugar já ouvi o argumento qua a Uber não tem viaturas nem condutores e que é apenas uma tal aplicação informática.
 
Assim sendo quando a autoridade interpela um condutor e viatura a transportar passageiros tem de concluir que se trata de uma boleia ou então de um que se plantou "ao negro" na estação de Santa Apolónia para levar alguém ao aeroporto.
 
A outra alternativa é o serviço estar legalizado.
 
E aqui diferencia-se
 
O taxista tem que exibir o CAP - Certificado de Aptidão Profissional - ( ver em
o que é necessário para tal.
 
O condutor do tal transporte de passageiros, que não o é, exibe o quê?
 
Depois há que cumprir a lei e demonstrar que a viatura (táxi) está de acordo com a Portaria n.º 277-A/99, de 15 de Abril que regula a actividade de transportes em táxi e estabelece o equipamento obrigatório para o licenciamento dos veículos automóveis de passageiros [alterada pela Portaria n.º 1318/2001, de 29 de Novembro, pela Portaria n.º 1522/2002, de 19 de Dezembro, e pela Portaria n.º 2/2004, de 5 de Janeiro]

 
O condutor do tal transporte de passageiros, que não o é, demonstra  o quê?
 
Depois há que exibir (O táxi) o respectivo alvará pois a quantidade de táxis está contingentada pelas autarquias.
 
O condutor do tal transporte de passageiros, que não o é, exibe o quê? - O seu número foi contingentado por quem???
 
O Táxi tem que instalar um taxímetro!
 
O tal transporte de passageiros, que não o é, tem lá instalado o quê? - Um Uberímetro?
Em questões de segurança quanto paga de seguro o  transporte que não o é em relação ao seguro pago por um Táxi????

 
Mas dizem que a actividade da UBER é legal! ( sem explicarem qual o enquadramento).
 
Se assim for estará instalada por via legal uma concorrência desleal e imbatível dado que não tem que cumprir no transporte de passageiros os requisitos exigidos aos Táxis.
 
Seria mais honesto decretar o fim dos Táxis e nessa lei constar que o mesmo serviço passaria a ser garantido pela Uber ou outro afim. Mesmo que se trate de uma organização que vai declarar os proventos in USA e aí pagar os respectivos impostos.
 
 
( Estando os táxis perfeitamente identificados como é que as autoridades vão distinguir nos terminais um transporte de um amigo, do transporte de um que ande "ao negro" e do transporte de um tal UBER que não é obrigado a qualquer visualização identificativa?
Não será isto mesmo uma inibição á actuação das autoridades?)

Portugal é uma república das bananas. Pelo menos dos bananas talvez seja.

Tone do Moleiro Novo


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O SARGACEIRA

O  NELO  SARGACEIRA










O Rei da Cana Verde.

Herdeiro natural da arte do Rio Frio!

Encarnação vinte anos mais nova do Nelson de Covas dos Viras, das Rosinhas e das Gotas, em versão das Canas Verdes, das Chulas e das Serrinhas. Estilo mais moderno da mesma alma cigana.

Estava para a Peneda-Soajo como o Vilarinho para a Serra D'Arga. Mais moderno. Mais cosmopolita.

Vi-o pela primeira vez por volta de 1972/1973 na noite da Peneda. Nunca mais saiu do meu horizonte. Depois muitas vezes. Sempre na Peneda. Sempre em S. Bento do Cando. Sempre na Senhora da Lapa. Sempre na Senhora da Porta. Sempre em São Bartolomeu. Sempre nas Feiras Novas. No Adro de S. João mais recentemente.

Por volta de 1982 o antropólogo Pina Cabral, numas férias passadas nos Arcos, foi levado em Setembro à Peneda. Deslumbrou-se com as rodas da Cana Verde.

No meio da multidão descobriu um tal Sargaceira, alto, moreno que, varrendo o terreiro com as castanholas no ar, desfazia, com sua voz dum Minho Velho,  a concorrência à sua volta.

O SARGACEIRA DE GRADE
NÃO É UM HOMEM QUALQUER
A ELE NINGUÉM LHE BATE
ELE BATE EM QUEM QUIZER!

De facto!

A impressão foi tal que Pina Cabral plasmou esse "encontro" no seu livro AROMAS DE URZE E DE LAMA do qual possuo um exemplar oferecido pela Adelaide Graça pelo Natal de 1999.
 
Depois e já em 2000 a Adelaide apresentou o seu livro QUANDO TUDO PARECE PARAR em Viana no auditório do Museu. Consegui que Pina Cabral estivesse presente. Juntou-se a nós o seu amigo Benjamim Enes Pereira. Na apresentação do livro da Adelaide falei da nossa vertente lírica de que não temos grande atrevimento de a expressar. Excepções? - Decerto Pedro Homem de Mello, ...Maria Manuela Couto Viana de quem eu considerava Adelaide a continuadora. Em dada a altura e feita a ligação dos Aromas de Urze e de Lama do Povo Que Lavas no Rio, de Pedro Homem de Mello, com o título do livro que a Adelaide me ofertara...
 
- Adelaide o autor do livro que me ofereceste está ali... e apontei Pina Cabral.
 
Mas as surpresas não tinham terminado. Li a passagem do livro em que a ele se referia e dirigindo-me a Pina Cabral....

- E o SARGACEIRA da Peneda é aquele acolá!

Nesse ano, com o Tone da Rita, com o Pombal, com o Frade, com o Augusto Canário e mais alguns
estivemos com o SARGACEIRA, no 5 de Outubro, na feira de Hannover.

No ano passado encontrei-o em São Bento do Cando. Contou-me que tinha cinco anos quando pela primeira vez ali fora levado em Romaria pela sua mãe.

Também no ano passado e já na Peneda, me informou da sua enfermidade. E notei então que o Sargaceira já não era o mesmo.

Ontem soube pelo ALTO MINHO do que acontecera em Grade no passado dia 6.

Hoje, amanhã e no ano que vem e até que a Cana Verde se acabe, faltará a figura do Sargaceira, nas rodas e na cantoria. Outros estarão. Muitos aprenderam com ele!

lopesdareosa


Ver Também em https://www.youtube.com/watch?v=yZcuiAX-oow


e https://www.youtube.com/watch?v=x9PeWhb45EM