segunda-feira, 5 de maio de 2014

O CADASTRO


O  CADASTRO

Todos os anos, por esta altura, anuncia-se o início da chamada época dos incêndios. Porque isto, porque aquilo e porque todos as desculpas e justificativos  que se repetem, o monte arde!  Na  falta de limpezas a lei responsabiliza os proprietários. Mas há um entrave! Por falta de Cadastro não se conhecem esses mesmos!  Isto dizem os ministros da governança. Da deles não da minha, quero eu dizer! Coisa espantosa que me remete para os tempos do meu avô que, na penúria de ter abandonado  a certeza do  gesso  e a Galiza para acabar no estrume da  incerteza de lavrador em Areosa, não lhe chegava o dinheiro da vaca que vendia para a economia de um ano. Tinha nascido numa família de desgraçados, pensava e sentia eu!
E a coisa continua. Então não é que as Finanças só conheciam ( conhecem) um proprietário em todo o universo territorial nacional?!
- Precisamente o meu avô para quem lhe enviavam todos os anos a décima para pagamento. E continuam a enviar, para a respectiva herança, a factura do IMI.
Ora acontece que nessa factura constam precisamente quatro artigos do Monte, dos tais terrenos de que não se conhecem os proprietários. O meu avô é a excepção para mal dos pecados dele e dos seus herdeiros. E eu sou um deles! Nascí de facto no seio de uma família desgraçada. As autoridades  conhecem apenas um dos proprietário dos montados e esse é precisamente o meu avô. Azares da Vida!
Muito recentemente,  em Maio de  2013, foi Publicado um livro pela Fundação  Francisco Manuel dos Santos, O CADASTRO E A PROPRIEDADE   RÚSTICA EM PORTUGAL da autoria de Rodrigo Sarmento de Beires com a colaboração de João Gama Amaral e Paula Ribeiro que no seu prefácio tem este clarividente diagnóstico da pena do  Professor Luís Valente de Oliveira;
«A questão do cadastro da propriedade é um assunto complexo. Há algumas décadas tentou- se começar a fazê-lo, avançando do sul para o norte dando prioridade à área do macrofúndio. Os métodos então usados eram dispendiosos e morosos. Por isso, coberto cerca de um terço do País, faltou ânimo – leia- se o dinheiro e o tempo – para avançar para a parte mais difícil que é a do minifúndio em zonas de relevo acentuado. E, todavia, é nessa parte do território que os problemas ligados ao cadastro são mais ingentes.»
Ora isto é um espanto! Se não há cadastro (  o que em relação ao das sortes do meu avô, estas devem ser excepção)  façam-no, elaborem-no, executem-no.
E não me venham com a história do minifúndio, dos alcantilados e das dificuldades. Que eu saiba não foi por falta de cadastro em montados de  encosta que deixou de ser construída a IC a passar por terrenos dessa natureza, na Meadela, em Perre em, Outeiro, em Freixieiro de Soutelo e dalí até Gondarém. Para efeitos de projecto e de expropriações foi feito o levantamento topográfico do cadastro das propriedades afectadas. Tenho-o eu em casa sem mexer uma palheira!

O que quer dizer que quando há interesse, ou interesses, o cadastro é feito, tanto para abrir estradas com o para qualquer outra obra declarada de utilidade  pública. E não há memória que alguma tivesse deixada por fazer por falta de cadastro e por causa das  dificuldades de o realizar.
-  Será que o  Instituto Português de Cartografia e Cadastro também já foi extinto?
– Exigência da Troika?
Não haverá nos diversos organismos administrativos, geógrafos, topógrafos, engenheiros suficientes e habilitados para executar tal tarefa e em horário normal?  Recusariam a tarefa por não lhes pagarem ao fim do Mês?
Ou estarão os nossos gestores à espera de uma dotação dum qualquer PRODER  para entregar a empreitada aos privados?
Tenho a sensação que há por aí muita gente que fala por falar ou, melhor dizendo, que lhe dá jeito falar por falar.
E se não  houver outra explicação plausível  só peço aos meus leitores, condoídos com a minha desdita,  que me livrem da parvoíce, da palermice e da desfaçatez também. Que dos comunistas os livro eu!

Lopesdareosa,  Maio de 2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

AREOSENSES CASTREJOS OU CASTREJOS AREOSENSES


Areosenses  Castrejos  ou  Castrejos  Areosenses?

 

Cesse, nos anais, tudo o que consta! Afinal a última resistência à tentativa de Roma de correr com os Celtas dos seus redutos não foi na Armórica nem o Asterix o seu herói!

Afinal estavam todos enganados! A civilização castreja não desapareceu no tempo histórico onde os especialistas situam o abandono das Citânias, nem tão  pouco ficaram estas despovoadas no período apontado pelos historiadores.

E não é por isso que desce a minha consideração por Martins Sarmento por Simões Viana pelo Nosso (de Areosa) Abel Viana e outros, que com os seus estudos influenciaram os que os seguiram na matéria, historiadores, arqueólogos…, que sempre situam o declínio dos castros com a chegada dos romanos, mais coisa menos coisa.  A nossa Citânia teria sobrevivido até ao século V.

Estavam ( estão todos) enganados. E quem o afirma e firma no fim do texto é um leigo que por acaso falou com o Sr. Dr. Américo.

Acontece que pelo menos na Nossa Citânia ( digo Nossa por ser de Areosa), conhecida também de Santa Luzia, os descendentes daqueles que Martins Sarmento pressentia Lígures, chegaram até ao nosso tempo. Pois que ainda em 1957 e 1958 havia e nascia lá gente, coisa que os grandes investigadores desconhecem!

Ora por ter falado com o Sr. Dr. Américo este mostrou-me dois assentos de Baptismo na Igreja de Santa Maria de Vinha de Areosa onde consta que a 14 de Março de 1957 e 1 de Janeiro de 1958 nasceram, no sitio da Citânia em Areosa, dois varões dessas indomáveis raças, (Celtas ou Lígures tanto se me dá) um de nome José António e outro José Albano.

Ora acontece que para  além de ser uma  preciosidade histórica, esse acontecimento demonstra também que a Citânia é um sítio de Areosa. E era a este sítio que afinal eu queria chegar!

Abril de 2014

lopesdareosa

sexta-feira, 18 de abril de 2014

TAXAR A ENERGIA SOLAR

Um amigo meu enviou-me uma informação acerca de
 
 THE WORLD'S DUMBEST IDEA -
 TAXING THE SOLAR ENERGY
 
Ver em:
 
 
A ideia é minha!!!!!
 
Tenho que a escrever pois parece que vou ganhar dinheiro com isso!
 
Projecto  Chulice Cósmica
 
Memória Descritiva
 
- Instalar uma calote com janelinhas em volta do Sol.

- A abertura e fecho das janelinhas seria electro hidráulica comandadas por computador.
 
- Cada cidadão teria que fornecer as suas coordenadas à central.
 
- O dono do Sol só abriria a janelinha correspondente se o dito cidadão tivesse a conta da energia solar consumida em dia.
 
 - Os outros ficariam às escuras até regularizarem a situação.
 
Com só tenho a ideia vendo-a aos americanos dado que estes é que têm tecnologia pra levar a coisa à prática e, pelos vistos, já estão a implementar a logística administrativa!
 
Tone do Moleiro Novo
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O NAUFRÁGIO DO CABO BLANCO

O NAUFRÁGIO DO CABO BLANCO






















Os mirones na arriba.

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O Cabo Blanco ainda direito mas já com pequenos barcos à Ilharga


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Barcos à volta do Cabo Blanco com um rebocador a BB Ré

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O Começo do fim do Cabo Blanco

Em 13  de Jullho de 1936, encalhou em Areosa, em frente de numa zona situada entre os Moinhos do Gandaral do Rio e do Gandaral da Gatinheira.

No COMÉRCIO DO PORTO do dia seguinte saía já a notícia do acontecimento.

( VER EM
http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2011/08/historia-tragico-maritima-xxxii.html )

Já no dia 16 este mesmo jornal dava uma nota curiosa

"Tem sido uma romaria à praia da Areosa, para ver o vapor espanhol “Cabo Blanco“, encalhado na segunda-feira nos penhascos dos Moinhos. Como o barco trazia bom vinho, os sequiosos tem tomado boas «carraspanas», dando lugar a cenas picarescas!  Na Delegação Aduaneira estão-se arrecadando carga e utensílios de bordo. "
  
É dessa memória que vou falar. Não da minha como é óbvio pois então ainda não era nascido.
Trata-se em primeiro lugar da memória de Mário Viana meu professor na escola primaria. Testemunha dos acontecimentos seguintes ao naufrágio dos quais deixou as fotografias acima e que me foram cedidas pelo seu filho e e meu amigo António Viana.

Da memória de meus avós e meus pais que me contaram do regabofe que foi a correria  para apanhar os destroços que davam à praia. Dos pipos rebentados à pedrada e do vinho bebido pelos socos, dos canecos à cabeça pela veiga fora fugindo à Guarda que os derrubava à coronhada. Da banha carregada de qualquer forma. Das madeiras que deram bons portais. Do insucesso  dos tiros da Guarda em direcção ao mar para afugentar os barcos dos pescadores que se abeiravam vindo do Norte e do Sul e que carregavam o que queriam para desespero dos que estavam na praia que de tal eram impedidos pelas GNR e Guarda Fiscal.

Enfim histórias de que ainda hoje se encontram vestígios dado que o Senhor António Franco ( O Móca) adquiriu  a remoção do ferro e durante muito tempo manteve na penedia um guincho apropriado do que ainda restam os ferros. Pormenores de quem lá trabalhou como o David Caravela Sá Barbosa e Joaquim Jácome.

De um outro testemunha dos acontecimentos ouvi uma vertente mais sombria. O Barco levaria um carregamento logístico para as tropas de Franco a descarregar na Corunha. O Comandante do Cabo Blanco, apoiante do Governo legítimo de Espanha,  tê-lo-ia atirado contra a penedia de propósito. Tanto ele como o resto da tripulação teriam seguido para a Galiza onde pura e simplestmente teriam sido executados. Quem me contou isso foi o Senhor Abílio da Moça de Carreço, filho do Hidráulico e mais velho que a minha mãe. Coisas tenebrosas das quais não tenho confirmação.

O vapor "Cabo Blanco" encalhado na Areosa, Viana do Castelo 
Segue transcrição do jornal "O Comércio do Porto", de 14 de Julho de 1936 

Viana do Castelo, 13 - Ao norte da barra desta cidade, em frente à freguesia da Areosa, naufragou esta manhã o vapor espanhol “Cabo Blanco”, da companhia Vasco Andaluza, de Sevilha. Vinha de Huelva com destino a Vigo e trazia dois dias de viagem. Salvou-se a tripulação composta de 27 homens, que abandonaram o navio e sete passageiros. O capitão conserva-se a bordo. A carga compõe-se de barris de vinho, cascos de azeite, etc. Parte da tripulação ainda não abandonou o navio, que se considera perdido, procurando contudo salvá-lo.
Da companhia portuguesa «Radio Marconi», recebemos a seguinte informação, respeitante ao naufrágio:- Ontem, de manhã, as estações costeiras de Lisboa e de Leixões Rádio, desta companhia, interceptaram um sinal de S.O.S. lançado cerca das 6 horas BST, pelo vapor espanhol “Cabo Blanco”, anunciando que devido ao denso nevoeiro, tinha encalhado na Lat. 41º45’N e Long. 08º52’W, em Montedor ao sul de Vigo, pedindo assistência imediata de navios, especialmente de rebocadores.
Pelas 06,45 horas BST o rebocador holandês “Ganges“, informou-nos que seguia a toda a velocidade em direcção do navio sinistrado, informando nessa mesma ocasião, qual a sua posição obtida às 06,30 horas BST.
Também o vapor inglês “Highland Princess” informou, pelas 06,18 horas BST, que só em caso de extrema urgência é que se aproximaria daquele navio, a fim de proceder ao salvamento da tripulação, de contrário e em virtude de transportar passageiros e malas de correio continuaria viagem. Cerca das 12,30 horas BST, o vapor espanhol “Cabo Prior” comunicou estar já à vista do navio sinistrado, esperando auxiliá-lo dentro do espaço de meia hora. Segundo informações prestadas pelo próprio navio sinistrado, sabe-se que foram tentados todos os esforços pela respectiva tripulação para salvarem o navio tem resultado inúteis, continuando aqueles contudo, esperançados em o conseguir com a colaboração de rebocadores, cuja chegada era esperada dentro de algum tempo. Mais informaram que o navio estava já metendo água e se encontrava encalhado numa posição bastante critica e entre rochas. Não obstante, sentem-se bastante animados em virtude do mar estar muito calmo.
A estação de Leixões-Rádio continua mantendo comunicação directa com o navio sinistrado, assistindo-lhe em todos os casos requeridos por T.S.F.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 14 de Julho de 1936).

O naufrágio do “ Cabo Blanco”
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Viana do Castelo, 15 - Tem sido uma romaria à praia da Areosa, para ver o vapor espanhol “Cabo Blanco“, encalhado na segunda-feira nos penhascos dos Moinhos. Como o barco trazia bom vinho, os sequiosos tem tomado boas «carraspanas», dando lugar a cenas picarescas! Na Delegação Aduaneira estão-se arrecadando carga e utensílios de bordo.
O barco considera-se perdido, pois enfrangou na penedia e tem os porões inundados. Enquanto o mar se conservar calmo, poderá salvar-se alguma carga; mas a mais pequena ressaca obrigará a suspender quaisquer trabalhos de salvamento.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 16 de Julho de 1936).

Lopesdareosa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Incitamento à biolência

Poderia o título destra crónica ser AULAS MAGNAS.

Uma foi no sítio. Onde Mário Soares se alembrou de alertar para o perigo da violência social em consequência do rumo que as coisas estão a tomar com as sucessivos ataques ao Estado Social da parte do governo cuja noção de equidade quanto aos tais sacrifícios necessários, só vislumbra ir ao fardamento dos sempre os mesmos.
 
Logo após, os muito diligentes branqueadores, solícitos eunucos, estrategicamente colocados fazedores de opinião, políticos e comentadores muito sociais democratas,  muito democratas cristãos se apressaram e apressuraram a acusar Mário Soares de defender a violência. Foram mais longe alguns! Que Mário Soares deveria ser levado a tribunal pelo crime de incitamento à violência!
 
Ironia das ironias. Dias depois numa  autêntica AULA MAGNA o Papa Francisco diz a mesma coisa e muito mais na exortação apostólica Evangelii Gaudium.
 
Será que os muito preocupados já citados irão levar o caso ao Tribunal Criminal Internacional acusando o Papa de actividades criminosas por incitamento à violência???

Eu, de vergonha, borraria a cara com merda!

Lopesdareosa mais conhecido por Tone do Moleiro Novo
                                                                                                                                                                                                                                                                                               

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dominio Público Hídrico

A IMPORTÂNCIA  DA  CHUVA


Em 31 de Dezembro de 1864 foi publicado no DIÁRIO DE LISBOA (que nos dias de hoje
corresponderia ao DIÁRIO DA REPÚBLICA…), um Decreto emanado da 1ª Secção da Repartição Central, que no ARTIGO 2º das Disposições Gerais do TÍTULO I proclamava:

" Igualmente são do domínio público, imprescritível, os portos de mar e praias,os rios navegáveis e flutuáveis com as suas margens, os canaes e vallas, portos artificiais e docas existentes ou que de futuro se construam."

Legislação posterior definiu conceitos e medidas daquilo a que se chama Domínio Público Hídrico.

Remanesceu, ambíguo, dual e porteiro, à moda dos pimentos padrón que tanto podem ser que sim como podem ser que não, o conceito de "imprescritível"

Isto porque desde então e já lá vão cento e cinquenta anos, o Estado  permitiu que sobre terrenos integrados ou integráveis nessa tal faixa de público domínio, se realizassem autênticos actos de domínio manifesto por parte dos proprietários privados permitindo:

- Transacções, doações, heranças, hipotecas, respectivas escrituras notariais                              correspondentes registos e inscrições nas Conservatórias e Repartições das Finanças.

- E cobrando neste período impostos, recebeu sisas e décimas, contribuições, IMTs e IMIs
  
 Sem que os seus organismos tivessem alertado ou reivindicado:

- Alto aí! Em todo ou em parte esses terrenos pertencem ao Estado!

Pergunta-se mesmo se não haverá casos em que os tribunais reconheceram a posse privada da propriedade mesmo sem que os interessados apresentassem os tais documentos demonstrativos e anteriores a 1864!

Mas estamos, desde já, perante uma omissão específica do Estado em que este permitiu a ocorrência de  situações em que tinha o dever de proceder no sentido de as evitar e das quais virá tirar dividendos atirando a responsabilidade para cima dos outros como adiante se verá!
  
Acontece que em 2005 é publicada no DIÁRIO DA REPUBLICA ( O DIÁRIO DE LISBOA dos dias de hoje...) a Lei 54/2005 de 15 de Novembro que no seu Artigo 15º diz tanto como isto: - Quem pretender o reconhecimento da propriedade sobre parcelas integradas no tal Domínio Publico Hídrico terá que exibir documentos anteriores a 1864 ou a 1868 tratando-se de alcantilados.

Que não é mais que repisar o que já estava estabelecido no D.L. 468/71 de 5 de Novembro com a novidade de que para tal terá que ser intentada uma acção judicial  e esperar que os tribunais decidam favoravelmente. E Isto até 1 de Janeiro de 2014, prazo que foi prolongado até 1 de Julho de 2014 pela Lei n.º 78/2013, de 21 de novembro. E depois sem limite conforme Lei 34/2014 de 19 de Junho.

 Ora já na alínea b) do número 2 desse mesmo Artigo 15º, há uma concessão curiosa:

"Quando se mostre que os documentos anteriores a 1864 ou a 1868,..., se tornaram ilegíveis ou foram destruídos por incêndio ou facto semelhante ocorrido na conservatória ou registo competente, presumir-se-ão particulares,..., os terrenos em relação aos quais se prove que, antes de 1 de Dezembro de 1892 eram objecto de propriedade ou posse privadas"

Em primeiro lugar se os tais documentos estiverem ilegíveis como é que se vai "mostrar" que provariam o que quer que fosse se o não estivessem?
 
Em segundo lugar, se os tais arquivos tiverem ardido como é que se vai "mostrar"
que teriam existido os documentos necessários e/ou que provassem fosse lá o que fosse?

Em terceiro lugar coloca-se a questão se um determinado arquivo onde se encontrariam os tais documentos comprovativos e com data anterior a 1864/1868, sendo destruído em data posterior,
(incêndio da Repartição de Finanças de Viana do Castelo p.e.) como é que esse mesmo incêndio iria deixar intactos exactamente os documentos entre estas datas e 1892? . Seria um incêndio inteligente, selectivo e premonitório.

Depois em que arquivos se vão encontrar esses tais documentos?

- Nas Repartições de Finanças?
- Quais são aquelas que têm em arquivo o histórico anterior a 1894/1868/1864?

-Nas Conservatórias

 - Quais são aquelas que têm em arquivo o histórico anterior a 1894/1868/1864?
- Quando se sabe que mesmo existindo, apenas um número ínfimo de propriedades estarão lá registadas em datas anteriores às exigidas?

-Com chegar a tudo isto quando os arquivos estão vedados à procura e consulta públicas?

- Nos Fundos Notariais?

- Quando se sabe que sobre uma propriedade situada em Melgaço pode ter sido feita uma escritura
em Freixo de Espada à Cinta?

- Nos livros de renda dos Conventos, Mosteiros e Ordens Religiosas?

- Quando se sabe que esse espólio foi destruído, pelas hordas francesas e pela barbárie dos liberais que deram origem ao Regime que aprovou a tal Lei de 1864.?

O que quer dizer que apenas um grupo de proprietários muito restrito, ou por ter os documentos necessários em casa, ou por, um golpe de sorte, tê-los encontrado num qualquer arquivo, poderá demonstrar a sua titularidade.

Outros andarão à procura de uma palha no palheiro sem saberem se a palha existe e em que palheiro, (se é que o haja) e sem nunca encontrar algo.

O Estado sabe disso e no fim do processo será dinheiro em caixa. Quer dizer, terreno no saco.

Porque haverá um universo de proprietários, o grosso da coluna, que vai deparar com a impossibilidade material de provar sejo o que fôr e sem que lhes possa ser atribuível qualquer negligência.

Eu de leis só sei do português em que estão escritas. E ler e escrever ( e contar como muito 
bem me fez notar o  Antóno Viana) aprendi como seu pai, Mário Viana, na escola primária.

Por isso perguntarei aos especialistas:

- Então não é que AD IMPOSSIBILIAM NENO TENETUR?

O que quer dizer em português que ninguém está obrigado ao impossível?
Em português que vem do Latim e pelos mesmos caminhos que o Direito vem do Romano?

( Imaginem que o Estado andava necessitado de pianos e que que havia um grupo de manetas a tocar piano. Imaginem que saía um decreto obrigando que todos pianistas manetas eram obrigados a tocar piano com as duas mãos sob pena de ficarem sem o piano. Adivinhem quem ficaria com o piano!!!)

No fim dos prazos impostos será qualquer coisa como uma expropriação generalizada a custo Zero.

Muitos só se aperceberão da gravidade da situação quando; receberem uma renda para pagar, ou um qualquer organismo do Estado lhes ocupar a fazenda e/ou lhes toldar a paisagem com estruturas e artificializações dos terrenos e que não seriam autorizadas se esses mesmos terrenos fossem privados. 

Generalizando chegamos ao título desta crónica  - A IMPORTÂNCIA DA CHUVA

Como esta é simultâneamente pública e hídrica, um dia destes, o relvado da nossa inteligência 
legislativa decretará:

 - TODOS OS TERRENOS EM QUE A CHUVA CAIA SÃO DO ESTADO a não ser que se prove a sua propriedade, pelos particulares, com documentos anteriores ao Dilúvio Universal.

Bastaria para tal inverter o sentido do nº 1º do  Artigo 2º do TITULO I do Decreto N.º 5.787 – IIII de 10-05-1919

( E eu devia estar calado e não andar por aí a espalhar ideias!)

Lopes de Areosa
Mais conhecido pelo Tone do Moleiro Novo
 
( Aditamentos em 3 de Novembro de 2015 vão a azul)
 

MANUEL MARIA TEIXEIRO

Poeta Galego

" Farame a miña alma traición?
alma será a morte mesma?"



Em memória de Manuel Maria Teixeiro, poeta galego morrido em Setembro último, com as minhas homenagens já que, o acontecimento pouca monta mereceu nas distracções da nossa intelectualidade.


A alma me traiu, já não sei dela 

Da vida, ou seu princípio, tarde nos apercebemos
Sinais da morte cedo pressentimos

Quando nascemos choramos
Alguém nos dá esse conhecimento
A morte, testemunho nosso, choramos.
Sem pedir a ninguém consentimento

Por isso a vida tarde ou nunca é vivida
Por isso a morte demasiado cedo é temida

A alma me traiu já não sei dela 
Foi-se embora, ou morreu, ainda em vida


Este texto é dedicado à Maria Madalena, bemmequer do Vale da Lourinha, ali em Mós, perto de Porrinho que, na primeira hora depois da morte do seu amigo Manuel Maria, se disponibilizou a vir a Ponte da Barca falar dele.

Afife, Março de 2005
António Alves Barros Lopes