quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O NAUFRÁGIO DO CABO BLANCO

O NAUFRÁGIO DO CABO BLANCO






















Os mirones na arriba.

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O Cabo Blanco ainda direito mas já com pequenos barcos à Ilharga


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Barcos à volta do Cabo Blanco com um rebocador a BB Ré

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O Começo do fim do Cabo Blanco

Em 13  de Jullho de 1936, encalhou em Areosa, em frente de numa zona situada entre os Moinhos do Gandaral do Rio e do Gandaral da Gatinheira.

No COMÉRCIO DO PORTO do dia seguinte saía já a notícia do acontecimento.

( VER EM
http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2011/08/historia-tragico-maritima-xxxii.html )

Já no dia 16 este mesmo jornal dava uma nota curiosa

"Tem sido uma romaria à praia da Areosa, para ver o vapor espanhol “Cabo Blanco“, encalhado na segunda-feira nos penhascos dos Moinhos. Como o barco trazia bom vinho, os sequiosos tem tomado boas «carraspanas», dando lugar a cenas picarescas!  Na Delegação Aduaneira estão-se arrecadando carga e utensílios de bordo. "
  
É dessa memória que vou falar. Não da minha como é óbvio pois então ainda não era nascido.
Trata-se em primeiro lugar da memória de Mário Viana meu professor na escola primaria. Testemunha dos acontecimentos seguintes ao naufrágio dos quais deixou as fotografias acima e que me foram cedidas pelo seu filho e e meu amigo António Viana.

Da memória de meus avós e meus pais que me contaram do regabofe que foi a correria  para apanhar os destroços que davam à praia. Dos pipos rebentados à pedrada e do vinho bebido pelos socos, dos canecos à cabeça pela veiga fora fugindo à Guarda que os derrubava à coronhada. Da banha carregada de qualquer forma. Das madeiras que deram bons portais. Do insucesso  dos tiros da Guarda em direcção ao mar para afugentar os barcos dos pescadores que se abeiravam vindo do Norte e do Sul e que carregavam o que queriam para desespero dos que estavam na praia que de tal eram impedidos pelas GNR e Guarda Fiscal.

Enfim histórias de que ainda hoje se encontram vestígios dado que o Senhor António Franco ( O Móca) adquiriu  a remoção do ferro e durante muito tempo manteve na penedia um guincho apropriado do que ainda restam os ferros. Pormenores de quem lá trabalhou como o David Caravela Sá Barbosa e Joaquim Jácome.

De um outro testemunha dos acontecimentos ouvi uma vertente mais sombria. O Barco levaria um carregamento logístico para as tropas de Franco a descarregar na Corunha. O Comandante do Cabo Blanco, apoiante do Governo legítimo de Espanha,  tê-lo-ia atirado contra a penedia de propósito. Tanto ele como o resto da tripulação teriam seguido para a Galiza onde pura e simplestmente teriam sido executados. Quem me contou isso foi o Senhor Abílio da Moça de Carreço, filho do Hidráulico e mais velho que a minha mãe. Coisas tenebrosas das quais não tenho confirmação.

O vapor "Cabo Blanco" encalhado na Areosa, Viana do Castelo 
Segue transcrição do jornal "O Comércio do Porto", de 14 de Julho de 1936 

Viana do Castelo, 13 - Ao norte da barra desta cidade, em frente à freguesia da Areosa, naufragou esta manhã o vapor espanhol “Cabo Blanco”, da companhia Vasco Andaluza, de Sevilha. Vinha de Huelva com destino a Vigo e trazia dois dias de viagem. Salvou-se a tripulação composta de 27 homens, que abandonaram o navio e sete passageiros. O capitão conserva-se a bordo. A carga compõe-se de barris de vinho, cascos de azeite, etc. Parte da tripulação ainda não abandonou o navio, que se considera perdido, procurando contudo salvá-lo.
Da companhia portuguesa «Radio Marconi», recebemos a seguinte informação, respeitante ao naufrágio:- Ontem, de manhã, as estações costeiras de Lisboa e de Leixões Rádio, desta companhia, interceptaram um sinal de S.O.S. lançado cerca das 6 horas BST, pelo vapor espanhol “Cabo Blanco”, anunciando que devido ao denso nevoeiro, tinha encalhado na Lat. 41º45’N e Long. 08º52’W, em Montedor ao sul de Vigo, pedindo assistência imediata de navios, especialmente de rebocadores.
Pelas 06,45 horas BST o rebocador holandês “Ganges“, informou-nos que seguia a toda a velocidade em direcção do navio sinistrado, informando nessa mesma ocasião, qual a sua posição obtida às 06,30 horas BST.
Também o vapor inglês “Highland Princess” informou, pelas 06,18 horas BST, que só em caso de extrema urgência é que se aproximaria daquele navio, a fim de proceder ao salvamento da tripulação, de contrário e em virtude de transportar passageiros e malas de correio continuaria viagem. Cerca das 12,30 horas BST, o vapor espanhol “Cabo Prior” comunicou estar já à vista do navio sinistrado, esperando auxiliá-lo dentro do espaço de meia hora. Segundo informações prestadas pelo próprio navio sinistrado, sabe-se que foram tentados todos os esforços pela respectiva tripulação para salvarem o navio tem resultado inúteis, continuando aqueles contudo, esperançados em o conseguir com a colaboração de rebocadores, cuja chegada era esperada dentro de algum tempo. Mais informaram que o navio estava já metendo água e se encontrava encalhado numa posição bastante critica e entre rochas. Não obstante, sentem-se bastante animados em virtude do mar estar muito calmo.
A estação de Leixões-Rádio continua mantendo comunicação directa com o navio sinistrado, assistindo-lhe em todos os casos requeridos por T.S.F.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 14 de Julho de 1936).

O naufrágio do “ Cabo Blanco”
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Viana do Castelo, 15 - Tem sido uma romaria à praia da Areosa, para ver o vapor espanhol “Cabo Blanco“, encalhado na segunda-feira nos penhascos dos Moinhos. Como o barco trazia bom vinho, os sequiosos tem tomado boas «carraspanas», dando lugar a cenas picarescas! Na Delegação Aduaneira estão-se arrecadando carga e utensílios de bordo.
O barco considera-se perdido, pois enfrangou na penedia e tem os porões inundados. Enquanto o mar se conservar calmo, poderá salvar-se alguma carga; mas a mais pequena ressaca obrigará a suspender quaisquer trabalhos de salvamento.
(In jornal “O Comércio do Porto”, de 16 de Julho de 1936).

Lopesdareosa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Incitamento à biolência

Poderia o título destra crónica ser AULAS MAGNAS.

Uma foi no sítio. Onde Mário Soares se alembrou de alertar para o perigo da violência social em consequência do rumo que as coisas estão a tomar com as sucessivos ataques ao Estado Social da parte do governo cuja noção de equidade quanto aos tais sacrifícios necessários, só vislumbra ir ao fardamento dos sempre os mesmos.
 
Logo após, os muito diligentes branqueadores, solícitos eunucos, estrategicamente colocados fazedores de opinião, políticos e comentadores muito sociais democratas,  muito democratas cristãos se apressaram e apressuraram a acusar Mário Soares de defender a violência. Foram mais longe alguns! Que Mário Soares deveria ser levado a tribunal pelo crime de incitamento à violência!
 
Ironia das ironias. Dias depois numa  autêntica AULA MAGNA o Papa Francisco diz a mesma coisa e muito mais na exortação apostólica Evangelii Gaudium.
 
Será que os muito preocupados já citados irão levar o caso ao Tribunal Criminal Internacional acusando o Papa de actividades criminosas por incitamento à violência???

Eu, de vergonha, borraria a cara com merda!

Lopesdareosa mais conhecido por Tone do Moleiro Novo
                                                                                                                                                                                                                                                                                               

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dominio Público Hídrico

A IMPORTÂNCIA  DA  CHUVA


Em 31 de Dezembro de 1864 foi publicado no DIÁRIO DE LISBOA (que nos dias de hoje
corresponderia ao DIÁRIO DA REPÚBLICA…), um Decreto emanado da 1ª Secção da Repartição Central, que no ARTIGO 2º das Disposições Gerais do TÍTULO I proclamava:

" Igualmente são do domínio público, imprescritível, os portos de mar e praias,os rios navegáveis e flutuáveis com as suas margens, os canaes e vallas, portos artificiais e docas existentes ou que de futuro se construam."

Legislação posterior definiu conceitos e medidas daquilo a que se chama Domínio Público Hídrico.

Remanesceu, ambíguo, dual e porteiro, à moda dos pimentos padrón que tanto podem ser que sim como podem ser que não, o conceito de "imprescritível"

Isto porque desde então e já lá vão cento e cinquenta anos, o Estado  permitiu que sobre terrenos integrados ou integráveis nessa tal faixa de público domínio, se realizassem autênticos actos de domínio manifesto por parte dos proprietários privados permitindo:

- Transacções, doações, heranças, hipotecas, respectivas escrituras notariais                              correspondentes registos e inscrições nas Conservatórias e Repartições das Finanças.

- E cobrando neste período impostos, recebeu sisas e décimas, contribuições, IMTs e IMIs
  
 Sem que os seus organismos tivessem alertado ou reivindicado:

- Alto aí! Em todo ou em parte esses terrenos pertencem ao Estado!

Pergunta-se mesmo se não haverá casos em que os tribunais reconheceram a posse privada da propriedade mesmo sem que os interessados apresentassem os tais documentos demonstrativos e anteriores a 1864!

Mas estamos, desde já, perante uma omissão específica do Estado em que este permitiu a ocorrência de  situações em que tinha o dever de proceder no sentido de as evitar e das quais virá tirar dividendos atirando a responsabilidade para cima dos outros como adiante se verá!
  
Acontece que em 2005 é publicada no DIÁRIO DA REPUBLICA ( O DIÁRIO DE LISBOA dos dias de hoje...) a Lei 54/2005 de 15 de Novembro que no seu Artigo 15º diz tanto como isto: - Quem pretender o reconhecimento da propriedade sobre parcelas integradas no tal Domínio Publico Hídrico terá que exibir documentos anteriores a 1864 ou a 1868 tratando-se de alcantilados.

Que não é mais que repisar o que já estava estabelecido no D.L. 468/71 de 5 de Novembro com a novidade de que para tal terá que ser intentada uma acção judicial  e esperar que os tribunais decidam favoravelmente. E Isto até 1 de Janeiro de 2014, prazo que foi prolongado até 1 de Julho de 2014 pela Lei n.º 78/2013, de 21 de novembro. E depois sem limite conforme Lei 34/2014 de 19 de Junho.

 Ora já na alínea b) do número 2 desse mesmo Artigo 15º, há uma concessão curiosa:

"Quando se mostre que os documentos anteriores a 1864 ou a 1868,..., se tornaram ilegíveis ou foram destruídos por incêndio ou facto semelhante ocorrido na conservatória ou registo competente, presumir-se-ão particulares,..., os terrenos em relação aos quais se prove que, antes de 1 de Dezembro de 1892 eram objecto de propriedade ou posse privadas"

Em primeiro lugar se os tais documentos estiverem ilegíveis como é que se vai "mostrar" que provariam o que quer que fosse se o não estivessem?
 
Em segundo lugar, se os tais arquivos tiverem ardido como é que se vai "mostrar"
que teriam existido os documentos necessários e/ou que provassem fosse lá o que fosse?

Em terceiro lugar coloca-se a questão se um determinado arquivo onde se encontrariam os tais documentos comprovativos e com data anterior a 1864/1868, sendo destruído em data posterior,
(incêndio da Repartição de Finanças de Viana do Castelo p.e.) como é que esse mesmo incêndio iria deixar intactos exactamente os documentos entre estas datas e 1892? . Seria um incêndio inteligente, selectivo e premonitório.

Depois em que arquivos se vão encontrar esses tais documentos?

- Nas Repartições de Finanças?
- Quais são aquelas que têm em arquivo o histórico anterior a 1894/1868/1864?

-Nas Conservatórias

 - Quais são aquelas que têm em arquivo o histórico anterior a 1894/1868/1864?
- Quando se sabe que mesmo existindo, apenas um número ínfimo de propriedades estarão lá registadas em datas anteriores às exigidas?

-Com chegar a tudo isto quando os arquivos estão vedados à procura e consulta públicas?

- Nos Fundos Notariais?

- Quando se sabe que sobre uma propriedade situada em Melgaço pode ter sido feita uma escritura
em Freixo de Espada à Cinta?

- Nos livros de renda dos Conventos, Mosteiros e Ordens Religiosas?

- Quando se sabe que esse espólio foi destruído, pelas hordas francesas e pela barbárie dos liberais que deram origem ao Regime que aprovou a tal Lei de 1864.?

O que quer dizer que apenas um grupo de proprietários muito restrito, ou por ter os documentos necessários em casa, ou por, um golpe de sorte, tê-los encontrado num qualquer arquivo, poderá demonstrar a sua titularidade.

Outros andarão à procura de uma palha no palheiro sem saberem se a palha existe e em que palheiro, (se é que o haja) e sem nunca encontrar algo.

O Estado sabe disso e no fim do processo será dinheiro em caixa. Quer dizer, terreno no saco.

Porque haverá um universo de proprietários, o grosso da coluna, que vai deparar com a impossibilidade material de provar sejo o que fôr e sem que lhes possa ser atribuível qualquer negligência.

Eu de leis só sei do português em que estão escritas. E ler e escrever ( e contar como muito 
bem me fez notar o  Antóno Viana) aprendi como seu pai, Mário Viana, na escola primária.

Por isso perguntarei aos especialistas:

- Então não é que AD IMPOSSIBILIAM NENO TENETUR?

O que quer dizer em português que ninguém está obrigado ao impossível?
Em português que vem do Latim e pelos mesmos caminhos que o Direito vem do Romano?

( Imaginem que o Estado andava necessitado de pianos e que que havia um grupo de manetas a tocar piano. Imaginem que saía um decreto obrigando que todos pianistas manetas eram obrigados a tocar piano com as duas mãos sob pena de ficarem sem o piano. Adivinhem quem ficaria com o piano!!!)

No fim dos prazos impostos será qualquer coisa como uma expropriação generalizada a custo Zero.

Muitos só se aperceberão da gravidade da situação quando; receberem uma renda para pagar, ou um qualquer organismo do Estado lhes ocupar a fazenda e/ou lhes toldar a paisagem com estruturas e artificializações dos terrenos e que não seriam autorizadas se esses mesmos terrenos fossem privados. 

Generalizando chegamos ao título desta crónica  - A IMPORTÂNCIA DA CHUVA

Como esta é simultâneamente pública e hídrica, um dia destes, o relvado da nossa inteligência 
legislativa decretará:

 - TODOS OS TERRENOS EM QUE A CHUVA CAIA SÃO DO ESTADO a não ser que se prove a sua propriedade, pelos particulares, com documentos anteriores ao Dilúvio Universal.

Bastaria para tal inverter o sentido do nº 1º do  Artigo 2º do TITULO I do Decreto N.º 5.787 – IIII de 10-05-1919

( E eu devia estar calado e não andar por aí a espalhar ideias!)

Lopes de Areosa
Mais conhecido pelo Tone do Moleiro Novo
 
( Aditamentos em 3 de Novembro de 2015 vão a azul)
 

MANUEL MARIA TEIXEIRO

Poeta Galego

" Farame a miña alma traición?
alma será a morte mesma?"



Em memória de Manuel Maria Teixeiro, poeta galego morrido em Setembro último, com as minhas homenagens já que, o acontecimento pouca monta mereceu nas distracções da nossa intelectualidade.


A alma me traiu, já não sei dela 

Da vida, ou seu princípio, tarde nos apercebemos
Sinais da morte cedo pressentimos

Quando nascemos choramos
Alguém nos dá esse conhecimento
A morte, testemunho nosso, choramos.
Sem pedir a ninguém consentimento

Por isso a vida tarde ou nunca é vivida
Por isso a morte demasiado cedo é temida

A alma me traiu já não sei dela 
Foi-se embora, ou morreu, ainda em vida


Este texto é dedicado à Maria Madalena, bemmequer do Vale da Lourinha, ali em Mós, perto de Porrinho que, na primeira hora depois da morte do seu amigo Manuel Maria, se disponibilizou a vir a Ponte da Barca falar dele.

Afife, Março de 2005
António Alves Barros Lopes




sexta-feira, 12 de julho de 2013

A CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO


A Capela de São Sebastião


Esta Capela existiu ali para o lado norte do Jardim de D. Fernando, nome este que não me saíu da ideia desde os meus tempos de chegada à Villa, vindo de Areosa, para frequentar a Escola Industrial e Comercial nos tempos em que esta  funcionava em frente à ferradura e à  taça. 

De facto esta Capela está representada e referenciada na Planta de Vianna Barra e Castelo feita em 1756 e acrescentada na Cerca do Convento dos Crúzios em 1758. Esta Planta existe na Biblioteca Pública Municipal do Porto segundo o “O Litoral e a Cidade ” de Maranhão Peixoto onde se encontra reproduzida. Realço que nesta planta também a Capela de S. Roque se encontra representada e legendada.

Mais tarde e já em 1759, na Planta da Villa de Vianna que se encontra no Arquivo Histórico Militar, mostra um edifício que poderia ser a Capela de S. Sebastião,  no local original. No entanto este edifício não está legendado. E a legenda “S Sam Sebastião junto à estrada q’e vai p’a Caminha”. remete para aquela que deveria ser a Capela de S. Roque. Curiosamente esta planta, também publicada na mesma obra de Maranhão Peixoto, não se refere, na legenda,  à Capela de S. Roque embora mostre uma outra não legendada que bem poderia ser a de S. Sebastião como se disse.

- Seria erro??

Já durante a Guerra de Restauração (1640…) e segundo os anais da Sociedade Portuguesa de História, junto a essa tal Capela de S. Sebastião,  
(a do Campo da Penha) fora instalada uma bateria de defesa da Barra.

Ora acontece que Francisco José Carneiro Fernandes no seu CAPELAS DE VIANA informa que “ A CAPELA DE S. SEBASTIÃO havia sido construído no então Campo da Penha (à entrada da Actual Praça General Barbosa)…”  e que  “ Foi demolida segundo dizem, por diligência da Viscondessa de Geraz por lhe cercear (?) as vistas do palacete (Actual Museu Municipal.)”

Analisando as tais duas Plantas pode-se chegar à conclusão que a tal demolição se teria dado  a partir de 1759. E que nesta data  já  S. Sebastião teria  recolhido à Capela de S. Roque  justificando-se assim a legenda da planta de 1759.

Pois certo é que, ainda hoje, o S. Sebastião, o das setas atravessadas, se venera na ainda actual Capela de S. Roque com o seu padroeiro e seu cão.

Também Alberto A. Abreu no Falar de Viana por alturas da Sra. D’Agonia em 2001 se refere à Capela de S. Sebastião ao Campo da Penha, para logo a seguir saltar no texto para uma Capela de S. Sebastião “no começo de Areosa” fazendo ladear esse texto por uma fotografia da Capela de S. Sebastião que existe, junto à estrada, com suas alminhas, no meio do Lugar do Meio de Areosa, entre as Veigas de Paterreiro e dos Matos da Loureira. ( ao norte da RENAULT.)

- Terá sido intenção de atirar com “o começo de Areosa” o mais para norte      possível???

- Capelas trocadas?

- Será que se sabe de coisas que o melhor era não as  saber?


Areosa, 30 de Maio de 2013
António Alves Barros Lopes
Mais conhecido pelo Tone do Moleiro Novo
(Texto Publicado na A AURORA DO LIMA em 4 de Julho de 2013)

 São Sebastião na Capela de S. Roque. Colocado na parede ao lado do altar.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S. Roque e o cão. Ao lado, S. Sebastião
 
 
Estas fotografias de Sâo Roque encontram-se em

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A AGRICULTURA DE CAVACO Parte I - O Mundo Rural. Despovoamento. Interioridade


Cavaco Silva, sabe-se lá porquê, desenfreou a falar da Agricultura, do Despovoamento da Interioridade.

Já em 10 de Junho de 2011, em Castelo Branco, se lembrou de falar aos:

"Portugueses,
Ao escolher Castelo Branco para palco destas celebrações do dia 10 de Junho, pretendo trazer o interior do País para o centro da agenda nacional, alertando para a questão das desigualdades territoriais do desenvolvimento e para os problemas da interioridade, do envelhecimento e do despovoamento de uma vasta parcela do nosso território.      Trata-se, como é sabido, de uma tendência estrutural, que não nasceu, sequer, nas últimas décadas."

Como era sabido Cavaco tinha sido 10 anos primeiro ministro (1985-1994) e o que é que nessa década fez para atenuar essa sabida tendência que já se verificava então?

Por essas alturas mais precisamente em 15 de Junho de 1987, em Santarém, na cerimónia de lançamento da Campanha Europeia para o mundo Rural, Mário Soares, então Presidente da Republica, alertou para tudo o que viria a seguir, despovoamento desaproveitamento do território, degradação dos solos, envelhecimento da população rural, etc, etc, Nessa mesma cerimónia um tal Valente de Oliveira comunicou frito e cozido. Que era preciso fazer isto mais aquilo. Que se iria fazer aquilo mais isto. Aí, de Cavaco, nem fumo.
O que se sabe é que já em 1991 e face aos resultados dos Censos já o mesmo  Valente de Oliveira, (o tal especialista em desenborbimento regional) reconhecia o fracasso lamentando a tendência do despovoamento do interior e do pessoal se deslocar para o litoral e desabafava que o melhor seria acontecer o contrário!

Iste depois de Jaques Delors, em 1988, ter afiançado que não faltariam fundos para o desenvolvimento do interior do país  “Não faltará apoio para desenvolver as regiões” (sic).
Esse senhor veio a Portugal em Outubro de 1988 dar um recado exigindo equilíbrio entre o mundo rural e o Urbano. – Sabem a quem? Precisamente ao primeiro ministro Cavaco Silva.


-Já este ano em Elvas, 10 de Junho de 2013, voltou à carga naquilo que Constança Cunha e Sá   crismou de discurso da OBIBEJA.

Propor-me-ia analisar parágrafo a parágrafo esse discurso. Mas tornaria um texto da minha página demasiado fastidioso. Vou fazê-lo pouco a pouco, por temas, para não chatear muito aqueles, poucos, que têm a pachorra de me visitar.

Subordinado ao tema de hoje, saíu, em Elvas, esta pedra preciosa!

"Há quem sustente que a adesão de Portugal às Comunidades implicou a destruição do mundo rural e a perda irreversível da nossa capacidade produtiva no setor primário. Este retrato é completamente desfasado da realidade."

Qual será a realidade de Cavaco Silva?

- Onde estava Cavaco Silva em 8 de Maio de 1994 aquando do Congresso "Portugal: Que Futuro" na FIL onde foram    discutidas estes e outros temas?

-  No Pulo do Lobo!

E foi pena não ter ficado por lá. Ajudaria a combater a interioridade e o despovoamento do Portugal Profundo!

Dias antes em, 4 de Maio de 1994, tinha colocado um ponta de lança, na Assembleia da Républica que, sabe-se lá porquê, citicou o Presidente Soares por estar presente nesse Congresso.

E depois teve a lata de dizer no CCB, "Temos de ajudar Mário Soares a acabar o mandato com dignidade"

Espantoso desarrincanço para quem um ano depois, abandonou os seus, para se candidatar àquele lugar que Soares deixou com toda a dignidade não a Cavaco, que saíu pela porta baixa, mas a Sampaio.


- Por onde andava Cavaco Silva em 13 de Junho de 1997, por alturas das jornadas
Perspectivas de Desenvolvimento do Interior fundação promovido pelo Presidente da República em Idanha-a-Nova, onde João Ferrão, Geógrafo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Universidade Atlântica que  entre outras coisas e quanto ao Interior: da marginalidade geográfica à marginalidade sócio-económica disse;


"A sequência dos vários factores referidos no parágrafo anterior é bem conhecida. A marginalidade geográfica das regiões do Interior, acompanhada por um visível desinteresse por parte do poder central por estas áreas, levou a uma persistente sangria de gente, nomeadamente daqueles que, pelo seu capital escolar, cultural ou mesmo económico, mais necessários seriam para combater a situação deficitária existente. Este despovoamento, agravado por uma crise profunda do sector agrícola, estimulou o abandono dos campos e a concentração das populações em algumas cidades de média dimensão, contribuindo, lenta mas inexoravelmente, para romper equilíbrios ambientais, sócio-demográficos e económicos historicamente sedimentados. Gera-se, assim, um círculo vicioso marginalidade (geográfica)/despovoamento/abandono dos campos/marginalidade (social e económica) que conduz ao agravamento das situações de subdesenvolvimento, sobretudo em termos relativos mas mesmo, nalguns casos, em termos absolutos.

Ver o resto em:

http://jorgesampaio.arquivo.presidencia.pt/pt/biblioteca/outros/interioridade/2_2.html
Por onde andava Cavaco por alturas do  III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro em 28 de Setembro de 2002 onde se trataram esses e outros assuntos?

- Ibernava á espera que Sampaio lhe desse a vez!


  Voltemos ao nosso tempo. Cavaco ilude-se e tenta iludir!
Por onde andava por alturas do programa da RTPI, Prós e Contras,  em Bragança em 11 de Abril de 2012 sob o tema PORTUGAL HOJE- RETRATO DA INTERIORIDADE.

Aqui vai o link para o vídeo.


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=2VKBh3UiMlw


Onde se pode ouver:

Fátima Campos Ferreira
- A crise parece estar a agudizar as assimetrias. O interior que sempre foi interior já estava a desertificar à muito tempo, está neste momento em pior situação. Sr. Adriano Moreira; - Está em causa a coesão Nacional? a identidade do país?

e depois Adriano Moreira
 -Bom. Ele há aqui vários aspectos e naturalmente não vamos puder abordá-los a todos.
Eu acho que o problema da interioridade é um problema que é histórico  em relação a trás-os-montes mudou de sentido porque o primeiro conceito de interioridade que eu vivi,  era a baixa qualidade de vida e a pobreza que era geral as dificuldades de acessos isso era o primeiro sentido da interioridade. Neste momento o problema principal da interioridade em portugal, acho eu,  é o despovoamento do interior e esse despovoamento do interior   em grande parte é resultado, a meu ver,  da Politica Agricola Comum da União Europeia que verdadeiramente destruiu a Agricultura Portuguesa.

Resumindo: chegámos ao descalabro. Mas a política para cá chegar foi um êxito!!!
Isto só se for na cabeça de Cavaco e do bando de iluminados que o apoiam.

Tone do Moleiro Novo

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O QUE A TERRA COME

Disse alguém!

Alguém disse que, em Portugal, tinham sido escritos três livros:

- OS LUSÍADAS

- A MENSAGEM

e

- O CANTO E AS ARMAS

Eu acrescentaria um outro

POVO QUE LAVAS NO RIO

Neste, publicado em 1969, Pedro Homem de Mello insere um texto que intitulou O QUE A TERRA COME, (pg.105) que vai aqui transcrito:

O QUE A TERRA COME

     Havia, em Afife, dantes, um lenço ( de «bobinette» lhe chamavam) da família Alves, do lugar de Agrichouso, amàvelmente cedido pela sobrinha da sua proprietária que, de cada vez que no-lo confiava, prevenia;
     - Aproveitar enquanto é tempo! pois este lenço terá a mesma sorte dos outros que desapareceram...
  Vinha em seguida a explicação:
     - Cada qual das monhas tias ( que ream três e de que, actualmente, só resta uma) deixou escrito que desejava, quando morresse, levar «o trajo de luxo» para a cova...
     Fosse como fosse, tristezas não pagam dívidas, e ante o esplendor desse véu de noiva, com raminhos de neve bordados, poisando à laia de borboletas, aquela prevenção tinha, para nós, sabor de inverosimilhança.
     E todos os anos, por alturas da Festa da Senhora d'Agonia, lá voltávamos a subir, de Cabanas a Agrichouso, em demanda do tesoiro que nunca recusaram àquela que o nosso coração elegera.
     Assim, a juventude ía passando, florindo, novamente, de Agosto em Agosto, até que os arraiais minhotos perderem de moda sem que déssemos conta de que o cemitério de Afife, entretanto, escondera a moldura que alegrara tanto os nossos olhos...
     Mais tarde, tive o ensejo de verificar que esse costume a quase todas as regiões do Norte de Portugal se estendia. Ainda, o ano passado, em Guimarães, um lavrador me disse que os dois melhores lençóis de linho que possuía estavam postos de parte para servirem de mortalha, um a ele e o outro à companheira de toda a sua vida. E rematou; - Deus permita que respeitem as minhas vontades derradeiras!

     Logo ao lado, alguém observou que o destino de tais lençóis era, afinal, o de todos os trajos da aldeia...

     Depois, no distrito do Porto, as informações sobre enterros, atingiram o auge da tragédia, visto que não se tratava apenas de bragais ou meros guarda-roupas, mas, também, de jóias. E soubemos, nesse momento,  que para a sepultura iam a par das saias com barra de veludo, e de aventais de vidrilhos, todo o oiro que formava o dote das morgadas da época...

     Compreendí, então, o sentido daquela quadra:

                                  Eu sou devedor à terra 
A terra me está devendo
A terra me paga em vida
           Eu pago à terra, em morrendo  

     Mas o que talvez o leitor não saiba é que o mesmo sentimento, ( que poderíamos alcunhar de «egípcio», recordando as múmias das Pirâmides!) se prende., ainda, aos instrumentos de música, desde a singela concertina à rabeca ornamentada com incrustações de marfim ou madrepérola.

         Quando oiço uma concertina
Reparo e tiro o chapéu
Não se me dava morrer
     Se houvesse disto no céu!

     Tais versos que me foram cantados, há dias, pelo Nelson de Covas, juram a que ponto a música é apreciada pelo povo. E no Minho, só a título de excepção poderá ser ouvida qualquer melodia sem que os bailadores a adaptem à dança. Hoje em dia, o harmónio ocupa o lugar, outrora concedido à viola que levava as nossas avós a dizer:

                                     Ó tocador da viola
        Repenica-me esses dedos!
    Se te partirem as cordas
         Aqui tens os meus cabelos!

     E ninguém venha afirmar que a viola, pelo menos a viola brejeira, teve jamais outra finalidade que não fosse a de acompanhar cantadores!
      
        Mas voltemos ao Nelson.

        Procurámos, de uma vez, traçar-lhe o perfil nas palavras seguintes:

   « De harmónio à banda, a melena sobre a testa, misto de gladiador  e de poeta, fazendo sòzinho a festa e deitando os foguetes, cantando e bailando, onde quer que haja um adro ou uma eira, e pronto  sempre, a embandeirar em arco, a serra, a beira-rio ou a praia, com a chama da sua presença, ele encarna  «o rapaz do cravo na boca» da lenda portuguesa que a todos e a ninguém dá a flor que leva , ou, melhor, que a desfolha, à mercê da brisa, deixando, ao passar, um rasto de aroma silvestre...»

     Pois bem!
     O nosso amigo Nelson ( não encarnasse ele a tradição no mais puro sentido da palavra!) já ditou o seu testamento, no dia em que pediu à mãe:

     « Se eu morrer antes de você, ponha-me a concertina no caixão e não me enterre sem ela!»

Termina aqui o texto de Pedro Homem de Mello

Ora acontece que o Nelson, por uma ordem natural, sobreviveu à mãe:

Pela mesma ordem, morreu. Na passada segunda feira.

Na terça fui ao seu enterro. Estava depositado nos Aflitos. E ví as tábuas do caixão fecharem-se em cima do corpo do Nelson com a sua concertina lá dentro. A mesma concertina onde eu aprendera a tocar. Tinha sido posta não pela mãe, mas pelos filhos a quem tinha feito o mesmo pedido.

Chorei lágrimas, d'aquelas que  me correm agora.
Sem sogas. O computador não liga a essas coisas!

LOPESDAREOSA