sexta-feira, 28 de junho de 2013

A AGRICULTURA DE CAVACO Parte I - O Mundo Rural. Despovoamento. Interioridade


Cavaco Silva, sabe-se lá porquê, desenfreou a falar da Agricultura, do Despovoamento da Interioridade.

Já em 10 de Junho de 2011, em Castelo Branco, se lembrou de falar aos:

"Portugueses,
Ao escolher Castelo Branco para palco destas celebrações do dia 10 de Junho, pretendo trazer o interior do País para o centro da agenda nacional, alertando para a questão das desigualdades territoriais do desenvolvimento e para os problemas da interioridade, do envelhecimento e do despovoamento de uma vasta parcela do nosso território.      Trata-se, como é sabido, de uma tendência estrutural, que não nasceu, sequer, nas últimas décadas."

Como era sabido Cavaco tinha sido 10 anos primeiro ministro (1985-1994) e o que é que nessa década fez para atenuar essa sabida tendência que já se verificava então?

Por essas alturas mais precisamente em 15 de Junho de 1987, em Santarém, na cerimónia de lançamento da Campanha Europeia para o mundo Rural, Mário Soares, então Presidente da Republica, alertou para tudo o que viria a seguir, despovoamento desaproveitamento do território, degradação dos solos, envelhecimento da população rural, etc, etc, Nessa mesma cerimónia um tal Valente de Oliveira comunicou frito e cozido. Que era preciso fazer isto mais aquilo. Que se iria fazer aquilo mais isto. Aí, de Cavaco, nem fumo.
O que se sabe é que já em 1991 e face aos resultados dos Censos já o mesmo  Valente de Oliveira, (o tal especialista em desenborbimento regional) reconhecia o fracasso lamentando a tendência do despovoamento do interior e do pessoal se deslocar para o litoral e desabafava que o melhor seria acontecer o contrário!

Iste depois de Jaques Delors, em 1988, ter afiançado que não faltariam fundos para o desenvolvimento do interior do país  “Não faltará apoio para desenvolver as regiões” (sic).
Esse senhor veio a Portugal em Outubro de 1988 dar um recado exigindo equilíbrio entre o mundo rural e o Urbano. – Sabem a quem? Precisamente ao primeiro ministro Cavaco Silva.


-Já este ano em Elvas, 10 de Junho de 2013, voltou à carga naquilo que Constança Cunha e Sá   crismou de discurso da OBIBEJA.

Propor-me-ia analisar parágrafo a parágrafo esse discurso. Mas tornaria um texto da minha página demasiado fastidioso. Vou fazê-lo pouco a pouco, por temas, para não chatear muito aqueles, poucos, que têm a pachorra de me visitar.

Subordinado ao tema de hoje, saíu, em Elvas, esta pedra preciosa!

"Há quem sustente que a adesão de Portugal às Comunidades implicou a destruição do mundo rural e a perda irreversível da nossa capacidade produtiva no setor primário. Este retrato é completamente desfasado da realidade."

Qual será a realidade de Cavaco Silva?

- Onde estava Cavaco Silva em 8 de Maio de 1994 aquando do Congresso "Portugal: Que Futuro" na FIL onde foram    discutidas estes e outros temas?

-  No Pulo do Lobo!

E foi pena não ter ficado por lá. Ajudaria a combater a interioridade e o despovoamento do Portugal Profundo!

Dias antes em, 4 de Maio de 1994, tinha colocado um ponta de lança, na Assembleia da Républica que, sabe-se lá porquê, citicou o Presidente Soares por estar presente nesse Congresso.

E depois teve a lata de dizer no CCB, "Temos de ajudar Mário Soares a acabar o mandato com dignidade"

Espantoso desarrincanço para quem um ano depois, abandonou os seus, para se candidatar àquele lugar que Soares deixou com toda a dignidade não a Cavaco, que saíu pela porta baixa, mas a Sampaio.


- Por onde andava Cavaco Silva em 13 de Junho de 1997, por alturas das jornadas
Perspectivas de Desenvolvimento do Interior fundação promovido pelo Presidente da República em Idanha-a-Nova, onde João Ferrão, Geógrafo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Universidade Atlântica que  entre outras coisas e quanto ao Interior: da marginalidade geográfica à marginalidade sócio-económica disse;


"A sequência dos vários factores referidos no parágrafo anterior é bem conhecida. A marginalidade geográfica das regiões do Interior, acompanhada por um visível desinteresse por parte do poder central por estas áreas, levou a uma persistente sangria de gente, nomeadamente daqueles que, pelo seu capital escolar, cultural ou mesmo económico, mais necessários seriam para combater a situação deficitária existente. Este despovoamento, agravado por uma crise profunda do sector agrícola, estimulou o abandono dos campos e a concentração das populações em algumas cidades de média dimensão, contribuindo, lenta mas inexoravelmente, para romper equilíbrios ambientais, sócio-demográficos e económicos historicamente sedimentados. Gera-se, assim, um círculo vicioso marginalidade (geográfica)/despovoamento/abandono dos campos/marginalidade (social e económica) que conduz ao agravamento das situações de subdesenvolvimento, sobretudo em termos relativos mas mesmo, nalguns casos, em termos absolutos.

Ver o resto em:

http://jorgesampaio.arquivo.presidencia.pt/pt/biblioteca/outros/interioridade/2_2.html
Por onde andava Cavaco por alturas do  III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro em 28 de Setembro de 2002 onde se trataram esses e outros assuntos?

- Ibernava á espera que Sampaio lhe desse a vez!


  Voltemos ao nosso tempo. Cavaco ilude-se e tenta iludir!
Por onde andava por alturas do programa da RTPI, Prós e Contras,  em Bragança em 11 de Abril de 2012 sob o tema PORTUGAL HOJE- RETRATO DA INTERIORIDADE.

Aqui vai o link para o vídeo.


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=2VKBh3UiMlw


Onde se pode ouver:

Fátima Campos Ferreira
- A crise parece estar a agudizar as assimetrias. O interior que sempre foi interior já estava a desertificar à muito tempo, está neste momento em pior situação. Sr. Adriano Moreira; - Está em causa a coesão Nacional? a identidade do país?

e depois Adriano Moreira
 -Bom. Ele há aqui vários aspectos e naturalmente não vamos puder abordá-los a todos.
Eu acho que o problema da interioridade é um problema que é histórico  em relação a trás-os-montes mudou de sentido porque o primeiro conceito de interioridade que eu vivi,  era a baixa qualidade de vida e a pobreza que era geral as dificuldades de acessos isso era o primeiro sentido da interioridade. Neste momento o problema principal da interioridade em portugal, acho eu,  é o despovoamento do interior e esse despovoamento do interior   em grande parte é resultado, a meu ver,  da Politica Agricola Comum da União Europeia que verdadeiramente destruiu a Agricultura Portuguesa.

Resumindo: chegámos ao descalabro. Mas a política para cá chegar foi um êxito!!!
Isto só se for na cabeça de Cavaco e do bando de iluminados que o apoiam.

Tone do Moleiro Novo

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O QUE A TERRA COME

Disse alguém!

Alguém disse que, em Portugal, tinham sido escritos três livros:

- OS LUSÍADAS

- A MENSAGEM

e

- O CANTO E AS ARMAS

Eu acrescentaria um outro

POVO QUE LAVAS NO RIO

Neste, publicado em 1969, Pedro Homem de Mello insere um texto que intitulou O QUE A TERRA COME, (pg.105) que vai aqui transcrito:

O QUE A TERRA COME

     Havia, em Afife, dantes, um lenço ( de «bobinette» lhe chamavam) da família Alves, do lugar de Agrichouso, amàvelmente cedido pela sobrinha da sua proprietária que, de cada vez que no-lo confiava, prevenia;
     - Aproveitar enquanto é tempo! pois este lenço terá a mesma sorte dos outros que desapareceram...
  Vinha em seguida a explicação:
     - Cada qual das monhas tias ( que ream três e de que, actualmente, só resta uma) deixou escrito que desejava, quando morresse, levar «o trajo de luxo» para a cova...
     Fosse como fosse, tristezas não pagam dívidas, e ante o esplendor desse véu de noiva, com raminhos de neve bordados, poisando à laia de borboletas, aquela prevenção tinha, para nós, sabor de inverosimilhança.
     E todos os anos, por alturas da Festa da Senhora d'Agonia, lá voltávamos a subir, de Cabanas a Agrichouso, em demanda do tesoiro que nunca recusaram àquela que o nosso coração elegera.
     Assim, a juventude ía passando, florindo, novamente, de Agosto em Agosto, até que os arraiais minhotos perderem de moda sem que déssemos conta de que o cemitério de Afife, entretanto, escondera a moldura que alegrara tanto os nossos olhos...
     Mais tarde, tive o ensejo de verificar que esse costume a quase todas as regiões do Norte de Portugal se estendia. Ainda, o ano passado, em Guimarães, um lavrador me disse que os dois melhores lençóis de linho que possuía estavam postos de parte para servirem de mortalha, um a ele e o outro à companheira de toda a sua vida. E rematou; - Deus permita que respeitem as minhas vontades derradeiras!

     Logo ao lado, alguém observou que o destino de tais lençóis era, afinal, o de todos os trajos da aldeia...

     Depois, no distrito do Porto, as informações sobre enterros, atingiram o auge da tragédia, visto que não se tratava apenas de bragais ou meros guarda-roupas, mas, também, de jóias. E soubemos, nesse momento,  que para a sepultura iam a par das saias com barra de veludo, e de aventais de vidrilhos, todo o oiro que formava o dote das morgadas da época...

     Compreendí, então, o sentido daquela quadra:

                                  Eu sou devedor à terra 
A terra me está devendo
A terra me paga em vida
           Eu pago à terra, em morrendo  

     Mas o que talvez o leitor não saiba é que o mesmo sentimento, ( que poderíamos alcunhar de «egípcio», recordando as múmias das Pirâmides!) se prende., ainda, aos instrumentos de música, desde a singela concertina à rabeca ornamentada com incrustações de marfim ou madrepérola.

         Quando oiço uma concertina
Reparo e tiro o chapéu
Não se me dava morrer
     Se houvesse disto no céu!

     Tais versos que me foram cantados, há dias, pelo Nelson de Covas, juram a que ponto a música é apreciada pelo povo. E no Minho, só a título de excepção poderá ser ouvida qualquer melodia sem que os bailadores a adaptem à dança. Hoje em dia, o harmónio ocupa o lugar, outrora concedido à viola que levava as nossas avós a dizer:

                                     Ó tocador da viola
        Repenica-me esses dedos!
    Se te partirem as cordas
         Aqui tens os meus cabelos!

     E ninguém venha afirmar que a viola, pelo menos a viola brejeira, teve jamais outra finalidade que não fosse a de acompanhar cantadores!
      
        Mas voltemos ao Nelson.

        Procurámos, de uma vez, traçar-lhe o perfil nas palavras seguintes:

   « De harmónio à banda, a melena sobre a testa, misto de gladiador  e de poeta, fazendo sòzinho a festa e deitando os foguetes, cantando e bailando, onde quer que haja um adro ou uma eira, e pronto  sempre, a embandeirar em arco, a serra, a beira-rio ou a praia, com a chama da sua presença, ele encarna  «o rapaz do cravo na boca» da lenda portuguesa que a todos e a ninguém dá a flor que leva , ou, melhor, que a desfolha, à mercê da brisa, deixando, ao passar, um rasto de aroma silvestre...»

     Pois bem!
     O nosso amigo Nelson ( não encarnasse ele a tradição no mais puro sentido da palavra!) já ditou o seu testamento, no dia em que pediu à mãe:

     « Se eu morrer antes de você, ponha-me a concertina no caixão e não me enterre sem ela!»

Termina aqui o texto de Pedro Homem de Mello

Ora acontece que o Nelson, por uma ordem natural, sobreviveu à mãe:

Pela mesma ordem, morreu. Na passada segunda feira.

Na terça fui ao seu enterro. Estava depositado nos Aflitos. E ví as tábuas do caixão fecharem-se em cima do corpo do Nelson com a sua concertina lá dentro. A mesma concertina onde eu aprendera a tocar. Tinha sido posta não pela mãe, mas pelos filhos a quem tinha feito o mesmo pedido.

Chorei lágrimas, d'aquelas que  me correm agora.
Sem sogas. O computador não liga a essas coisas!

LOPESDAREOSA

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MORREU O VILARINHO

NELSON  PEREIRA


O VILARINO

DE VILARINHO em  COVAS

Soube da sua morte hoje.
Vou amanhã a Covas!

Com ele desaparece uma boa parte do Alto Minho!

Antes que os meus olhos caissem fascinados por aquela figura inconfundível, já outros tinham reparado no fulgor da sua presença pelas feiras, festas e romarias em noites que por magia se desfaziam no amanhecer sem darmos por ela.

Ernesto Veiga de Oliveira

Maria Manuela Couto Viana

Alexandre Rodrigues

Afonso do Paço

António Pedro

E tantos outros.


Pouco a pouco vão desaparecendo os heróis da obra de Pedro Homem de Mello.

 Depois de Domingos Enes Pereira foi o Nelson que ocupou o lugar vazio na obra  de Pedro Homem de Mello.

Um dia alguém contará a história deste brasileiro que nunca teve existência legal até aos cinquenta e tal anos; até á altura em que o Camilo de Afife tratou do seu bilhete de identidade para se casar!

lopesdareosa



terça-feira, 11 de junho de 2013

CAVACO - O AVISADOR

CAVACO - O AVISADOR

Afinal o homem não leva a camisola amarela.
Já outro inteligente tinha pensado na coisa!
Lusa
Passos diz que já é preciso pensar no pós-troika
O primeiro-ministro defendeu, nos Açores, que há que começar a pensar no período pós-troika e encontrar alternativas para que o Estado não pese tanto em impostos aos portugueses.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que o país tem que começar a pensar no pós-troika de modo a inspirar confiança aos investidores.
"Até junho de 2014 - que é como quem diz daqui a ano e meio - teremos cumprido o memorando de entendimento, não precisaremos mais de ter cá a troika, nem precisamos que a troika ponha cá mais dinheiro", afirmou, Pedro Passos Coelho, no encerramento do XX Congresso Regional do PSD/Açores em Ponta Delgada.
E DEPOIS

Segundo a LUSA na  quarta-feira, 6 fevereiro de 2013 vem o alerta do ministro da Economia Álvaro Santos Pereira : «É preciso pensar no pós-troika»
|O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, defendeu esta quarta-feira que "é importante" começar a pensar no período depois da troika, defendendo uma política de desenvolvimento regional que vise uma forte competitividade fiscal para as regiões do interior.
"É importante começar a pensar no período após a troika e, nomeadamente, numa política de desenvolvimento regional que vise uma forte competitividade fiscal para as regiões. Quando digo forte competitividade fiscal, digo também que é uma competitividade fiscal que terá de ser quer ao nível empresarial, quer ao nível do rendimento individual", sublinhou.

Bem! Já é o segundo inteligente antes do Cavaco o ser!
( E neste caso não pode dizer que tem que se nascer duas vezes para aparecer alguém  mais inteligente que o tio!)

Eu prefiro!
Espero que haja muita poesia, profunda e mágica,
depois da troika
por HELENA ÁGUEDA MARUJO em 08/01/2013   in http://comunidadejoao23.no.sapo.pt/HelenaMarujo.pdf


É anterior e muito, muito mais inteligente. Mesmo estando apenas no prazo de validade do primeiro nascimento!

A MEMÓRIA É PHODIDA

Tone do Moleiro Novo

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O ENGRACIANO


Para entender o contexto ver
http://lopesdareosa.blogspot.pt/2012/11/vai-sair-asneira.html

Das três uma:

- Ou Cavaco também conhecia o Engraciano.
- Ou Cavaco anda a ler os meus textos na NET
- Ou Cavaco leu a A AURORA DO LIMA, edição do Natal de 2012.

 Lopesdareosa

segunda-feira, 25 de março de 2013

RODOLFO VIEITAS COSTA

Rodolfo Vieitas Costa

Filho de Manuel Vieitas Costa, irmão de Jerónimo Vieitas Costa.
Da freguesia de Santa Maria de Vinha de Areosa. Casa do Rei.
(Viana do Castelo)

Era sócio de uma empresa com sede em Lisboa chamada Vieitas Costa e Ventura Lda.

Também era sócio de uma outra, chamada Sociedade Vianense de Cabotagem Lda. 

Esta entidade mandou construir o BRILHANTE que foi lançado
em 5 de Maio de 1921.

Os momentos anteriores foram "fotografados" pelos pinceis de Carolino Ramos num quadro onde nem sequer faltam os próprios Vieitas Costa. Um deles é o Rodolfo. O outro será o Jerónimo. Também poderá ser o pai Manuel. Vou confirmar a data da morte deste.


Não falta também o HOTEL ALIANÇA o que dá para perceber o local da varagem.

Este quadro pertence à família de Rodolfo Vieitas Costa até prova em contrário. Assim sendo o melhor é não sair à luz do dia. Alguém iria preso.

António Alves Barros Lopes
(O filho da polícia)

sábado, 29 de dezembro de 2012

POVO QUE LAVAS NO RIO

Lá venho eu outra vez a Pedro Homem de Mello. Não fosse a minha tutela.


Desta feita porque dei com;

http://biclaranja.blogs.sapo.pt/710311.html

e daí saltei para;

http://pt.wikipedia.org/wiki/Povo_que_lavas_no_rio

Para ver se era verdade.

Era mesmo: uma delirante explicação (?) do significado do Poema!

Com que caralhos é que Pedro Homem de Mello afirmou ter dormido com eles na cama para se concluir que era homossexual?

No Poema, Pedro Homem de Mello dormiu com os aromas de urze e lama que são os Aromas, a Urze e a Lama de S. João d'Arga  exactamente os mesmos  com os quais também eu dormi. E ninguém me foi ao pacote por causa disso!

Assaltados não sei por que subconscientes temores ou ànsias aparecem uns intérpretes que não sabem do que falam. Se ainda fossem honestos e limpos! Mas borram as mãos com a merda  que têm na cabeça pensando que com ela atingem quem está para além do alcance do arremesso.

E é em

http://biclaranja.blogs.sapo.pt/710311.html

que encontro o entendimento da singeleza do Poema

" um poema que muito simplesmente canta a força do povo no seu viver agreste, para lá de «haver quem [no] defenda» ou de «quem compre o [seu] chão sagrado» (quem no ofenda, portanto).
 Mais, a comunhão do narrador com aquela condição, que o povo não deixa de reconhecer pois até na morte o cuidará, talhando-lhe a força de braço «as tábuas do [seu] caixão», isto é, dando-lhe sepultura digna."


Depois o tal povo que lavava no rio eu o conheci. Era a minha mãe, era a minha avó era a minha tia. Eram todas as mulheres de Areosa.
Até sei onde eram os rios e seus nomes. Era o da Maganhão, era o dos Ôlhos, era o da Ponte Nova. era o do Rapido, era o das Pontes do Cascudo era o do Poço da Baeta o do Poço da Arrinca. Era o da Romenda, Era o de Fontes era o do Fincão onde até as da Ribeira vinham lavar.

Depois o tal Povo que ía à feira e à tenda eu o conheci. Era o meu avô que dizia que ir a Ponte de Lima e não ir à tenda do Cachadinha ou da Rosa Paula era como ir a Roma e não ver o Papa. Ainda reconheço esse Povo nas feiras de Ponte e do Cerdal nas tendas de S. João ou da Peneda.  Eram todos os lavradores que se debatiam com os regatões por umas quantas notas, por uma vaca.

A malga de mão em mão eu por ela bebi nos tempos em que os artistas no regresso a casa paravam na Loja do Perrito e de lá não saíam sem que antes tivessem pago cada um a sua rodada daquele verde tinto intragável. Se no beijo na tigela que passava de mão em mão o Poeta viu irmandade, comunhão ou outra coisa qualquer, por isso era Poeta: 

Procissões, praias e montes, areais, píncaros passos, braços e fontes, quem não os conheceu???

Montanhas veredas e cangostas foi Pedro Homem de Mello que as inventou?

Buxas, lobas, estrelas. Vozes na casa deserta, almas penadas,  chascas nas encruzilhadas? - Quem não ouviu histórias medonhas?

Quem não sabe ao que o Poeta se refere quando afirma que tinha rasgado certo corpo ao meio e que tinha visto certa curva em certo seio?

Apesar de tudo e mesmo assim o Poeta se confessa apartado da essência do Povo que tão bem canta.
- Pertenço-te e deste-me alturas de incenso, mas não me deste o teu modo de viver porque esse é inatingivel.

Assim e embora não concordando com a conclusão de João Vasconcelos

Ver


encontro neste a explicação evidente do "desencontro" do Poeta com o tal Povo atrás do qual seus passos vão.

"A distância que o poeta de Homem de Mello experimenta em relação ao povo é diferente da melancolia do poeta-pintpr de Nobre. É  uma distância amargurada, contrafeita, de um homem que sendo poeta e bailador, bailando como o povo e com o povo, crestando como ele e pele ao sol, partilhando a malga que anda de mão em mão sente ainda assim que há uma vida que se lhe escapa por entre os dedos quando tenta agarrá-la. O Poeta pode bailar mas não deixará nunca de bailar "como quem baila."

Ver
http://www.ics.ul.pt/rdonweb-docs/Povo%20Enquanto%20L%C3%ADbido.pdf

Resumindo, POVO QUE LAVAS NO RIO é um hino ao Povo. Pelo menos ao Povo do Alto Minho, em relação aos quais  já pressenti muito desdém.

Talvez por inveja.

Talvez porque haja muita boa gente que não aceitou em  Pedro Homem de Mello a sua rebeldia.

"- Monárquico em todas as repúblicas do mundo."


Ou que, apesar disso, ousou afastar-se dos seus, cujo desprezo presenciei na muralha inultrapassável em frente à Havaneza em noites de Feiras Novas.

Ou porque a intelectualidade não conseguiu catalogar o Poeta no cardápio das correntes e das mediocridades.

Outros porque não perdoaram ao Poeta ter-se misturado com o tal povo e cantado essa vivência roubando assim a iniciativa aos especialistas.

Outros porque não lhe chegando à bitola se apressaram a classificar Pedro Homem de Mello como poeta de segunda!

Sei lá!

Lopesdareosa