quinta-feira, 21 de junho de 2012

CENTRALISMOS

Em tempos escrevi na A AURORA DO LIMA um texto que intitulei, com erro ortográfico de que pe penitenciei,
A FORÇA CENTRÍPETA DA PRAÇA DA REPÚBLICA
Mais ou menos a coisa referia-se à tendência de que, ao exemplo de Lisboa cujo centralismo é sempre criticado, todo o poder, regional ou local, tem de replicar ao seu nível aquilo que se condena  ao nível do país no que Lisboa representa quanto ao seu gigantismo, centralismo e buraco negro na atracção de recursos que deveriam ser distribuídos pelas outras regiões.
Acontece que no JN de 2 de Junho de 2012 e no NOTÌCIAS MAGAZINE do dia seguinte aparecem duas intervenções deveras curiosas quanto à possibilidade de unir o Porto a Gaia

Na primeira, a Luiz Filipe Meneses é atribuido ter afirmado que "A fusão faria do Porto e de Gaia a maior cidade do país, MAIOR QUE LISBOA"

A segunda refere que Rui Moreira, de Lisboa, desejaria "...levar para o Porto todo o dinheiro que desviaram do resto do país para corrigir as assimetrias do território"

Resumindo;

- Lisboa é grande, demasiado grande em relação ao restante território. Mas o que se pretende é uma coisa muito maior numa escala inflaccionada em relação ao território que lhe tocasse influenciar.

- Lisboa é centralizadora mas o que se pretende é substituir esse centralismo por um outro mais a norte. ( Rui Moreira teria que explicar como e com que instrumentos é que iria repartir bem o que Lisboa reparte mal).

É por essas e por outras que no referendo sobre e regionalização, a coisa levou sopa!|

Bem a minha esperança é que, a exemplo do nosso amigo Borges, Menezes e Moreira não quizessem dizer aquilo que o JN relata.

Cumprimentos regionalistas

Tone do Moleiro Novo

domingo, 17 de junho de 2012

POEMA DO CUME

Por volta de 2000, Falcão, o mais incrível dos bregas, publicou a sua obra prima ( tem mais) "DO PENICO À BOMBA ATÓMICA" alí para os lados de Fortaleza.

Nessa metamorfoses do CD integrou um tema a que chamou de O CUME, que, dada a profundidade do mesmo, tantas vezes inacessível à penetração de um instrumento interpretativo que não leve em linha de conta que nem sempre é risivel aquilo que se desconhece, eu considerei elevar à categoria de POEMA.

Tal enormidade cultural passou despercebida a não ser  que, por essas alturas, o Lopes d'Areosa, em Alvares, Tarouca, resolveu sublinhá-la à Cana Verde, (ou foi o CUME Vira?) atrevendo-se até a acrescentar algo que  viu passar-se do lado de cá do Atlântico.

Se dúvidas houver, o Né Bastos  gravou a portentosa pafómanse do de Areosa.

Do FALCÂO aqui vai...

AO VENTO NAQUELE CUME
PLANTEI UMA ROSEIRA
O VENTO NO CUME BATE
A ROSA NO CUME CHEIRA


EM DIAS DE CHUVA FINA
SALPICOS NO CUME CAEM
FORMIGAS NO CUME ENTRAM
ABELHAS DO CUME SAEM

EM DIAS DE CHUVA GROSSA
A ÁGUA DO CUME DESCE
O BARRO DO CUME ESCORRE
O MATO NO CUME CRESCE

MAS UM DIA A CHUVA ACABA
NO CUME VOLTA A ALEGRIA
POIS VOLTA A BRILHAR DE NOVO
O SOL QUE NO CUME ARDIA.

Aqui chegados acrescentei.

DOS CABRITOS O PASTOR
A CARNE NO CUME CRIA
QUEM DERA NO CUME TER
GADO QUE NO CUME HAVIA

MINHA TIA PREGUNTOU
QU'ERA DA BURRA E DA CRIA
- SÓ VI A BURRA E O MACHO
EM CIMA DO CUME TIA.

QUANDO ELA NO CUME LEVA
O FARNEL A MINHA PRIMA
FAÇO VERSOS E É FÁCIL
EM CIMA DO CUME A RIMA

JÁ O  FOGO O CUME QUEIMA
NO VERÃO AO FIM DA TARDE
E JÁ TODO O CUME ESQUENTA
E JÁ TODO O CUME ARDE

NO ALTO DA INVERNEIRA
A NEVE NO CUME CAI
JÁ TODO O CUME ENREGELA
JÁ NINGUÉM AO CUME VAI

LOGO VEM A PRIMAVERA
E DEPOIS CHEGA O VERÂO
LOGO TODO O CUME AQUECE
E TODOS AO CUME VÃO


COMBINEI A IDA AO CUME
NUMA NOITE DE LUAR
ELA E EU PELA VEREDA
QUE AO CUME ÍA DAR

BOA NOITE AO MULHERIO
VOU FECHAR A CONCERTINA
ESTOU MORTO POR ME METER
AI POR ESSE CUME ACIMA
QUER SEJA EM PONTE DA BARCA
OU MESMO EM PONTE DE LIMA


Com as minhas homenagens ao FALCÃO de Fortaleza

TONE DO MOLEIRO NOVO

Nota de fundilhos
Para mim o texto original é de Falcão no entanto há uma forte discussão no ciberespaço àcerca de tão delicado assunto.
 - Tudo o que mete cume é empolgante, delicado e delicioso até.

No entanto O CUME  toma mais consistência quando a sua autoria é atribuída a uma Costa Riquenha de origem Portuguesa de seu nome
MARIA ALICE DEL CUMEDÁRAZ.

sábado, 19 de maio de 2012

CONCERTOS DE HARPA E DANÇA

O meu amigo Loureiro, mais conhecido por Lavanca, é que se lembrou disso!

Deveria ser interessante dançar ao som do som da harpa.

Procurei na NET, googlei e nada.

Muita dança muita harpa. Dessa coisa de Harpa e Dança - Nada! 

Quem souber de um concerto desses, mande notícias.

TONE DO MOLEIRO NOVO

sábado, 12 de maio de 2012

DEUS SOBRE TUDO

Era o nome de um iate do Porto que naufragou na Praia do Camarido em Carrêço na noite de Natal de 1810.

Nos dias seguintes apareceram nas praias de Areosa cinco afogados que foram sendo enterrados à medida que eram encontrados.

Foram sempre dados como náufragos desse iate sem se saber como é que os de Areosa presumiram isso dado que foram sempre enterrados como desconhecidos o que demonstra que foram encontrados sem que fosse possível recuperar qualquer documento identificativo. A proximidade da tragédia teria dado essa indicação aos de Areosa.

Mas fica a interrogação. Se o iate era do Porto alguém saberia quem é que lá ía e quem lhes faltou a partir daquela noite.

No Porto haverá quem saiba!?
À data não teria sido noticiado esse naufrágio???
- Não acredito e por isso a todos aqueles que tenham notícia deste acontecimento que diga alguma coisa 
aos de Areosa.

Mais que não seja, o nosso Amigo António Viana, que vai retirando estas coisas ao pó do esquecimento, poderia completar mais uma das muitas histórias que descobre para nos contar.

Barros Lopes

terça-feira, 8 de maio de 2012

PÁSCOA EM SANTA MARIA DE VINHA DE AREOSA 1931
















Na Páscoa de 2012, na Sede do Grupo Etnográfico de Areosa, o Alberto Rego teve a delicadeza de mostrar aos presentes uma fotografia que eu tinha oferecido ao Grupo. Fotografia referente á Páscoa de 1931 - 5 de Abrl desse ano - a qual era uma cópia de um original que me foi disponibilizado pela minha prima, Alice da Nateira.

Acontece que na altura não tinha a minha cábula para identificar os fotografados e em cima das informações que a Nateira me tinha dado.

Agora aqui vai!

Ao lado esquerdo do Padre Videira, um tal Soares do Pales, morava nas Fontaínhas, empunhando a Cruz.
Do lado direito do Padre Videira e em primeiro plano a Ana do Daniel ou do Rufo.
Por detrás desta o Tio Domingos do Gonçalo, inconfundível na suas boca e sobrancelhas.
Entre estes e o Padre Videira, dois mais novos,  a espreitar, quem sabe se ainda vivos.
Do lado direito de Domingos do Gonçalo e atrás, com aquelas patilhas enormes, um tio do Tio Domingos que na altura era sacristão.
À frente deste, à lavradeira, a Angélica dos Carunhos, catequista, cantava no coro da Igreja. 
Quando mataram a criada do Padre Videira, tomou o lugar daquela no Paçal (Passal?).
Do lado direito da Angélica e de lenço ao pescoço, a Albertina do Franco que morava no Penedo.
Do lado direito desta a Florinda do Gonçalo, irmã do Tio Domingos.
Por detrás da Albertina uma cara que decerto ainda pode ser identificada.
Do lado direito da Florinda outros mais novos que, às tantas, ainda andam por aí.   

AGRADEÇO QUALQUER CORRECÇÃO OU INFORMAÇÃO MAIS ESCLARECEDORA!
Barros Lopes

MARIA DA CONCEIÇÃO CAMPOS

Mãe coragem!
Daquele que se ha ido pronto como los elegidos, das cantigas mexicanas, en plena glória e plena juventud.

Escreveu, na Praia Norte, em 7 de Maio de 1994 o seguinte texto.

POENTES

Sobre o poente
Pesado delas
      embebedam-se as nuvens

Chove logo
               ou amanhã

Também
            ninguém
-Ninguém virá -
Abrir nesgas de sol
Na minha sombra

Passam por longe os passos
                      meus amados
Diluem-se por longe
             as vozes desejadas

Também
ninguém
- Ninguém virá -
Trazer-me sugestões de madrugadas

E eu atiro-vos meus olhos
E eu abro minhas mãos
E eu faço-me atraente
Entranço de ouro e azul a minha trança
Aponto a minha alma para a esperança

E ninguém repara
Ninguém me sente
E ninguém pressinto vir
Para ficar de mãos unidas
Até à noite

Até à noite...

Tecedeira eterna e hábil
A tecer-nos o açoite
                                inexorável

Sobre o poente
      - as nuvens -

Chove logo
         ou amanhã

Também
         ninguém
- Ninguém virá -

E morre como o sol
O meu fraterno abraço
E meus braços inúteis
Pouso no regaço 


E quem assim escreve não é gága.