quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ISABEL PESSÔA-LOPES PASSOU POR CÁ

Sabendo-me em  Afife (Dupla dádiva divina, pois sou de Areosa e resido em Afife, sendo esta o meu coração a outra é o meu sangue), recebi de Isabel Pessôa-Lopes a seguinte mensagem:


"Reparei agora que se encontra em Afife e gostaria de consigo partilhar que também por aí passei aquando da minha "MEGA-Epopeia" (to say the least... ;- ) no dia 1 de Setembro !
Depois de ter saído do Farol de V. R. Sto António no dia 23 de Julho, completara nesse mesmíssimo dia a extensa Linha da Raia... e estava de volta ao Mar !
Almoçara em Caminha... e também ficara encantada com Moledo...
Vinha da praia de Âncora e ao chegar a Afife atravessei a estrada principal para ir tomar 1 galão e uns donuts... na estação de serviço.
Falei com a menina da cx e depois fui ao micro-mercado (da D. Catarina?) ao lado do Restaurante. Abasteci-me de mantimentos para o improviso de jantar+peq. almoço (vendeu-me o último pão), atravessei a linha de comboio e de novo a estrada principal e continuei pelos caminhos de terra.
Era dia de caça... e os caçadores+seus cães 'ladraram-me' para (com +segurança das balas) prosseguir... pelo milheiral (então mais alto do que eu - com uma mochila às costas...) pelo que, ao pôr-do-sol e "entre tanto mato", perdi várias vezes o meu destino de meu horizonte visual... mas assim que o Sol se pôs, acendeu-se a luz do Farol de Montedor - minha morada privilegiada para mais uma pernoita de fadiga :-)

Acredite, há dias cansativamente belos..."

Unquote

Meus comentários:

Passou por cá sem ser notada. De Nuno Ferreira tenho uma referência. O meu amigo Ernesto do Paço de Carrêço interceptou-o na sua passagem.

Em Afife a Isabel, quando atravessou a linha, foi ter ao mercadinho da MARIANA que tem o mesmo nome do Restaurante, da mesma gente afinal! O tal restaurante dos roteiros e do robalo nas algas!

Mas antes passou, tinha que passar, o Rio de Cabanas, aquele mesmo rio que passa pela magnólia e  tantas vezes viu Pedro Homem de Mello, escrever na sua varanda e dançar e cantar nas suas margens.

Depois no caminho para o Farol de Montedor terá perdido visitar o Forte de Paçô, igual ao do Cão mas num recanto de praia menos agreste.

No caminho para Viana, ao passar em Areosa, passou o Rio do Pégo, mais importante para mim que o Amazonas, que não conheço e também porque foi lá que aprendi a nadar!

Por fim pode estar certa que acredito que há dias cansativamente belos. Tanto que nem penso nisso no meu dia a dia!

Por este pequeno pedaço de terra percorrida, escondem-se da nossa indiferença, fazendo cegos nossos olhos distraídos, lugares, auroras e poentes tão belos que, decerto condescendentemente, vão observando o nosso  mesquinho alheamento.
E digo Santa Trega, monte galego que do seu alto é capaz de descrever passo a passo o caminho da Isabel desde a foz do Minho até Montedor. Aqui entre pedras e mato espreitam-se os poentes que fazem com que o mar da dor arda. Também há a veiga; Afife, Carrêço, Areosa e do Calvo, de onde tudo isto se avista, fico a pensar no esforço de gerações e gerações para que, aquilo que ainda não foi estragado, chegasse aos meus olhos. Para lá disto o Mar sempre o Mar. Tanto o da Senhora da Bonança como o da Senhora da Agonia. É o mesmo!

Nómadas?
- Apenas quem,  sem destino ou com algum, que, vá lá saber-se porquê, resolveu percorrer o mundo a pé, sem fazer contas ao cansaço, passou à nossa porta.
Talvez à procura do belo que nós e outros não vemos ou nos recusamos a dar por ela!

Cumprimentos
Lopesdareosa

domingo, 4 de dezembro de 2011

AMÁLIA RODRIGUES E CUCO SANCHES

OU A CONTINUAÇÃO DO FADO COM MARIACHI.

Dos tempos de ouro da canção Mexicana os compositores de "corridos" faziam corridas a ver quem criava a melhor canção. Depois os "Charros", todos eles, a repetiam a ver quem a cantava mais bem.
Havia os autores que também cantavam. Desses José Alfredo Jimenez e Cuco Sanchez.

De Cuco Sanchez dois temas, um FALLASTE CORAZÓN -
 http://www.youtube.com/watch?v=baPb_VspRAU
http://www.youtube.com/watch?v=baPb_VspRAU&feature=related

A mesma coisa por ELVIRA QUINTANA
http://www.youtube.com/watch?v=El2M9-W8MFU&feature=related

Comparem com a versão de Amália
http://www.youtube.com/watch?v=dENtcLFqlOk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6I8EQtBAwP0&feature=related


e o outro

Grítenme Piedras del Campo -  Cuco Sanches
http://www.youtube.com/watch?v=fSKFpj-zbRg&feature=related


A mesma coisa  na voz de Amália!
http://www.youtube.com/watch?v=enlPLaY_tzs


Barros Lopes
Afife

sábado, 3 de dezembro de 2011

GORRIONCILLO PETCHO AMARILLO

Era minha intenção colar aqui dois vídeos.
Um da Amália a cantar Gorrioncillo Petcho Amarillo e outro de Miguel Aceves Mejia interpretando o mesmo tema. Isto para mostrar a tal ligação do Fado aos Mariachis.

http://www.youtube.com/watch?v=yJjw5Or4XUc&feature=related  - Amália

http://www.youtube.com/watch?v=3P8ajObPQhg&feature=related  - Miguel Aceves Mejia

Como o raio da maquineta não me deixa ficam os respectivos links para o Youtube.
É para realçar a espantosa capacidade que Amália tinha de cambiar de ambiente.

Já agora se forem a
http://www.youtube.com/watch?v=REBZ63xiorQ&feature=related  - desta vez é a de António Aguilar

e digam lá se Amália não se batia com os melhores!

( Gorrioncillo Petcho Amarillo de Tomás Mendez Sosa)
Barros Lopes
Afife

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

FADO E MARIACHI

Por estes dias não se fala de outra coisa. O Fado - Património mundial.
Mas poucos noticiam que não só o Fado foi proclamado!
Foi e foi com
. Os grupos Mariachis, do México,
- A peregrinação a um santuário inca do Peru;
- O Yaokwa rirual dos enawenê-nawê, povo indígena brasileiro de Mato Grosso.
- O saber dos xamãs de Yuruparí, na Amazônia colombiana;
- Um ritual agrícola de replantação de arroz que se realiza em Hiroshima, no Japão;
- Uma procissão de cavaleiros que se realiza na República Tcheca;
 - E  um  teatro tradicional de sombras chinês.

Particularizando o caso dos Mariachis Mexicanos, é interessante falar no cruzamento destes com o Fado.
E teríamos que coleccionar as digressões de Amália pelo México cantando rancheras. Surpreendentemente
não encontrei no Youtube, vídeos dessas actuações.
Mas ficaram outros testemunhos.
Amália no México, conheceu decerto Pedro Infante, Jorge Negrete, Miguel Aceves Mejia e Pedro Vargas.
Pedro Vargas aliás que tinha no seu repertório precisamente a LISBOA ANTIGA. Tê-la-há escutado na voz de Amália.

Vamos agora comparar com o original de Amélia. Como o raio do sistema não carrega mais um vídeo vou dar a volta ao sistema e abrir novo texto. Até já! Mas se clicar aqui vai lá ter!

O curioso é que todos os grupos de música tradicional mexicana que, ano sim ano não, vêm ao Festival Internacional de Folclore emViana do Castelo, todos eles, tocam LISBOA ANTIGA e sabem do que se trata!

Barros Lopes
Afife

domingo, 20 de novembro de 2011

ISABEL PESSÔA-LOPES e NUNO FERREIRA





Estas duas figuras de quem, na net, lhes roubei a imagem, têm uma coisa em comum.

Ambos, sem utilizarem isso como figura de estilo, puseram os pés ao caminho e percorreram Portugal.

Ou seja, fizeram aquilo que eu faria se me pudesse ausentar, do meu arraial, por períodos longos.

Uma foi e vai contando a sua experiência. O outro escreveu um livro -  PORTUGAL A PÉ.

Muito gostaria que tanto a Isabel como o Nuno, se algum dia este sítio virem, me enviassem a resposta a uma pergunta muito simples que, depois desse percorrido, lhes coloco agora:

- Acham que os nossos governantes têm alguma noção do que Portugal seja????

TONE DO MOLEIRO NOVO

NOTA POSTERIOR (já em 22 de Novembro)
De Isabel Pessôa-Lopes recebi a seguinte resposta que vai aqui posta dado que não consigo explicar como diabo não posso comentar os comentários, dificuldade que afinal impediu a autora de se expressar por essa mesma via. Milagres ao contrário. Pelos vistos!

Caríssimo António Lopes:

Resido no estrangeiro desde 1991 mas do que SEMPRE fui lendo/registando à distância...
e agora escutado/conversado/apreendido OLHOS NOS OLHOS,
de povoação em (des)povoação, com centenas de 'ilustres desconhecid@s' (i.e. noss@s conterrâne@s),
uma coisa é certa
:
faria toda a diferença (para melhor!) se @s nosso@s governantes eleitos por 'Ecce Povo' fossem (também) percorrer/observar Portugal (in situ e de viva voz) ... nem que de limusine aí se deslocassem (!) pois prefiro acreditar que tanta negligência governativa se deva a mera ignorância/desconhecimento (facilmente reparável)
e não a incompetência profissional (eleitoralmente cobrável) ou a estupidez pura e simples (dificilmente contornável ou tão pouco aceitável) !!

Mais acrescento que
se algum dia na vida as Pessoas se candidatarem a posições de governância para SERVIREM o país onde nasceram então SIM, interromperei quaisquer das minhas aventuras para lhes CONFIAR o meu voto na urna.


Bem Haja por suas palavras ainda que (advirto) sómente os serões d'Inverno à lareira com @s Amig@s/Familiares me permitirão contar/partilhar VERDADEIRAMENTE o que reflecti/vivenciei ao percorrer a pé e em 80 dias os (Mundos que existem ao longo dos) Pontos Fronteiríços Marítimos (Fortes/Faróis/Cabos de Mar) Terrestres (Castelos/Fortalezas/Linha da Raia) de Portugal Continental ! ;-)

ISABEL PESSÔA-LOPES

postscriptum:
Recomendo a leitura do Livro de Nuno Ferreira (lançamento: Dez 2011)
http://www.rdj.pt/portugalape/
e das suas Crónicas (que tanto me animaram aquando da minha Mega-Maratona)
http://www.cafeportugal.net/pages/dossier_artigo.aspx?id=2247
bem como a sua Crónica a respeito do meu 'solo'
http://www.cafeportugal.net/pages/dossier_artigo.aspx?id=4051

UNQUOTE

Quanto ao comentário de Nuno Ferreira só tenho duas coisas a dizer.

- TAMBÉM  EU!
- TAMBÉM  EU!

Lopesdareosa

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

TOTORE CHESSA

Encontrei-o em Arsèguel.

Na actuação de Totore em palco estive sentado à sua beira.

Ouvi e vi pela primeira vez como se toca o organetto na Sardenha.

Tinha casado nesse ano e ofereceu a todos, no almoço, vinho do seu casamento.

Tocava uma Castagnari. Deixou que eu pegasse nela. Afinal igualzinha ás nossas concertinas na afinação.

A música é que é diferente.

Fica aqui a sua arte que me pôs de boca aberta então.





 
Tone do Moleiro Novo muito pequeno face ao mundo.

domingo, 6 de novembro de 2011

MÉXICO LINDO E QUERIDO

ALMA MEXICANA


Das Rancheras, dos Corridos, das intermináveis mañanitas, das canciones que cantabam sempre um qualquer desprendido voluntário para matar ou morrer, por uma causa, por uma revolução, por uma traição, por uma discusão de cantina no meio de parrandas e borracheras.

Mataram Zapata. Mataram Villa. Fuzilaram Argumedo. Domesticaram a revolução. Já se foram ao Campo Santo os que a cantavam. Negrete, Infante, Aguilar, Mejia e outros.

Ficou o perfume das cavalgadas.

E ficou o cheiro a pólvora. Não só o da balacera em dias de celebração da independência!

Para que não se olvidassem os bons velhos tempos da revolução, dos charros, das cananas atravessadas na cintura ou no peito, os nossos irmãos mexicanos arranjaram outro motivo  para continuar a saga das guitarras que choram à meia noite, dos violinos que choram igual, das trompetas que gritam e das caixas que imitam as ráfagas das metralletas.

Porque sempre choraram a cantar e cantam a chorar, tinham que arranjar um motivo. Continuam a matar-se uns aos outros, agora por causa do narcotráfico.  Os sítios são os mesmos. Tijuana. Sinaloa, Chihuahua. Durango do Romance de Bob Dilan.

Pelo meio, metralhados, ficam os protagonistas. Criminosos perante a lei,  heróis na lenda, cantados por outros tantos famosos por isso mesmo.

No descritivo da tragédia há uma certa semelhança com os nossos trovadores de feira que não há muito tempo cantavam por aí, ou pelas esquinas, as desgraças próprias ou alheias, distribuindo a troco de uma migalha o impresso da história contada.

Hoje o que se vende são CDs que com outras modernas tecnologias vão dando bom dinheiro a quem disso vive e à custa de situações que a outros, mais directamente afectados, só dão lágrimas e sofrimento.

No entanto fica sempre aquela facilidade singela e quase comovente que a alma mexicana tem em transmitir sentimentos.

Aqui neste corrido LA VIDA DE CHUY E MAURICIO,  El Potro de Sinaloa segue e acaba a narrativa de uma forma exemplar e bem mexicana.

Si en vida fuimos alegres

brindemos por los recuerdos



Vai assim:

 


Estado de Sinaloa

fue en el rancho de El Chilar

nacieron Chuy y Mauricio

no imaginen es verdad

haya entre cerros y arroyos

sembraban pa cosechar.


Los invadia la pobreza

sufrimientos mas y mas

la luna en la madrugada

los miraban caminar

el sol llegaba y se iba

como los hacia sudar.



Para cerrar la jornada

la lluvia debia empapar

sombrero ropa y huaraches

se tenian que reventar

pisando lodo entre montes

y el frio se lucia mas.



Parecia manto de estrellas

el que la noche alumbraba

testigos de Chuy y Mauricio

que muy tristes se marchaban

despues los vi por Tijuana

 y tambien por Ensenada.



El Chilar se encuentra triste

porque ya no regresaron

Ajoya y El Platanar

La Caña y todos los ranchos

y el puente de San Ignacio

ya jamas los ha mirado.



Llegaron a california

con Alvaro trabajaron

el destino y un traidor

sus ilusiones truncaran

hay un corrido que cuenta

el desenlace del drama.

 
 

Fue en un carro de la Chrysler

un automóvil 300.

Se subió Chuy y Mauricio

felices y muy contentos.

Cómo iban a imaginarse

que los bajarían ya muertos.



Fueron 400 libras

de mota que habían soltado,

qué jugada del destino

miren cómo les pagaron.

Le dieron raite al contrario

y les pagó con balazos.



En el asiento de atrás

ya la muerte iba planeando,

quedarse con el dinero

y decidió asesinarlos.

Chuy quedó al lado derecho

y Mauricio al otro lado.


Otra tumba en San Ignacio

y dos familias llorando.

Faltan dos admiradores

a Canelos de Durango.

En bromas y borracheras,

Alvaro los ha extrañado.



Rancho El Chilar, Sinaloa

ya no volverás a verlos.

Que toquen Vida Mafiosa

el grupo de Los Canelos

Si en vida fuimos alegres

brindemos por los recuerdos.


http://www.youtube.com/watch?v=a0ZibvwIHTU

http://www.youtube.com/watch?v=wOGU3rv4yNc



VIVA MÉXICO E O YOUTUBE TAMBÉM

Tone do Moleiro Novo