terça-feira, 11 de outubro de 2011

VANDERUCU

Vem referido no texto anterior.
Fica em Espanha lá prós lados de Málaga.

Quem estiver interessado pode dizer que vai a Torremolinos e depois, como quem não quer a coisa, dá uma saltada até lá!

(TAMENDUCU, outro sítio onde o vento faz a curva, fica em Marrocos)
Lopesdareosa
Afife

ONDE O VENTO FAZ A CURVA

É muito longe mas pode ser bem perto!
O meu amigo Óscar, do Vale do Âncora, disse-me que fica para os lados de dentro. Em Santo Emilião.
Entre a Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho.
Cá por mim é em Areosa. mais precisamente em Além-do-Rio. Pelo lado do Sul da Casa do Moleiro Novo, no Covelo, construíram um prédio de quatro andares. O vento Norte lá bate e deriva. Só espero que um dia venha a suceder ao do Coutinho quando este for abaixo. A Câmara é a mesma!

Este texto está em construção.
Aceitam-se informações sobre outros locais onde o vento faz a curva.
(Serão inúteis as dicas sobre os quintos do caralho mais velho,  cú de judas, fim do mundo, lá onde os mouros guardam a inteligência, côna da mãe joana, cascos de caralho, Fonte Seca, Limites de Vanderucu e outros, pois estes toda a gente conhece)   


Tone do Moleiro Novo
Areosa

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

GUARIN























Este é um sombrero voltiao, típico colombiano. O mesmo tipo do que usa o Egídio Cuadrado ao lado de Shakira. (Ver http://lopesdareosa.blogspot.com/2011/09/shakira-e-o-acordeonero.html )
E é por isso que Guarin festejou com um parecido o seu segundo golo contra o Marítimo na época passada.
Tal e qual o sombrero, Guarin é também Colombiano!

LOPESDAREOSA

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

LA GOTA FRIA

LOURENÇO MORALES e EMILIANO ZULETA

1

Já que estamos em maré de Vallenato, agora, com a Net, há informação que chegue. No entanto certos pormenores são tanto mais surpreendentes quanto se pode conjugar essa mesma informação.
Vallenato vem de Valldupar uma cidade Colombiana na Província de César nas fraldas da Serra Nevada tendo a Oeste o Mar Caribe e a Este o lago de Maracaibo e o golfo da Venezuela. E já surpreendente é o facto de por lá terem adoptado o acordion diatónico exactamente da mesma forma que nós adoptamos a concertina que, para nós, é a mesma coisa. Mal acomparado poder-se-ía dizer que Valledupar é a Ponte de Lima lá do sítio. E lá nasceu um tipo de música a que chamam Vallenato. É um símbolo Colombiano. É tão importante que todos os anos se realiza, nos fins de Abril, um Festival de Música Vallenata onde se enfrentam os melhores acordeoneros.
Eles próprios dizem AQUI NASCEM LAS CANCIONES.

Tocadores, accordeoneros, pelas festas e romarias e outras parrandas entram em despique tanto na música como no canto. Cultivam o "desafio" a que chamam "Piquerias". Todo esse ambiente campesino está tão arreigado que de uma autêntica cultura se trata. E o confronto e a procura da excelência entrou na lenda e contam que um dia um tal Francisco "El hombre" tocador exímio e melhor cantador, enfrentou o próprio diabo que numa noite quis competir com ele na melhor música, na melhor canção. E Francisco "El hombre" levou a melhor sobre o diabo cantando o credo ao revés. É espantosa a semelhamça com a  o "imaginário" da nossa tradição pois que os nossos cantadores ao desafio enfrentam sempre um parceiro, talvez o diabo, que tenta levar-lhes a palma. No que  o nosso herói sabe trocar as voltas ao dito cujo e ficar por cima. Tantas vezes ví isso acontecer com o Delfim.
Ora a lenda de Francisco "El Hombre" está tão no cerne daquela gente que o próprio Gabriel Garcia Marques a ela se referiu no seu "Cem anos de Solidão".
Simbolizando todos os acordeonero tem a figura no entanto correspondência a alguma factualidade dado que muitos a identificam com personagens reais como Francisco Mascote ou principalmente com Francisco Rada, este, que teria sido  um dos primeiros acordeoneros nos primórdios do aparecimento deste estilo de música.
Os tempos foram passando e a figura do tocador foi-se enraizando nesse ambiente rural. E lá como cá foram surgindo os grandes tocadores e cantadores, ídolos de todos os zés das pinguinhas locais. Até que por volta de 1938 se enfrentavam por aquelas bandas dois "mestres" nessas artes. Um chamava-se Emiliano Zuleta, o outro Lourenço Morales. Qualquer coisa parecida com o velho Cachadinha e o Nelson de Covas. Certo dia, em Urumita, na festa lá do sítio, deveria aparecer o tal Lourenço Morales como era costume. No entanto este ao saber que lá estaria Emiliano Zuleta deu uma desculpa esfarrapara e não apareceu na festa.
( A verdade dos acontecimentos não é esta e está contada pelos próprios no último vídeo deste texto.)
Emiliano Zuleta compôs então a "Gota Fria" tema espantoso que fazendo metáfora com o fenómeno metereológico e castigo de criminosos, retratou de tal maneira o comportamento de Morales que se tornou, aliado a uma música inconfundível, como que um segundo hino da Colômbia e vai assim:

Acordate Moralito de aquel día
que estuviste en Urumita y no quisiste hacer parranda
Te fuiste de mañanita sería de la misma rabia
Te fuiste de mañanita sería de la misma rabia


En mis notas soy extenso
a mi nadie me corrige
En mis notas soy extenso
a mi nadie me corrige
para tocar con Lorenzo
mañana sábado, dia de la Virgen
para tocar con Lorenzo
mañana sábado, dia de la Virgen


Me lleva él o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina
Me lleva él o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina
Ay ! Morales a mi no me lleva
porque no me da la gana
Moralito a mi no me lleva
porque no me da la gana


Que cultura, que cultura va a tener
un indio chumeca como Lorenzo Morales
que cultura va a tener
si nació en los cardonales
que cultura va a tener
si nació en los cardonales


Me lleva él o me lo llevo yo...


Morales mienta a mi mama
solamente pa' ofender;
Morales mienta a mi mama
solamente pa' ofender,
para que él también se ofenda,


... ahora le miento la de él,


para que él también se ofenda,


... ahora le miento la de él.


Me lleva él o me lo llevo yo...


Yo tengo un recado grosero
para Lorenzo Miguel
Yo tengo un recado grosero
para Lorenzo Miguel
que él me trató de embustero a mi
si más embustero es él
que él me trató de embustero
si más embustero es él


Hey jefa eso me lo llevo
pa' que se acabe la vaina
me lleva él o me lo llevo yo
pa' que se acabe la vaina
Ay ! Morales a mi no me lleva
porque no me da la gana
Moralito a mi no me lleva
porque no me da la gana


Me le dicen me le dicen a Morales
que estuviste en Urumita y nada hubo
por eso es que a mi me dicen
que fue miedo que me tuvo
como que lo puyé duro
cuando  tuvo que salirse

Me le dice me le dicen a Morales
que abandone el acordeón por siete meses
que Emiliano lo abandona un año largo
y conmigo Moralito pierde siempre
y lo digo alante de la gente
pa´que se ponga más bravo



Moralito, Moralito se creia
que él a mi, que él a mi me iba a ganar
y cuando me oyó tocar
le cayo la gota fría,
y cuando me oyó cantar
le cayo la gota fría.
al cabo él la compartía
y el tiro le salió mal
al cabo él la compartía
el tiro le salió mal ...

Depois dessa epopeia o tema teve um sucesso  de tal ordem que, durante dezenas de anos foi cantado e gravado por outras tantas dezenas de intérpretes. Mesmo aquí em Portugal, quando na rua encontrávamos aqueles grupos andinos era certo e sabido de tocariam o GOTA FRIA. Ouvi esse tema nas ruas de Viana e no Porto.
Até que em 1993, Carlos Vives, um meio baladeiro/meio roqueiro e actor de telenovelas, lançou um CD intitulado "Clássicos da Província" interpretando entre outros temas de diversos acordeoneros Vallenatos, uma versão estilizada da GOTA FRIA que fez sucesso nas discotecas de todo o mundo.
O próprio Júlio Eglésias tem uma versão do tema que não passa de um decalque da  de Carlos Vives.

E agora vem o tal milagre do you tube.
É que alguém lá colocou o próprio EMILIANO ZULETA a tocar a sua GOTA FRIA
http://www.youtube.com/watch?v=zsobg5OqQJo

Mas mais espantoso ainda é que mais recentemente alguém promoveu um encontro entre Zuleta e Morales deixando o mesmo para a posteridade num documento tanto histórico como comovente. Emiliano Zuleta morreu em 2005. Lourenço Morales, este ano em Agosto
http://www.youtube.com/watch?v=G4iJnAJTGgY&feature=related

Por fim e para quem se dê à pachorra, é reparar como estes dois tocavam el acordeon. Muito longe do sofisticado das versões comerciais mas num estilo inimitável porque único.

Outra preciosidade!
A história da GOTA FRIA contada pelos próprios intervenientes. Pormenor inimaginável. Testemunham que se deslocavam em animales ou seja de burro e o próprio vídeo mostra um exemplo.
Igual aos tempos em que o Nelson de Covas se deslocava na sua jóquina sempre tocando!
http://www.youtube.com/watch?v=CtWVpEMe7vg&feature=related


LOPESDAREOSA
(Com um grande abraço ao António Rivas Padilla que me abriu os olhos para o Vallenato. Também para todo os acordeoneros colombianos que possam ler estas linhas com a promessa de que, um dia, irei ás festas da Virgem do Rosário)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SHAKIRA E O ACORDEONERO



Afinal o que é que faz Shakira com um tocador de "concertina" a seu lado???

Pois é!
A questão é que o tal tocador se chama Egidio Cuadrado. É colombiano, foi Rei do Vallenato em Valledupar em 1973 na categoria de aficcionado e em 1985 na categoria de profissional.

Toca num acordeon Honner Corona II (e III) igualzinho aos nossos. Há mais de vinte anos que acompanha Carlos Vives.

A diferença é que nós tocamos Viras, Chulas e Canas Verdes. Na Colombia tocam Puyas, Merengues, Cumbias e Passeos.
Se quizerem ver e ouvir a diferença vão ao vídeo.
http://www.youtube.com/watch?v=MWlhkUlY0Cg

(e reparem na diferença da técnica do tocador.)

Trata-se de uma interpretação, com Carlos Vives, da Gota Fria de Emiliano Zuleta num festival, em Letícia,
em Julho de 2008  "Libérenlos ya" de apoio a todos os sequestrados.


Quem já  ouviu e viu  a música tradicional colombiana tocada e dançada pelos da "província" e tem notícias de Barranquilha, compreende de onde veio e porque é que Shakira é Shakira!

LOPESDAREOSA

domingo, 11 de setembro de 2011

PONTE DE LIMA

PONTE DE LIMA



Adeus Ó ponte de Lima
Adeus Largo de Camões
Foi aqui que se encontraram
Os nossos dois corações

Adeus Ó ponte de Lima
Adeus largo de Camões
Adeus tigela de Vinho
Adeus prato de rojões

Quem não foi às Feiras Novas de Ponte?

Não há festas como as da Nossa Senhora das Feiras Novas. Lá dizia o meu amigo Camelo.

Quem não passou as noites de Sábado, de Domingo e de Segunda no Largo de Camões?

Quem não sentiu sortilégio do fogo e da música das orquestras Galegas?

Quem não sentiu a magia dessas noites que parecem ter menos horas ?

Quem não viveu os cambiantes que apenas se podem encontrar numa noite de romaria no Alto Minho?

Eu uma vez fui a Ponte. Dei comigo na alameda junto ao Rio.
Lembrei-me duma quadra da autoria do meu amigo Mário Caldeira Pedra também ele do Lima apaixonado.



“Se o Lima Secasse um dia
como fonte que morreu
outro rio correria
dos olhos que Deus me deu”


RIO LIMA

Meu amor para te ver
eu subi o Rio Lima
ao som desta concertina
até ao amanhecer
eu ao Rio fui beber
aquilo que não sabia
e senti que ficaria
mais vazio desde então
de luto o meu coração
se o Lima secasse um dia

mas sem contar, de repente
( no Outono o frio já corta)
numa carícia já morta
tu me deste um beijo ausente
e a terra confidente
debaixo de mim tremeu
tu disseste o que eu
se pudera não ouvira
que o teu amor acabara
como fonte que morreu

Perguntei então e eu?
que vou fazer ao que eu sinto
vou fechá-lo num recinto
à espera que tudo acabe?
que mais cedo ou que mais tarde
disseste que assim seria
que eu também te esqueceria
disseste na despedida
que ainda na minha vida
outro rio correria

Mas o Rio é sempre igual
nem sequer as pedras mudam
e sempre que as águas subam
me há-de lembrar afinal
pra meu bem ou pra meu mal
tudo o que me aconteceu
enfim o lugar que é teu
ficará no pensamento
e verás constrangimento
nos olhos que Deus me deu

(Publicado na A AURORA DO LIMA em 21-12-83)

Lopesdareosa

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MAR DE GONTINHÃES, MAR DE ÂNCORA, MAR DE AFIFE, MAR DE CARREÇO, MAR DE AREOSA.

MAR DE GONTINHÃES *

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Naquele ano o acaso do momento fez-nos contemplar a procissão, das Festas de Nossa Senhora da Bonança, ao mar. Os barcos saíram do Portinho dirigiram-se à Foz do Minho. Foram a Caminha tomar conta da imagem de Santa Maria da Ínsua. Engrossados pelos de Caminha.


Passaram a  Ínsua e rumaram ao Sul. 









Voltaram ao Portinho junto ao Forte da Lagarteira e em frente ao ZÉ VIANEZ.


À nossa frente

o Mar, de inveja da côr das tuas lágrimas, vinha morrer no areal mesmo alí ao pé de nós e, num milagre antecipado de Nossa Senhora da Bonança, aquietava-se até ao horizonte.

Num derradeiro assomo inundou os meus olhos. Mas entendi então a razão de tal sossego. O Mar quis aperceber-se das tuas palavras.

-  Que se passa?

         -  Nada que a música não resolva!
                                                                ( respondí)

               - Nada que a poesia não resolva!
                                                                ( deste de troco)
                     
E talvez! ( esqueci-me de dizer)


    Afinal o Mar é sempre o mesmo!

Lopesdareosa