quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A MUIÑEIRA DE SANTO AMARO

 Ouvir os Galegos faz-me chorar!
Espectador da TV Galiza dei por um programa chamado Alalá.
Qual não foi a minha surpresa de ver um grupo, que desconhecia, interpretar, numa taberna, a MUIÑEIRA DE SANTO AMARO, tema que também desconhecia. Maior surpresa por me aperceber, no meio do coro dos presentes, do TINO BAZ da Guarda. É o de boina com um lenço ao pescoço. Mais tarde em Gondomar assistí a uma actuação dos TREIXADURA finda a qual o seu leader me informou que tinha conhecido o TINO BAZ nas Festas do Monte em 1999, exactamente o mesmo ano em que lá estive e quando também encontrei o TINO pela primeira vez. Desse conhecimento se explica o convite ao TINO para estar presente no coro desta gravação.
Santo Amaro é em Janeiro. O de CAMPOSANCOS também. Por isso, pelo lacón con grelos e pelo vinho que me ofereceram este ano em Santa Trega, vou lá estar, no ano que vem, no dia 15. Também para ouvir tocat e cantar a muinheira.

LOPESDAREOSA

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A LEI DO BICO DO ÚBERE

"EUA: lei do teto da dívida aprovada por 269 votos"
Ver em
http://aeiou.expresso.pt/eua-lei-do-teto-da-divida-aprovada-por-269-votos=f665623

Afinal o AO faz maravilhas.
Bem, o acordo ortográfico tem destas coisas!
Desta vez acertou em cheio!

Lei do teto da dívida aprovada por 269 votos!
De facto ( e quase todos de fato) os americanos aprovaram a lei do bico do úbere onde irão mamar para pagar o que devem!

lopesdareosa

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

FRANCISCO PIRES ZINÃO

PENSAMENTOS  DO  AUCTOR

(O Zinão se visse o Acordo Ortográfico, rebolava-se como o jumento.)

Farto-me de imaginar.
Nas desgraças deste mundo
cada vez mais me confundo
E nada posso alinhavar!
Dizer que se hão de encontrar
Homens finos e de letras
Na relação dos patetas
E padres de sabedoria
Com a mesma sympatia
Eu não creio nessas tretas

Por mais que o desengano
Não se hão de capacitar
Por força hão de procurar
Livros de S. Cipriano!
Pois neste mundo tyranno
D'estes patetas tem tantos
Por essas minas d'encantos!
Já tem o mundo furado
E não se tem desenganado
pedindo a todos os Santos

Não tem achado um pataco
Mas dão cabo do que tem
Sempre a pensar que vão bem,
É d'um homem dar cavaco,
Por abrir tanto buraco,
Bebem água sempre, sempre,
E só o dão de presente
Ás sábias pr'adivinhar
Pelos montes sempre a andar
Sem achar ingrediente.

São uns parvos em teimar
Que ninguém os acaduma
Querem grilos da fortuna
Custem quanto lhes custar
Andam-nos a procurar
Por Galliza e Portugal
Quem engana um animal
D'esses deve ser premiado
Alguns dizem que é roubado
Eu digo que não há tal

Temos a nosso favor
A grande lei dos Romanos
Que só castiga os tyrannos
Que vão roubar em rigor;
Que aquele malfeitor
Que rouba em qualquer estrada
Ou que rouba de manada
Contra o gosto do roubado
Esse sim, é castigado
Pela lei determinada

Porém, o que tem roubado
Por indústria ou por arte
Sendo com gosto da parte
Esse não é castigado
Antes 'inda é premiado
Ou com muito, ou com pouco
Contrataram um com outro
É de lei esse contracto
Se no fim se vê roubado,
Vá aprender não seja louco.

Dizem que a usura é pecado
Eu digo que tal não há
Se não querem não vão lá
Pois ninguém é obrigado
Eu cá tenho bem guardado
O dinheiro que lhe dou
E ninguém os obrigou
Se pois querem florear
Porque lhe hão de pagar
Aquilo que se tratou?

As leis do juro antigo
Confesso que fosse bem
Que se dava um vintém
Por cada alqueire de trigo;
N'este tempo que estou vivo,
Já o vendi a quartinho;
Para que hei de dar caminho
De quatro mil e oitocentos
P'ra receber rendimentos
De tres quartilhos de vinho?

E para mais hei-de esperar
Um anno por esse pouco
É d'um homen se por louco
E depois ir-se enforcar;
Porém quem se quizer salvar
diz que assim há-de fazer
Eu não o espero de ter
Nem tão pouco de o dar
Antes o irei tomar
Se alguém o quizer perder.


OU SEJA; DIFERENTE DO TEMPO DO ZINÃO, SÓ MESMO O AO!

Lopesdareosa

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O POETA ZINÃO

Nasceu em Carreço, dizem os biógrafos e o próprio o atesta:

FUI NASCIDO EM CARREÇO
NO DISTRITO DE VIANNA
FUI TRASTE DE GRANDE FAMA
MAS DE BEM PEQUENO PREÇO

certo é que da casa ainda existe o sítio. E na oralidade - era a Casa do Zinão. Viveu em Campos. Frequentou Valença.
Aí foi protagonista de uma situação que nem ao diabo lembraria.
Soldado na guarnição, cruzara-se com uma louceira que, num burro, transportava uma carga para a feira.
Disse à moça que tinha uma noticia  a dar ao burro. Aproximando-se da orelha deste atirou-lhe com uma purisca lá para dentro. O burro escouceou, aos saltos, estatelou-se e partiu a louça toda. A rapariga foi fazer
queixa do Zinão ao comandante. Este perguntou ao Zinão o que é que tinha acontecido.
- Meu comandante eu apenas lhe disse que, na terra, lhe tinha morrido o pai!
E que o burro se tinha desesperado!

Bem o melhor é seguir o relato do próprio Zinão.

HISTÓRIA  DA  LOUCEIRA  E  DA  BURRA

Algum dia fui soldado
Cheguei a cabo d'esquadra
Também fiz a minha guarda
Lá para onde era mandado:
Estava um dia assentado
Em Valença na C'roada
Para ver quando entrava
Alguma moça na Praça
E dizer-lhe alguma graça
Assim o tempo passava

Vi então que vinha entrando
Por aquelas portas dentro;
A çouceira e um jumento;
Puz-me a pé; fui-me chegando
Co'a moça conversando
Seriamente e sisudo,
Disse-lhe no fim de tudo,
"Que mais lhe havia de querer,
Se me deixasse dizer
Um segredo ao seu burro."

Respondeu logo a louceira
Junta com outra mulher
"Diga lá quantos quizer
Pode dizer quantos queira;"
Então cheguei-me à orelha
Do nosso amigo jumento
E fumando ao mesmo tempo
Segredo nunhum lhe disse
Mas sem que ela me visse
Deitei-lhe o cigarro dentro.

Deita-se o burro no chão
Com o cigarro na orelha
A moça fez-se vermelha
Gritando contra o Zinão;
Logo nessa ocasião
Chega alí ao mesmo tempo
O major do regimento
E vendo a Moça a gritar
Foi-lhe logo perguntar
" Quem lhe fez mal ao Jumento?"

A Moça lhe respondeu
promptamente alli assim
Apontando para mim
disse ao Majos que fui eu
Elle então bem conheceu
Que eram coisas do Zinão
Perguntou-me com razão
Que fiz ao burro da moça
Que o contasse por força
Ou marchasse p'ra prisão

E eu respondi sem medo
(Com respeito ao sup'rior)
Saberá Senhor major
Que lhe não puz mão nem dedo
Eu só lhe disse um segredo
E n'aquela ocasião
Deitou-se o burro no chão
Eu só lhe disse ao ouvido
"O pae que tinha morrido"
Talvez seria paixão...

O Major queria rir
Mas à minha beira não
Lá poz os olhos no chão
E apenas o vi sorrir
A louceira entra a pedir
Paga da louça quebrada
Eu disse " que a não pagava
Que nada tinha ali assim"
O Major pagou por mim
Que depois mo descontava.

Mandou-me pr'a companhia
Logo sem mais detenção
Poré não fui p'rá prisão
Isso era o que eu queria
Não me importava que um dia
Descontasse o que pagou
Pois se a Moça o levou
Devia ser descontado
Porém o Major honrado
Nunca tal me descontou.


Esta é apenas uma apresentação. A seguir virá uma mais actual

LOPESDAREOSA

quinta-feira, 21 de julho de 2011

ACORDO ORTOGRÁFICO

Já tinha falado do assunto em
http://lopesdareosa.blogspot.com/2010/09/origem-das-especies-ou-quem-chegou.html

Mas agora, ontem mais precisamente, RUI VALENTE no Público, voltou ao tema com uma síntese lapidar:

"Sem a protecção das consoantes mudas, as vogais que as antecedem ficam expostas à erosão da oralidade.
A prazo a perseguição da miragem fonética acabará por clamar novas vítimas"

Foi na primeira classe que aprendi a ler, a escrever e a contar. Pratiquei até à quarta. Daí para a frente não tive outro patrono que não os livros e jornais a não ser quando, aos catorze anos, me deparei com o Quintas Ramos - o Esganarelo - que diziam ser filho do Vírgulas. Mas esse pouco ou nada se preocupava com regras gramaticais. Abriu-me os olhos para a literatura e daí para o humanismo em geral.

Acontece agora que tropecei na citação. E, inevitàvelmente, tropeço no AO.
Ora o que está em causa é que reinvidicando ser um acordo ortográfico, este acabará por influenciar a fonética.

Argumenta-se que acabam as consoantes mudas. E onde fica a função "disciplinadora" das mesmas?
Que eu saiba e daquilo que me ensinaram, elas servem (serviam) para indicar a quem lê que a vogal anterior é aberta.
Ou seja funciona como um sinal de trânsito que encontramos nas estradas.

Das aberrações resultantes a mais espectacular é a história do "espetador"  que com o tal AO ninguém sabe o que significa nem como se pronuncia.

ah! Há sempre os entendidos que tudo explicam e que, logo em socorro do AO de Notre Dame, justificam que a fonia dependerá, então, do sentido da frase, do contexto,  da sintaxe.

Curiosa contradição. Dirigido a um universo, maioritàriamente analfabeto, na aprendizagem, não será prioritário nas capacidades de entendimento imediato, a facilidade desta explicação:

- Olha! sempre que vejas uma consoante, que aparentemente não serve para nada, no meio de uma palavra, ela serve para te avisar que a vogal que a precede é aberta!

Muito antes de esperar que o desgraçado do aprendiz entenda o que é isso do sentido, do contexto e da sintaxe?

Daí que, como Rui Valente muito bem explicou, o AO vai, mais tarde ou mais cedo, alterar a fonia.

- ah! Mas é que a língua é uma coisa em constante mutação! - dirão os tais espertos.

- Sim! Por ela própria!
Não é necessário forçar o processo por decreto!

Depois resta o inevitável argumento farmacêutico. Antes escrevia-se pharmácia com PH e agora é farmácia com "EFE".
Mas este exemplo é precisamente aquele que justificaria, como justificou,  um acordo quanto à sua ortografia. Passando de PH para eFe facilitou-se a escrita de farmácia sem alterar a fonia.
E não é com um bom exemplo que se justificam as aberrações!

NOTA À PARTE
Acho até de uma deliciosa utilidade o facto de terem substituído o PH pelo eFe.
Um grande salto civilizacional, senão:

- Como é que eu poderia escrever que
ESTOU PHODIDO COM O ACORDO ORTOGRÁFICO,
sem escandalizar ninguém???

LOPESDAREOSA

domingo, 17 de julho de 2011

ALVARINHO OU ALBARIÑO???

SE O MAR FORA RIBEIRO TODA A XENTE SERIA MARIÑEIRO

Mais ou menos assim dizem os Galegos num dos duplos sentidos mais bem apanhados que ouvi.

Isto porque todos sabemos o que significa um pescador dizer O MAR ESTÁ UM RIO!

Mas RIBEIRO significa outra coisa e daí a riqueza do trocadilho. Era, até há bem pouco tempo, o mais popular vinho Galego. Entrava-se em qualquer tasco na Galiza e eles tinham um tinto alí  dos lados de Ribadávia que ultrapassava o nosso verde no aveludado, na maciesa e na espessura. Hoje o que se engarrafa por Orense não é nada que se pareça.
Beber vinho Ribeiro na Galiza seria mais ou menos a mesma coisa que por cá beber vinho de Perre, salvaguardadas as devidas dimensões territoriais, dado que o vinho de Perre nunca transcendeu a aldeia na sua representatividade. O grande vinho do Alto Minho sempre foi o Alvarinho.
Quanto ao vinho albariño, e vou à Galiza desde os meus quinze anos, nunca por lá ouvi falar em vinho albariño até (que) há cerca de vinte anos...

Hoje na Galiza não se fala senão no Albariño. Mas nem sempre foi assim. Há cinquenta, quarenta anos
pouca gente falava de vinho albariño na Galiza.
Alvarinho era um vinho de Monção com uma aura de preciosidade. Comercializava-se engarrafado por uma firma com o rótulo de CEPA VELHA. Ainda me recordo de ver garrafas dessas no Manel Natário em Viana. Nunca me saíram da memória pois tinham um selo feito de palha.
Depois veio a Adega Cooperativa de Monção e  a Brejoeira. Nome que lançou definitivamente o Alvarinho.
E há uma característica que o nosso Alvarinho nunca perdeu. É um vinho de encosta e interior. Não tem contacto directo com o mar. Por isso e muito bem, a sua região se limita a Monção e Melgaço. Desta forma se proteje a qualidade e do risco de se tornar um vinho vulgar.

Mas sucede que aqui ao lado temos a Galiza e os nossos irmãos Galegos, - galegos mas espertos - depois dos elogios de Cunqueiro, DEPOIS DO EXITO DO BREJOEIRA, lançaram-se no plantio intensivo da casta. E não só em microclimas semelhantes aos de Monção e Melgaço mas também e principalmente em áreas directamente influenciadas pela orla marítima como Cambados de onde dizem ser original.
E por isso até têm Albariños RIAS BAIXAS. Estes vinhos obtiveram quatro medalhas de ouro entre catorze em que as restantes foram ganhas por Alvarinhos de Monção/Melgaço no Alvarinho International Wine Challenge realizado em Melgaço no passado mês de Junho, onde também estiveram representados Alvarinhos do Alentejo e dos Estados Unidos.
Hoje, os Galegos, tomaram-nos a dianteira e o seu markting convence o mundo que o Albariño é Alvarinho.
Não sou especialista em vinhos mas não acredito que seja tão bom quanto o nosso. Que eu saiba a proximidade do mar nunca influenciou os vinhedos no sentido de melhor qualidade, Antes pelo contrário.
Pode ser que com as avançadas técnicas enólogas os provadores venham a convencer o pessoal que esse Albariño sabe a nécoras e pulpo com um leve travo final a maresia, deixando na boca, depois de bebido, um suave aroma a botelha. (não sei se estão a ver outro trocadilho!)
Ora dessa forma o que na Galiza fizeram foi vulgarizar esta casta e consequentemente vulgarizar o vinho. (Não querendo com isto dizer que não haja bons vinhos no meio disso tudo como ficou provado no tal certame de Melgaço!)

Daí que acho que do lado de cá não se deve ceder à tentação de fazer o mesmo.

Quanto aos entendidos do lado de cá ou aos ofendidos do lado de lá, que não concordem comigo, sempre lhes direi que tenham paciência.

NA GALIZA NUNCA HOUVE QUALQUER TRADIÇÃO ASSINALÁVEL DE VINHOS
ALVARINHOS.
E não foi por acaso que Afonso Castelao e o malogrado Alexandre Bóveda, dois vultos da diáspora e do nacionalismo galegos, em 1934 em A NOSA TERRA, lançaram o anátema:
"Quen en Galicia toma aperitivos alleos, auga pintada con nomes pomposos en vez do noso insuperable branco Ribeiro, é un inimigo da patria"
Ou seja para estes Galegos e em 1934, o branco Ribeiro era insuperável não aludindo evidentemente a qualquer albariño. É possivel até que, quem bebesse daquela água "pintada" com o nome de Alvarinho, fosse considerado, por estes ilustres, inimigo da Pátria Galega.

Vinho, era Ribeiro.

E se por aí houver, com a minha escrita,  alguns indignados, abespinhados, bufarinheiros  ou  outros ouriços cacheiros, não me venham chatear a pinha.
Não me vou ufanar de algum conhecimento especial, estou apenas a parafrasear;

Um outro insuspeito Galego que se chama Xavier Castro autor com outras obras sobre o vinho, editou no ano passado - Editorial Galáxia - um livro intitulado A ROSA DO VINHO. CULTURA DO VIÑO EN GALICIA. a quem lhe perguntaram a que se tinha devido a ascensão do albariño e a decadência do ribeiro como representação simbólica da Galiza.

Ora basta a pergunta para nos confirmar tudo o que eu disse anteriormente. No entanto atentem na resposta:

"Históricamente o viño mais representativo da Galiza era o do Ribeiro. Xá na Idade Média era o gran viño do país, o que se exportava a Inglaterra e outros países europeos. É o viño de que fala Cervantes em EL LICENCIADO VIDRIERA, o que bebiam os emigrantes quando sentiam morriña. Pero ai uns trinta anos começou a disputar-lhe este caracter identitário o albariño. Antes era un viño moi escasso, o dos señores dos pazos, os labregos ricos e os cregos. Pero comezou a elaborarse moi ben e a difundirse mais, e esta promoción e esa calidade promoveram a súa sona. No ribeiro tamén houbo mellora, non se me vaian enfadar, pero hai que rocoñocer que o albariño progressou mais e fixose moi popular en Galicia e fóra:
é o viño de que fala Juan Goytisolo, Vásquez Montalban..., o viño de prestixio do país."

E peço um favor aos meus amigos Galegos,

- Não venham  a dizer mal do seu conterrâneo só para me contrariarem!

Xavier Castro y Víctor Freixanes en la presentación de "La rosa del vino"
Xavier Castro à esquerda com seu livro na mão aquando da sua apresentação. Fotografia em
http://www.manuelgago.org/blog/index.php/2010/07/21/cursino-acelerado-de-cata-popular-con-xavier-castro-video/

LOPESDAREOSA

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A FOZ DO RIO MANCO

Existe mesmo. É de um afluente do Rio Minho, algures entre Valença e Monção!



Mas antes vou falar de um livro, o último ( mas não o último) livro de Adelaide Graça

"Onde os pés escrevem as pegadas do encontro"
Este título  foi retirado do próprio texto.

Se um dia for feita a sua história se saberá que era para ser intitulado A FOZ DO RIO MANCO

Adelaide Graça aventurou-se a publicar os seus escritos. Poesia ainda por cima! Pior ainda, num lirismo arrasante onde todo o seu profundo sentido da vida é mostrado, tantas vezes, em detalhes que poucos autores  se atreveriam em desvendar:

Daí que; LIMITES DA RAZÃO em 1998, QUANDO TUDO PARECE PARAR, 2002, SEM CHAVES NEM SEGREDOS, 2004, NO VÃO DA AUSÊNCIA 2006.

Depois em 2007 DO TEMPO DE QUANDO já em prosa. No entanto  as imagens, as narrativas, os contos, o rio Minho, continuam impregnados do mesmo lirismo, matriz de que Adelaide Graça não se liberta nem pode.

E essa matriz continua agora onde os pés escrevem as pegadas do encontro, que afinal  são todos os lugares de uma viagem em que o encontro é sempre o mesmo.
O Fernão Capelo Gaivota não está ali por acaso. Tanto pode significar uma partida como uma chegada.
E de uma viagem se trata, talvez duas. Talvez mais. Talvez a primeira, talvez a derradeira.
Na apresentação deste livro, em Viana, alguém disse que se tratava de uma viagem que não tinha principio nem fim.
De facto! Tenho agora a lembrança daquele filme O SENHOR DOS ANÉIS. A história afinal não é um conto mas sim uma viagem que vai sempre em frente e só tem fim porque o filme tinha que acabar em algum lado.

Ora este livro da Adelaide Graça é uma viagem que não tem fim, mas num curto-circuito que não leva Maria a lado algum a não ser ao encontro com o seu próprio destino arrastando consigo os companheiros de peregrinação.

Depois de o ler entendi que de facto bem poderia chamar-se A FOZ DO RIO MANCO.

Todos os destinos são estuários de outras tantas peregrinações.
(Os rios fazem as suas)
E quantas mazelas nos pode causar a caminhada!

Lopesdareosa.