segunda-feira, 16 de maio de 2011

PEDRO HOMEM DE MELLO - Largos de Afife

O LARGO DA SENHORA DA LAPA

A este largo cheguei, de bicicleta, em Setembro de 1963 num sábado à noite a tempo do arraial.
Tinha 14 anos e nunca vira tal coisa. Afife, aldeia, estava toda alí. Até um chedeiro com um pipo de vinho havia. Areosa já nesse tempo, esse tempo tinha acabado. Arraiais de festa de Santo de Capela houvera os últimos na Boa Viagem, até  que acontecera uma morte matada e até a festa tinha morrido. Bem, excepção feita a São Mamede mas onde nunca encontrei  ambiente parecido com o de Afife. A festa  de S. Mamede era no dia de domingo.

Eu e um bando deles de Areosa que encostados e atordoados, ao muro fronteiro à capela fomos convidados, um a um, por uma môça de Afife, para dançar. Até ela se adevertiu com o nosso acanhamento.

Mais tarde, com a convivência em Afife, apercebi-me que na parede da Casa adjacente ao Largo da Senhora da Lapa tinha sido colocado um azulejo com um texto do Dr. Pedro.


FELICIDADE

                        "COMO É BOM POUSAR AQUÍ A ENXADA
     LAVAR AS MÃOS ONDE O SUOR CORREU
     DIZENDO AO VER NA CASA ABENÇOADA
     A MULHER, OS FILHOS…
     TUDO ISTO É MEU!
  
                                                                PEDRO HOMEM DE MELLO
 
Quem quizer ver aqui a felicidade de um lavrador do Alto Minho, que veja!
Quem quizer ser mais abrangente pode ver a felicidade de qualquer humilde cidadão do mundo.
 
Mas não se esqueçam de dois pormenores sem importância. Está fixado numa parede de Afife e quem o disse foi PEDRO HOMEM DE MELLO.
 
Lopesdareosa

terça-feira, 10 de maio de 2011

LAGARTEIRA

LAGARTEIRA  EM  GONTINHÃES


Tão perto e tão longe. Tão perto na geografia, tão longe na nossa memória.

Santa Marinha de Gontinhães assim se chamava a paróquia antes que a República a tivesse crismado Vila Praia de Âncora.

Até aos meus catorze anos para mim só ouvia falar de Vila Praia de Ancora até que cheguei a Afife onde o topónimo se conservou por muito tempo.

- Vou a Gontinhães. Diziam

Por essas alturas apercebi-me que Âncora é na margem esquerda (sul) do rio. Na margem direita é Riba de Âncora e Trazâncora na Montaria.

Na Lagarteira faziam uma importante festa e feira anual na segunda-feira depois da Pascoela. De tarde havia baile na sociedade. Um ano fui lá. Vim no comboio das oito mas os meus olhos ficaram em Afife.

Lopesdareosa

PÁSCOA


PÁSCOA  EM  AREOSA


Os Americanos ainda não sabem da festa  que se faz no Alto Minho por alturas do equinócio da Primavera. Se soubessem patrocinariam a ressurreição de Cristo e ainda nos fariam acreditar que se não fosse a COCA COLA estaríamos sujeitos à condenação perpétua sem ninguém para nos redimir.

Mas nas mesas das minhas páscoas nunca lá vi a Coca Cola.

(Era proibida. Alto contrabando no tempo do Salazar!)

Se tal sucedesse como é que se iriam apanhar aquelas valentes bebedeiras. E eram de tal ordem que ainda me lembra a do Bicheira que caiu a vomitar, pelas escadas da varanda do Moleiro Novo, com a camisa tinta de vinho.

Para mim a Páscoa era, no domingo de tarde,  a grande concentração no Largo da Giesteira. Depois para Norte a Casa do meu Tio Zé que apresentava sempre uma mesa com várias saladas feitas com conservas de sardinha e outras coisas boas do Mar. Depois outra grande concentração no largo do Chão de Vinha, a Casa de Inácio e depois na Casa da Boavista. Na varanda desta casa vi, um ano, os gaiteiros dançarem em cima da pele de um bombo deitado na varanda.

Na segunda-feira a Cruz vinha de manhã da Casa do Cascudo para a Casa do Panza depois seguia para a casa do Chove e  Casa da Cataluna. O Tio António ía às navalheiras. O Arménio era da rapaziada. Depois a casa do  meu avô do Lopes na Ilha do Pico. A minha avó tinha ao costume de ter uma panela de fígado que distribuía em sandes. Depois a Casa do Senhor Manuel da Baeta que oferecia todos os anos bacalhau cru desfiado. Casa do Fusco e a grande concentração no largo da Boa Viagem

De tarde outra grande concentração na ponte nova a subida por Sorrio e as batalhas de amêndoas no Alto da Tomázia com os rapazes a a lavrarem o pó do caminho na ânsia de apanhar as amêndoas que caíam do chão

 

Este era o Compasso da Páscoa de 1931. De imediato, o Padre Videira, à sua direita o Domingos do Gonçalo ainda rapaz mas já sebrancelhudo. Ao lado deste um seu tio, de patilhas e que era sacristão. Mais
ao lado a de sorriso malandro era a Florinda tambem do Gonçalo. Os outros identificarei logo que possa.

Lopesdareosa

sexta-feira, 22 de abril de 2011

PEDRO HOMEM DE MELLO - Outra vez! (?)

Pedi à noite não a sombra e a Lua
Nem as palavras trémulas do vento
como quem pede o próprio pensamento
Pedi-lhe carne, carne ardente e nua.

O que pedi não foi a expressão langue
De sofredoras almas silenciosas.

Ah! não! o que pedi, pedia rosas...
Ah! não! o que pedi, pedia sangue...

Pedi-lhe a madressilva junto à fonte.
E, mais adiante, o aroma dos pinheiros.
Pedi-lhe, firmes, pálidos inteiros
Dois ombros de marfim, por horizonte.

Pedi-lhe amor... Pedi-lhe de mãos postas,
Que tudo me trouxesse. Tudo ou nada.

Pedi-lhe a minha mão, ressuscitada
No vinco, longo e azul, das tuas costas.

Este texto a que Pedro Homem de Mello chamou NOCTURNO foi publicado no seu OS POETAS IGNORADOS de 1957.

Aquilo que dele escorre nem a minha desfaçatez intelectual se atreve a  assumir classificando-o.

Deixo esse trabalho a todos aqueles que consideram Pedro Homem de Mello um poeta menor.
Ás tantas e por isso mesmo, não se darão a tais canseiras.

Mas, lá está!
Razão tinha Ele para tal título!
LOPESDAREOSA

sábado, 16 de abril de 2011

CHULA DE BAIÃO

Lá vai mais uma de folclore muito embora me esteja nas tintas para o folclore e para os folcloristas como já aqui disse.

Mas o Yutube tem destas coisas e também como já aqui disse acerca de COMO ELAS CANTAM E DANÇAM EM PAÇOS DE BRANDÃO, lá se vão encontrando autênticas preciosidades.


E não sou um recém chegado pois que e por testemunha tenho o senhor Joaquim Nogueira, esse mesmo o construtor de concertinas, pai do Ruca, que sempre que o encontro o "obrigo" a tocar, só para mim, a sua Chula de Baião, a sua terra natal.

Assim no seguimento encontrei a Chula de Baião pelos de Baião que nada tem a ver com as interpretações
fora do contexto que para aí (também) andam.



É que a musica talvez possa ser copiada e adulterada. Depois  dizem que é a Chula de Baião e o pessoal come. Mas o problema é que a Chula de Baião não é uma música, é uma dança. E aqui se apresenta na sua integridade. Até o raio dos cantadores parecem vindos de outro mundo!

LOPESDAREOSA

terça-feira, 12 de abril de 2011

FIGURAS TÍPICAS


Esta beldade, de Afife ( de que de outro sítio poderia ser?), devastou, nos anos setenta, dúzias de corações.

Tinha uma cara de meter medo ao terror.

Frenética  e desvairada ( a beldade) subia e descia o Monte de Santo António trinta vezes em cada fim de semana a uma velocidade alucinante.

-         Onde estão eles? Onde estão eles? ( os corações claro!)
 
A magreza era confrangedora mas porque é da família dos leitões, engordou e ficou com uma figura bonita.

Mesmo assim um tanto ou quanto acaralhada!

Mas só fica na História porque lá conseguiu procriar e também porque lhe ponho o retracto na NET. Mesmo correndo o risco de uma quebra de sucesso do meu blog  por causa disso.

COMBATENTES NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

COMBATENTES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Conhecí alguns.
O meu avô do Lopes esteve lá. Não esteve nas trincheiras. Era alfaiate e ficara na rectaguarda, nas oficinas de manutenção do equipamento. Já estava na guerra quando o meu pai nasceu em 1917.
           
O Sr. José do Cascudo, o avô  do Génio, do Zé e do Berto, que tinha uma tasca alí para os lados da Cardosa.

Conheci o Sr. Ferreira, avô do João, do Necas, da Ção, da Irene, do Ernesto e da Fernanda, todos Minas, que me contou do ataque dos alemãs que dizimou o contingente Português no 9 de Abril. Vendo as coisas mal paradas fugira encoberto pelos taludes do terrenos. A sua experiência de lavradror dera-lhe facilidade de avançar em tais terrenos até que foi recolhido por uma patrulha de Ingleses que se encarregaram de organizar a retirada.
Muitos foram feitos prisioneiros. Tive a felicidade de ainda conhecer o Senhor Afonso Gonçalves de Santóginha e casado em Castanheira, nas Argas.
Aqui uma fotografia na Senhora da Rocha em 1985. Contou-me da sua caminhada de França até à Alemanha em marcha forçada sem comer. Até tinha roído a própria erva dos campos. O raciocínio era simples se as vacas na sua terra comiam ele decerto não iria morrer por causa disso. Não se livrou da fome nem das diarreias mas sobreviveu para contar a história que foi a última que as suas capacidades memoriais retiveram até à sua morte.

Conheci  o Tenente Ribeiro de Afife. Este estivera nas duas Guerras.
Na Primeira, na Flandres e na segunda em Timor no preciso momento em que os Japoneses invadiram essa terra então dita Portuguesa. Este facto é pouco divulgado talvez para alimentar o mito de Salazar que se ufanava de nos ter livrado da Guerra. Mentira histórica. A guerra é que não veio ter connosco. Pois se assim acontecesse ( Como aconteceu em Timor ) não seria o Salazar que nos salvaria como aí não nos salvou.
O Sr. Tenente Ribeiro de Afife contou-me a forma que vira, na retirada de La Lys, um Soldado Escocês apontar a sua espingarda a um aeroplano alemão e o atirara a baixo.

O Sr Ferreira e acerca dos soldados escoceses, contou-me uma história recambolesca, mas verdadeira, passada com as nossas tropas. Nas folgas as linhas da frente eram revezadas e no descanso, já nas povoações Francesas, na rectaguarda das
trincheiras,  conviviam com as tropas aliadas. Os escoceses vestiam a sua farda de gala que, fundamentalmente, consistia no Kilt e seus adereços. Mas para os Portugueses vindos das mais variadas aldeias do Alto Minho tratava-se pura e simplesmente de saias e não estavam com meias medidas. Os mais afoitos passavam umas mãozadas pelas pernas escocesas e estes não gostavam, mesmo nada da brincadeira. A oficialidade reuniu e os Britânicos solicitaram aos portugueses que avisassem o pessoal que não se metessem com os Escocesses pois que daí poderia advir grande chatice. E o certo é que os oficiais portugueses reuniram as tropas em parada para numa palestra explicarem a situação.

Este Escocês ficou no coração dos Portuenses.
Ou então dos Portistas o que deveria ser a
mesma coisa.

Chamava-se Harrison jogava no Porto quando
foi mobilizado para a Guerra.