Pedi à noite não a sombra e a Lua
Nem as palavras trémulas do vento
como quem pede o próprio pensamento
Pedi-lhe carne, carne ardente e nua.
O que pedi não foi a expressão langue
De sofredoras almas silenciosas.
Ah! não! o que pedi, pedia rosas...
Ah! não! o que pedi, pedia sangue...
Pedi-lhe a madressilva junto à fonte.
E, mais adiante, o aroma dos pinheiros.
Pedi-lhe, firmes, pálidos inteiros
Dois ombros de marfim, por horizonte.
Pedi-lhe amor... Pedi-lhe de mãos postas,
Que tudo me trouxesse. Tudo ou nada.
Pedi-lhe a minha mão, ressuscitada
No vinco, longo e azul, das tuas costas.
Este texto a que Pedro Homem de Mello chamou NOCTURNO foi publicado no seu OS POETAS IGNORADOS de 1957.
Aquilo que dele escorre nem a minha desfaçatez intelectual se atreve a assumir classificando-o.
Deixo esse trabalho a todos aqueles que consideram Pedro Homem de Mello um poeta menor.
Ás tantas e por isso mesmo, não se darão a tais canseiras.
Mas, lá está!
Razão tinha Ele para tal título!
LOPESDAREOSA
sexta-feira, 22 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
CHULA DE BAIÃO
Lá vai mais uma de folclore muito embora me esteja nas tintas para o folclore e para os folcloristas como já aqui disse.
Mas o Yutube tem destas coisas e também como já aqui disse acerca de COMO ELAS CANTAM E DANÇAM EM PAÇOS DE BRANDÃO, lá se vão encontrando autênticas preciosidades.
E não sou um recém chegado pois que e por testemunha tenho o senhor Joaquim Nogueira, esse mesmo o construtor de concertinas, pai do Ruca, que sempre que o encontro o "obrigo" a tocar, só para mim, a sua Chula de Baião, a sua terra natal.
Assim no seguimento encontrei a Chula de Baião pelos de Baião que nada tem a ver com as interpretações
fora do contexto que para aí (também) andam.
É que a musica talvez possa ser copiada e adulterada. Depois dizem que é a Chula de Baião e o pessoal come. Mas o problema é que a Chula de Baião não é uma música, é uma dança. E aqui se apresenta na sua integridade. Até o raio dos cantadores parecem vindos de outro mundo!
LOPESDAREOSA
Mas o Yutube tem destas coisas e também como já aqui disse acerca de COMO ELAS CANTAM E DANÇAM EM PAÇOS DE BRANDÃO, lá se vão encontrando autênticas preciosidades.
Assim no seguimento encontrei a Chula de Baião pelos de Baião que nada tem a ver com as interpretações
fora do contexto que para aí (também) andam.
É que a musica talvez possa ser copiada e adulterada. Depois dizem que é a Chula de Baião e o pessoal come. Mas o problema é que a Chula de Baião não é uma música, é uma dança. E aqui se apresenta na sua integridade. Até o raio dos cantadores parecem vindos de outro mundo!
LOPESDAREOSA
terça-feira, 12 de abril de 2011
FIGURAS TÍPICAS
Esta beldade, de Afife ( de que de outro sítio poderia ser?), devastou, nos anos setenta, dúzias de corações.
Tinha uma cara de meter medo ao terror.
Frenética e desvairada ( a beldade) subia e descia o Monte de Santo António trinta vezes em cada fim de semana a uma velocidade alucinante.
- Onde estão eles? Onde estão eles? ( os corações claro!)
A magreza era confrangedora mas porque é da família dos leitões, engordou e ficou com uma figura bonita.
Mesmo assim um tanto ou quanto acaralhada!
Mas só fica na História porque lá conseguiu procriar e também porque lhe ponho o retracto na NET. Mesmo correndo o risco de uma quebra de sucesso do meu blog por causa disso.
COMBATENTES NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
COMBATENTES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
Conhecí alguns.
O meu avô do Lopes esteve lá. Não esteve nas trincheiras. Era alfaiate e ficara na rectaguarda, nas oficinas de manutenção do equipamento. Já estava na guerra quando o meu pai nasceu em 1917.
O Sr. José do Cascudo, o avô do Génio, do Zé e do Berto, que tinha uma tasca alí para os lados da Cardosa.
Conheci o Sr. Ferreira, avô do João, do Necas, da Ção, da Irene, do Ernesto e da Fernanda, todos Minas, que me contou do ataque dos alemãs que dizimou o contingente Português no 9 de Abril. Vendo as coisas mal paradas fugira encoberto pelos taludes do terrenos. A sua experiência de lavradror dera-lhe facilidade de avançar em tais terrenos até que foi recolhido por uma patrulha de Ingleses que se encarregaram de organizar a retirada.
Muitos foram feitos prisioneiros. Tive a felicidade de ainda conhecer o Senhor Afonso Gonçalves de Santóginha e casado em Castanheira, nas Argas.
Aqui uma fotografia na Senhora da Rocha em 1985. Contou-me da sua caminhada de França até à Alemanha em marcha forçada sem comer. Até tinha roído a própria erva dos campos. O raciocínio era simples se as vacas na sua terra comiam ele decerto não iria morrer por causa disso. Não se livrou da fome nem das diarreias mas sobreviveu para contar a história que foi a última que as suas capacidades memoriais retiveram até à sua morte.
Conheci o Tenente Ribeiro de Afife. Este estivera nas duas Guerras.
Na Primeira, na Flandres e na segunda em Timor no preciso momento em que os Japoneses invadiram essa terra então dita Portuguesa. Este facto é pouco divulgado talvez para alimentar o mito de Salazar que se ufanava de nos ter livrado da Guerra. Mentira histórica. A guerra é que não veio ter connosco. Pois se assim acontecesse ( Como aconteceu em Timor ) não seria o Salazar que nos salvaria como aí não nos salvou.
O Sr. Tenente Ribeiro de Afife contou-me a forma que vira, na retirada de La Lys, um Soldado Escocês apontar a sua espingarda a um aeroplano alemão e o atirara a baixo.
O Sr Ferreira e acerca dos soldados escoceses, contou-me uma história recambolesca, mas verdadeira, passada com as nossas tropas. Nas folgas as linhas da frente eram revezadas e no descanso, já nas povoações Francesas, na rectaguarda das
trincheiras, conviviam com as tropas aliadas. Os escoceses vestiam a sua farda de gala que, fundamentalmente, consistia no Kilt e seus adereços. Mas para os Portugueses vindos das mais variadas aldeias do Alto Minho tratava-se pura e simplesmente de saias e não estavam com meias medidas. Os mais afoitos passavam umas mãozadas pelas pernas escocesas e estes não gostavam, mesmo nada da brincadeira. A oficialidade reuniu e os Britânicos solicitaram aos portugueses que avisassem o pessoal que não se metessem com os Escocesses pois que daí poderia advir grande chatice. E o certo é que os oficiais portugueses reuniram as tropas em parada para numa palestra explicarem a situação.
Este Escocês ficou no coração dos Portuenses.
Ou então dos Portistas o que deveria ser a
mesma coisa.
Chamava-se Harrison jogava no Porto quando
foi mobilizado para a Guerra.
Este Escocês ficou no coração dos Portuenses.
Ou então dos Portistas o que deveria ser a
mesma coisa.
Chamava-se Harrison jogava no Porto quando
foi mobilizado para a Guerra.
sábado, 9 de abril de 2011
9 de ABRIL DE 1918
Data da batalha de La lys.
Está descrita na Odisseia, na Eneida, na Ilíada, nos Luziadas, no Paraiso Perdido do soldado Francisco Freire que em Areosa ficou conhecido pelo respectivo número "O Vinte e Cinco". Consta de um livro com cerca de 180 páginas onde descreve toda a sua vida desde 1890 até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Tudo ou quase tudo escrito em quadras. Como cada página tem em média quatro quadras estas serão ao todo 700.
Começa assim
Eu nasci na Correlhã
Perto de Ponte de Lima
Mil oitocentos e noventa
Mês abaixo mês acima
Não vou descrever aqui o relato da batalha em que ele próprio interveio. O livro pertence aos familiares e não tenho o direito de o transcrever. Apenas vou publicar a parte que o próprio autor informa ter distribuído em panfletos na estação dos comboios em Viana aquando do embarque do contingente em direcção a Lisboa com destino à França. Para tráz ficara a concentração e treino em Tancos onde, na célebre cidade "da Paulona", se juntou ao resto das tropas mobilizadas.
É a despedida, trecho comovente. Visão de uma Viana que, por perda de memória, já não sabe de sí.
.....
Eu também sou dos contados
Com grande satisfação
Pois foi a quinze de Abril (1917)
o embarque na estação
.....
Vou agora descrever
o que foi a despedida
do soldado 25
da sua pátria querida
.....
Eu vou deixar um relato
escrito por minha mão
para que fiqueis sabendo
por vós a minha afeição
Despedida de Portugal, pelo mesmo autor com panfletos distribuidos na estação á hora do embarque
Adeus Quartel de Viana
Por quem eu dou minha vida
Adeus ó Pátria querida
Pátria que eu tanto amo
Com o coração magoado
dou a minha despedida
Digo adeus aos meus amigos
com olhos a marejar
só por me vir a lembrar
Que não vos tornarei a ver
Se eu na França morrer
morro por vós a pençar
A todos digo adeus
De todos levo lembrança
O que me conçola é a esperança
de abraçar amigos meus
Vou correr aos Pirineus
onde se agoura o mal
Adeus ó terra Natal
Adeus familias queridas
Adeus Pátria querida
Adeus lindo Portugal
Se um dia aqui voltar
E por vós for cunhecido
Adeus amigos queridos
Que não vos tornarei a ver
Se eu na França morrer
vou vos dar a despedida
Adeus raparigas do Minho
como vós não há iguais
Vou dar os tristes ais
Não sei vos tornarei a ver
Vou p'rá França combater
Contra os crueis alemães
Se um dia aqui voltar
vos contarei minha vida
É triste a despedida
p'ra quem fica e p'ra quem vai
mais tristes serão aqueles
que não voltarão mais
É triste o quadro que vejo
Até corta o coração
Tanta mãe tanto irmão
Choram seus entes queridos
de os ver partir p'ra a guerra
julga-los sempre perdidos
E com isto adeus quem fica
dizei adeus a quem vai
não sei se voltarei mais
se voltar vos contarei
o que na França passei
adeus amigos liais
Adeus Viana do Castelo
Areosa, Afife e Carrêço
e tudo quanto eu conheço
rapazes e raparigas
adeus lindas avenidas
onde eu passava o meu tempo
Adeus Praça de S. Bento
Adeus lindas raparigas
Á hora em que descrevo
esta minha narrativa
está o comboio na estação
próximo a dar a partida
Choram as mães pelos filhos
raparigas por namoros
choram as mulheres casadas
com gritos em altos côros
Já vinha em cima da ponte
o comboio a apitar
ainda se ouviam os gritos
o adeus ao militar
para espalhar as paixões
todo o soldado cantava
via-se no seu olhar
as lágrimas que o banhava
nas estações que passavam
muitas pessoas se via
Deus vos leve Deus vos traga
toda a gente assim dizia
Enfim! Restos de uma memória que por não ser lembrada será esquecida.
Em La Palisse (mesmo sem nada ter a ver com isso) não cairia melhor.

ESPANTOSA FOTOGRAFIA (de Joshua Benoliel.) ver em
http://passadofuturivel.blogspot.com/2009/03/os-inuteis.html
DE FACTO!
Esta fotografia foi captada em Lisboa. Poderia ser uma imagem de qualquer outra despedida por esse Portugal. E aquele beijo, que não o é ou já o foi, deixa a léguas aquele outro da avenida em New York.
Ou aquele do Hotel da Vila em Paris!
À Brigada do Minho voltarei
Curiosidade: Este Senhor Freire "O Vinte e cinco" de Areosa, é o visavô de Angelo Freire, o Guitarrista da Mariza!
Lopesdareosa
terça-feira, 5 de abril de 2011
GONDARÉM, LOBELHE E O DANIEL
No início dos anos sessenta, saía de casa, subia ao apeadeiro de Areosa, apanhava o combóio para Viana e lá ía com os outros para a Escola Industrial e Comercial alí no Jardim de D. Fernando.
Entre os outros e nos que já vinham do Norte conhecí o Daniel Barbosa que era da Breia ou mais precisamente de Lobelhe. Breia foi uma pilgrinice da CP igual à de Montedor ou de Barroselas.
A de Montedor e da Breia foi corrigida. A de Barroselas não! E lá se perdeu Capareiros. Couto de Capareiros!
E o tempo foi rodando. A última vez que me encontrei com o Daniel foi na parada das Festas d'Agonia em 2004. Seguíamos logo atrás do carro alegórico a Pedro Homem de Mello.
Comigo foram As da Chãozinha de Gondarém com o apoio dos cavaquinhos de Lobelhe. No meio daqueles desvairados de Cerveira (o Tino Vale Costa é o cavaquinho da nossa direita) encontrava-se o Daniel
Vai no centro, de boina, de bigode, de óculos escuros, a tocar bombo.
Nesse ano todos nos encontramos em S. João d'Arga, uma ou duas semanas depois.
Todos menos o Daniel. Teve a fraca ideia de morrer no entretanto.
Fez-nos falta no Adro de S. João. Não houve bombo mas cantamos um já lá vai o sol abaixo já lá vai a luz do dia, para ele.
Lopesdareosa
O FANTASMA QUE VEIO DA GALIZA
Foi n'um seis de Abril.
Lopesdareosa
O FANTASMA QUE VEM DA GALIZA
Peça à pressa, em um só acto, no palco da amizade.
Cenário de mesa posto, com bolo de anos e cava.
Adereços – lençol e bordão - artesanato do improviso.
Plateia recheada do tipo poucos mas bons!
“Eu sou! Eu sou!
Eu sou o fantasma que vem das terras de Espanha
Eu sou o fantasma que vem da Galiza
Eu sou o fantasma que vem de terras de Orense
Chamo-me Rio Minho!
Um dia, há cinquenta anos
Por alturas das sementeiras do milho
Passei pelas leiras de Campos.
E ao passar pelas leiras de Campos
Ouvi os gemidos de um parto
- Que entrem os mensageiros!
- Que entrem os mensageiros!
Nasceu a Maria Adelaide! “
Assim falou o fantasma, chegado na Galiza Sul
no dia 6 de Abril do ano cinquenta da Maria Adelaide
E entraram os mensageiros. Transportavam, em duas bandejas, cinquenta anos de luzinhas. A casa das unidades desenhava um coração!
O trivial parabéns a você (que nunca é trivial) não foi trivial.
Autor (actor) anónimo.
No mínimo enigmático!
Ao certo não se trata de uma alegoria. Não se trata de uma ficção ou metáfora. É mesmo assim e tudo tem a ver. Na minha modéstia (ou atrevimento?) coloco a Adelaide Graça no vazio que Pedro Homem de Mello e Maria Manuela Couto Viana deixaram no nosso lirismo.
Lopesdareosa
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