sábado, 16 de abril de 2011

CHULA DE BAIÃO

Lá vai mais uma de folclore muito embora me esteja nas tintas para o folclore e para os folcloristas como já aqui disse.

Mas o Yutube tem destas coisas e também como já aqui disse acerca de COMO ELAS CANTAM E DANÇAM EM PAÇOS DE BRANDÃO, lá se vão encontrando autênticas preciosidades.


E não sou um recém chegado pois que e por testemunha tenho o senhor Joaquim Nogueira, esse mesmo o construtor de concertinas, pai do Ruca, que sempre que o encontro o "obrigo" a tocar, só para mim, a sua Chula de Baião, a sua terra natal.

Assim no seguimento encontrei a Chula de Baião pelos de Baião que nada tem a ver com as interpretações
fora do contexto que para aí (também) andam.



É que a musica talvez possa ser copiada e adulterada. Depois  dizem que é a Chula de Baião e o pessoal come. Mas o problema é que a Chula de Baião não é uma música, é uma dança. E aqui se apresenta na sua integridade. Até o raio dos cantadores parecem vindos de outro mundo!

LOPESDAREOSA

terça-feira, 12 de abril de 2011

FIGURAS TÍPICAS


Esta beldade, de Afife ( de que de outro sítio poderia ser?), devastou, nos anos setenta, dúzias de corações.

Tinha uma cara de meter medo ao terror.

Frenética  e desvairada ( a beldade) subia e descia o Monte de Santo António trinta vezes em cada fim de semana a uma velocidade alucinante.

-         Onde estão eles? Onde estão eles? ( os corações claro!)
 
A magreza era confrangedora mas porque é da família dos leitões, engordou e ficou com uma figura bonita.

Mesmo assim um tanto ou quanto acaralhada!

Mas só fica na História porque lá conseguiu procriar e também porque lhe ponho o retracto na NET. Mesmo correndo o risco de uma quebra de sucesso do meu blog  por causa disso.

COMBATENTES NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

COMBATENTES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Conhecí alguns.
O meu avô do Lopes esteve lá. Não esteve nas trincheiras. Era alfaiate e ficara na rectaguarda, nas oficinas de manutenção do equipamento. Já estava na guerra quando o meu pai nasceu em 1917.
           
O Sr. José do Cascudo, o avô  do Génio, do Zé e do Berto, que tinha uma tasca alí para os lados da Cardosa.

Conheci o Sr. Ferreira, avô do João, do Necas, da Ção, da Irene, do Ernesto e da Fernanda, todos Minas, que me contou do ataque dos alemãs que dizimou o contingente Português no 9 de Abril. Vendo as coisas mal paradas fugira encoberto pelos taludes do terrenos. A sua experiência de lavradror dera-lhe facilidade de avançar em tais terrenos até que foi recolhido por uma patrulha de Ingleses que se encarregaram de organizar a retirada.
Muitos foram feitos prisioneiros. Tive a felicidade de ainda conhecer o Senhor Afonso Gonçalves de Santóginha e casado em Castanheira, nas Argas.
Aqui uma fotografia na Senhora da Rocha em 1985. Contou-me da sua caminhada de França até à Alemanha em marcha forçada sem comer. Até tinha roído a própria erva dos campos. O raciocínio era simples se as vacas na sua terra comiam ele decerto não iria morrer por causa disso. Não se livrou da fome nem das diarreias mas sobreviveu para contar a história que foi a última que as suas capacidades memoriais retiveram até à sua morte.

Conheci  o Tenente Ribeiro de Afife. Este estivera nas duas Guerras.
Na Primeira, na Flandres e na segunda em Timor no preciso momento em que os Japoneses invadiram essa terra então dita Portuguesa. Este facto é pouco divulgado talvez para alimentar o mito de Salazar que se ufanava de nos ter livrado da Guerra. Mentira histórica. A guerra é que não veio ter connosco. Pois se assim acontecesse ( Como aconteceu em Timor ) não seria o Salazar que nos salvaria como aí não nos salvou.
O Sr. Tenente Ribeiro de Afife contou-me a forma que vira, na retirada de La Lys, um Soldado Escocês apontar a sua espingarda a um aeroplano alemão e o atirara a baixo.

O Sr Ferreira e acerca dos soldados escoceses, contou-me uma história recambolesca, mas verdadeira, passada com as nossas tropas. Nas folgas as linhas da frente eram revezadas e no descanso, já nas povoações Francesas, na rectaguarda das
trincheiras,  conviviam com as tropas aliadas. Os escoceses vestiam a sua farda de gala que, fundamentalmente, consistia no Kilt e seus adereços. Mas para os Portugueses vindos das mais variadas aldeias do Alto Minho tratava-se pura e simplesmente de saias e não estavam com meias medidas. Os mais afoitos passavam umas mãozadas pelas pernas escocesas e estes não gostavam, mesmo nada da brincadeira. A oficialidade reuniu e os Britânicos solicitaram aos portugueses que avisassem o pessoal que não se metessem com os Escocesses pois que daí poderia advir grande chatice. E o certo é que os oficiais portugueses reuniram as tropas em parada para numa palestra explicarem a situação.

Este Escocês ficou no coração dos Portuenses.
Ou então dos Portistas o que deveria ser a
mesma coisa.

Chamava-se Harrison jogava no Porto quando
foi mobilizado para a Guerra.

sábado, 9 de abril de 2011

9 de ABRIL DE 1918

Data da batalha de La lys.
Está descrita na Odisseia, na Eneida, na Ilíada, nos Luziadas, no Paraiso Perdido do soldado Francisco Freire que em Areosa ficou conhecido pelo respectivo número "O Vinte e Cinco". Consta de um livro com cerca de 180 páginas onde descreve toda a sua vida desde 1890 até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Tudo ou quase tudo escrito em quadras. Como cada página tem em média quatro quadras estas serão ao todo 700.

Começa assim

Eu nasci na Correlhã
Perto de Ponte de Lima
Mil oitocentos e noventa
Mês abaixo mês acima

Não vou descrever aqui o relato da batalha em que ele próprio interveio. O livro pertence aos familiares e não tenho o direito de o transcrever. Apenas vou publicar a parte  que o próprio autor informa ter distribuído em panfletos na estação dos comboios em Viana aquando do embarque do contingente em direcção a Lisboa com destino à França. Para tráz ficara a concentração e treino em Tancos onde, na célebre cidade "da Paulona", se juntou ao resto das tropas mobilizadas.

É a despedida, trecho comovente. Visão de uma Viana que, por perda de memória, já não sabe de sí.

.....

Eu também sou dos contados
Com grande satisfação
Pois foi a quinze de Abril (1917)
o embarque na estação

.....

Vou agora descrever
o que foi a despedida
do soldado 25
da sua pátria querida

.....

Eu vou deixar um relato
escrito por minha mão
para que fiqueis sabendo
por vós a minha afeição

Despedida de Portugal, pelo mesmo autor com panfletos distribuidos na estação á hora do embarque

Adeus Quartel de Viana
Por quem eu dou minha vida
Adeus ó Pátria querida
Pátria que eu tanto amo
Com o coração magoado
dou a minha despedida

Digo adeus aos meus amigos
com olhos a marejar
só por me vir a lembrar
Que não vos tornarei a ver
Se eu na França morrer
morro por vós a pençar

A todos digo adeus
De todos levo lembrança
O que me conçola é a esperança
de abraçar amigos meus
Vou correr aos Pirineus
onde se agoura o mal
Adeus ó terra Natal
Adeus familias queridas
Adeus Pátria querida
Adeus lindo Portugal

Se um dia aqui voltar
E por vós for cunhecido
Adeus amigos queridos
Que não vos tornarei a ver
Se eu na França morrer
vou vos dar a despedida

Adeus raparigas do Minho
como vós não há iguais
Vou dar os tristes ais
Não sei vos tornarei a ver
Vou p'rá França combater
Contra os crueis alemães

Se um dia aqui voltar
vos contarei minha vida
É triste a despedida
p'ra quem fica e p'ra quem vai
mais tristes serão aqueles
que não voltarão mais

É triste o quadro que vejo
Até corta o coração
Tanta mãe tanto irmão
Choram seus entes queridos
de os ver partir p'ra a guerra
julga-los sempre perdidos

E com isto adeus quem fica
dizei adeus a quem vai
não sei se voltarei mais
se voltar vos contarei
o que na França passei
adeus amigos liais

Adeus Viana do Castelo
Areosa, Afife e Carrêço
e tudo quanto eu conheço
rapazes e raparigas
adeus lindas avenidas
onde eu passava o meu tempo
Adeus Praça de S. Bento
Adeus lindas raparigas

Á hora em que descrevo
esta minha narrativa
está o comboio na estação
próximo a dar a partida

Choram as mães pelos filhos
raparigas por namoros
choram as mulheres casadas
com gritos em altos côros

Já vinha em cima da ponte
o comboio a apitar
ainda se ouviam os gritos
o adeus ao militar

para espalhar as paixões
todo o soldado cantava
via-se no seu olhar
as lágrimas que o banhava

nas estações que passavam
muitas pessoas se via
Deus vos leve Deus vos traga
toda a gente assim dizia

Enfim! Restos de uma memória que por não ser lembrada será esquecida.
Em La Palisse (mesmo sem nada ter a ver com isso) não cairia melhor.


ESPANTOSA FOTOGRAFIA (de  Joshua Benoliel.) ver em
http://passadofuturivel.blogspot.com/2009/03/os-inuteis.html

DE FACTO!

Esta fotografia foi captada  em Lisboa. Poderia ser uma imagem de qualquer outra despedida por esse Portugal. E aquele beijo, que não o é ou já o foi, deixa a léguas aquele outro da avenida em New York.
Ou aquele do Hotel da Vila em Paris!

À Brigada do Minho voltarei

Curiosidade: Este Senhor Freire "O Vinte e cinco" de Areosa, é o visavô de Angelo Freire, o Guitarrista da Mariza!


Lopesdareosa

terça-feira, 5 de abril de 2011

GONDARÉM, LOBELHE E O DANIEL

No início dos anos sessenta, saía de casa, subia ao apeadeiro de Areosa, apanhava o combóio para Viana e lá ía com os outros para a Escola Industrial e Comercial alí no Jardim de D. Fernando.
Entre os outros e nos que já vinham do Norte conhecí o Daniel Barbosa que era da Breia ou mais precisamente de Lobelhe. Breia foi uma pilgrinice da CP igual à de Montedor ou de Barroselas.
A de Montedor e da Breia foi corrigida. A de Barroselas não! E lá se perdeu Capareiros. Couto de Capareiros!

E o tempo foi rodando. A última vez que me encontrei com o Daniel foi na parada das Festas d'Agonia em 2004. Seguíamos logo atrás do carro alegórico a Pedro Homem de Mello.
Comigo foram As da Chãozinha de Gondarém com o apoio dos cavaquinhos de Lobelhe. No meio daqueles desvairados de Cerveira (o Tino Vale Costa é o cavaquinho da nossa direita) encontrava-se o Daniel
Vai no centro, de boina, de bigode, de óculos escuros, a tocar bombo.
Nesse ano todos nos encontramos em S. João d'Arga, uma ou duas semanas depois.
Todos menos o Daniel. Teve a fraca ideia de morrer no entretanto.
Fez-nos falta no Adro de S. João. Não houve bombo mas cantamos um já lá vai o sol abaixo já lá vai a luz do dia, para ele.

Lopesdareosa

O FANTASMA QUE VEIO DA GALIZA

Foi n'um seis de Abril.

O FANTASMA QUE VEM DA GALIZA



Peça à pressa, em um só acto, no palco da amizade.

Cenário de mesa posto, com bolo de anos e cava.

Adereços – lençol e bordão - artesanato do improviso.
Plateia recheada do tipo poucos mas bons!


“Eu sou! Eu sou!
  Eu sou o fantasma que vem das terras de Espanha
  Eu sou o fantasma que vem da Galiza

  Eu sou o fantasma que vem de terras de Orense


  Chamo-me Rio Minho!

  Um dia, há cinquenta anos
  Por alturas das sementeiras do milho
  Passei pelas leiras de Campos.

  E ao passar pelas leiras de Campos
  Ouvi os gemidos de um parto

                          -  Que entrem os mensageiros!
     -  Que entrem os mensageiros!

      Nasceu a Maria Adelaide! “

Assim falou o fantasma, chegado na Galiza Sul
no dia 6 de Abril  do ano cinquenta da Maria Adelaide

E entraram os mensageiros. Transportavam, em duas bandejas, cinquenta anos de luzinhas. A casa das unidades desenhava um coração!
O trivial parabéns a você (que nunca é trivial) não foi trivial.


Autor (actor) anónimo.
No mínimo enigmático!

A Maria Adelaide na parada das Festas d'Agonia de 2004, no carro alegórico a Pedro Homem de Mello.

Ao certo não se trata de uma alegoria. Não se trata de uma ficção ou metáfora.  É mesmo assim e tudo tem a ver. Na minha modéstia (ou atrevimento?) coloco a Adelaide Graça no vazio que Pedro Homem de Mello e Maria Manuela Couto Viana deixaram no nosso lirismo.

Lopesdareosa

segunda-feira, 4 de abril de 2011

CABANAS (AFIFE)

ROMANCE NA PONTE DE  SÃO JOÃO - Seria o meu título

Desta tarde de Setembro
Fecho meus olhos e lembro
a casa agora vazia
Murmúrios de rio que corre
E aquela voz que não morre
pois não morre a poesia.
Poço Azul, Mata de Cima
Azenha d'além da Ponte
Ai cruzeiro de lembranças
e o riso das crianças
já não ecoam no monte
A Sónia, o Augusto, a Dinorah
quem me dera ouvir agora
- Onde vais Maria Lua?
O sino da torre calou-se
a janela aberta, fechou-se
e a capela ficou nua
Minhas flores brancas de noiva
murcharam de tanta dor
Ai Senhora do Pilar
ninguém reza nesse altar
não há santo protector.
Que é da cerejeira do tanque
e dos cantares ao luar?
Ranchos vindos do monte
secaram a vossa fonte
já não oiço o seu cantar.
Onde estás Nelson de Covas
que é da tua concertina?
sorriso o teu de criança
em Cabanas não há dança
chora-se a tua sina
Rio correndo prá foz
murmúrios daquela voz
que nunca se há-de calar
Campos da cor da esperança
como os olhos da criança
cujo crime era sonhar
Velhinha a casa sorrindo
viu Mariana crescer
deixou-se dormir sonhando
quem sabe, talvez rezando
pra poder voltar a ver
Povo Nobre Raça Antiga
Afife do monte e do mar
Se passares neste caminho
peço-te, vai devagarinho
não vá a casa acordar
e as zíneas, senhor as zíneas?
Hidrângeas da cor do Mar
Terreiro, terreiro novo
foste de Reis e do Povo
onde ninguém vai bailar
Carvalhos da beira-rio
que esperais pra morrer?
De pé sem raiva nem medos
levai convosco os segredos
do olhar que os viu nascer
do caminho ergo o olhar
a árvore parece lembrar
alguém que já conheceu
agitam-se aqueles braços
que fortes são estes laços
entre Cabanas e eu
E o meu olhar cansado
afasta-se deste passado
da casa agora vazia
murmúrios de rio chorando
como alguém implorando
que não acabe este dia.

Setembro de 1987
Quem isto escreveu foi Helena Tarouca, casada em Cabanas com Salvador Homem de Mello.
A voz que se tinha calado era a de Pedro Homem de Mello.
O sítio é em Afife, as gentes também.
Só o  Nelson é de Covas. É o Vilarinho o tal da madeixa já branca de Maria Manuela Couto Viana.

Tenho a felicidade de morar a cem metros deste destroço. Por isso entendo o esfrangalhar das lembranças.
Destas a Helena Tarouca me ofereceu o original manuscrito que guardo como quem guarda a custódia.

A memória, mesmo a factual, até essa o tempo matará. O Povo, o tal Povo morrerá com ela.
Mas como dizia o Poeta não deixará a sua vivência para algum herdeiro. Está tudo explicado no POVO QUE LAVAS NO RIO.

O TIO BENIGNO DE GONDARÉM foi menos profundo

"A MINHA ARTE TREMINOU
MAS NÃO SE BENDE."

Levou-a com ele para a cova!

Lopesdareosa