Hoje é uma brincadeira para as Crianças. A tradição acabou. Hoje há a representação dessa tradição. E era mesmo uma coisa de adultos. Aos bandos as máscaras aterrorizavam os mais pequenos que não se atreviam a sair aos caminhos.
CONJUNTO ALEGRIA
E foi nos Bailes de Carnaval na Sociedade de Areosa que eu aprendi a dançar. Ao som do Conjunto Rio Lima do Minota, dos Lírios de Âncora e principalmente ao som do Conjunto Alegria do Joaquinzinho de Ancora e, por ser verdade, aqui vai uma fotografia desses tempos na Sociedade de Areosa. O Conjunto Alegria. O Toní no Saxofone. O Leonel - meu professor de Música no ciclo Preparatório - na Trompeta. O Mario Lagido ao Contrabaixo e o Sousa alfaiate na Bateria. O Joaquinzinho Pai no acordeão e no nosso lado direito o Quim de Ancora no tempo em que os homens são bonitos. Depois deu no Quim Barreiros.
Nesses tempos era costume levar para o baile um farnel de chouriço e presunto que se comia por detrás das cadeiras na Galeria. Ao Quim ainda tocou alguma coisa nesses tempos
Duas coisas; estou numa de youtube onde se descobrem certas preciosidades e quanto ao FOLCLORE estou como o Dr. Pedro - Quero lá saber do folclore ou dos folcloristas.
Principalmente daqueles que zurzem nos Ranchos que não coiso nem edecetra nem tal! Falam dos cordofones que eram e dos acordeões que não deveriam ser e disparates mais. Bem não vou cair no teorizar. Fica para os intelectuais. E quando os intelectuais se metem na tradição isso quer dizer que a tradição acabou. Disse isso ao Benjamim Enes Pereira que partiu o côco a rir. Tinha-o eu escrito acerca das concertinas por me meter nojo tanta erudição acerca de um instrumento que não o é, como se a entrada para o tal, nos dicionários, não fosse acordeão diatónico.
Isso é outra história que um dia contarei.
A descoberta no Youtube é do agrupamento (não lhe vou chamar Rancho estejam descansados) COMO ELAS CANTAM E DANÇAM EM PAÇOS DE BRANDÃO.
Reparem na tocata, no "tempo", nas rabecas, nas violas de arame, nos cavaquinhos, no bombo, em quem dança, naquela Polka Pastorinha, no traje e, principalmente, na precisão da voz de Maria Joana de Moura Ferreira-Alves (a Joaninha) para mim ( e não me vou matar por causa dos outros, não esperem) a mais límpida voz de todas as cantadeiras que até hoje ouvi.
Outro detalhe, vi-os tal e qual nos Festivais de Santa Marta de Portuzelo nos anos sessenta
Mera curiosidade. Pedro Homem de Mello apresentou-os diversas vezes no seu programa na RTP.
O tema A GRIPE já indicava que no solista da concertina estava alguém inconformado, rebelde e além do mais, perspicaz... Ver a CARTA DO OUTRO MUNDO.
Depois em 1973 sai um estouro. Num EP de 45 rotações da RAPOSÓDIA uma faixa inteira era preenchida por EU RECEBI UM CONVITE.
Do outro lado um espantoso O IMIGRANTE e o hilariante A GUERRA DOS FARRAPILHAS.
Com o DELFIM dos Arcos, o CARVALHAL da Ermida e o VILARINHO DE COVAS, Manuel Branco de Azevedo foi um dos primeiros a gravar a solo tocando e cantando. Do tempo do grande PETA.
Mas foi Manuel Branco de Azevedo que revolucionou a figura de tocador e cantador pela forma de tocar, pelo timbre da sua voz única e pelos temas provocatórios que lhe chegaram a a dar problemas com quem não entendia o atrevimento.
De qualquer forma o seu primeiro disco a solo foi determinante para que eu próprio tivesse aprendido a tocar concertina. O curioso é que sendo de Gondinhaços, Vila Verde esse disco intitulava-se CANTARES DE VILARINHO que afinal nada tinha a ver com o Vilarinho de Covas. Apenas a coincidência de haver lugares com o mesmo nome. Um em Gondinhaços Vila Verde, outro em Covas, Vila Nova de Cerveira.
E assim Manuel Branco de Azevedo com o Nelson de Covas foram os responsáveis pela doença!
Ora apenas uma vez na vida presenciei um desafio de Manuel Branco de Azevedo. Com o Delfim e mais dois cantadores, que perdi na memória, os quatro jogaram à sueca numa noite das Feiras Novas de Ponte de Lima, em 1973, alí na taverna dos da Botica de Romarigães.
Mais recentemente me encontrei com ele em Viana. Mas não me explicou porque é que deixou a concertina.
Emigrantes portugueses que abandonais vosso lar julgo que não é vaidade é talvez necessidade da situação melhorar
Mas porquê pensar assim nossa vida vai ter fim nós não somos infinito desde o princípio do mundo a morte deita pró fundo tanto os pobres como o rico
Não sei se me escutais deixais filhos deixais pais por tão dura e amarga esperança esta é a minho opinião talvez seja uma ilusão aquilo que chamais França
Mas de toda a amargura daquele tempo algo compensou. E a França não foi apenas ilusão. E a hoje chegados seria interessante contabilizar que por esse interior fora ainda há Portugal, graças ás pensões vindas da França!!!
Já agora. alguém o colocou no Youtube. Vale a pena recordar.