sexta-feira, 25 de março de 2011

CARAVAN PETROL

OU, 
VAMOS  TODOS  PARA  A  LÍBIA!

( No Iraque já lá estamos!)


Ah! Santos do Youtube que descobri lá o Renato Carosone
 
Caravan petrol.      
Caravan petrol.
Caravan petrol.
Caravan petrol.
Caravan.....


Canta Napoli. - Canta Nápoles
Napoli petrolifera. - Nápoles petrolífera
Eh eh.


Mm'aggio affittato nu camello,  - Aluguei um camelo,
mm'aggio accattato nu turbante, -  e comprei um turbante,
nu turbante â Rinascente -  um turbante no Rinascente
cu 'o pennacchio russo e blu. - com o penacho vermelho e azul.


Cu 'o fiasco 'mmano e 'o tammurriello  Com a garrafa na mão e o tamborim
cerco 'o ppetrolio americano  procuro o petróleo americano
mentre abballano 'e beduine, enquanto bailam os beduínos
mentre cantano 'e ttribbù. enquanto cantam as tribos


Comme si' bello - Como és belo
a cavallo a stu camello, - a cavalo deste camelo,
cu 'o binocolo a tracolla, - com o binóculo a tiracolo,
cu 'o turbante e 'o narghilè. -com o turbante e o narguilé.


Gué, si' curiuso -  pá , és esquisito
mentre scave stu pertuso.- enquanto escavas este buraco.
Scordatello, nun è cosa, - Repara, não é o caso,
ccá, 'o ppetrolio, nun ce sta. - aqui, o petróleo, não está.
Allah! Allah! Allah!
Ma chi t''ha ffatto fa'? - Mas quem te mandou fazer?


Comme si' bello
a cavallo a stu camello,
cu 'o binocolo a tracolla,
cu 'o turbante e 'o narghilè.


Cu 'o fiasco 'mmano e cu 'o camello, - Com a garrafa na mão e com o camelo,
cu 'e gguardie 'nnanze e 'a folla arreto, com os guardas à frente e o povo atrás,
'rrevutá faccio Tuleto, - faço uma revolução na Via Toledo 
nun se pò cchiù cammena'. - não se pode mais caminhar.


Jammo, è arrivato 'o Pazzariello,  - Andemos, chegou o Propagandista,
s'è travestuto 'a Menelicche. - se travestiu  de Menelik.
'Mmesca 'o ppepe cu 'o ttabbacco. Mistura a pimenta com o tabaco
Ma chi e' st' Alí Babbá? Mas que é este Alí Babá?


Comme si' bello
a cavallo a stu camello,
cu 'o binocolo a tracolla,
cu 'o turbante e 'o narghilè.


Gué, si' curiuso
mentre scave stu pertuso.
Scordatello, nun è cosa,
ccá, 'o ppetrolio, nun ce sta.


Comme si' bello
a cavallo a stu camello...
.........................
.........................


Comme si' bello,
a cavallo a stu camello,
cu 'o binocolo a tracolla,
cu 'o turbante e 'o narghilè.


Gué, si' curiuso
mentre scave stu pertuso.
Scordatello, nun è cosa,
ccá, 'o ppetrolio, nun ce sta.


Allah! Allah! Allah!
Nun voglio chiu' scava'. Não quero mais escavar.


Comme so' bello  - Como sou belo.
a cavallo a stu camello,
cu 'o binocolo a tracolla,
cu 'o turbante e 'o narghilè.


Caravan petrol.
Caravan petrol.
Caravan.


Caravan petrol.
Caravan petrol.
Caravan.......

OUTRA VERSÃO NÃO  MENOS HILARIANTE

Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência, fruto da delirante imaginação de Renato Carosone.

quinta-feira, 24 de março de 2011

CHAMAMÉ - TRANSITO COCOMAROLA


Kilómetro 11, um Hino!

CHAMAMÉ - ZEZINHO NANTES
UMA MARAVILHA


CHAMAMÉ - RENATO BORGHETTI

Fui vê-lo no ano passado em Estarreja


CHAMAMÉ - MESSI
SEM PALAVRAS

sábado, 19 de março de 2011

MANUEL BRANCO DE AZEVEDO

Já fazia estragos na Estúrdia.
O tema A GRIPE já indicava que no solista da concertina estava alguém inconformado, rebelde e além do mais, perspicaz... Ver a CARTA DO OUTRO MUNDO.
Depois em 1973 sai um estouro. Num EP de 45 rotações da RAPOSÓDIA uma faixa inteira era preenchida por EU RECEBI UM CONVITE.
Do outro lado um espantoso O IMIGRANTE e o hilariante A GUERRA DOS FARRAPILHAS.
Com o DELFIM dos Arcos, o CARVALHAL da Ermida e o VILARINHO DE COVAS, Manuel Branco de Azevedo foi um dos primeiros a gravar a solo tocando e cantando. Do tempo do grande PETA.
Mas foi Manuel Branco de Azevedo que revolucionou a figura de tocador e cantador pela forma de tocar, pelo timbre da sua voz única e pelos temas provocatórios que lhe chegaram a a dar problemas com quem não entendia o atrevimento.
De qualquer forma o seu primeiro disco a solo foi determinante para que eu próprio tivesse aprendido a tocar concertina. O curioso é que sendo de Gondinhaços, Vila Verde esse disco intitulava-se CANTARES DE VILARINHO que afinal nada tinha a ver com o Vilarinho de Covas. Apenas a coincidência de haver lugares com o mesmo nome. Um em Gondinhaços Vila Verde, outro em Covas, Vila Nova de Cerveira. 

E assim Manuel Branco de Azevedo com o Nelson de Covas foram os responsáveis pela doença!

Ora apenas uma vez na vida presenciei um desafio de Manuel Branco de Azevedo. Com o Delfim e mais dois cantadores, que perdi na memória, os quatro jogaram à sueca numa noite das Feiras Novas de Ponte de Lima,  em 1973, alí na taverna dos da Botica de Romarigães.

Mais recentemente me encontrei com ele em Viana. Mas não me explicou porque é que deixou a concertina.
Mas talvez o compreenda!

O IMIGRANTE de Manuel Branco de Azevedo

Emigrantes portugueses
que abandonais vosso lar
julgo que não é vaidade
é talvez  necessidade
da situação melhorar

Mas porquê pensar assim
nossa vida vai ter fim
nós não somos infinito
desde o princípio do mundo
a morte deita pró fundo
tanto os pobres como o rico

Não sei se me escutais
deixais filhos deixais pais
por tão dura e amarga esperança
esta é a minho opinião
talvez seja uma ilusão
aquilo que chamais França

Mas de toda a amargura daquele tempo algo compensou. E a França não foi apenas ilusão. E a hoje chegados seria interessante contabilizar que por esse interior fora ainda há Portugal, graças ás pensões vindas da França!!!

Já agora. alguém o colocou no Youtube. Vale a pena recordar.
LOPESDAREOSA

quarta-feira, 16 de março de 2011

PORCAS DE ROSCA ESQUERDA

Esta é para os "comediantes" em Stand-by.
Desculpem. Queria dizer Stand-up.

- Sabem qual o maior contratempo que pode acontecer a um 
   parafuso do PSD???

- Encontrar, na vida, uma porca de rosca esquerda!!!


Nota
Esta, não é de duplo sentido. É de triplo sentido! Um doce a quem lá chegar e ponham da conta do
Lopesdareosa.

terça-feira, 15 de março de 2011

PROTOPOEMA DA SERRA D’ARGA

Este texto só aparentemente é que não terá nada a ver com o lirismo de Pedro Homem de Mello ou de Maria Manuela Couto Viana.
Dito de outra forma é ANÓNIO PEDRO que fala:
 
"Ora a poesia da Serra d’Arga não tem nada com as palavras
Nem com os montes nem com o lirismo fácil
De toda a poesia que por lá há
A poesia da Serra d’Arga está no desejo de poesia
Que fica depois da gente lá ter ido
Ver dançar a Deolinda"

Ou de ouvir tocar a cantar o Nelson de Covas, ou ver, por cima do ombro, dois olhos atravessados, diria eu. Pois apesar do surrealista asseverar que nem sequer foi escrito nas Argas nem em S. Lourenço, ele conhecia todos os caminhos para lá chegar. Com o Dr. Pedro os partilhou assim como as suas gentes que tanto iam fazer a festa em Cabanas como em Moledo

O melhor é ficar com o Poeta.
A Heroína, Deolinda da Castelhana é a mesma do ADEUS de Pedro Homem de Mello. É a mesma de Maria Manuela Couto Viana no seu ROMANCE DO RAPAZ DE VELUDO.

"PROTOPOEMA DA SERRA D’ARGA

 
Sonhei ou bem alguém me contou
Que um dia
Em San Lourenço da Montaria
Uma rã pediu a Deus para ser grande como um boi
A rã foi
Deus é que rebentou
E ficaram pedras e pedras nos montes à conta da fábula
Ficou aquele ar de coisa sossegada nas ruínas sensíveis
Ficou o desejo que se pega de deixar os dedos pelas arestas das fragas
Ficou a respiração ligeira do alívio do peso de cima
Ficou um admirável vazio azul para crescerem castanheiros
E ficou a capela como um inútil côncavo de virgem
Para dançar à roda o estrapassado e o vira
Na volta do San João d’Arga

Não sei se é bem assim em San Lourenço da Montaria
Sei que isto é mesmo assim em San Lourenço da Montaria
O resto não tem importância
O resto é que tem importância em San Lourenço da Montaria
O resto é a Deolinda
Dança os amores que não teve
Tem o fôlego do hálito alheio que lhe faltou a amolecer a carne
Seca como a da penedia
 
O resto é o verde que sangra nos beiços grossos de apetecerem ortigas
O resto são os machos as fêmeas e a paisagem é claro
Como não podia deixar de ser
As raízes das árvores à procura de merda na terra ressequida
Os bichos à procura dos bichos para fazerem mais bichos
Ou para comerem outros bichos
Os tira-olhos as moscas as ovelhas de não pintar
E o milho nos intervalos

Todas estas informações são muito mais poema do que parecem
Porque a poesia não está naquilo que se diz
Mas naquilo que fica depois de se dizer
Ora a poesia da Serra d’Arga não tem nada com as palavras
Nem com os montes nem com o lirismo fácil
De toda a poesia que por lá há

A poesia da Serra d’Arga está no desejo de poesia
Que fica depois da gente lá ter ido
Ver dançar a Deolinda
Depois da gente lá ter caçado rãs no rio
Depois da gente ter sacudido as varejeiras dos mendigos
Que também foram à romaria

As varejeiras põem as larvas nos buracos da pele dos mendigos
E da fermentação
Nascem odores azedos padre-nossos e membros mutilados

É assim na Serra d’Arga
Quando canta Deolinda
E vem gente de longe só para a ouvir cantar

Nesses dias
as larvas vêem-se menos
Pois o trabalho que têm é andar por debaixo das peles
A prepararem-se para voar

Quanto aos mendigos é diferente
A sua maneira de aparecer
Uns nascem já mendigos com aleijões e com as rezas sabidas
Do ventre mendigo materno
Outros é quando chupam o seio sujo das mães
Que apanham aquela voz rouca e as feridas
Outros então é em consequência das moscas e das chagas
Que vão à mendicidade

Não mo contou a Deolinda
Que só conta de amores
E só dança de cores
E só fala de flores
A Deolinda

Mas sabe-se na serra que há uma tribo especial de mendigos
Que para os criar bem
Lhes põem desde pequenos os pés na lama dos pauis
Regando-os com o esterco dos outros

Enquanto ali estão a criar as membranas que valem a pena
Vão os mais velhos ensinando-lhes as orações do agradecimento
Eles aprendem
Ao saberem tudo
Nasce de propósito um enxame de moscas para cada um

Todas as moscas que há no Minho
Se geraram nos mendigos ou para eles
E é por isso que têm as patinhas frias e peganhosas
Quando pousam em nós
E é por isso que aquele zumbido de vai-vem
Das moscas da Serra d’Arga
Ainda lembra a mastigação de lamúrias pelas alminhas do Purgatório
Em San Lourenço da Montaria

Este poema não tem nada que ver com os outros poemas
Nem eu quero tirar conclusões com os poetas nos artigos de fundo
Nem eu quero dizer que sofri muito ou gozei
Ou simplesmente achei uma maçada
Ou sim mas não talvez quem dera
Viva Deus-Nosso-Senhor

Este poema é como as moscas e a Deolinda
De San Lourenço da Montaria
E nem sequer lá foi escrito

Foi escrito conscienciosamente na minha secretária
Antes de eu o passar à máquina
Etc. que não tenho tempo para mais explicações

É que eu estava a falar dos mendigos e das moscas
E não disse
Contagiado pelo ar fino de San Lourenço da Montaria
Que tudo é assim em todos os dias do ano
Mas aos sábados e nos dias de romaria
Os mendigos e as moscas deles repartem-se melhor
São sempre mais
E creio de propósito
Ser na sexta-feira à noite
Que as mendigas parem aquela quantidade de mendigozinhos
Com que se apresentam sempre no dia da caridade

Elas parem-nos pelo corpo todo
Pois a carne
De tão amolecida pelos vermes
Não tem exigências especiais
E porque assim acontece
Todos os meninos nascidos deste modo têm aquele ar de coisa mole
Que nunca foi apertada

Os mendigos fazem parte de todas as paisagens verdadeiras
Em San Lourenço da Montaria
Além deles há a bosta dos bois
Os padres
O ar que é lindo
Os pássaros que comem as formigas
Algumas casas às vezes
Os homens e as mulheres

Por isso tudo ali parece ter sido feito de propósito
Exactamente de propósito
Exactamente para estar ali
E é por isso que se tiram as fotografias

Por isso tudo ali é naturalmente
Duma grande crueldade natural
Os meninos apertam os olhos das trutas
Que vêm da água do rio
Para elas estrebucharem com as dores e mostrarem que ainda estão vivas
Os homens beliscam o cu das mulheres para que elas se doam
E percebam assim que lhes agradam
Os animais comem-se uns aos outros
As pessoas comem muito devagar os animais e o pão
E as árvores essas
Sorvem monstruosamente pelas raízes tudo o que podem apanhar

Assim acaba este poema da Serra d’Arga
Onde ontem vi rachar uma árvore e me deu um certo gozo aquilo
Parecia a queda dum regímen
Tudo muito assim mesmo lá em cima
E cá em baixo dois suados à machadada

Ao cair o barulho parecia o duma coisa muito dolorosa
Mas no buraco do sítio da árvore
Na mata de pinheiral
O azul do céu emoldurado ainda era mais bonito
Em San Lourenço da Montaria"

ANTÓNIO PEDRO. Moledo, Agosto de 1948

VIVIAN HUNTER LEES - AMAVA AFIFE

AH!  Esta palavra Afife!

Afife por ser Afife
Por ter o nome que tem
não há terra como esta
para amar e querer bem

Tantas vezes o disse Pedro Homem de Mello

Ao que a Ofélia das Cachenas lhe respondia (dizem)

Afife tem cinco letras
Pedro cinco letras tem
ai esta palavra Afife
que com Pedro fica bem

Assim ou mais ou menos.
Ora Afife não tem explicação. É porque é!  Tão estranho o nome que não se sabe de onde vem.
Eu tenho uma teoria, fruto da minha observação, que mais tarde assumirei.

E Afife por ser Afife e por tudo se encerrar no seu nome, mereceu de Pedro Homem de Mello
esta homenagem:

AH!  Esta palavra Afife!
Volto a recordá-la atrás
Lento moinho de vento
feito de espaço e de tempo
Quantas saudades me faz

Ó casa das mil janelas
das mil noites estreladas
berço de longas estradas
poeta, fiei-me nelas

Ó abismo da lonjura
reflexo de pradaria
porque é que andei à procura
daquilo que não havia


Era aquí. aqui sòmente
que eu deveria ter ficado
Afife de toda a gente
que canta e dança a meu lado

Exagero de poetas dirão.
Pois é!
Mas que explicação terá encontrar no cemitério de Afife uma campa, por acaso um pouco ao lado da de Pedro Homem de Mello, onde se pode ler:

(Ele)                 AMAVA   AFIFE 

Que necessidade levou Vivian Hunter Lees a revelar aos passantes tal sentimento???

Lopesdareosa

quinta-feira, 10 de março de 2011

PROCESSO, PROGRESSO, REGRESSO, RETROCESSO


Esta encontrei-a em DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

http://revoltatuga.blogspot.com/2011/02/processo-progresso-regresso-retrocesso.html


Quote
As Câmaras Municipais estão a colocar as aldeias às escuras, à noite, desligando as luzes para não gastarem energia. Há cinquenta/sessenta anos atrás as aldeias também não tinham electricidade, nem de noite nem de dia.

Leio nos jornais que a moda deste ano vai ser os espartilhos e os soutiens feitos de materiais duros como a corticite. Há cinquenta, sessenta anos atrás, as mulheres usavam espartilho.

Os responsáveis pela, segurança Rodoviária querem instituir a velocidade máxima nas localidades de 30 km/h. Era isso que acontecia há cinquenta/sessenta anos atrás, quando em vez de automóveis havia, carroças nas ruas. Já não estaremos muito longe desse futuro devido à escalada do preço do petróleo e falta de uma energia alternativa à escala mundial.

Também li que, devido ao aumento do preço do tabaco, já há muita gente que retomou o hábito de fumar o tabaco de enrolar, tal como era frequente há cinquenta/ sessenta anos atrás.

Devido à carestia dos transportes, já há muita gente, em Lisboa, a andar nos transportes públicos (foi o telejornal que o demonstrou, há dias). Tal e qual como antes, há cinquenta/sessenta anos atrás, quando as pessoas iam para o emprego de cacilheiro, de autocarro, eléctrico ou de comboio.

Por causa do desemprego e dos cortes que os nossos embriagados governantes estão a fazer, já se vêem pessoas a fazer hortas na periferia de Lisboa, produzindo couves, batatas, feijões e cebolas, nos cantinhos abandonados das urbanizações. Tal como faziam os seus pais e avós, há cinquenta/sessenta anos atrás. Se querem ganhar dinheiro no futuro comecem a comprar todas as parcelas de terreno de solo arável ao redor das grandes cidades porque os custos dos transportes e do encarecimento do combustível já está a provocar um encarecimento vertiginoso dos bens alimentares.

Aliás, retoma-se actualmente o conceito de “agricultura biológica” que se fazia há cinquenta/sessenta anos atrás, antes de surgir a praga dos adubos industriais. E andam por ai engenheiros a ensinar técnicas de compostagem que era o que se fazia, há cinquenta/sessenta anos, ao aproveitar resíduos orgânicos, chamava-se-lhe estrume.

Li num jornal diário e vi uma peça de noticiário da televisão, que as cabras estão a ser utilizadas para prevenir os incêndios florestais, mandando-as pastar para as florestas comer aquilo que, não sendo eliminado, constitui combustível propício à deflagração dos incêndios. Essa técnica era amplamente utilizada há cinquenta/sessenta anos atrás. Hoje para os combatermos temos uma protecção civil a gastar milhões e com um comandante a encher os bolsos com um saco azul, segundo as últimas notícias.

O mais interessante é que tudo isto está a acontecer em nome do futuro, recuperando aquilo que havia no passado.

Como lhe chamar? Processo? Progresso? Regresso? Ou retrocesso?
Unquote

MEU COMENTÁRIO
Brilhante! Tão brilhante que para mim é como OS LUSÍADAS. Só tenho pena de não ter sido eu a escrever este texto.
A parte das cabras também está no meu:
No entanto essa parte, a da "agricultura biológica" ( antigamente chamava-se lavoura) e a das "Hortas Urbanas"  já as vejo (agora) defendidas por aqueles que destruíram essas mesmas práticas.
Destruiram a ruralidade - agora querem cabras no monte!
Destruíram a lavoura - agora querem a "agricultura biológica" que ao fim e ao cabo vem dar ao mesmo.
Enterraram solo arável debaixo de betão e cimento armado ( para a expansão das cidades, diziam) agora
defendem a "novidade" das "hortas urbanas".
Antigamente os artistas; trolhas, moços da cal, caiadores, estucadores, pintores, pedreiros, canteiros, metalúrgicos. íam para o trabalho de bicicleta. Depois toda a gente arranjou um chibante. Não sem que não se tivesse passado pelos motões, sashes, zundaps e floretes.
Agora é moda pretenderem que andemos de bicicleta!
É o Portugal dos reconvertidos que tem no Presidente a sua máxima expressão!
Discurso de segunda posse; tudo ao contrário do que praticou durante dez anos como Primeiro Ministro!

Tudo isto me faz pensar nos tempos que crescí usando ceroulas.
Na minha adolescência apareceram os trussus. Envergonhado lá seguí a moda. Envergonhado duas vezes. Era vergonha os outros aperceberem-se que ainda usava ceroulas.
Mais recentemente deu tudo em usar boxers que, afinal, são ceroulas.
Vá lá entender o mundo.

Nesta geografia o grande salto civilizacional foi dado pelas raparigas.
Antigamente para chegar ás nádegas tinha que se apartar as calcinhas.
Agora para chegar ás calcinhas tem que se apartar as nádegas.
TONE DO MOLEIRO NOVO