terça-feira, 15 de março de 2011

PROTOPOEMA DA SERRA D’ARGA

Este texto só aparentemente é que não terá nada a ver com o lirismo de Pedro Homem de Mello ou de Maria Manuela Couto Viana.
Dito de outra forma é ANÓNIO PEDRO que fala:
 
"Ora a poesia da Serra d’Arga não tem nada com as palavras
Nem com os montes nem com o lirismo fácil
De toda a poesia que por lá há
A poesia da Serra d’Arga está no desejo de poesia
Que fica depois da gente lá ter ido
Ver dançar a Deolinda"

Ou de ouvir tocar a cantar o Nelson de Covas, ou ver, por cima do ombro, dois olhos atravessados, diria eu. Pois apesar do surrealista asseverar que nem sequer foi escrito nas Argas nem em S. Lourenço, ele conhecia todos os caminhos para lá chegar. Com o Dr. Pedro os partilhou assim como as suas gentes que tanto iam fazer a festa em Cabanas como em Moledo

O melhor é ficar com o Poeta.
A Heroína, Deolinda da Castelhana é a mesma do ADEUS de Pedro Homem de Mello. É a mesma de Maria Manuela Couto Viana no seu ROMANCE DO RAPAZ DE VELUDO.

"PROTOPOEMA DA SERRA D’ARGA

 
Sonhei ou bem alguém me contou
Que um dia
Em San Lourenço da Montaria
Uma rã pediu a Deus para ser grande como um boi
A rã foi
Deus é que rebentou
E ficaram pedras e pedras nos montes à conta da fábula
Ficou aquele ar de coisa sossegada nas ruínas sensíveis
Ficou o desejo que se pega de deixar os dedos pelas arestas das fragas
Ficou a respiração ligeira do alívio do peso de cima
Ficou um admirável vazio azul para crescerem castanheiros
E ficou a capela como um inútil côncavo de virgem
Para dançar à roda o estrapassado e o vira
Na volta do San João d’Arga

Não sei se é bem assim em San Lourenço da Montaria
Sei que isto é mesmo assim em San Lourenço da Montaria
O resto não tem importância
O resto é que tem importância em San Lourenço da Montaria
O resto é a Deolinda
Dança os amores que não teve
Tem o fôlego do hálito alheio que lhe faltou a amolecer a carne
Seca como a da penedia
 
O resto é o verde que sangra nos beiços grossos de apetecerem ortigas
O resto são os machos as fêmeas e a paisagem é claro
Como não podia deixar de ser
As raízes das árvores à procura de merda na terra ressequida
Os bichos à procura dos bichos para fazerem mais bichos
Ou para comerem outros bichos
Os tira-olhos as moscas as ovelhas de não pintar
E o milho nos intervalos

Todas estas informações são muito mais poema do que parecem
Porque a poesia não está naquilo que se diz
Mas naquilo que fica depois de se dizer
Ora a poesia da Serra d’Arga não tem nada com as palavras
Nem com os montes nem com o lirismo fácil
De toda a poesia que por lá há

A poesia da Serra d’Arga está no desejo de poesia
Que fica depois da gente lá ter ido
Ver dançar a Deolinda
Depois da gente lá ter caçado rãs no rio
Depois da gente ter sacudido as varejeiras dos mendigos
Que também foram à romaria

As varejeiras põem as larvas nos buracos da pele dos mendigos
E da fermentação
Nascem odores azedos padre-nossos e membros mutilados

É assim na Serra d’Arga
Quando canta Deolinda
E vem gente de longe só para a ouvir cantar

Nesses dias
as larvas vêem-se menos
Pois o trabalho que têm é andar por debaixo das peles
A prepararem-se para voar

Quanto aos mendigos é diferente
A sua maneira de aparecer
Uns nascem já mendigos com aleijões e com as rezas sabidas
Do ventre mendigo materno
Outros é quando chupam o seio sujo das mães
Que apanham aquela voz rouca e as feridas
Outros então é em consequência das moscas e das chagas
Que vão à mendicidade

Não mo contou a Deolinda
Que só conta de amores
E só dança de cores
E só fala de flores
A Deolinda

Mas sabe-se na serra que há uma tribo especial de mendigos
Que para os criar bem
Lhes põem desde pequenos os pés na lama dos pauis
Regando-os com o esterco dos outros

Enquanto ali estão a criar as membranas que valem a pena
Vão os mais velhos ensinando-lhes as orações do agradecimento
Eles aprendem
Ao saberem tudo
Nasce de propósito um enxame de moscas para cada um

Todas as moscas que há no Minho
Se geraram nos mendigos ou para eles
E é por isso que têm as patinhas frias e peganhosas
Quando pousam em nós
E é por isso que aquele zumbido de vai-vem
Das moscas da Serra d’Arga
Ainda lembra a mastigação de lamúrias pelas alminhas do Purgatório
Em San Lourenço da Montaria

Este poema não tem nada que ver com os outros poemas
Nem eu quero tirar conclusões com os poetas nos artigos de fundo
Nem eu quero dizer que sofri muito ou gozei
Ou simplesmente achei uma maçada
Ou sim mas não talvez quem dera
Viva Deus-Nosso-Senhor

Este poema é como as moscas e a Deolinda
De San Lourenço da Montaria
E nem sequer lá foi escrito

Foi escrito conscienciosamente na minha secretária
Antes de eu o passar à máquina
Etc. que não tenho tempo para mais explicações

É que eu estava a falar dos mendigos e das moscas
E não disse
Contagiado pelo ar fino de San Lourenço da Montaria
Que tudo é assim em todos os dias do ano
Mas aos sábados e nos dias de romaria
Os mendigos e as moscas deles repartem-se melhor
São sempre mais
E creio de propósito
Ser na sexta-feira à noite
Que as mendigas parem aquela quantidade de mendigozinhos
Com que se apresentam sempre no dia da caridade

Elas parem-nos pelo corpo todo
Pois a carne
De tão amolecida pelos vermes
Não tem exigências especiais
E porque assim acontece
Todos os meninos nascidos deste modo têm aquele ar de coisa mole
Que nunca foi apertada

Os mendigos fazem parte de todas as paisagens verdadeiras
Em San Lourenço da Montaria
Além deles há a bosta dos bois
Os padres
O ar que é lindo
Os pássaros que comem as formigas
Algumas casas às vezes
Os homens e as mulheres

Por isso tudo ali parece ter sido feito de propósito
Exactamente de propósito
Exactamente para estar ali
E é por isso que se tiram as fotografias

Por isso tudo ali é naturalmente
Duma grande crueldade natural
Os meninos apertam os olhos das trutas
Que vêm da água do rio
Para elas estrebucharem com as dores e mostrarem que ainda estão vivas
Os homens beliscam o cu das mulheres para que elas se doam
E percebam assim que lhes agradam
Os animais comem-se uns aos outros
As pessoas comem muito devagar os animais e o pão
E as árvores essas
Sorvem monstruosamente pelas raízes tudo o que podem apanhar

Assim acaba este poema da Serra d’Arga
Onde ontem vi rachar uma árvore e me deu um certo gozo aquilo
Parecia a queda dum regímen
Tudo muito assim mesmo lá em cima
E cá em baixo dois suados à machadada

Ao cair o barulho parecia o duma coisa muito dolorosa
Mas no buraco do sítio da árvore
Na mata de pinheiral
O azul do céu emoldurado ainda era mais bonito
Em San Lourenço da Montaria"

ANTÓNIO PEDRO. Moledo, Agosto de 1948

VIVIAN HUNTER LEES - AMAVA AFIFE

AH!  Esta palavra Afife!

Afife por ser Afife
Por ter o nome que tem
não há terra como esta
para amar e querer bem

Tantas vezes o disse Pedro Homem de Mello

Ao que a Ofélia das Cachenas lhe respondia (dizem)

Afife tem cinco letras
Pedro cinco letras tem
ai esta palavra Afife
que com Pedro fica bem

Assim ou mais ou menos.
Ora Afife não tem explicação. É porque é!  Tão estranho o nome que não se sabe de onde vem.
Eu tenho uma teoria, fruto da minha observação, que mais tarde assumirei.

E Afife por ser Afife e por tudo se encerrar no seu nome, mereceu de Pedro Homem de Mello
esta homenagem:

AH!  Esta palavra Afife!
Volto a recordá-la atrás
Lento moinho de vento
feito de espaço e de tempo
Quantas saudades me faz

Ó casa das mil janelas
das mil noites estreladas
berço de longas estradas
poeta, fiei-me nelas

Ó abismo da lonjura
reflexo de pradaria
porque é que andei à procura
daquilo que não havia


Era aquí. aqui sòmente
que eu deveria ter ficado
Afife de toda a gente
que canta e dança a meu lado

Exagero de poetas dirão.
Pois é!
Mas que explicação terá encontrar no cemitério de Afife uma campa, por acaso um pouco ao lado da de Pedro Homem de Mello, onde se pode ler:

(Ele)                 AMAVA   AFIFE 

Que necessidade levou Vivian Hunter Lees a revelar aos passantes tal sentimento???

Lopesdareosa

quinta-feira, 10 de março de 2011

PROCESSO, PROGRESSO, REGRESSO, RETROCESSO


Esta encontrei-a em DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

http://revoltatuga.blogspot.com/2011/02/processo-progresso-regresso-retrocesso.html


Quote
As Câmaras Municipais estão a colocar as aldeias às escuras, à noite, desligando as luzes para não gastarem energia. Há cinquenta/sessenta anos atrás as aldeias também não tinham electricidade, nem de noite nem de dia.

Leio nos jornais que a moda deste ano vai ser os espartilhos e os soutiens feitos de materiais duros como a corticite. Há cinquenta, sessenta anos atrás, as mulheres usavam espartilho.

Os responsáveis pela, segurança Rodoviária querem instituir a velocidade máxima nas localidades de 30 km/h. Era isso que acontecia há cinquenta/sessenta anos atrás, quando em vez de automóveis havia, carroças nas ruas. Já não estaremos muito longe desse futuro devido à escalada do preço do petróleo e falta de uma energia alternativa à escala mundial.

Também li que, devido ao aumento do preço do tabaco, já há muita gente que retomou o hábito de fumar o tabaco de enrolar, tal como era frequente há cinquenta/ sessenta anos atrás.

Devido à carestia dos transportes, já há muita gente, em Lisboa, a andar nos transportes públicos (foi o telejornal que o demonstrou, há dias). Tal e qual como antes, há cinquenta/sessenta anos atrás, quando as pessoas iam para o emprego de cacilheiro, de autocarro, eléctrico ou de comboio.

Por causa do desemprego e dos cortes que os nossos embriagados governantes estão a fazer, já se vêem pessoas a fazer hortas na periferia de Lisboa, produzindo couves, batatas, feijões e cebolas, nos cantinhos abandonados das urbanizações. Tal como faziam os seus pais e avós, há cinquenta/sessenta anos atrás. Se querem ganhar dinheiro no futuro comecem a comprar todas as parcelas de terreno de solo arável ao redor das grandes cidades porque os custos dos transportes e do encarecimento do combustível já está a provocar um encarecimento vertiginoso dos bens alimentares.

Aliás, retoma-se actualmente o conceito de “agricultura biológica” que se fazia há cinquenta/sessenta anos atrás, antes de surgir a praga dos adubos industriais. E andam por ai engenheiros a ensinar técnicas de compostagem que era o que se fazia, há cinquenta/sessenta anos, ao aproveitar resíduos orgânicos, chamava-se-lhe estrume.

Li num jornal diário e vi uma peça de noticiário da televisão, que as cabras estão a ser utilizadas para prevenir os incêndios florestais, mandando-as pastar para as florestas comer aquilo que, não sendo eliminado, constitui combustível propício à deflagração dos incêndios. Essa técnica era amplamente utilizada há cinquenta/sessenta anos atrás. Hoje para os combatermos temos uma protecção civil a gastar milhões e com um comandante a encher os bolsos com um saco azul, segundo as últimas notícias.

O mais interessante é que tudo isto está a acontecer em nome do futuro, recuperando aquilo que havia no passado.

Como lhe chamar? Processo? Progresso? Regresso? Ou retrocesso?
Unquote

MEU COMENTÁRIO
Brilhante! Tão brilhante que para mim é como OS LUSÍADAS. Só tenho pena de não ter sido eu a escrever este texto.
A parte das cabras também está no meu:
No entanto essa parte, a da "agricultura biológica" ( antigamente chamava-se lavoura) e a das "Hortas Urbanas"  já as vejo (agora) defendidas por aqueles que destruíram essas mesmas práticas.
Destruiram a ruralidade - agora querem cabras no monte!
Destruíram a lavoura - agora querem a "agricultura biológica" que ao fim e ao cabo vem dar ao mesmo.
Enterraram solo arável debaixo de betão e cimento armado ( para a expansão das cidades, diziam) agora
defendem a "novidade" das "hortas urbanas".
Antigamente os artistas; trolhas, moços da cal, caiadores, estucadores, pintores, pedreiros, canteiros, metalúrgicos. íam para o trabalho de bicicleta. Depois toda a gente arranjou um chibante. Não sem que não se tivesse passado pelos motões, sashes, zundaps e floretes.
Agora é moda pretenderem que andemos de bicicleta!
É o Portugal dos reconvertidos que tem no Presidente a sua máxima expressão!
Discurso de segunda posse; tudo ao contrário do que praticou durante dez anos como Primeiro Ministro!

Tudo isto me faz pensar nos tempos que crescí usando ceroulas.
Na minha adolescência apareceram os trussus. Envergonhado lá seguí a moda. Envergonhado duas vezes. Era vergonha os outros aperceberem-se que ainda usava ceroulas.
Mais recentemente deu tudo em usar boxers que, afinal, são ceroulas.
Vá lá entender o mundo.

Nesta geografia o grande salto civilizacional foi dado pelas raparigas.
Antigamente para chegar ás nádegas tinha que se apartar as calcinhas.
Agora para chegar ás calcinhas tem que se apartar as nádegas.
TONE DO MOLEIRO NOVO

segunda-feira, 7 de março de 2011

OS BARRETES

A ideia do título encontrei-a na página 3 da edição do i de 28 de Fevereiro de 2011.
No artigo OS BARRETOS, da autoria do Engenheiro Agrónomo José Martino, este manifestava que tinha saudades de António Barreto que, numa curta experiência ministerial à frente da Agricultura, tentara (?) pôr ordem na Reforma Agrária em curso ( no Alentejo, acrescento).
E também saudades de Álvaro Barreto que, como ministro da Agricultura durante os consulados de Cavaco Silva como primeiro Ministro, tinha sido o principal negociador em Bruxelas dos apoios comunitários que iriam culminar nos acordos da PAC cujo rosto foi Arlindo Cunha.
Depois de uma série de justificações defendeu nesse artigo que, não tendo sido brilhantes os últimos anos para a agricultura, que tinha chegado ao que chegou,  por falta de uma política para as especificidades das agriculturas de Portugal, tinha  a esperança numa próxima e certeira resposta e que esta dependeria do aparecimento de um misto de António Barreto e Alvaro Barreto para resolver a questão.

Também no PUBLICO o mesmo autor e já em 29 de Janeiro último, num texto a OLHAR PARA O FUTURO e dada a situação a que chegara a agricultura, aconselhava António Serrano a ouvir com urgência o "nosso " rosto da PAC, Arlindo Cunha.

Ora como a questão é OLHAR PARA O FUTURO só se entenderá o desejo do aparecimento de um misto de António e Alvaro Barreto para resolver a questão da nossa agricultura ou a audição de Arlindo Cunha "nosso" rosto da PAC, no sentido nos elucidarem sobre tanta asneira feita e seus porquês, dado que como figuras do PASSADO e pelas experiência havidas, nos poderão ajudar a decidir sobre o que não se deve fazer.

Isto porque
António Barreto para além de ser o coveiro da "Reforma Agrária" ( e não vou sequer classificar se bem ou se mal) nada mais adiantou à agricultura em Portugal. Sendo a tal reforma agrária confinada ao Alentejo, suas herdades e seus proprietários, António Barreto limitou-se a resolver o problema destes. E nada mais se notou além e no aquém Tejo muito menos ou mesmo nada.

Alvaro Barreto foi o coveiro definitivo ( com Arlindo Cunha) da Nossa Agricultura. Trocou-a  por dinheiro a mando de Cavaco Silva, Presidente da Junta à data.

E nem sequer é (apenas) a minha opinião. Estou a citar por exemplo;

Mário Crespo- Ver JN de 27 de Julho de 2009
"As maiorias absolutas de Cavaco Silva e José Sócrates e a maioriazinha limiana de Guterres tiveram em comum o acesso a imensas verbas da Comunidade Europeia. Apesar disso esses governos deixaram legados que se traduzem nos terríveis números da insolvência. A maior responsabilidade vem da primeira maioria do PSD com aumentos eleitoralistas de ordenados do funcionalismo público que não foram suportados pelo crescimento da produtividade mas por verbas da CEE que deviam ter outro destino.
Eram dinheiros previstos no Tratado de Adesão assinado por Soares e Mota Pinto, para modernizar o sistema produtivo. Desfeito o Bloco Central, as dádivas comunitárias foram desaparecendo, desbaratadas por má administração e saque. 
Foram montantes colossais os que Cavaco Silva mandou Álvaro Barreto negociar a Bruxelas, mandatando-o para abreviar os períodos de integração da economia nacional na CEE a troco de dinheiro. Sem prazos de salvaguarda para proteger áreas económicas críticas, ( muitos países comunitários ainda os detêm) Portugal enfrentou a competitividade brutal  das economias mais desenvolvidas do Mundo" 


Miguel de Sousa Tavares

Céu nublado Expresso Quinta feira, 13 de Maio de 2010

Quando entrámos na UE, o ministro das Finanças da altura, Ernâni Lopes, anunciou "acabou-se o fado!". Mas, estranhamente ou não, a mensagem produziu exactamente o efeito oposto: "Agora, o fado vai ser subsidiado por Bruxelas". E foi, Deus sabe que foi! Anos a fio, programa a programa, sector a sector. Na década do agora inimigo das grandes obras públicas, Cavaco Silva, construímos sem parar: auto-estradas e hospitais, escolas e tudo mais. "O país está dotado de infra-estruturas!", proclamou-se, triunfantemente. E, de facto, o país precisava. O problema é que, enquanto se dotava de infra-estruturas para servir a economia, o país vendia a economia, a troco de subsídios para abate e set-aside: vendemos assim a agricultura, as pescas, as minas, a marinha mercante, os portos, as indústrias que podiam vir a ser competitivas - ficámos com os têxteis e o fado. E, quando alguém, subitamente, perguntou "de que vamos viver no futuro?", sorriram, com ar complacente. Então, não era óbvia a resposta? Iríamos viver dos serviços, do turismo, da "sociedade de informação" e... de Bruxelas."


Jorge Cruz em http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=111328
Diário Online terça-feira, 21 Dezembro 2010
"Afinal, tudo o que eu aprendi sobre desenvolvimento ao longo dos anos de estudo e de leituras, estava errado. Em Portugal, depois do 25 de Abril e sobretudo depois de aderirmos “à Europa”, o desenvolvimento do interior passou por fecharam milhares de serviços como: Linhas de Caminho de Ferro e respectivas estações e apeadeiros; Postos de GNR; Correios; Quartéis Militares; Escolas; Centros de Saúde; Maternidades; Casas de Cantoneiros entre outros. Acabamos com a Agricultura, com as Pescas, com a Siderurgia, com as Indústrias dos Vidros, do Calçado e dos Têxteis e com a Industria Naval Pesada. Em troca de uns subsídios da Comunidade Europeia, foram abatidos barcos de pesca, abandonadas fábricas e explorações agrícolas. Centenas de Construções como Silos, Escolas, Estações de Caminho de Ferro, Edifícios Militares, Conventos, Palácios e outros, onde se instalavam os serviços encerrados, ficaram ao abandono e a desvalorizarem zonas anteriormente nobres das cidades e das vilas."

Mas se estes testemunhos forem suspeitos, aconselho a ler um artigo de Manuel Coelho dos Santos no JN de 30 de Abril de 1995 bem mais perto da cozinha dos acontecimentos.


Deste saliento:
"Quando antecipamos em três anos a aberturas das fronteiras para os produtos agrícolas, em vez de tentarmos protelar por mais alguns anos essa liberalização o que se pretendeu foi a baixa da inflação ( também ninguém pensou no correspondente aumento défice externo) mesmo que à custa de um sector fundamental do país e receber por essa via mais uma centena de milhões de contos, que ninguém sabe onde foram parar.
A nossa postura nas negociações com a União Europeia tem sido sempre a mesma com os resultados catastróficos que hoje melhor se evidenciam..."

Nesse artigo Manuel Coelho dos Santos referia-se à situação catastrófica e à desertificação para que o nosso mundo rural caminhava inexoràvelmente.

Isto em Abril 1995 e sem citar responsáveis. Se o fizesse decerto que não invocaria marcianos.

Chamar agora António Barreto, Álvaro Barreto e Arlindo Cunha só se fosse para testemunharem o que andaram a fazer, ajudando dessa forma a evitar a repetição das políticas de que eles mesmos foram responsáveis.

(Jagora, porque não ouvir também Cavaco Silva?)  
Tone do Moleiro Novo

ILUSÃO DE ÓPTICA


Cruzaram o terreiro num fim de tarde aborrecida

Dois passos altos e uma testa erguida

Logo os meus olhos tomaram o destino d’uma seta
E a praça, cheia de gente, deixou de ser deserta

Dei ás minhas mãos a direcção do chamamento
Dei aos meus passos os caminhos da aventura

Sem medir a utopia do momento
Dei asas  de andorinha ao meu tolo pensamento 

Nas ânsias da procura


Dei ao meu corpo os sinais de entrega

Dei-me à surda insensatez que também é cega


Dei aos meus gestos o convite dos sentidos

Dei aos meus sentidos os gestos proibidos

Quando naquele largo numa tarde aborrecida
os passos foram altos  e a testa erguida
Dei ás minhas pulsações o ritmo da vida

Dei aos meus olhos o destino de uma seta
Dei aos meus versos a desgraça do poeta

Mas a urbe é curta para o arrátel do esteta

Esgota-se a Cidade na classe média


Reles, pequena, mesquinha,
                                                                 a burguesia

que não entende e ri-se dela – escarninha -
                                                        a poesia!

Tone do Moleiro Novo num dia mais atarefado em encontrar rimas para
a poesia sem ir ao dicionário das cujas.

sábado, 5 de março de 2011

DEPOIS DE ENTRE-OS-RIOS, DEZ ANOS

Da História que hoje é feita retenho o seguinte e cito:

" A função da Justiça (com Jota grande) não é procurar culpados."

Pergunto eu:
 - Então de quem é?
- Do cidadão anónimo?
- Como?
- A correr,  atrás dos suspeitos, com uma forquilha  na mão???

O curioso é que depois de se fixar tal afirmação se afirme também que:

"Na origem da queda da travessia estiveram causas
naturais entre as quais cinco cheias consecutivas no
Inverno de 2001"

Ou seja; não sendo função da Justiça arranjar culpados, encontrou-os, e foram AS CAUSAS NATURAIS e não outros.

Quanto a isto, só tenho a dizer que estamos numa época muito democrática e institucional.
Se isto sucedesse no Condado Portucalense e o Conde fosse eu, haveria enforcamentos.

Mas como não estamos nessa época e sou apenas mais um cidadão no
meio do recenceamento, tenho, no entanto, (penso eu) a liberdade de
manifestar que:

Tendo todo o respeito por todos os; especialistas, juristas, economistas, capitalistas, ciclistas, contrabandistas e outros artistas, não os quereria para responsáveis pela Manutenção da minha empresa. No dia em que depois de um temporal, o pavilhão caísse, iriam dizer ao patrão que na origem da queda esteve a ventania depois de se saber que o tal pavilhão tinha "...estado ao abandono, fora de qualquer observação, fiscalização ou acompanhamento há mais de dez anos..." da parte desses mesmos responsáveis.

E como não tenho o poder, nem estamos em tempos, de mandar enforcar alguém, sempre daria um trabalho para casa de castigo e a apresentar no dia seguinte. Mesmo que antipedagógico. Ver http://lopesdareosa.blogspot.com/2010/11/historia-do-anti-pedagogico.html


Todos iriam escrever 50 vezes.

Primeiro exercício

-  Os Elementos da Natureza destruirão um dia (o que não se sabe é quando) a  Muralha da China e as Pirâmides do Egipto se nunca se fizer  manutenção às mesmas.

Segundo exercício

- Se não houvesse um programa sistemático de inspecções e manutenção da Torre Eifel, da Ponte de D.   Luis e/ou da Ponte de Viana, estas, entregues ás CAUSAS NATURAIS, já teriam caído.

Castigo leve afinal dirão.
Pois é mas depois e sempre que apresentassem o trabalho pronto, mandava-o repetir.

LOPESDAREOSA

sexta-feira, 4 de março de 2011

HÁ LAVRADORES E HÁ AGRICULTORES
































Essa é a minha opinião.
Mas já na década de trinta do século passado a CUF sabia disso!

Barros Lopes
Afife