domingo, 13 de fevereiro de 2011

ROMANCE DO RAPAZ DE VELUDO -- FRANCISCO

Já me referi a este texto de Maria Manuela Couto Viana em
ROMANCE DO RAPAZ DE VELUDO 

Uma despedida no meu pobre entender. Uma morte abstracta. Talvez de um tempo. Talvez do próprio tempo! É que e na última quadra, a autora confessa a sua dúvida.
"Minha noite de Ameaça
O meu punhal de ciúme,
Só não sei se foi o mar,
Se fui eu que o matara"

Mas se de um afogado da vida se tratasse, e tantos se enredaram no argaço, o Rapaz de Veludo poderia ser das Caxinas, de Caminha, ou mesmo de Carreço.
Francisco Enes Pereira, do lugar de Montedor, teve por sudário o crespelho do mar dos Açores.
Pedro Homem de Mello dedicou-lhe o seguinte texto:

FRANCISCO
"Trazia-nos o mar quando cantava...
Era seu canto a própria maresia!
Contudo, em sua boca, uma flor brava –
Rosa de carne – à terra, ainda o prendia.
Nos seus dedos, as sombras das gaivotas
Poisavam sem poisar...
Mastro perdido! Inverosímeis rotas
Que nunca mais hão-de recomeçar!
Seria frágil? Sim, porque era forte.
Seria bom? Não sei... mas era puro.
Tinha a beleza que anuncia a morte
Do lírio prematuro.
Quadril enxuto. E o peito? – Asas redondas
Com que se voa mais que se respira!
Corpo de efebo no cristal das ondas.
Em vez de vermes, algas de safira..."

Tinha vinte anos. Bem poderia ser o rapaz de veludo de Maria Manuela Couto Viana. Aliás os dois textos tresandam um ao outro. Esse sabor amargo que tanto aproximou os Poetas. Qual maior a admiração que tinham um pelo outro!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O VILARINHO

Prometi antes que voltaria a este brasileiro!
O Ernesto Paço tirou-nos esta fotografia no ano passado no São João das Cerejas




















O contra luz deu para não se perceber lá muito quem está ao lado. E ainda bem!
Atráz, o adro de S. João sempre pertenceu ao Nelson. Naquelas pedras, da capela, dos quarteis, estarão silenciosamente guardadas as imagens, os sons, a música, as quadras, do Nelson e  sua concertina.
Quem teve a felicidade de ter nascido a tempo de tudo isso presenciar olha para aquele lugar, jazigo, onde ficam depositadas todas essas recordações de um tempo impossivel de reconstruir.
Quem veio depois talvez imagine o que tenha sido.
É possível. Há quem tenha saudades desse não vivido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O ADEUS DA OFÉLIA DAS CACHENAS

OFÉLIA DAS CACHENAS




















Temos a tendência de só nos lembrar na morte daqueles que, já em vida, manifestaram a sua grandeza. A par de tecermos loas à coisa estranha passando ao lado daquilo que nos pertence. Vem tudo a propósito de Pedro Homem de Mello por quem ouvi vários intelectuais manifestar desdém quanto à sua forma ( aparentemente afectada e superficial ) de exprimir o seu sentido das coisas e das gentes que o rodeavam. Muitos tão pouco sabiam (sabem) a que é que se referia na sua poesia. Daí o desentendimento. O que não evitava a emissão de juízos acerca de coisas que ultrapassavam a compreensão, a sensibilidade e principalmente o conhecimento dos críticos.
A este menosprezo se referiu Alberto Serpa - O Poeta do Leça - grande amigo de Pedro Homem de Mello, quando a uma afirmação sua de que o Porto era triste e comercial, berço incómodo de tantos Poetas, Frederico Schmidt lhe teria replicado:

" - Seu Serpa! Esse Porto não é comercial nem triste."

Ao que Alberto Serpa lhe dirigiu o seguinte bilhete:

" Este Porto conhece-o bem quem lida
   por estas ruas, mesmo de ar tranquilo

   como o que viste em mim - Se manda a vida ...
   É o mesmo Porto
   que fez figas, mais gestos, ao Camilo
   quando ele passou, morto.
   Diria - falasse nosso irmão Anto ...

   Como troçaram seu verso mais singelo
   o verso em que corria maior pranto.

   Hoje riem-se de mim, do Pedro Homem de Mello

   Seja sempre cruel esta cidade
   Cantem poetas seus até à Eternidade."   

Mas Pedro Homem de Mello nasceu no Porto. Tão bem conhece a Cidade. E envia este abraço a Alberto Serpa

" Aqui neste papel ( a minha carta
   leva um pedaço do meu coração!)
   juro in aeternum - Nada nos aparta.
   Nem o silêncio, nem a escuridão.

Ambos nascemos junto ao mesmo rio
 E vimos, ambos, sempre o mesmo mar
 Por isso o nosso cântico tardio
 Diz que  « sofremos sim mas devagar...»

 Teu nome é Fonte... O meu estrela Morta
 Ao pé de nós, quanta ironia vã!
  Os outros não nos vêem? - Não importa.
  Riem? - Talvez que chorem amanhã."

Mas, Afife, não é cidade e sempre soube manifestar-se reconhecida aos seus maiores. Fê-lo com Pedro Homem de Mello. Fê-lo com a Ofélia das Caxenas.  E perguntarão:

-         Mas quem é a Ofélia das Caxenas? A quem Afife disse adeus agora?


Adeus se diz a muita coisa. Em 1951 Pedro Homem de Mello despediu-se da Poesia com o seu livro ADEUS
































Alberto Serpa não lhe "perdoou" e resolveu dar esta lição ao Poeta.

" Como podes dizer à Poesia um Adeus?
  Que desespero te desvaria?
  Enganos, Pedro, sonhos teus!
  Só a Morte - e talvez - nos livra da Poesia
  Ela é aquela mulher
  Que passa em nossa vida - e nunca passa
  Fica na Alma na carne. A gente quer

  mandá-la embora, qual a uma desgraça
  que nos faz em pedaços
  e nos mata.

  Mas, se nos mostra a face, abrem-se os nossos braços
  a vida dá-se toda sem condições - e grata."

Ora nesse livro ADEUS, Pedro Homem de Mello despede-se assim:

































 - Domingos Enes Pereira era de Montedor - Carreço, da Casa das Bourouas. O FANDANGUEIRO

-  Deolinda da Castelhana é do Lugar de Espantar - São Lourenço da Montaria

-  A Ofélia das Caxenas é aquela que nos disse Adeus ao cair da Noite Grande de S. João d'Arga ( dos aromas de urze e de lama desse hino que é o Povo que Lavas no Rio. Aromas que ela tão bem conhecia). Dorme agora em paz, vizinha do Poeta. A Ofélia das Cachenas que não mais me perguntará como foi o S. João d'Arga.  De qualquer forma este ano não estive lá. O mesmo fogo que a afligiu à morte, me impediu de lá ir. Chorei por causa disso.

        Afife, Setembro de 1987

Foi publicado na A AURORA DO LIMA em 21 de Dezembro de 1988

domingo, 30 de janeiro de 2011

FERNANDO MELIM


FERNANDO  MELIM

Fernando Melim, nasceu em 21 de Setembro de 1944, na Urgeira, Valença do Minho, combateu na Guerra Colonial.  Para-quedista em Angola (1963/65)

Conheci-o ainda nos fins da década de 50 na Colónia Balnear da PSP no Cabedelo. Depois na Escola Industrial e Comercial nos inicos de 60. Um dos meus ídolos de então. Atleta de eleição, idealista, tinha de encontrar a projecção do seu próprio  narcisismo ( porque não dizê-lo) intelectual que o levava a também procurar constantemente a perfeição física. Foi parar aos páraquedistas, muito naturalmente.

Passei por lá em 69, quatro anos depois do Melim ter passado à disponibilidade e ainda nessa altura os oficiais, Mansilha, Almendra, Bragança Moutinho, Rodrigues, Lousada, se lembravam do Soldado Melim. Tinha envergadura de oficial, diziam. De facto, quem o conhecesse saberia que tinha estofo para comandar um pelotão, uma companhia ou mesmo um batalhão.

Vem isto a propósito de nos tempos que correm aparecerem cada vez mais livros e outras publicações
acerca da Guerra do Ultramar ou Colonial, como queiram. E ainda bem. Isto compensando todo este tempo passado desde o início dessa guerra - já lá vão 50 anos! sem que os portugueses tivessem dado à estampa as suas experiências pelo menos na quantidade que essa história vivida mereceria. Se fosse na América já teriam sido escritos um milhão de livros, realizados milhão e meio de filmes na maior parte dos quais teriam até ganho a própria guerra!
Mas nós somos assim. Palradores de tasca e de café acerca do futebol e da baixa política guardamos e amarfanhamos o que nos vai mais fundo na alma. E a guerra, durante muito tempo, foi coisa para esquecer. Foi para não se falar nisso. No entanto cada vez mais (e ainda bem como já disse) aparecem os testemunhos, os relatos, os livros, os romances, os albuns, as reportagens, os filmes. A net ajudou muito nos tempos mais recentes.
A própria comunicação social vai dando conta desse "fenómeno"
Aqui chegado, chego aonde queria chegar!
Que seja do meu conhecimento o primeiro protagonista dessa guerra que sobre a mesma escreveu foi precisamente o FERNANDO MELIM. E nele a escrita não seria outra coisa de se esperar. Estava-lhe dentro da sua humanidade. E daí essa necessidade quase imediata em cima dos acontecimentos.
Em 1969 editou um livro intitulado ANJOS PARA O INFERNO

Anjos para o Inferno

Logo a seguir REQUIEM PARA OS HERÓIS.
Este baseado nas suas vivências de guerra mas transposto para cenários da segunda guerra mundial.

Para que conste. Com as minhas homenagens ao precursor e ao amigo!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

LENGA LENGA AO JANTAR

Pela boca que é a minha
Morre o peixe que é sardinha
Que ás vezes é lucinha
(outras vezes bacalhau
daquele pescado à linha)
Raras vezes é taínha
Misturada com farinha
De milho, trigo, centeio e polinha
Na sertã bem fritadinha
Pois só se mata galinha;
se houver festa da Santinha
Quando o dono tem morrinha
Quando esta tem a galinha
Ou o bicho é da vizinha

E ao cair da noitinha
Avô, Avó, Pai, Mãe e Madrinha
Mais a minha irmã Carminda
Vão rezando a ladaínha
Padre Nosso Salvé Raínha


E o Prior que é fuínha
Assustou a andorinha
Na Páscoa de manhãzinha
Ao tocar a campainha
Por estas Terras de Vinha
Na passagem pr'a Caminha
A toupeira e a doninha
Lavraram o Campo da Linha
Onde os pinheiros dão pruma
E as oliveiras não dão azeitonas
Porque a imaginação já andava longe da Cozinha

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SANTA COMPAÑA, ESTADEA, PROCISSÃO DE DEFUNTOS

Encontrei a palavra Estadeia  num texto sagrado da nossa Maria Manuela Couto Viana  O ROMANCE DO RAPAZ DE VELUDO no verso “Quando o vulto da Estadeia se ergueu das bandas da Espanha”
Não sabendo identificar a tal Estadeia socorri-me dos nossos amigos galegos para chegar à conclusão que se tratava da Estadea ou Santa Compaña. Ou seja, aquilo a que chamamos de Procissão dos Defuntos ou das almas penadas que vagueavam no mundo à espera de que alguém, rezando por elas, as ajudassem a transpor as portas do Purgatório na sua viagem para o Céu, que sendo inatingível obrigaria essas tal almas a deambular por este mundo metendo medo aos cristãos, pelas encruzilhadas, em noites de breu e tormenta.
Ora acontece que por Bula Papal o Purgatório boi abolido. E por cá, na Galiza da margem esquerda do Minho, ninguém deu por ela nem pelas benéficas e maléficas consequências que isso nos trouxe. Mas já no outro lado e porque os Galegos, da margem direita do Minho, preservam as tradições, isso representou um alívio imenso para quem, de noite, era obrigado a cruzar caminhos e enfrentar as sombras de veredas mal iluminadas. No entanto teve o seu lado negativo. É que essas mesmas almas penadas costumavam fazer umas despesitas nas tascas do reino e também contribuíam para engrossar os votantes em tempos de eleições.
E foi assim que assinalando o sucesso, um colaborador do FARO DE VIGO, de seu nome ANXEL VENCE se referiu num texto publicado em 17 de Janeiro deste ano e que passo a publicar a tradução devidamente autorizada.
ESTADEA - GRAFITTI  EN  PONTEVEDRA
Datei:Santa Compaña Pontevedra 01-01b.jpg 










CRÓNICAS GALANTES por Anxel Vence 

“ FICA  ABOLIDA  A  SANTA  CAMPAÑA”
Provavelmente sem o querer, o Papa acabou de determinar o fim da Santa Compaña que tão bons serviços rendeu aos galegos durante os últimos séculos. Benedito XVI aboliu o Purgatório, retirando assim da circulação as almas penadas que até agora fatigavam cada noite os caminhos deste reino para aliviar a suas angústias nos bares "golfos" da madrugada.  As pré-reformas nem sequer respeitam as almas atormentadas pelo que se vê.
Assegura o Santo Padre que o Purgatório não é exactamente um lugar que possa ser procurado nos mapas ou no Google Earth, mas sim um “fogo interior” destinado a purificar os pecadores que não tivessem conseguido entrada directa no Paraíso. Acabou-se portanto a festa. Uma vez eliminado esse centro de expiação e recolocados os seus inquilinos no Céu –  ou  seja lá onde for – o lógico é que a alegre confraria da Santa Compaña deixa de amenizar as noites da Galiza com sua procissão de túnicas brancas e seus escalafriantes  alaridos.
O encerramento da Estadea por decreto pontifício é uma péssima notícia para os Galegos em geral e para a hotelaria em particular. Desaparece com ela – e com o Purgatório em que se alojavam as suas almas - um dos principais atractivos turísticos da Galiza, ademais um símbolo étnico comparável em popularidade com o Apóstolo, com o Românico Galego, as navalheiras e o tabaco rubio de contrabando. Mas também os proprietários dos bares lhe vão sentir a falta, agora que a lei anti-tabaco lhes aperta as caravelhas das caixas registadoras. Muito menos tristonho do que sugere o tópico, Galiza é um país no qual até os defuntos são gente dada a passar a noite e andar por aí nos copos quando o guarda do cemitério finaliza a sua jornada laboral. A afeição das almas ao vinho está documentada entre outros por Álvaro Cunqueiro (Antigo Director do FARO DE VIGO), que era um perito em anjos, em almas penadas e demais seres do Mais Além que seguem aparecendo por Mais Aquém. Cunqueiro deu no FARO DE VIGO notícia periodística da visita que, vinte e oito almas do Purgatório reunidas em santa e alegre compaña, fizeram a uma certa taberna de Mondoñedo. Contava o Mestre que ali, na de “Póngalas”, os visitantes da ultratumba atiraram ao gasganete quatro rodadas de vinho ribeiro servidas por um aterrorizado dono que não se atreveu a passar-lhes a conta. Não seria por falta de dinheiro, desde logo. Os Galegos que são gente pródiga com os defuntos, nunca deixaram de contribuir para o sustento da Santa Compaña.
Para isso foram colocadas “as Alminhas”  onde os vivos podem deixar uma esmola de forma a que ás almas penadas não lhes falte uns cêntimos para gastar na taberna.
Mantidas por esta curiosa variante de subscrição popular, as alminhas sempre foram na Galiza gente de casa a que incluso se lhes  respeitava o direito de sufrágio em dia de eleições. Na América sobretudo. É sabido que, não há muito tempo, os recaudadores de votos, ajudavam os cadáveres dos emigrantes a sair das campas cada vez que chegavam os comícios. Com grande espírito cívico as almas abandonavam durante algumas horas o sepulcro e uma vez exercido o direito de voto, voltavam à sua residência habitual no campo santo.
Quer dizer que os mortos andantes da Santa Compaña são uma parte mui viva dos costumes deste país e inclusivamente contribuem – com seus módicos consumos – a melhorar a economia da hotelaria e o número de votos dos partidos.
Toda esta rima de tradições poderá agora vir abaixo com a derrogação do Purgatório que dava alojamento ás almas em seu penar rumo ao Céu. Desalojadas de sua casa, como vulgares okupas, ás almas não lhes quedará outra coisa senão renunciar aos seus habituais passeios nocturnos, aos seus  vinhos, suas chachadas com a vizinhança.
Apenas lhes resta o “fogo interior”, apesar de que não seja certo que o Papa tenha aludido à aguardente”
FIM DO TEXTO

ALMINHAS

Alminhas do Serrado

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O MEU AVÔ LAVRADOR

JERÓNIMO AFONSO PEIXE
(O meu avô lavrador)
Morreu honesto mas pobre. Morreu pobre mas honesto. Como queiram.
Consequência do Priscilianismo remanescente das terras galaico-durienses com que fora educado. Teria que ser pobre por ser honesto.

O meu avô lavrador
subiu este monte ao mato
e dessa vida tão dura
deve ter ficado farto

- De fome teve fartura

De chancas e luvas grossas
roçou mato nas encostas
e nas chãos com dores nas costas
à enchada e à foucinha
da Rompensa à Fragalhinha
comendo brôa e sardinha
dividida por mais quatro

Deve ter ficado farto
o meu avô lavrador
desse trabalho tão duro
de cortar no monte mato

Deixou de ser estucador
encostou a régua ao muro

Deixou o branco do gesso
pelo negro do estrume
pagou na vida alto preço
e como era de costume
subiu este monte ao mato

Deve ter ficado farto
Pois o mato é coisa dura
não se corta com sardinha
de fome teve fartura
e deve ter ficado farto

Na curva d’ápertadinha
onde ouviu piar o gaio
virou um carro de mato
no alto calor de Maio

Buscou sombra não a teve
e bebeu na Fonte Seca
quando quis matar a sede

- Djió me cago em la punheta!

Dizia desesperado
quando algo corria mal
tinha aprendido este fado
em terras de Portugal,
na Galiza aqui ao lado
C’os galegos - gente estranha
que com os outros da Espanha
se cagam na Puta Madre

E voltava ao fim da tarde
com a família à noitinha
ao chegar a casa tinha
de conduto e sem presigo
caldo de unto p’ra jantar
na lareira da cozinha
(como se fosse castigo)

Mesmo assim ia falar,
terço na mão, ao Senhor
e rezando agradecia
aquilo que ao lavrador
tocava ao fim de um dia
igual ao anterior

E não sei se adormecia
se ao alto a noite inteira
não esquecia a canseira
do que tinha pra fazer
logo ao amanhecer
dum outro dia igual
de trabalhos para vencer
num estepôr de vida dura
que se levava afinal
em tempos de ditadura
no Minho de Portugal

- De fome havia fartura!

Rosa Alves do Couto da Casa do Manel Parente
Jerónimo Afonso Peixe da Casa do Moleiro