quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A MINHA NAI

Carminda Alves Peixe

- A minha vida dava um romance. Fiz de tudo. De esposa, de mãe, de irmã, de    avó.  Sei   lá! O que eu passei! Se eu soubesse escrevia um livro!

Quem disse estas frases corriqueiras foi a minha mãe numa tarde de Domingo.
E olhei para aquela lavradeira de oitenta anos com a quarta classe e em quem nunca reparei verdadeiramente.
E empenhei uns instantes a olhar para aquela mulher. Realmente nunca reparei nela deveras. Na minha vida, tendo-a até hoje visto todos os dias, passa como entendo serem os anjos da guarda - existem mas não se dá por ela!
Não precisaria de saber ler ou de escrever.
O Seu Livro já estava escrito no meu coração! Nunca será publicado.
Na fotografia a Carminda do Moleiro Novo, por volta de 1939, com o seu fato novo no ano em que foi mordoma nas Festas de Vinha. O portão ainda existe. É o portão da então Quinta da Nena que depois passou a Albergue e que agora é pertença da APPACDM. Por detrás e dentro no meio do jardim, existia uma cascata com um rapaz em barro a arrebitar para a taça e a que eu achava muita graça.
O fato foi-lhe oferecido pela minha avó Rosa, sua mãe. A saia e o avental foram feitos por uma tecedeira de Perre chamada a FELIZQUENTA. A Algibeira o Colete e a Camisa foram feitos pela Palmira do Valença. Os lenços e a Bolsa foram comprados numa casa chamada A LAVRADEIRA em frente ao rio e ao lado do Depósito das Fazendas.
Um detalhe aos Folcloristas e a outros entendidos.Reparem na bolsa que minha mãe usava na mão direita. Não era nenhuma invenção para turista ver. Era moda de então. Era mesmo assim!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ARSÈGUEL

Festival dos tocadores de acordeão diatónico

É sempre no último sábado do mês de Julho.
“Descobri” o festival em 1994. Telefonei ao Alcalde, José Porta, que logo no primeiro encontro se tornou meu grande amigo. Fui lá e fiz a viagem no autocarro da LAZARA que sai de Viana ás sextas-feiras e que chega a Andorra no sábado de manhã. Ainda hoje tenho a imagem da manhã em que embarquei em Viana, nessa sexta-feira em 94, em que  cruzei a Praça da República para apanhar o autocarro que nessa altura parava na avenida. Viajei  até Lalin na Galiza, onde, ao almoço,  me tocou o melhor polvo à galega da minha vida.
(Nas viagens seguintes passamos a parar em Soutelo de Montes, ali antes de chegar ao Carvalhinho, onde também havia uma mulherzinha a vender polvo cozido à porta de uma tasca.  Soutelo dos Montes é as Argas lá do sítio. É a terra dos Cachafeiros, gaiteiros afamados em toda a Galiza, autores da célebre Muinheira da Chantada que, de tradicional, passou a ser um autêntico hino à Galiza utilizado pela TVG no seu genérico.)
Viajei toda a tarde e toda a noite. Pelas seis horas da manhã de sábado, desci em Seo d’Urgel e tomei o pequeno almoço num bar junto  ao cruzamento da estrada que segue o Rio Segre em direcção ao monte El Cadí e Puigcerdá.  Perguntei se Arsèguel era longe e um local, pescador do rio, ofereceu-se para me levar lá.
Viram-me de concertina  e aperceberam-se logo que estava ali por causa do festival da noite. A aldeia afinal ficava apenas a quinze quilómetros de Seo d’Urgel. Cheguei em frente à igreja e paguei, com uma garrafa de vinho, o favor ao catalão. O homem lá se foi todo contente e eu ali fiquei sozinho, saco de roupa numa mão, uma caixa de vinhos, para as ofertas, na outra e  concertina ás costas. Cheguei, eram cerca das oito horas, ao centro do pobo e logo me apercebi dos carteles afixados por toda a parte. Para minha surpresa o meu nome estava lá e correctamente escrito; Barros Lopes. Eu que só tinha telefonado ao alcalde. Dei de caras com o José Porta que me indicou a casa da colónia, que era perto, onde encontrei um salão cheio de beliches. Lá me acomodei para descansar até cerca do meio dia. No entretanto já lá estavam um monte de indivíduos a dormir, rodeados  de bagagem e de instrumentos musicais. Havia de tudo, gaitas, carecas, ocordeões diatónicos, peludos, sanfonas, escandinavos, morenos, um contrabaixo… Tudo descascado pois o calor de Julho no alto dos Pirinéus não dava para outra coisa. Incluindo a companheira de um, que no decorrer do dia  soube ser holandês, tocador de acordeão piano e que não compreendi  bem ao certo se estava por cima ou por baixo dele. Com todo aquele calor tinha espraiado as pernas pela cama dum vizinho barrigudo que ressonava como um porco.  Mais tarde me apercebi que os tocadores,  chegados de véspera,  já se tinham esquentado na noite anterior. Isto pela quantidade de garrafas de vinho e latas de cerveja vazias que ainda ao meio dia se espalhavam pela mesa onde mais tarde serviram o almoço.
Depois de ter recuperado da viagem, com um banho e um almoço  de dizer mais não, saí para a rua  onde o  espectáculo já tinha começado. Muitos dos tocadores já se tinham espalhado tocando e ensaiando em cada esquina das ruas do povoado. E os meus olhos de labrego minhoto  arregalaram-se. Vi um Russo a tocar um acordeão e que dele fazia leque. Sanfonas e gralhas por todo o lado. O Roberto Santiago de Orleans com os outros da Katumba. E principalmente o António Rivas, Colombiano da música Vallenata com quem, de imediato, fiz amizade como que instintiva.
Bem, desde 1994 até hoje, durante estes dez anos, fui lá sete vezes. Sempre sozinho. Com os meus pensamentos. O festival já vai em vinte e oito edições e o único português a lá aparecer foi o Lopes d’Areosa. Isso permitiu conhecer um mundo diferente para além de tudo o que até ali conhecera. E também fazer amizades que permitiram que, desde 1998, tivessem vindo a Viana; o Henrique Telleria, Uruguaio tocador de Bandaneon; O  Inhaki Garmendia e Emanol Iturbide tocadores de Triquitixa do País Basco. De Barcelona o Marc del Pino e o Dani Violant,  catalão  que toca num acordeão Diatónico Bertrand Gaillard, o Ferrari dos diatónicos no dizer de Robert Pinhol. Os Tocadores da Associação de Zarautz no País Basco. O António Rivas, Colombiano que esteve, em 1999, em Viana e em  Cerveira na homenagem ao Nelson Vilarinho. O Chema Puente tocador de Ravel de Santander,  o Roberto Echevérria e o Inhaki Arrazabalaga, de Bilbao, que estiveram em Afife no último Junho numa  noite de homenagem a Pedro Homem de Mello.
E tantos outros que só não são citados por falta de espaço e que não vêm cá a Viana por falta de apoios.
Bem, a noite começa pelas 22 horas com a actuação dos participantes em palco. Na minha primeira  vez, em 1994, lá toquei, cantei ( e dancei)  um vira, uma chula e uma cana verde, envergonhados face à incrível técnica e qualidade dos restantes participantes. Valeu-me a chinfrineira da concertina, o balanço do corpo e a projecção da voz e aí ninguém me ganhou! Tive que explicar que em Portugal ganha, não quem toque e cante bem, mas sim quem berre mais alto, mas que aí era dos assim-assim. Pelas duas da manhã um conjunto de música catalã toca para um baile depois de terem retirado as cadeiras do largo. E a noite continua até ás oito da manhã com o pessoal a tocar pelas ruas e nos bares. No fim está tudo bêbado. ( A mítica noite de festa teorizada pelo meu amigo Félix). Dorme-se até ás três da tarde hora do almoço. No restaurante da LLuíza vêem-se as imagens do festival que passam no canal Catalão e almoça-se. O Português é o primeiro a partir pois que, em Seo d’Urgel, a camioneta de regresso a Viana passa ás quatro horas. Mas deixa toda a gente a chorar pois ao som da concertina se  despede, cantando, em galego.

Adiós com el coração
Que  com mi alma não puedo
Ao despedir-me de tí
Ao despedir-me me muero

Bem! Isto não é bem galego mas dá para entender.
Mais um detalhe, já na madrugada, um grupo de Barcelona, por me saberem português, canta para mim a canção de LLuís LLach, ABRIL 74 a Revolução dos Clavels. Nunca mais me esquecerei. Pertence a um álbum lindíssimo que se chama VIAGEM A
ÍTACA.

COMPANYS  SI  SABEU
ON  DORM  LA  LLUNA  BLANCA
DIGUEU-LI  QUE  LA  VULL
PERÓ  NO  PUC  ANAR  A  ESTIMAR-LA
QUE  ENCARA  HI    COMBAT

COMPANYS  SI  CONEIXEU
EL  CANT  DE  LA  SIRENA
ALLÁ  EN  MIG  DE  LA  MAR
JO  L’ANIRIA  A  VEURE
PERÓ  ENCARA  HI    COMBAT

COMPANYS  SI  BUSQUEU
LES  PRIMAVERES  LLIURES
AMB  VOS  ALTRES  VULL  ANAR
QUE  PER  PODER-LES  VIURE
SO  ME  N’HE  FET  SOLDAT

I  SI  UM  TRIST  ATZAR
M’ATURA  I  CAIC  EN  TERRA
PORTEU  TOTS  ELS  MEUS CANTS
I  UM  RAM  DE  FLORES VERMELLES
A  QUI  TANT  HE  ESTIMAT
PERÓ  ENCARA  HI    COMBAT

O local, surpreendente, não passa de uma povoação pirinaica, típica do Alto de Urgel, muito pequena e abandonada. A montanha verde esbate-se contra uma outra muralha que se ergue acima dos olhos para Sul. É o monte EL CADI totalmente branco. É uma tela esmagadora mesmo em frente à varanda do restaurante da LLuíza, esposa do José Porta. Por todo o lado as casas apresentam as cortes antigas do gado de monte ainda com os restos da palha dispersos.

Desde 1964 Artur Blasco, o responsável pelo Festival onde aparecem tocadores de todo o mundo, tem feito um trabalho notável de procura, colecção, divulgação e desenvolvimento da tradição do acordeão diatónico. No início o festival apresentava os tocadores rurais e tradicionais que, pouco a pouco, foram desaparecendo. Eu ainda conheci alguns. Organizaram um museu dos acordeões onde tirei uma fotografia junto ao Jazz de um tal conjunto Alegria em tempos existente em Seo d’Urgel. Curiosa coincidência com Vila Praia de Âncora.

Não cabe aqui descrever Arsèguel. Será objecto de um livro com mais detalhe.

Voltei lá no último sábado de Julho de 2004, depois de um interregno de dois anos. A mesma carreira o mesmo percurso a mesma monotonia da viagem, (vinte horas!!!) os mesmos pensamentos, as mesmas memórias. Dez anos! Meu Deus! Pensei. Mais um ciclo da minha vida a fechar-se. Cheguei a atemorizar-me; se o peso das recordações me não despedaçaria. No entanto esmagamento só o do monte Cadí ao nascer do sol.



De novo aquela visão avassaladora. E o tempo, sempre o tempo a esbater as memórias dos momentos de solidão em que apenas os locais por onde passámos nos servem de referência afectiva em comunhão com tudo o que, nos sucessivos instantes, atravessa o nosso pensamento. Mas não só. Os amigos, sempre os amigos, aqueles que aliviam a incómoda sensação de que andamos sozinhos no mundo. E fiz uma montanha deles, em Arseguel, de há dez anos para cá.
Há dois anos que não ia a Arsèguel. Sabia que José Porta, o seu Alcalde e meu amigo, estava muito mal com um cancro que o minava totalmente. Por uma circunstância incrível o seu genro, Julien, estava a trabalhar, aqui em Viana na EUROSCUT, na nova variante de Ponte de Lima e me dava notícias do pai da sua namorada. Esperava encontrar o José Porta, falar com ele. Na viagem de La Seo para Arsèguel contei ao taxista o meu relacionamento com o festival e a minha amizade com o Alcalde e que sabia que ele estava muito doente.
- José Porta morreu há quinze dias, informou o meu interlocutor.
O táxi descia a estrada na margem direita do Rio Segre. Este, por sua vez, no seu curso, descia em sentido contrário. A ilusão de óptica, que fazia parecer que estava a subir em relação ao nosso movimento, devia-se à inclinação do corte da estrada na montanha. O primeiro Sol da manhã já iluminava as cristas das vertentes Oeste dos montes do Alto Urgel. A nossa estrada seguia ainda na sombra. Ao longe, muito acima e para Sul, o  Cadi, dominando a montanha e  a garganta do leito do Segre, apresentava o seu reflexo das primeiras luzes do dia em toda a sua branca e imensa dimensão. Já se avistava a pequena ponte que, para a direita e passando o Segre, nos levaria a Arsèguel. E aquela linda estalagem, rodeada de árvores, ao fundo. À direita e por cima do recorte encurvado do monte mais próximo,  Arsèguel mostrava já a silhueta da torre da sua Igreja, recortada na brancura do Cadí,  no seu lugar de sempre.  Luzes,  caminho e recantos reconhecidos de outras chegadas.
Inclinei-me para a direita e encostei a cabeça  ao vidro da janela. Olhei para o exterior e, numa única imagem, tudo se me apresentou amalgamado com o vácuo que me sugava o peito.  Não fora o normal ruído do carro em andamento,  o som das lágrimas, que caíram  durante o resto do caminho, misturar-se-ia com a canção do Segre no seu leito, ali ao nosso lado. Senti o taxista apertar o meu antebraço esquerdo.
- É a vida. Disse.
Era verdade. Tão verdade como o facto deste catalão ter dito “é a vida” exactamente como nós dizemos. Possivelmente da mesma forma que em qualquer outra parte do mundo.

Afife, Setembro de 2004
António Alves Barros Lopes


Texto publicado na A AURORA DO LIMA em 29 de Setembro de 2004

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DEFICIENTES

Guardar recortes tem destas coisas. O que aqui vai é de 20 de Dezembro de 2006. Na altura, distraidamente, acrescentei os meus comentários pensando, precipitando-me, para que é que as empresas necessitariam de mais deficientes.


À distância percorrida desde então permito-me e por isso, discordar da nota do Presidente nessa data.

Ai não que não foi um fardo para as empresas e para todos nós os deficientes que o BPP e o BPN já tinham.

Lopesdareosa

1 de Janeiro de 1995

O ano começou com três eventos muito importantes. Um de carácter cultural. Outro, um acontecimento desportivo. E depois um a meio pau ou seja, desportivócultural!

De manhã, o autor destas linhas agradeceu, com os versos que se seguem, o café que lhe ofereceram em Carreço



































De tarde houve o desafio que o cartaz abaixo testemunha. Não assistí ao encontro propriamente dito. Mas estive presente no mateche que se seguiu, no confronto com as equipas das Cervejas contra a dos Camarões alí para o lado da Góis Pinto.


Pena que nem o pelouro da Cultura da Câmara de Viana do Castelo, nem a Secretaria de Estado dos Desportos se tivessem apercebido de tamanhos acontecimentos.

Sempre teve as suas vantagens, nem a cerveja nem os camarões foram desperdiçados!

Lopesdareosa

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

QUIM BARREIROS


Bem, este não é o Quim Barreiros! É o Bruno Nogueira na foto de promoção do seu Lado B. Assim sendo pode deduzir-se que o Lado A será o anterior.

Dizem para aí que não passa de uma paródia ao que o Zé Cid fez na década de noventa e que aqui vai:
Quanto a esta obra prima que poderia ombrear com a Grécia antiga se na altura houvesse máquinas fotográficas em vez de maços e cinzeis, também dizem para aí que se tratou de um protesto contra a não divulgação da música portuguesa para a qual o nosso José Cid estará da mesma forma que o Elton John, Bruce Springsteen e John Miles estarão ( todos ao mesmo tempo) para a música Anglo Saxónica.

Aqui foi  Morrissey que quis dar uma de original.
Mas desiludam-se meus senhores! Mesmo despidos não vestem a camisola amarela!
Muito antes de conhecer o José Cid e muito mais antes de conhecer o Bruno Nogueira, e muito antes de Morrissey conhecí eu o  Quim Barreiros.

Tocava acordeon no Conjunto Alegria de seu Pai o Joaquinzinho. Por volta de 1962, 1963 aprendí a dançar, nos bailes da Sociedade de Areosa, ao som da sua música. Tempos Gloriosos. 

Ora o Quim Barreiros lançou a sua carreira a solo já na década de setenta.
Depois de já ter gravado vários LPs instrumentais entre os quais em 1971 (Música Tradicional Portuguesa) com o guitarrista Jorge Fontes, que até era de Gaia ( morreu no passado Janeiro), o Quim gravou um EP de 45 rotações no qual pela primeira vez cantava neste tipo de gravações. Neste EP estão dois temas gravados anteriormente por  um cantador e tocador de concertina de Gondinhaços. O Manuel Branco de Azevedo. Eram O CONVITE e a TRUTA. Isto passou-se por volta de 74/75. 

Ora vejam aqui como é que o Quim se apresentou na capa  desse disco e digam-me quem foi o precursor!

E façam o favor (salvo seja!) de reconhecer que o Quim é um grande artista. E só desdenha quem não sabe quão popular sempre foi e o tempo que ele já tem de carreira. Seguramente cinquenta anos! Um dia, vai aí para uma dúzia de anos atrás, num programa do Herman José, pelas festas dos Santos Populares em Lisboa, estava presente a Maria José Valério.                                           O Quim entrou em palco e o Herman tentou apresentá-los um ao outro.                                                                                                                             -Não sei se conheces aqui a Maria José Valério. Perguntou ao Quim!                                                                                                                                                                                                                        - Óh! Herman, então não conheço. Em 1964, tocava eu concertina no Rancho de Santa Marta, numa gala no Casino Estoril, estava lá fulano e beltrano...! A Maria José Valério confirmou e o Herman fechou a matraca! É que muito antes do Herman aparecer já o Quim Barreiros era gente.                                     Miniatura
Com as minhas homenagens e umas certas saudades dos tempos em que no Carnaval se comiam os chouriços por detrás do palco.                  
                                          Lopesdareosa

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

KEPA JUNKERA

Ouvi falar dele numas notícias sobre o InterCéltico do Porto ainda em mil novecentos e oitenta e tal.

Depois em 1994 presenciei pela primeira vez na minha vida do que eram capazes os tocadores      tradicionais Bascos de Trikitixa. Foi em Arsèguel, o Epelde no acordeon e o Emanol Iturbide na pandeireta. Uma parelha como eles lhe chamam no País Basco

Lau Eskutara, Júlio Pereira
Daí entendí porque é que no meio desse meio apareceu o Kepa Junkera. Tinha toda uma tradição trás de sí. Mas Kepa enveredou por outros caminhos que o fez cruzar com o nosso Júlio Pereira. E daí que no  ano de 1995 tenham editado um CD a que chamaram Lau Eskutara, As Quatro Mãos. Em 1996 e outra vez em Arsèguel encontrei o Dani Violant de Barcelona (Tocava uma Bertrand Gaillard de três carreiras) que tinha assistido à gravação deste CD em S. Sebastian




CD cover
Por volta de 2000 encontrei-me pessoalmente com Kepa Junkera. Veio à FNAC no Norte Shoping apresentar o seu album Bilbao 00H00. Aproveitei para lhe falar nas concertinas nos encontros e também na possibilidade de um dia participar num desses eventos. Mais tarde estaria no Sá de Miranda, em Viana, por ocasião de um encontro de concertinas promovido pelo INATEL.
Mas na FNAC aconteceu um detalhe curioso. Informei o Senhor Nogueira e seu filho Ruca da vinda de Kepa e eles  
apareceram na FNAC para assistir ao concerto. No fim juntámo-nos todos e contámos ao Kepa Junkera que o Senhor Nogueira construía concertinas de raíz. Kepa mostrou interesse em ver uma e o Ruca foi ao carro por ela. Depois o Kepa Junkera pegou na concertina do Senhor Nogueira e deu uma passagem de dedos pelo teclado.











 





















Dessa ocasião duas imagens.

Uma da actuação do grupo de Kepa Junkera onde não faltava a Txalaparta e um baixista, salvo erro argentino, que tocava o contrabaixo aos saltos.

E outra do instante em que Kepa Junkera experimentava a concertina do Senhor Nogueira.

Mais tarde, já em 2005 e (sempre) em Arseguèl voltei a encontrar-me com Kepa Junkera. Desta feita nas comemorações dos 30 anos do Festival, quando lá participei com AS CHÃOSINHA DE GONDARÉM.
Pelo meio acabei por conhecer outros e fantásticos Tocadores Bascos, de uma vertente mais tradicional, a quem um dia voltarei nestes sítios. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ECOLOGIA À GALEGA

Texto Publicado na A AURORA DO LIMA em 27 de Outubro de 2000

ECOLOGIA  À  GALEGA

No dia 28 de Julho último, passava eu em Soutelo de Montes, ( Terra dos Cachafeiros) a caminho do Carvalhinho, na vizinha Galiza, me quedei no Rincon, meu conhecido de paragens anteriores, para tomar um
café.


Monumento a Avelino Cachafeiro
20070813170600-a-gaita-do-fol-curso-soutelo-por-casado-2.jpg  

(Aqui três imagens, duas do monumento aos Gaiteiros em Soutelo de Montes, outra dos próprios Cachafeiros na sua época.)

Na ocasião, já uma da tarde, vi no telejornal da TV Galega, uma reportagem sobre a colónia de gaivotas de que os de Vigo apresentavam diversas queixas quanto à quantidade daquelas, como do incómodo das sobras das ditas que maltratavam as pessoas, as roupas, os carros, os edifícios, Etc.
Diversos testemunhos foram ouvidos quanto ás causas da explosão "demográfica" de tais alados bichos, da facilidade de sustento, das quantidades de lixo espalhado à disposição dos mesmos e, principalmente, do modo de controlar tal "praga". A esta altura o "Pivot" do Telejornal informou que uma empresa da Corunha se tinha disponibilizado para fazer a recolha dos ovos das gaivotas nas épocas de nidificação e assim, controlar a multiplicação das mesmas.
Achei a ideia peregrina (não estivesse eu nos caminhos do Grande Apóstolo) e disso dei a saber ao castiço que me tinha atendido ao balcão.
E expliquei porquê!
É que, em Portugal, e desde tempos imemoriais, os de Peniche tinham por tradição ir aos ovos de gaivotas nas Ilhas Berlengas e dessa forma restringiam a capacidade de as gaivotas se reproduzirem. Ora aconteceu
que em determinada altura, as Berlengas foram consideradas Reserva Natural e a prática de recolha de ovos foi abandonada, se não mesmo proibida. Mesmo a deslocação às ilhas foi condicionada. Uma das consequências, também, mas não só por isso, foi o facto de a colónia das gaivotas ter aumentado de tal maneira que acabaram de se sobrepor a outras espécies como; airos; (uuria aalgae) lagartos (lacerda lépida), para além de causarem na região os mesmos problemas que se estavam a verificar em Vigo.
Ora aqui chegados é que poderemos entender o erro  em que os nossos amigos galegos estão a incorrer.
É que, para controlar a expansão da colónia de gaivotas nas Berlengas, as autoridades não lhes foram roubar os ovos. Aliás pilhar os ovos às gaivotas seria um atentado ao instinto maternal das coitadinhas e ao seu inalienável direito de se reproduzirem. O que os portugueses fizeram foi deixá-las pôr os ovos à vontade.
Deixá-las nascer à vontade e depois envenenaram-nas.
Mas não foi com DDT, nem com hexóxido de arsénico, nem com cianeto de potássio, nem com remédio de escaravelho! Foi com DRC-1339 um avicida que afecta quase exclusivamente os larídios (gaivotas), sendo os seus efeitos noutras aves apenas sentidos pelos melros (turdus merula) e pelo estorninho-preto, (sturnus unicolor) inexistentes no local. Outra característica do tal DRC-1339 é que não afecta quem o aplica ou seja o Turdus Suturnus.
Ora como os meus caros leitores estão a ver, o envenenamento é um procedimento muito mais humano. Tanto mais que os bichos acabam por morrer de insuficiência renal ao fim de dois a três dias. Ou seja morrem à sede, que, como toda a gente pode entender, é muito melhor que morrer de um tiro, de aborto ou de uma estocada.
Como sou muito dado a estas coisas da natureza e também porque gosto muito dos galegos, vou ajudá-los na sua necessidade de extermínio das gaivotas. Como tenho em meu poder o recorte do jornal que dá notícia desse, mais um, dos portugueses para a evolução científica - no caso o aperfeiçoamento dos métodos do Hitler, neste caso aplicado às gaivotas-vou desse recorte enviar uma cópia ao Alcalde de Vigo. Não só o ajudo na ideia como lhe forneço o nome dos responsáveis portugueses que estão invocados na notícia, com quem eventualmente poderá contactar para mais pormenores técnicos.
Enfim! Mais um contributo do Lopes de Areosa ( para além da muinheira minhota) para o estreitamento das relações Luso-Galaicas.

António Alves Barros Lopes

NOTA DE HOJE
Lembrei-me de uma coisa.
Cuidado que ainda matam o Fernão Capelo.
Fernão Capelo Gaivota
foto de Paulo Jorge A.C.Pereira
em http://olhares.aeiou.pt/fernao_capelo_gaivota_foto825971.html