segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ARTESANATO OU, EM INGLÊS, ENDEJOBE

Berlusconi "devolve" pénis ao deus Marte e braços à deusa
Vénus após restauração.

Berlusconi devolve pénis e mãos a Marte e a Vénus

Fotos em http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1714240
Fonte do texto:http://aeiou.expresso.pt/

"O conjunto de estátuas romanas de Marte e Vénus, expostas no gabinete do líder italiano Silvio Berlusconi, recebeu um novo pénis e duas novas mãos. O arranjo foi levado a cabo sob "ordens expressas do primeiro-ministro" e custou cerca de 70,000 euros, afirmou o diário La Repubblica.
O diário acrescenta que não foram respeitadas as técnicas tradicionais de restauração, e que a despesa é chocante tendo em conta os cortes nas verbas para o património artístico. "Isto é uma cirurgia estética autêntica, levada a cabo pelo capricho pessoal do primeiro-ministro", afirmou Manuela Ghizzoni, deputada encarregue da cultura do Partido Democrático, o partido da oposição.
"Por que é que na China as esculturas parecem novas enquanto às nossas faltam braços e cabeças?", terá dito Berlusconi a Mario Catalano, o seu arquitecto pessoal, quando lhe entregaram as estátuas, emprestadas do museu Terme di Diocleziano. As estátuas de mármore do deus romano da guerra e da deusa do amor e da beleza datam do século II e estão expostas na entrada oficial do Palazzo Chigi, o gabinete oficial do primeiro-ministro italiano.
Os pénis eram arrancados frequentemente das estátuas romanas antigas devido ao puritanismo defendido na era Cristã, ou para serem levados como recordação. Mario Catalano afirmou que a restauração foi autorizada e que as partes do corpo adicionadas eram "removíveis".
Berlusconi está actualmente envolvido em dois escândalos sexuais, num deles uma mulher afirma que dormiu com o líder italiano duas vezes por 10,000 euros e que lhe foram oferecidas drogas na villa do líder." Texto integral em http://aeiou.expresso.pt/ de 19/11/2010


COMENTÁRIO
Não sei se a atitude foi o resultado de alguma fixação lá do Berlusconi, aliás o próprio nome de Berlusconi já dá para desconfiar.
Ao que consta as estátuas representam o deus da Guerra, Marte, personalizado no imperador Marcos Aurélio e Vénus a deusa do Amor, aqui a  Faustina mulher desse tal Aurélio, datarão do segundo século depois de Cristo e terão sido encontradas em 1918 em Ostia, perto de Roma. 

Ora o que os arquivos não dizem é desde quando Vénus ficou sem mão (logo a direita) e Marte sem mãos (logo as duas) e sem o pénis ( único aliás).
Mas neste caso é tudo de louvar na decisão de Berlusconi! 
Imaginem, durante sabe-se lá quanto tempo, o sofrimento das estátuas, ela, a deusa do Amor, sem mão, ele, o deus da Guerra, sem mãos e sem pénis!
Desgraça maior só a de Tântalo!
Tone do Moleiro novo



sábado, 27 de novembro de 2010

COMO DE REPENTE DEIXEI DE SER LABREGO


" Só me faz pena...Quanta coragem, quanto poder de sacrifício não são necessários a essa pobre gente que gasta a vida a lutar pelos meios de felicidade sabendo muito bem que a felicidade nunca chegará...Nós os homens do campo da montanha, temos compensações - mas essa gente que vive sufocada nos falanstérios lôbregos das cidades... custa a compreender porque vive e como vive." Teixeira de Pascoais


COMO  DE  REPENTE  DEIXEI  DE  SER  LABREGO

É verdade e aconteceu no passado dia 21, de uma Sexta para um Sábado.
Adormeci Aldeão e acordei cidadão!
Isto porque na reunião de Assembleia Municipal foi votada, por unanimidade, a integração da Aldeia de Areosa, na cidade de Viana do Castelo.
Não interessa que não constasse no programa eleitoral da maioria. Não interessa que fosse do conhecimento prévio de Areosa essa intenção. Não interessa que não tenha havido um debate público acerca do assunto. Não interessa que este assunto não tivesse constado na Ordem do Dia de alguma Assembleia de Freguesia de Areosa. O que interessa é que foi tudo muito democrático. Tanto que até a oposição votou favoràvelmente a proposta da maioria. Também interessa que a oposição não seja demasiado feroz!
O certo é que passei de Rural a urbano à força.
Não sei como é que me vou recompor disso. De qualquer forma o choque não foi grande. Pensei que passar de Parolo  a burguês fosse mais difícil. Que desse náuseas e vómitos. Convulsões intestinais e esgares faciais. Contorções ósseas e espasmos musculares. Qualquer coisa como na história do Médico e do Monstro. Nada disso!
Depois de me ter deitado Areosense, quando me levantei vianense ( ou vianês como agora se diz) fui ao espelho ver a diferença. Afinal não acordei de fato e gravata. Não! Apenas e ainda as cuecas do dia anterior.
Mas para além da visão caricata do evento, espero sinceramente que esta decisão política conduza a consequências administrativas que tenham como resultado um salto qualitativo para Areosa no sentido de sair de uma situação que levou o actual Presidente da Câmara ao desabafo de a classificar como a freguesia mais atrasada do concelho.
Passe o exagero (será?) de uma observação informal em círculo restrito, poderei muito bem ajudar a encher a masseira das razões do Sr. Presidente da Câmara. Pelo menos espero que a Câmara passe a ter um melhor conhecimento sobre Areosa. Vejamos um exemplo desse desconhecimento.
Foi publicado no Diário da República de 8 de Junho deste ano a declaração ministerial que autoriza a Câmara a expropriar os terrenos necessários para executar os acessos à passagem inferior à Via Férrea no Km 85,225 da Linha do Norte. Na folha oficial foi também publicado o levantamento cadastral desses terrenos com a legenda POVOENÇA-AREOSA. Ora o viaduto é no Lugar do Meio e não na Povoença. A Câmara deveria saber disso. Mas o que mais me intrigou foi que, lendo o Edital que anuncia as expropriações a efectuar para realizar tais acessos, deparei com a expropriação de um terreno na Penedeira e de outro em Mosqueirós. Dado que a Penedeira fica a cerca de um quilómetro a norte do sítio do viaduto e Mosqueirós a dois a sul, quero fazer esta pergunta à Câmara;

- Por que é que para executar os acessos ao viaduto é necessário expropriar
   um terreno na Penedeira e outro em Mosqueirós?   

Aguardando atento e curioso.
( Confuso também por não saber de onde sou.)
António Alves Barros Lopes

Publicado na A AURORA DO LIMA em 24 de Outubro de 1990

Nota dos dias de hoje.
Até hoje!





sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ALCUNHAS

As de Afife são Papeiras

As de Carreço são Porqueiras

As de Areosa são Capadeiras

Os de Outeiro são Carapuças (Isto da Igreja para cima). Mas também são Maganetas ( para Baixo da Igreja )

Os de Perre são papeiros.

Os da Meadela são Mosquitos. Também caixões.

Os de Santa Marta são Rabichos!*


- E só queria saber quem é que diabo inventou estas coisas.


* Salvo seja! - Sou filho de Santa Marta pelo lado Paterno!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

DUAS SENTENÇAS

Na subido ao monte da Festa do Vinho na Guarda, alí em Santa Trega, encontrei este ano um maduro de Camposancos com uma camiseta pronta a ser borrifada. Tinha impresso nas costas:

PA  BEBER O BIÑO  NUM  FALTA  XENTE
O  CARALLO  É  PA  BOTAR  O  SULFATO

Essa fez-me lembrar uma outra que o meu amigo Ernesto Paço me ensinou vinda da porta de um tal que tinha sido o primeiro a cultivar morangos em tabuleiros para evitar dores de costas ao pessoal.

DISPENSO  CONSELHOS  DE  QUEM  SAIBA  MAIS
ACEITO  A  COLABORAÇÃO  DE  QUEM  FAÇA  MELHOR

Ora da primeira vou mandar fazer uma igual para levar a S. João d'Arga.

Da segunda vou fazer um letreiro igual e espetá-lo no Calvo logo que tenha cortado o mato na sorte.

O ANTI PEDAGÓGICO

Nascido e criado no Lugar de Além do Rio, Areosa, mesmo ao lado de Viana, a vila sempre ficava demasiado longe. Para lá chegar passava-se a Ponte Nova, a Igreja, depois o Mirante e antes de alcançar o Amazonas era necessário atravessar a infindável Povoença. Depois até S. Roque eram mais uns paços. Assim ir a Viana era em dias de feira e pelas festas da Sra. D'Agonia. E lá para os lados do Covelo se vivia, quase em Troviscoso, longe da civilização. Aos seis anos, Outubro de 1955,  fui para a escola primária, a Fontes Pereira de Melo aberta desde mil oitocentos e troca o passo graças à ajuda dos da Casa do Rei. Descalço, com os outros, vencidas as Fontaínhas, lá enfrentava a régua do Mário Viana que me ensinou a ler, a escrever, e a contar. Na segunda classe apanhei (salvo erro) a Dona Eulália  na Casa do Fevereiro, hoje ainda em ruínas, em que, já nesse tempo, andava a tal coisa má que tem impedido que se faça do pardieiro algo útil. Na terceira classe tocou-nos a Maria Manuela Pinto, na escola da Estrada, hoje sede do GEA. Fazia uns lindos desenhos e morava ali para o lados dos SóGranitos.  
Ora na quarta classe aconteceu que um aluno vindo da Escola da Avenida formou conosco o ano em que a professora era a  Fernanda do Céu Afonso. Chamava-se Manuel Caldeira Pedra. Filho do Sargento Pedra da GNR tinha sido transferido dado o seu pai ter uma nova residência por detrás do Amazonas pois até alí tinha pertencido a Viana. Mas o Necas Pedra não esteve conosco durante muito tempo. Já a meio do ano lectivo o pai conseguiu que voltasse à Escola da Avenida. Mas o tempo que esteve conosco foi o suficiente para que se tivesse alterado completamente a visão que eu tinha do mundo.
À nossa beira o Pedra era de outro planeta. Vinha de Viana. Desempoeirado, aberto, comunicativo, sabedor, não havia nada que não fosse do seu conhecimento. Ao seu lado  éramos uns bichos do mato. Eu sentia-me um labrego vindo de um sítio longe da civilização. E o Necas cedo ganhou o lugar do melhor da classe, logo ali na primeira carteira à esquerda da entrada da sala do norte da escola. Só depois estava eu o Zeca do Gaião, os Minas, o Zé Rego, dos de que me recordo.
E de facto o Pedra tudo sabia. Nos ditados não dava erros. Caligrafia impecável nas cópias. Acertava todas as contas. História nem se fala. Geografia muito menos!
Tudo? Bem, tudo não! Um certo dia a classe inteira errou numa pergunta. Pedra incluído para surpresa de todos e principalmente da professora. Não me lembro já qual foi a pergunta. Façamos de conta que tinha sido sobre quem tinha descoberto  o Brasil. Furiosa a professora, muito màzinha diga-se e a quem vi partir uma régua nas mãos do João Minas, mandou como trabalho de casa o castigo de escrever cinquenta vezes...
- Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil!
Ora toda a classe assim fez e no dia seguinte, tementes à professora e muito mais à régua,  um a um, mostrámos os cadernos com as cinquenta linhas devida e convenientemente preenchidas.
Todos menos um, o Necas Pedra! E ainda não havia livros do Astérix. Só o Condor e o Mundo de Aventuras e que nem sequer chegavam à aldeia.
Ora o Pedra apresentou o seu caderno em que no cabeçalho de todas as necessárias folhas tinha de facto escrita a frase em causa. Depois era aspas aspas, aspas aspas, aspas aspas, até ao fim de cada folha.
Bem, se a professora era brava, no instante transformou-se no  inferno. Num furioso avermelhado passou ao Necas um raspanete maior do que Santa Luzia.
Eu que estava ali ao lado ouvi claramente a calma justificação do Pedra.
- O meu irmão, que também é professor, disse que este castigo da repetição é antipedagógico!
Imaginem me, com nove anos, a ouvir tal palavrão!
A professora  fez uma pausa. Ai o seu irmão é professor? Então que venha falar comigo!
Dali a uns dias apareceu um tipo que eu nunca tinha visto por Areosa. Era o Irmão do Necas. Lembro que, através da porta, o vi falar com a professora debaixo do alpendre a uma distância suficiente para não conseguir entender do que falavam. Nunca o soube, mas sabem o que aconteceu na sequência?
O Mário Caldeira Pedra casou com a Fernanda do Céu Afonso. Eu fiquei a conhecer o irmão do Pedra que tendo sido nos anos subsequentes professor naquela mesma escola, organizou, em Areosa,  um curso, à noite, para adultos. Muitos Areosenses têm a quarta classe graças ao Mário Pedra.
Desde então não mais esqueci do que era antipedagógico.
Desde então fiquei a saber quem era o Mário Caldeira Pedra.
E, dessa altura, dos três ou quatro meses de convívio com o Necas Pedra, ficou o sentido mais profundo daquilo que a palavra amizade significa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

POESIA NA JUSTIÇA

Ou pelo menos versalhada.
Razão tinha o outro em dizer que havia vida para além do déficit.
Há vida poética para além da Dura Lex.
Comprar o Expresso tem destas coisas. Com é um semanário que se vende ao quilo tem também quilómetros de leitura pelo que só hoje dei conta de um título publicado já em 23 de Outubro passado,
pg. 19. "Procurador rimou e a juíza não perdoou".

Assim o Procurador, José Vaz Correia, chegando atrasado ao Tribunal Cível de Lisboa, a um julgamento de um caso banal, justificou, em versos, esse atraso solicitando que a epopeia ficasse em acta. A Juíza Catarina Pires é que não condescendeu com os dotes camonianos ( no mínimo bocagianos) do procurador e fez uma participação disciplinar no Conselho Superior do Ministério Público.

Algumas das quadras são transcritas:

Os comboios já vão cheios                     Vejo brancos e pretos                    
muitos se levantam cedo                        nacionais e estrangeiros   
nas mulheres aprecio os seios              alguns vivem em ghetos     
mas têm outro enredo                              outros em lugares foleiros           


                  Adoro levantar cedo                                                       São sete e pouco da manhã
                            a ter a obrigação cumprida                                            viajo de metro para o trabalho
                            dos falsos tenho medo                                                 fi-lo ontem farei-o amanhã
                            são o pior que há na vida                                             só sou aquilo que valho                  

Aqui só um reparo. Aquela do farei-o é que não me parece de um procurador. Mas não sei qual será o problema da justificação ser em verso. Poderia dizer exactamente a mesma e prosaica coisa como seja:

Muitos se levantam cedo como eu, que adoro fazê-lo. Fi-lo ontem e fa-lo-ei amanhã, mas hoje o raio do despertador não tocou. Apesar de ter saído ás sete e pouco da manhã, a essa hora os comboios já vão cheios. Distraio-me e atrazo-me. Viajo de metro para o trabalho pelo caminho vejo brancos e pretos nacionais e estrangeiros mas só dos falsos tenho medo.  Alguns vivem em ghetos outros em lugares foleiros que é quase a mesma coisa. Mas eu só sou aquilo que valho por isso concentro-me mais nas mulheres pois têm outro enredo. Aprecio-lhes os seios. Distraio-me e essa distracção impede-me de ter a obrigação cumprida. Atraso-me e os atrasos na vida são o pior que há . Disso me penitencio agora.

e ditar para a acta. Duvido que houvesse alguma participação por tal.
Ou seja, se o Cirano de Bergerac fosse depor a tal tribunal iria para as masmorras de véspera.

De qualquer forma, se em vez do Tribunal o nosso procurador frequentasse as Feiras Novas de Ponte, faria sucesso entre os cantadores ao desafio.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lágrima Cósmica Eventualidade

When All the Laughter Dies In Sorrow
 Kendrew Lascelles

When all the laughter dies in sorrow
And the tears have risen to a flood
When all the wars have found a cause
In human wisdom and in blood
Do you think they'll cry in sadness
Do you think the eye will blink
Do you think they'll curse the madness
Do you even think they'll think
When all the great galactic systems
Sigh to a frozen halt in space
Do you think there will be some remnant
Of beauty of the human race
Do you think there will be a vestige
Or a sniffle or a cosmic tear
Do you think a greater thinking thing
Will give a damn that man was here